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Famílias — Brasil

A saúde financeira das famílias em quatro perguntas: quanto o trabalho rende, quanto custa a dívida, o que o salário compra e como a renda se distribui.

Referência: PNAD: trim. móvel mar–mai/26 · BCB: abr/26 · Poder de compra: jun/26

No trimestre móvel mar–mai/26, o trabalhador brasileiro ganhou em média R$ 3.726 por mês, alta real de 4,0% em 12 meses. As famílias devem aos bancos o equivalente a 49,8% da renda acumulada em 12 meses e destinam 28,2% da renda do mês ao serviço da dívida. Uma cesta básica custa 109 horas de salário mínimo, e o mínimo equivale a US$ 316 pela PTAX. Na estrutura social, os 10% mais ricos concentram 40,3% da renda e 25,2% da população vive com menos de US$ 8,30 por dia (PPC).

Renda real do trabalho
R$ 3.726por mês
+4,0%real, 12mtrim. móvel mar–mai/26
Endividamento total
49,8%da renda 12m
+0,9 p.p.vs 12mdívida bancária ÷ renda anual
Comprometimento mensal
28,2%da renda do mês
+1,1 p.p.vs 12mjuros + amortização
Cesta básica
109 hde salário mínimo
+2h vs 12m49% do SM bruto

Renda real do trabalho: R$ 3.726 por mês — alta de 4,0% em um ano

Rendimento médio real habitual de todos os trabalhos (PNAD Contínua, trimestre móvel mar–mai/26). Painel de baixo: variação real contra o mesmo trimestre móvel do ano anterior. O valor nominal aparece no tooltip — no gráfico ele só contaria a história da inflação.

Nível real (R$ por mês)

Variação real em 12 meses

Giro 27/07/26Dado 01/05/26

Renda agregada

01 ·O bolo de salários

A massa real de rendimento do trabalho — renda média × ocupados, o combustível do consumo das famílias.

Massa real de salários: R$ 378 bi por mês — alta de 4,8% em um ano

Renda média × ocupados: o poder de consumo agregado que vem do TRABALHO. Painel de cima: nível real em R$ bilhões/mês; painel de baixo: variação contra o mesmo trimestre móvel do ano anterior.

Nível real (R$ bilhões por mês)

Variação real em 12 meses

Giro 16/07/26Dado 01/05/26

Renda relativa

02 ·Renda: quem ganha a corrida?

O prêmio da carteira assinada (razão formal ÷ informal) e a trajetória das 4 posições em base 100.

Quem tem carteira assinada ganha 1,28× o informal — diferença estável no último ano

Razão entre o rendimento real médio do empregado privado COM carteira e SEM carteira. Acima de 1, o formal ganha mais; a inclinação diz se o prêmio da formalidade abre ou fecha.

Giro 27/07/26Dado 01/05/26

Balanço das famílias

03 ·Dívida: patrimônio ou consumo?

O estoque de dívida em % da renda anual, separando a casa própria do crédito de consumo.

Famílias devem 49,8% da renda anual aos bancos — 37% disso é a casa própria

Dívida total das famílias com o sistema financeiro ÷ renda acumulada em 12 meses. A fatia habitacional (derivada por diferença) constrói patrimônio e tem juro/garantia próprios; a não habitacional é a que pressiona o orçamento corrente.

Giro 27/07/26Dado 01/04/26

Fluxo mensal

04 ·Quanto do salário vai ao banco?

O serviço da dívida decomposto em juros e amortização — e o efeito dos ciclos de aperto da Selic.

28,2% da renda do mês vai ao serviço da dívida — acima da média histórica (23,1%)

Parcela da renda mensal das famílias destinada a pagar dívida, decomposta em JUROS (o custo) e AMORTIZAÇÃO (o principal). O topo da pilha é o comprometimento total por construção.

Giro 27/07/26Dado 01/04/26

Preço do crédito

05 ·A que preço?

As taxas que a família paga por modalidade, contra a Selic — o spread é o resto da história.

Crédito livre à pessoa física custa 62,8% ao ano — 49 p.p. acima da Selic

Taxa média das NOVAS concessões por modalidade (% a.a.). A distância entre cada linha e a Selic tracejada é o spread: risco esperado, garantia, cunha fiscal e margem.

Taxa média PF (mai/26)

38,9% a.a.

média de todas as modalidades, livres + direcionados

Giro 27/07/26Dado 01/05/26

Qualidade do crédito

06 ·Estresse de crédito

Atrasos acima de 90 dias por modalidade — com o rotativo na escala certa: a do chip.

Inadimplência do crédito livre PF em 7,6% — o cartão parcelado (12,5%) é o ponto de atenção

Atrasos acima de 90 dias, recursos livres, por modalidade — todas na mesma escala (0–12%). O rotativo fica no chip: no mesmo eixo, ele esmagaria todas as outras linhas.

Cartão rotativo (mai/26)

63,0%

fora do gráfico: saldo pequeno (30 dias de fatura) + seleção adversa — taxa estruturalmente inflada desde a regra de 2017

Giro 27/07/26Dado 01/05/26

Estrutura da dívida

07 ·Onde mora a dívida

A composição do saldo de crédito PF ao longo do tempo — a foto estrutural, com os marcos regulatórios.

Onde mora a dívida: 30% do estoque é habitacional

Participação de cada modalidade no saldo total de crédito à pessoa física (% — a pilha soma 100). É a foto ESTRUTURAL da dívida: muda devagar, e cada virada tem um marco regulatório atrás.

Giro 27/07/26Dado 01/05/26

Régua estrutural

08 ·Poder de compra

O salário medido em coisas: salário mínimo real, cesta básica em horas, dólar (PTAX × PPC) e imóveis contra a inflação.

Uma cesta básica custa 109 horas de salário mínimo — acima da média histórica (100h)

Custo da cesta básica média ÷ valor da hora de salário mínimo (SM bruto ÷ 220h). Quanto MENOR, maior o poder de compra. A banda cinza é o intervalo mín–máx de toda a série.

Cesta (jun/26)

R$ 801

% do salário mínimo

49,4%

cesta ÷ SM bruto do mês

Giro 27/07/26Dado 01/06/26

Salário mínimo vale US$ 316 pela PTAX — acima da média de 20 anos (US$ 260)

Duas conversões do mesmo salário: pela PTAX (poder de compra em moeda forte, sensível ao câmbio) e por paridade de poder de compra (o que o SM compra DENTRO do país). A distância entre as linhas é o desalinhamento cambial.

Giro 27/07/26Dado 01/06/26

Salário mínimo real em R$ 1.621 — 8,1% abaixo do pico (out/61)

Valor do salário mínimo em R$ constantes (deflacionado pelo INPC). Só a linha REAL: o nominal sobe sempre e não responde nenhuma pergunta — a história está nos três regimes sombreados.

Giro 27/07/26Dado 01/06/26

Imóveis sobem 5,6% em 12 meses — acima da inflação (4,6%): valorização real

Variação acumulada em 12 meses do FipeZap residencial (venda, Brasil) contra o IPCA 12m, no mesmo eixo. Quando a linha do FipeZap roda ABAIXO do IPCA, o imóvel perde valor em termos reais — mesmo subindo no nominal.

Giro 27/07/26Dado 01/06/26

Distribuição

09 ·Estrutura social

Concentração, pobreza, transferências em termos reais, Gini e a inflação que cada faixa de renda realmente sente.

Os 10% mais ricos ficam com 40,3% da renda — 3,4× o que vai aos 40% mais pobres

Fatia da massa de rendimento domiciliar per capita capturada pelos 10% do topo e pelos 40% da base (PNADC anual). A razão entre as duas aparece no tooltip.

Giro 27/07/26Dado 01/12/25

25,2% da população vive com menos de US$ 8,30/dia — o menor patamar da série

Percentual da população abaixo de cada linha de pobreza do Banco Mundial, em paridade de poder de compra (PPC 2021).

Giro 27/07/26Dado 01/12/25

Bolsa Família + BPC somam R$ 12,9 bi por mês em termos reais

Valor mensal pago em Bolsa Família e BPC, em R$ CONSTANTES (deflator INPC). Em termos reais, o gráfico mostra decisões de política — não inflação.

BPC — beneficiários (mai/26)

6,4 mi de pessoas

pessoas ≠ reais: por isso o número vive aqui, não no eixo do gráfico

Eixo Y em R$ bilhões/mês constantes.

Giro 27/07/26Dado 01/06/26

Gini em 0,511 em 2025 — entre o piso (0,504) e o teto (0,545) da série

Gini do rendimento domiciliar per capita (0 = igualdade total; 1 = concentração total). EIXO TRUNCADO de propósito: nesta métrica, variações de 0,01 são relevantes — num eixo 0–1 a série viraria uma reta.

Giro 27/07/26Dado 01/12/25

A inflação dos mais pobres roda 1,0 p.p. ABAIXO da dos mais ricos (12 meses)

Inflação acumulada em 12 meses da cesta de consumo de cada faixa de renda (3 faixas legíveis). Painel de baixo: spread muito baixa − alta, em pontos percentuais.

Acumulado em 12 meses (%)

Spread: muito baixa − alta (p.p.)

Giro 27/07/26Dado 01/05/26

Esmiuçamento

10 ·Análise completa

Tabela dos últimos 12 meses e as séries integrais de cada bloco em CSV.

Análise completa — tabela e export por bloco

Os principais indicadores mensais do painel nos últimos 12 meses, e as séries completas em CSV (padrão Excel pt-BR).

MêsEndividamento (% renda 12m)Comprometimento (% mês)Inadimpl. livres (%)Cesta (h de SM)SM (US$ PTAX)
abr/2649,8%28,2%7,4%103,6 hUS$ 322
mar/2649,8%28,2%7,3%100,8 hUS$ 310
fev/2649,8%28,3%7,4%96,2 hUS$ 312
jan/2649,9%28,3%7,2%95,9 hUS$ 304
dez/2549,7%28,1%7,1%100,8 hUS$ 278
nov/2549,6%27,9%6,9%100,4 hUS$ 284
out/2549,5%27,9%6,9%102,3 hUS$ 282
set/2549,1%27,8%6,9%102,0 hUS$ 283
ago/2548,9%27,6%7,0%103,5 hUS$ 279
jul/2548,8%27,3%6,7%106,1 hUS$ 275
jun/2548,8%27,2%6,5%106,8 hUS$ 274
mai/2548,9%27,2%6,4%107,3 hUS$ 268
Giro 27/07/26Dado 01/04/26
Ficha técnica — fontes e metodologia

Fontes por bloco. Renda: IBGE/SIDRA PNAD Contínua 6390 (rendimento médio), 6389 (por posição na ocupação) e 6392 (massa de rendimento, via painel Emprego). Endividamento: BCB SGS 29037/29038 (endividamento), 29033/29034/29036 (comprometimento), inadimplência e taxas por modalidade (recursos livres PF), saldos 20541+ (composição do estoque). Poder de compra: DIEESE via Ipeadata (cesta básica, painel fixo de capitais), BCB SGS 1619/3697 (SM e PTAX), Ipeadata/IPEA (SM em US$ PPC), FipeZap (Ipeadata FIPE12_VENBR12) e IPCA 12m (SGS 13522). Estrutura social: IBGE/SIDRA 7530 (concentração) e 7435 (Gini), Ipeadata (pobreza, transferências MDS, IPCA por faixa de renda do IPEA). Recessões: cronologia CODACE/FGV (última datação oficial: 2020).

Deflatores — declarados. As séries da PNAD Contínua (renda, posição, massa) já chegam DEFLACIONADAS pelo próprio IBGE, com deflatores do IPCA específicos da pesquisa — não usamos INPC nem re-deflacionamos nada. Salário mínimo real (Ipeadata GAC12_SALMINRE12) e transferências sociais (PBF/BPC, R$ constantes no builder, base = último mês com índice publicado) usam INPC. FipeZap é comparado ao IPCA acumulado em 12 meses no mesmo eixo — a distância é a variação real.

Janelas e réguas.PNAD Contínua é TRIMESTRE MÓVEL: cada ponto agrega 3 meses terminados no mês do rótulo — compare sempre com o mesmo trimestre móvel do ano anterior. Cesta básica usa painel FIXO de capitais (média simples) e a régua própria SM bruto ÷ 220h — difere da conta oficial do DIEESE. Endividamento sem "faixa de risco": não há limiar técnico consensual, e na comparação da OCDE (dívida ÷ renda disponível) o nível brasileiro é baixo ante economias avançadas — com denominadores e cobertura (só SFN) diferentes, a comparação é indicativa. Faixas editoriais (ciclos de aperto Selic, regimes do salário mínimo, marcos regulatórios) são sempre declaradas nos footers dos cards.

Pipeline: data-pipeline (familias-pipeline.yml, diário 23h30 UTC) · schema v2 dos JSONs no Blob.