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Termômetro Fiscal

Aplicação das fórmulas e tabelas de "How Countries Go Broke" (Ray Dalio, 2025) ao Brasil.

Leia isto primeiro (em 30 segundos)

Por que Dívida/Receita?

Dalio usa receita do governo no denominador (não PIB) porque é a fonte real de pagamento. Brasil: dívida = 4,4× a receita líquida do gov central.

O que é "estabilizar"?

Dívida/Receita para de crescer (não diminui). É o mínimo para evitar bola de neve. Hoje r−g = +5,9 pp, dívida cresce mesmo com primário neutro.

Os 4 Levers (alavancas)

Cortar juros, aceitar mais inflação, cortar despesa, ou aumentar receita. O simulador interativo abaixo permite testar combinações.

Distribuição dos indicadores

Como cada indicador está classificado pelas faixas Dalio (verde / atenção / crítico / break). Não é nota — é contagem.

20 indicadores
2
2
11
5
Verde2
Atenção2
Crítico11
BREAK5
Sem dado0

Indicadores Dalio semaforizados

A. Carga da dívida

DBGG / PIB

Crítico
81.04%
Pior →
BREAK130%
Crítico100%
Atenção80%
Verde60%
Melhor →

Dívida bruta do governo geral / PIB. Métrica padrão FMI/Maastricht.

DBGG: Dívida Bruta do Governo Geral (gov. central + estados + municípios). Métrica padrão do FMI.
PIB: Produto Interno Bruto.

DBGG / Receita

calculadoCrítico
438%
Pior →
BREAK700%
Crítico500%
Atenção350%
Verde200%
Melhor →

Métrica Dalio (Debt/Income). NOTA DE PERÍMETRO: DBGG é do governo GERAL e a receita é do governo CENTRAL — proxy conservadora (infla a razão vs o Debt/Revenue do livro, que usa dívida e receita do mesmo ente).

DBGG: Dívida Bruta do Governo Geral (gov. central + estados + municípios). Métrica padrão do FMI.

Crédito total / PIB

Atenção
55.69%
Pior →
BREAK120%
Crítico90%
Atenção65%
Verde40%
Melhor →

Crédito ao setor privado (famílias + empresas) sobre PIB. Saturação alta sinaliza estágio tardio do Big Debt Cycle.

PIB: Produto Interno Bruto.

Dívida total economia / PIB

calculadoAtenção
137%
Pior →
BREAK280%
Crítico200%
Atenção150%
Verde100%
Melhor →

Dívida total = governo + privado (famílias+empresas). EUA ~250%, China ~290%, Japão ~410%.

PIB: Produto Interno Bruto.

B. Capacidade de pagamento

Juros / PIB

Crítico
7.60%
Pior →
BREAK10%
Crítico7%
Atenção5%
Verde3%
Melhor →

Despesa anual com juros nominais do gov central / PIB.

PIB: Produto Interno Bruto.

Juros / Receita

BREAK
41.10%
Pior →
BREAK40%
Crítico30%
Atenção20%
Verde10%
Melhor →

Métrica Dalio. Quanto da receita anual é consumida só pra pagar juros. Acima de 30% = zona de alerta.

Taxa implícita da DLSP (a.a.)

calculadoCrítico
13.09%
Pior →
BREAK14%
Crítico11%
Atenção8%
Verde5%
Melhor →

Juros nominais 12m ÷ DLSP média 12m — convenção BCB, perímetro ÚNICO (setor público consolidado). Custo efetivo do estoque, distinto da Selic over.

DLSP: Dívida Líquida do Setor Público (DBGG − créditos públicos − ativos).

Primário p/ estabilizar (% PIB)

calculadoCrítico
3.41%
Pior →
BREAK6%
Crítico4%
Atenção2%
Verde1%
Melhor →

Superávit primário necessário pra Dívida/PIB parar de crescer (Blanchard). Brasil hoje precisa de superávit > 2.5% PIB; realizado é déficit.

PIB: Produto Interno Bruto.

C. Estrutura da dívida

% DPMFi em Selic/LFT

Crítico
50.87%
Pior →
BREAK70%
Crítico55%
Atenção40%
Verde20%
Melhor →

Dívida indexada à Selic transmite alta de juros direto pro estoque. Brasil 2002 era 70%, hoje ~46%.

DPMFi: Dívida Pública Mobiliária Federal interna (títulos do Tesouro).
LFT: Letra Financeira do Tesouro — título indexado à Selic.
Selic: Taxa básica de juros do Banco Central.

% DPMFi prefixado

Crítico
21.77%
Melhor →
BREAK10%
Crítico15%
Atenção25%
Verde30%
Pior →

Prefixado fixa o custo — protege contra aperto monetário. Acima de 30% é saudável.

DPMFi: Dívida Pública Mobiliária Federal interna (títulos do Tesouro).

% DPMFi em câmbio

Verde
1.02%
Pior →
BREAK25%
Crítico15%
Atenção8%
Verde3%
Melhor →

Dívida em câmbio explode em desvalorizações. Brasil tem virtude estrutural (~1-3%); Argentina 2001 tinha >60%.

DPMFi: Dívida Pública Mobiliária Federal interna (títulos do Tesouro).

D. Sinais de stress

REER — variação 12m

Verde
-10.59%
Pior →
BREAK30%
Crítico20%
Atenção10%
Verde5%
Melhor →

Variação 12m do câmbio real efetivo (na série do BCB, ALTA = DEPRECIAÇÃO real do BRL). O sinal Dalio é a depreciação real PERSISTENTE — fuga da moeda; o nível do índice tem base arbitrária e não semaforiza.

REER: Real Effective Exchange Rate (câmbio real efetivo) — média ponderada pelas trocas comerciais.

Selic real ex-post (a.a.)

calculadoCrítico
9.09%
Pior →
BREAK12%
Crítico9%
Atenção6%
Verde3%
Melhor →

Selic - IPCA 12m. Brasil exige real alto pra compensar histórico inflacionário. Acima de 10% sufoca crescimento.

Selic: Taxa básica de juros do Banco Central.

r − g (pp)

calculadoCrítico
5.92 pp
Pior →
BREAK6pp
Crítico4pp
Atenção2pp
Verde0pp
Melhor →

Taxa de juros nominal menos crescimento nominal. Quando r > g, dívida cresce mesmo com primário neutro (Domar).

Primário 12m / PIB

Crítico
-1.06%
Melhor →
BREAK-4%
Crítico-2%
Atenção0%
Verde2%
Pior →

Resultado primário gov central 12m % PIB. Convenção Brasil: positivo = superávit. Brasil 2003-08: +3.5%. 2024: -1%.

PIB: Produto Interno Bruto.

NFSP 12m / PIB

Crítico
9.61%
Pior →
BREAK12%
Crítico8%
Atenção5%
Verde2%
Melhor →

Necessidade de financiamento setor público (déficit nominal). Brasil hoje em zona vermelha por causa dos juros.

NFSP: Necessidade de Financiamento do Setor Público — déficit nominal anual.
PIB: Produto Interno Bruto.

E. Alavancas (Levers) — quanto cada uma teria que mexer

Δ juros pra estabilizar

calculadoBREAK
7.32 pp
Pior →
BREAK6pp
Crítico4pp
Atenção3pp
Verde2pp
Melhor →

Quanto a taxa de juros teria que cair (em magnitude) pra estabilizar Dívida/Receita.

Δ inflação pra estabilizar

calculadoBREAK
7.32 pp
Pior →
BREAK6pp
Crítico4pp
Atenção3pp
Verde2pp
Melhor →

Inflação adicional necessária pra erodir dívida via crescimento nominal.

Corte de despesa necessário

calculadoBREAK
28.33%
Pior →
BREAK18%
Crítico12%
Atenção7%
Verde3%
Melhor →

% da despesa primária total que precisaria ser cortado isoladamente.

Aumento de receita necessário

calculadoBREAK
39.52%
Pior →
BREAK18%
Crítico12%
Atenção7%
Verde3%
Melhor →

% de aumento na receita líquida (mantendo despesa) pra estabilizar.

Faixas calibradas pela AZ a partir dos casos históricos do livro (Reino Unido 1976, Japão pós-1990, Argentina 2001, EUA pós-2008) — não são números do livro.

Giro 27/07/26Dado mai/26

20 indicadores em 5 categorias. Ponto Brasil (▶) destacado na régua à direita de cada card.

Simulador interativo: trajetoria da divida em 10 anos

Presets
Custo medio da divida
13.09% a.a.
4% a.a.16% a.a.

Taxa implicita da DLSP (juros nominais 12m / DLSP media). Atual: dados live do BCB.

Crescimento real do PIB
1.84% a.a.
-2% a.a.5% a.a.

PIB real YoY. Atual: BCB SGS 22099.

Inflacao (IPCA)
4.64% a.a.
1% a.a.12% a.a.

IPCA 12m. Erode divida via crescimento nominal.

Primario gov central
-1.06% PIB
-4% PIB4% PIB

Positivo = superavit. Atual: derivado RTN. + = melhor para divida.

g nominal (derivado)
6.48%
1.84% + 4.64%
r − g
+6.61 pp
divida cresce sozinha
Primario p/ estabilizar
5.03%
Blanchard (% PIB)
Gap primario
-6.09 pp
realizado vs necessario
Divida/Receita em 10 anos
877%vs base 877%+0 pp

Sliders comecam com valores atuais (API). Arraste para simular cenarios. Equacao iterativa do livro (Dalio): Divida(t+1)/Receita(t+1) = [Divida(t)*(1+i) + Deficit Primario(t)] / [Receita(t)*(1+g_nominal)].

Dívida/Receita após 10 anos (tabela do livro, cap. The Mechanics)

Premissa: Cenário simplificado do livro — assume juros nominais = crescimento nominal (i = g). Isola o efeito do déficit primário acumulado. Valor da célula = Dívida/Receita depois de 10 anos.
Déficit primário anual (% Receita)
Dívida/Receita HOJE0%5%10%15%20%25%30%
0%0%50%100%150%200%250%300%
100%100%150%200%250%300%350%400%
200%200%250%300%350%400%450%500%
300%300%350%400%450%500%550%600%
400%400%450%500%550%600%650%700%
500%500%550%600%650%700%750%800%
600%600%650%700%750%800%850%900%
700%700%750%800%850%900%950%1000%
Brasil hoje: linha 438% × coluna 6%

Giro 27/07/26Dado mai/26

Dívida/Receita após 10 anos — variando o gap r − g (tabela do livro)

Premissa: Cenário realista — assume déficit primário constante (Brasil hoje: 5.74% da receita). Varia o gap r−g.
Gap r − g (pontos percentuais)
Dívida/Receita HOJE-3pp-2pp-1pp0pp1pp2pp3pp
0%50.7%52.8%55%57.4%59.8%62.4%65.2%
100%125.9%135.6%146.1%157.4%169.6%182.7%197%
200%201.2%218.4%237.1%257.4%279.3%303.1%328.8%
300%276.5%301.3%328.2%357.4%389%423.4%460.6%
400%351.8%384.1%419.2%457.4%498.8%543.7%592.4%
500%427.1%466.9%510.3%557.4%608.5%664%724.1%
600%502.4%549.8%601.3%657.4%718.2%784.3%855.9%
700%577.6%632.6%692.4%757.4%828%904.6%987.7%
Brasil hoje: linha 438% × coluna 6pp

Giro 27/07/26Dado mai/26

Os 4 Levers (alavancas) para estabilizar a dívida

1.Baixar juros

Taxa nominal efetiva da dívida que estabilizaria Dívida/Receita.

Difícil
Atual
13.09% a.a.
Necessário
5.77% a.a.
Base: taxa implícita da DLSP (a.a.)
Ajuste: -7.32 pp

2.Mais inflação

Inflação que subiria crescimento nominal o suficiente para erodir a dívida.

Difícil
Atual
4.64% a.a.
Necessário
11.96% a.a.
Base: IPCA 12m
Ajuste: +7.32 pp

3.Cortar despesa

Corte na despesa primária total para fechar o gap consistente com r−g atual.

Difícil
Atual
105.74% Receita
Necessário
75.78% Receita
Base: despesa primária / Receita líquida
Ajuste: +28.33 pp

4.Aumentar receita

Aumento da receita líquida (mantendo despesa) para estabilizar Dívida/Receita.

Difícil
Atual
18.49% PIB
Necessário
25.79% PIB
Base: receita líquida / PIB
Ajuste: +39,5% de arrecadação
Leitura combinada: nenhum lever sozinho resolve o caso brasileiro hoje em magnitudes plausíveis politicamente — Dalio prevê que países nesse perfil precisam combinar dois ou mais ao longo do tempo. Caso histórico mais próximo: Reino Unido 1976 (aumento de impostos + corte de gastos + bailout do FMI).

Giro 27/07/26Dado mai/26

Dalio: "todo governo com dívida em moeda própria tem 4 alavancas". Cada card mostra o ajuste isolado necessário.

Premissas e metodologia

Variáveis de entrada (mês 2026-05):
  • Dívida/Receita = 438% (DBGG ÷ Receita líquida Tesouro 12m)
  • Déficit primário = 5.7% da receita
  • i = 13.09% a.a. (taxa implícita da DLSP: juros nominais 12m ÷ DLSP média)
  • g = 7.17% a.a. (PIB nominal 12m YoY)

Termometro Fiscal baseado em 'How Countries Go Broke' (Ray Dalio, 2025). 20 indicadores semaforizados em 5 categorias (Carga, Capacidade, Estrutura, Stress, Levers) — FAIXAS CALIBRADAS PELA AZ a partir dos casos historicos do livro, nao numeros do livro. r, g, r-g e primario estabilizador vem do bloco 'sustentabilidade' do fiscal-classicos v2 (taxa implicita da DLSP x PIB nominal 12m YoY, perimetro unico do setor publico consolidado) — calculados UMA vez no pipeline; nenhum componente do front recalcula. Equacao iterativa Debt(t+1)/Income(t+1) = [Debt(t)*(1+i) + Primary_Deficit(t)] / [Income(t)*(1+g)], matrizes Debt-to-Income apos 10 anos variando deficit e gap (i-g), e os 4 Levers calculados isoladamente. Variaveis em tempo real: BCB SGS, Tesouro RTN, IBGE.

Última atualização: 27/07/2026, 14:39:41.