Câmbio econômico
BCB/SGS + FRED — sub-área de Contas Externas
O real está caro ou barato em termos reais? Câmbio real (REER e bilateral deflacionado), paridade de juros Selic−Fed e o teste da UIP na prática.
Contas Externas — Brasil
Balanço de pagamentos BPM6 do BCB em acumulado de 12 meses, financiamento por investimento direto, reservas e a pauta de comércio da SECEX/MDIC.
Referência: mai/26 · Reservas em 24/07/2026 · Comex 2026-04 a 2026-06
O Brasil roda com déficit em conta corrente de 2,60% do PIB em 12 meses — acima da banda editorial de ±2%, mas abaixo da referência de risco de 4%; o déficit é integralmente financiado por investimento direto (o IDP cobre 130% do buraco); o colchão de reservas soma US$ 371 bi (11 meses de importação).
O Brasil roda com déficit em conta corrente de 2,60% do PIB — acima da banda de ±2%, abaixo da referência de risco de 4%
Saldo anual de transações correntes em % do PIB desde 2000 — a pergunta-mãe das contas externas: o país financia o próprio crescimento? O ano corrente entra como janela móvel de 12 meses.
Balanço de pagamentos
01 ·De onde vem o saldo
O comércio paga a conta dos lucros? A decomposição da conta corrente em 12 meses — e o eco do mês contra o mesmo mês do ano anterior.
O comércio gera US$ 67,5 bi em 12 meses — mas não paga a conta de US$ 131,6 bi de serviços e rendas
Saldo em transações correntes acumulado em 12 meses, US$ bilhões — positivos acima do zero, negativos abaixo; a linha navy é o saldo total.
Eco mensal
Transações correntes de mai/26: −US$ 3,2 bi — sem o mesmo mês do ano anterior na janela publicada.
Balança comercial
02 ·Comércio: o superávit cresce?
Exportações, importações e saldo de bens (BPM6) na janela de 12 meses, com o recorde da série anotado.
O superávit comercial soma US$ 67,5 bi em 12 meses — recorde: US$ 97,7 bi em fev/24
Exportações e importações de bens (BPM6) acumuladas em 12 meses; a área azul é o saldo. US$ bilhões.
Serviços
03 ·Onde mora o rombo de serviços
O déficit estrutural de serviços aberto por conta: transportes, viagens, telecom, propriedade intelectual.
Transportes lidera o déficit de serviços de US$ 51,8 bi em 12 meses (−US$ 13,2 bi)
Saldo por conta de serviços, acumulado em 12 meses, US$ bilhões — a linha navy é o saldo total de serviços.
Renda primária
04 ·Lucros e juros: por que o déficit não vai embora
A remuneração do capital estrangeiro instalado no país — o componente mais estável (e mais negativo) da conta corrente.
Lucros e juros drenam US$ 85,7 bi em 12 meses — mais que o superávit de bens (US$ 67,5 bi)
Saldo da renda primária por componente, acumulado em 12 meses, US$ bilhões. A linha tracejada verde é o saldo de bens 12m — a conta que o comércio precisa cobrir.
Financiamento
05 ·O financiamento é sadio?
Quanto do déficit o investimento direto cobre — e de que tipo de IDP estamos falando (participação ≠ quase-dívida intercompanhia).
O IDP cobre 130% do déficit em conta corrente — capital de longo prazo paga a conta
IDP acumulado 12m ÷ déficit em transações correntes 12m (ambos em % do PIB). Acima de 100%, o déficit é integralmente financiado por investimento direto.
Sem dados para o período selecionado.
Participação no capital responde por 50% do IDP de US$ 83,3 bi em 12 meses
Composição do IDP acumulado em 12 meses, US$ bilhões — a linha navy é o IDP total.
Reservas
06 ·O colchão
Quantos meses de importação as reservas pagam — e o nível do estoque em US$ bilhões.
As reservas pagam 11 meses de importação — 3,8× a regra de bolso do FMI
Painel de cima: quantos meses de importação as reservas cobrem, contra a régua de 3 meses do FMI. Painel de baixo: o nível das reservas em US$ bilhões (conceito liquidez).
Meses de importação cobertos
Sem dados para o período selecionado.
Nível das reservas
Sem dados para o período selecionado.
Comércio exterior
07 ·Comex em 3 cards
Composição da pauta por categoria e por parceiro — SECEX/MDIC, com a concentração na China em destaque.
Outros lidera a pauta exportadora (28% do top 15)
Principais categorias de exportação e importação nos últimos 12 meses. O share é calculado sobre a soma do top 15 listado — não sobre o total exportado/importado.
Exportações — share do top 15
- OutrosUS$ 28,7 bi28,0%
- Soja e derivadosUS$ 22,9 bi22,4%
- Petróleo e derivadosUS$ 19,0 bi18,6%
- Minério de ferroUS$ 7,3 bi7,1%
- Carne bovinaUS$ 5,1 bi5,0%
- VeÃculosUS$ 3,4 bi3,3%
- CaféUS$ 2,9 bi2,9%
- Carne de frangoUS$ 2,6 bi2,6%
- CeluloseUS$ 2,2 bi2,2%
- OuroUS$ 2,2 bi2,2%
- AçúcarUS$ 2,2 bi2,2%
- AlgodãoUS$ 1,4 bi1,3%
- Ferro e aço (semimanufaturados)US$ 1,1 bi1,1%
- AviõesUS$ 0,9 bi0,9%
- MilhoUS$ 0,3 bi0,3%
Importações — share do top 11
- OutrosUS$ 44,5 bi59,9%
- VeÃculos e peçasUS$ 9,4 bi12,6%
- Petróleo e derivadosUS$ 6,8 bi9,2%
- Adubos e fertilizantesUS$ 4,0 bi5,4%
- Eletrônicos (chips/celulares)US$ 3,3 bi4,4%
- MedicamentosUS$ 2,0 bi2,7%
- PlásticosUS$ 1,2 bi1,7%
- Pesticidas e defensivosUS$ 1,0 bi1,4%
- Máquinas industriaisUS$ 0,9 bi1,2%
- Cobre (catodos)US$ 0,8 bi1,1%
- TrigoUS$ 0,3 bi0,5%
China compra 53% do top 10 de destinos — e fornece 41% do top de origens
Top 10 destinos das exportações e origens das importações (12m). Share sobre a soma do top listado.
Destinos — share do top 10
- ChinaUS$ 34,3 bi52,9%
- Estados UnidosUS$ 9,7 bi14,9%
- ArgentinaUS$ 3,9 bi6,0%
- Países Baixos (Holanda)US$ 3,2 bi4,9%
- ÍndiaUS$ 2,7 bi4,1%
- EspanhaUS$ 2,6 bi4,0%
- SingapuraUS$ 2,5 bi3,8%
- MéxicoUS$ 2,3 bi3,6%
- AlemanhaUS$ 1,9 bi2,9%
- CanadáUS$ 1,8 bi2,8%
Origens — share do top 10
- ChinaUS$ 20,6 bi40,8%
- Estados UnidosUS$ 9,8 bi19,3%
- AlemanhaUS$ 3,8 bi7,5%
- ArgentinaUS$ 3,7 bi7,2%
- RússiaUS$ 3,5 bi6,9%
- MéxicoUS$ 2,0 bi4,0%
- Coreia do SulUS$ 2,0 bi4,0%
- ItáliaUS$ 1,8 bi3,6%
- ÍndiaUS$ 1,8 bi3,6%
- JapãoUS$ 1,6 bi3,1%
Contribuições por produto à variação do comércio — próxima evolução
No lugar das oito telas estáticas de composição mensal por seção.
As séries mensais empilhadas por seção do Sistema Harmonizado foram aposentadas: empilhar níveis mensais repete a sazonalidade da soja e do petróleo sem responder a pergunta que importa — o que mudou. A leitura correta é a contribuição de cada seção à variação interanual das exportações e importações, que exige o nível de 12 meses atrás (t-12) no builder do Comex. Evolução registrada na ficha técnica; até lá, os rankings acima respondem composição e os gráficos de 12m do bloco de comércio respondem tendência.
Esmiuçamento
08 ·Análise completa
As séries 12m lado a lado, mês a mês, e o export CSV de cada bloco.
Análise completa — as contas externas mês a mês
As séries acumuladas em 12 meses lado a lado (US$ bilhões, exceto onde indicado) e o export CSV de cada bloco.
| Mês | TC 12m | Bens | Serviços | R. primária | R. secundária | IDP 12m | Cobertura | Reservas |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| mai/26 | −64,1 | +67,5 | −51,8 | −85,7 | +5,9 | +83,3 | 130% | 371 |
| abr/26 | −64,3 | +67,0 | −51,3 | −85,7 | +5,8 | +79,2 | 123% | 367 |
| mar/26 | −64,2 | +64,2 | −50,3 | −84,0 | +5,9 | +75,7 | 118% | 362 |
| fev/26 | −61,2 | +65,7 | −49,8 | −82,8 | +5,8 | +75,9 | 124% | 371 |
| jan/26 | −65,7 | +61,3 | −49,8 | −82,7 | +5,6 | +79,2 | 121% | 364 |
| dez/25 | −66,7 | +59,7 | −50,6 | −81,3 | +5,5 | +77,7 | 116% | 358 |
| nov/25 | −73,5 | +55,3 | −52,1 | −82,2 | +5,4 | +83,1 | 113% | 361 |
| out/25 | −73,2 | +56,4 | −52,9 | −81,8 | +5,2 | +78,9 | 108% | 357 |
| set/25 | −75,3 | +53,6 | −53,1 | −81,0 | +5,1 | +74,7 | 99% | 357 |
| ago/25 | −73,2 | +55,7 | −53,9 | −80,1 | +5,0 | +67,9 | 93% | 351 |
| jul/25 | −75,9 | +54,1 | −55,1 | −79,9 | +5,0 | +68,3 | 90% | 345 |
| jun/25 | −75,5 | +54,7 | −55,2 | −80,0 | +5,0 | +68,5 | 91% | 344 |
Ficha técnica — fontes e metodologia
Fontes e séries (BCB/SGS, BPM6). Transações correntes 22701; bens 22707 (exportações 22711, importações por identidade); serviços 22719 (transportes 22728, viagens 22740, telecom/computação/informação 22776, propriedade intelectual 22779; demais = residual auditado); renda primária 22800 (lucros e dividendos de IDP 22812, lucros reinvestidos 22815, salários 22803; juros e demais = residual auditado da renda de investimento 22806); renda secundária 22838; IDP 22885 (participação 22891, reinvestimento 22892, intercompanhia = residual); reservas internacionais 13982 (diária, conceito liquidez). Denominador dos % do PIB: PIB acumulado em 12 meses em US$ (SGS 4192). Comércio por produto e país: SECEX/MDIC Comex Stat (NCM). Recessões: cronologia CODACE/FGV.
Correção histórica (importante).Na versão anterior deste painel, a série apresentada como "renda primária" era na verdade VIAGENS (SGS 22740) — corrigido para a renda primária de fato (22800). O denominador dos percentuais do PIB também foi corrigido para o PIB de 12 meses em US$ (SGS 4192). Com as duas correções, os números em % do PIB mudaram na casa de 2× — a leitura econômica anterior estava distorcida.
Metodologia — honestidade de cálculo.Todas as séries analíticas em ACUMULADO 12m: o fluxo mensal bruto do BP é dominado por sazonalidade (soja no 1º semestre, remessas de lucros no fim do ano) e só aparece como "eco mensal" contra o mesmo mês do ano anterior. Identidades (componentes = total) auditadas no builder com tolerância absoluta; resíduos são gravados como série própria, nunca forçados. Cobertura do déficit = IDP 12m ÷ |TC 12m|, sem leitura quando a TC está superavitária. Meses de importação = reservas ÷ média mensal 12m das importações (bens e serviços quando disponível).
Réguas editoriais (declaradas, não "científicas"). Banda de ±2% do PIB para a conta corrente é guia editorial — não há consenso de literatura; a referência de RISCO é assimétrica: déficits acima de 4% do PIB. Cobertura de 100% pelo IDP = déficit integralmente financiado por capital de longo prazo. Reservas: a regra de bolso do FMI é 3 MESES de importação (não 6) — o Brasil opera muito acima e a régua é contexto.
Evoluções registradas. Contribuições YoY por seção do Comex (exige nível t-12 no builder); Guidotti–Greenspan (reservas ≥ dívida externa de curto prazo — sem série integrada); métrica ARA do FMI.
Pipeline: data-pipeline/python/build_contas_externas.py (schema v2) · workflow contas-externas-pipeline.yml.
