A saúde financeira das famílias em quatro perguntas: quanto o trabalho rende, quanto custa a dívida, o que o salário compra e como a renda se distribui.
Referência: PNAD: trim. móvel fev–abr/26 · BCB: mar/26 · Poder de compra: mai/26
No trimestre móvel fev–abr/26, o trabalhador brasileiro ganhou em média R$ 3.732 por mês, alta real de 5,3% em 12 meses. As famílias devem aos bancos o equivalente a 49,8% da renda acumulada em 12 meses e destinam 29,3% da renda do mês ao serviço da dívida. Uma cesta básica custa 104 horas de salário mínimo, e o mínimo equivale a US$ 325 pela PTAX. Na estrutura social, os 10% mais ricos concentram 40,3% da renda e 25,2% da população vive com menos de US$ 8,30 por dia (PPC).
Rendimento médio real habitual de todos os trabalhos (PNAD Contínua, trimestre móvel fev–abr/26). Painel de baixo: variação real contra o mesmo trimestre móvel do ano anterior. O valor nominal aparece no tooltip — no gráfico ele só contaria a história da inflação.
Nível real (R$ por mês)
Variação real em 12 meses
Renda agregada
A massa real de rendimento do trabalho — renda média × ocupados, o combustível do consumo das famílias.
Renda média × ocupados: o poder de consumo agregado que vem do TRABALHO. Painel de cima: nível real em R$ bilhões/mês; painel de baixo: variação contra o mesmo trimestre móvel do ano anterior.
Nível real (R$ bilhões por mês)
Variação real em 12 meses
Renda relativa
O prêmio da carteira assinada (razão formal ÷ informal) e a trajetória das 4 posições em base 100.
Razão entre o rendimento real médio do empregado privado COM carteira e SEM carteira. Acima de 1, o formal ganha mais; a inclinação diz se o prêmio da formalidade abre ou fecha.
Balanço das famílias
O estoque de dívida em % da renda anual, separando a casa própria do crédito de consumo.
Dívida total das famílias com o sistema financeiro ÷ renda acumulada em 12 meses. A fatia habitacional (derivada por diferença) constrói patrimônio e tem juro/garantia próprios; a não habitacional é a que pressiona o orçamento corrente.
Fluxo mensal
O serviço da dívida decomposto em juros e amortização — e o efeito dos ciclos de aperto da Selic.
Parcela da renda mensal das famílias destinada a pagar dívida, decomposta em JUROS (o custo) e AMORTIZAÇÃO (o principal). O topo da pilha é o comprometimento total por construção.
Preço do crédito
As taxas que a família paga por modalidade, contra a Selic — o spread é o resto da história.
Taxa média das NOVAS concessões por modalidade (% a.a.). A distância entre cada linha e a Selic tracejada é o spread: risco esperado, garantia, cunha fiscal e margem.
Taxa média PF (abr/26)
39,0% a.a.
média de todas as modalidades, livres + direcionados
Qualidade do crédito
Atrasos acima de 90 dias por modalidade — com o rotativo na escala certa: a do chip.
Atrasos acima de 90 dias, recursos livres, por modalidade — todas na mesma escala (0–12%). O rotativo fica no chip: no mesmo eixo, ele esmagaria todas as outras linhas.
Cartão rotativo (abr/26)
60,6%
fora do gráfico: saldo pequeno (30 dias de fatura) + seleção adversa — taxa estruturalmente inflada desde a regra de 2017
Estrutura da dívida
A composição do saldo de crédito PF ao longo do tempo — a foto estrutural, com os marcos regulatórios.
Participação de cada modalidade no saldo total de crédito à pessoa física (% — a pilha soma 100). É a foto ESTRUTURAL da dívida: muda devagar, e cada virada tem um marco regulatório atrás.
Régua estrutural
O salário medido em coisas: salário mínimo real, cesta básica em horas, dólar (PTAX × PPC) e imóveis contra a inflação.
Custo da cesta básica média ÷ valor da hora de salário mínimo (SM bruto ÷ 220h). Quanto MENOR, maior o poder de compra. A banda cinza é o intervalo mín–máx de toda a série.
Cesta (abr/26)
R$ 763
% do salário mínimo
47,1%
cesta ÷ SM bruto do mês
Duas conversões do mesmo salário: pela PTAX (poder de compra em moeda forte, sensível ao câmbio) e por paridade de poder de compra (o que o SM compra DENTRO do país). A distância entre as linhas é o desalinhamento cambial.
Valor do salário mínimo em R$ constantes (deflacionado pelo INPC). Só a linha REAL: o nominal sobe sempre e não responde nenhuma pergunta — a história está nos três regimes sombreados.
Variação acumulada em 12 meses do FipeZap residencial (venda, Brasil) contra o IPCA 12m, no mesmo eixo. Quando a linha do FipeZap roda ABAIXO do IPCA, o imóvel perde valor em termos reais — mesmo subindo no nominal.
Esmiuçamento
Tabela dos últimos 12 meses e as séries integrais de cada bloco em CSV.
Os principais indicadores mensais do painel nos últimos 12 meses, e as séries completas em CSV (padrão Excel pt-BR).
| Mês | Endividamento (% renda 12m) | Comprometimento (% mês) | Inadimpl. livres (%) | Cesta (h de SM) | SM (US$ PTAX) |
|---|---|---|---|---|---|
| mar/26 | 49,8% | 29,3% | 7,0% | 100,8 h | US$ 310 |
| fev/26 | 49,9% | 29,6% | 7,2% | 96,2 h | US$ 312 |
| jan/26 | 49,8% | 29,5% | 7,0% | 95,9 h | US$ 304 |
| dez/25 | 49,7% | 29,2% | 6,9% | 100,8 h | US$ 278 |
| nov/25 | 49,7% | 29,0% | 6,7% | 100,4 h | US$ 284 |
| out/25 | 49,3% | 29,3% | 6,7% | 102,3 h | US$ 282 |
| set/25 | 49,1% | 28,8% | 6,7% | 102,0 h | US$ 283 |
| ago/25 | 48,9% | 28,6% | 6,8% | 103,5 h | US$ 279 |
| jul/25 | 48,6% | 28,0% | 6,5% | 106,1 h | US$ 275 |
| jun/25 | 48,8% | 28,0% | 6,3% | 106,8 h | US$ 274 |
| mai/25 | 48,9% | 28,1% | 6,2% | 107,3 h | US$ 268 |
| abr/25 | 48,9% | 27,8% | 6,0% | 108,5 h | US$ 262 |
Fontes por bloco. Renda: IBGE/SIDRA PNAD Contínua 6390 (rendimento médio), 6389 (por posição na ocupação) e 6392 (massa de rendimento, via painel Emprego). Endividamento: BCB SGS 29037/29038 (endividamento), 29033/29034/29036 (comprometimento), inadimplência e taxas por modalidade (recursos livres PF), saldos 20541+ (composição do estoque). Poder de compra: DIEESE via Ipeadata (cesta básica, painel fixo de capitais), BCB SGS 1619/3697 (SM e PTAX), Ipeadata/IPEA (SM em US$ PPC), FipeZap (Ipeadata FIPE12_VENBR12) e IPCA 12m (SGS 13522). Estrutura social: IBGE/SIDRA 7530 (concentração) e 7435 (Gini), Ipeadata (pobreza, transferências MDS, IPCA por faixa de renda do IPEA). Recessões: cronologia CODACE/FGV (última datação oficial: 2020).
Deflatores — declarados. As séries da PNAD Contínua (renda, posição, massa) já chegam DEFLACIONADAS pelo próprio IBGE, com deflatores do IPCA específicos da pesquisa — não usamos INPC nem re-deflacionamos nada. Salário mínimo real (Ipeadata GAC12_SALMINRE12) e transferências sociais (PBF/BPC, R$ constantes no builder, base = último mês com índice publicado) usam INPC. FipeZap é comparado ao IPCA acumulado em 12 meses no mesmo eixo — a distância é a variação real.
Janelas e réguas.PNAD Contínua é TRIMESTRE MÓVEL: cada ponto agrega 3 meses terminados no mês do rótulo — compare sempre com o mesmo trimestre móvel do ano anterior. Cesta básica usa painel FIXO de capitais (média simples) e a régua própria SM bruto ÷ 220h — difere da conta oficial do DIEESE. Endividamento sem "faixa de risco": não há limiar técnico consensual, e na comparação da OCDE (dívida ÷ renda disponível) o nível brasileiro é baixo ante economias avançadas — com denominadores e cobertura (só SFN) diferentes, a comparação é indicativa. Faixas editoriais (ciclos de aperto Selic, regimes do salário mínimo, marcos regulatórios) são sempre declaradas nos footers dos cards.
Pipeline: data-pipeline (familias-pipeline.yml, diário 23h30 UTC) · schema v2 dos JSONs no Blob.