Termômetro Fiscal
Aplicação das fórmulas e tabelas de "How Countries Go Broke" (Ray Dalio, 2025) ao Brasil.
Leia isto primeiro (em 30 segundos)
Dalio usa receita do governo no denominador (não PIB) porque é a fonte real de pagamento. Brasil: dívida = 4,4× a receita líquida do gov central.
Dívida/Receita para de crescer (não diminui). É o mínimo para evitar bola de neve. Hoje r−g = +5,9 pp, dívida cresce mesmo com primário neutro.
Cortar juros, aceitar mais inflação, cortar despesa, ou aumentar receita. O simulador interativo abaixo permite testar combinações.
Distribuição dos indicadores
Como cada indicador está classificado pelas faixas Dalio (verde / atenção / crítico / break). Não é nota — é contagem.
Indicadores Dalio semaforizados
A. Carga da dívida
DBGG / PIB
Dívida bruta do governo geral / PIB. Métrica padrão FMI/Maastricht.
DBGG / Receita
Métrica Dalio (Debt/Income). NOTA DE PERÍMETRO: DBGG é do governo GERAL e a receita é do governo CENTRAL — proxy conservadora (infla a razão vs o Debt/Revenue do livro, que usa dívida e receita do mesmo ente).
Crédito total / PIB
Crédito ao setor privado (famílias + empresas) sobre PIB. Saturação alta sinaliza estágio tardio do Big Debt Cycle.
Dívida total economia / PIB
Dívida total = governo + privado (famílias+empresas). EUA ~250%, China ~290%, Japão ~410%.
B. Capacidade de pagamento
Juros / PIB
Despesa anual com juros nominais do gov central / PIB.
Juros / Receita
Métrica Dalio. Quanto da receita anual é consumida só pra pagar juros. Acima de 30% = zona de alerta.
Taxa implícita da DLSP (a.a.)
Juros nominais 12m ÷ DLSP média 12m — convenção BCB, perímetro ÚNICO (setor público consolidado). Custo efetivo do estoque, distinto da Selic over.
Primário p/ estabilizar (% PIB)
Superávit primário necessário pra Dívida/PIB parar de crescer (Blanchard). Brasil hoje precisa de superávit > 2.5% PIB; realizado é déficit.
C. Estrutura da dívida
% DPMFi em Selic/LFT
Dívida indexada à Selic transmite alta de juros direto pro estoque. Brasil 2002 era 70%, hoje ~46%.
% DPMFi prefixado
Prefixado fixa o custo — protege contra aperto monetário. Acima de 30% é saudável.
% DPMFi em câmbio
Dívida em câmbio explode em desvalorizações. Brasil tem virtude estrutural (~1-3%); Argentina 2001 tinha >60%.
D. Sinais de stress
REER — variação 12m
Variação 12m do câmbio real efetivo (na série do BCB, ALTA = DEPRECIAÇÃO real do BRL). O sinal Dalio é a depreciação real PERSISTENTE — fuga da moeda; o nível do índice tem base arbitrária e não semaforiza.
Selic real ex-post (a.a.)
Selic - IPCA 12m. Brasil exige real alto pra compensar histórico inflacionário. Acima de 10% sufoca crescimento.
r − g (pp)
Taxa de juros nominal menos crescimento nominal. Quando r > g, dívida cresce mesmo com primário neutro (Domar).
Primário 12m / PIB
Resultado primário gov central 12m % PIB. Convenção Brasil: positivo = superávit. Brasil 2003-08: +3.5%. 2024: -1%.
NFSP 12m / PIB
Necessidade de financiamento setor público (déficit nominal). Brasil hoje em zona vermelha por causa dos juros.
E. Alavancas (Levers) — quanto cada uma teria que mexer
Δ juros pra estabilizar
Quanto a taxa de juros teria que cair (em magnitude) pra estabilizar Dívida/Receita.
Δ inflação pra estabilizar
Inflação adicional necessária pra erodir dívida via crescimento nominal.
Corte de despesa necessário
% da despesa primária total que precisaria ser cortado isoladamente.
Aumento de receita necessário
% de aumento na receita líquida (mantendo despesa) pra estabilizar.
Faixas calibradas pela AZ a partir dos casos históricos do livro (Reino Unido 1976, Japão pós-1990, Argentina 2001, EUA pós-2008) — não são números do livro.
Giro 27/07/26Dado mai/26
20 indicadores em 5 categorias. Ponto Brasil (▶) destacado na régua à direita de cada card.
Simulador interativo: trajetoria da divida em 10 anos
Taxa implicita da DLSP (juros nominais 12m / DLSP media). Atual: dados live do BCB.
PIB real YoY. Atual: BCB SGS 22099.
IPCA 12m. Erode divida via crescimento nominal.
Positivo = superavit. Atual: derivado RTN. + = melhor para divida.
Sliders comecam com valores atuais (API). Arraste para simular cenarios. Equacao iterativa do livro (Dalio): Divida(t+1)/Receita(t+1) = [Divida(t)*(1+i) + Deficit Primario(t)] / [Receita(t)*(1+g_nominal)].
Dívida/Receita após 10 anos (tabela do livro, cap. The Mechanics)
| ↓Dívida/Receita HOJE | 0% | 5% | 10% | 15% | 20% | 25% | 30% |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 0% | 0% | 50% | 100% | 150% | 200% | 250% | 300% |
| 100% | 100% | 150% | 200% | 250% | 300% | 350% | 400% |
| 200% | 200% | 250% | 300% | 350% | 400% | 450% | 500% |
| 300% | 300% | 350% | 400% | 450% | 500% | 550% | 600% |
| 400% | 400% | 450% | 500% | 550% | 600% | 650% | 700% |
| 500% | 500% | 550% | 600% | 650% | 700% | 750% | 800% |
| 600% | 600% | 650% | 700% | 750% | 800% | 850% | 900% |
| 700% | 700% | 750% | 800% | 850% | 900% | 950% | 1000% |
Giro 27/07/26Dado mai/26
Dívida/Receita após 10 anos — variando o gap r − g (tabela do livro)
| ↓Dívida/Receita HOJE | -3pp | -2pp | -1pp | 0pp | 1pp | 2pp | 3pp |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 0% | 50.7% | 52.8% | 55% | 57.4% | 59.8% | 62.4% | 65.2% |
| 100% | 125.9% | 135.6% | 146.1% | 157.4% | 169.6% | 182.7% | 197% |
| 200% | 201.2% | 218.4% | 237.1% | 257.4% | 279.3% | 303.1% | 328.8% |
| 300% | 276.5% | 301.3% | 328.2% | 357.4% | 389% | 423.4% | 460.6% |
| 400% | 351.8% | 384.1% | 419.2% | 457.4% | 498.8% | 543.7% | 592.4% |
| 500% | 427.1% | 466.9% | 510.3% | 557.4% | 608.5% | 664% | 724.1% |
| 600% | 502.4% | 549.8% | 601.3% | 657.4% | 718.2% | 784.3% | 855.9% |
| 700% | 577.6% | 632.6% | 692.4% | 757.4% | 828% | 904.6% | 987.7% |
Giro 27/07/26Dado mai/26
Os 4 Levers (alavancas) para estabilizar a dívida
1.Baixar juros
Taxa nominal efetiva da dívida que estabilizaria Dívida/Receita.
2.Mais inflação
Inflação que subiria crescimento nominal o suficiente para erodir a dívida.
3.Cortar despesa
Corte na despesa primária total para fechar o gap consistente com r−g atual.
4.Aumentar receita
Aumento da receita líquida (mantendo despesa) para estabilizar Dívida/Receita.
Giro 27/07/26Dado mai/26
Dalio: "todo governo com dívida em moeda própria tem 4 alavancas". Cada card mostra o ajuste isolado necessário.
Premissas e metodologia
- Dívida/Receita = 438% (DBGG ÷ Receita líquida Tesouro 12m)
- Déficit primário = 5.7% da receita
- i = 13.09% a.a. (taxa implícita da DLSP: juros nominais 12m ÷ DLSP média)
- g = 7.17% a.a. (PIB nominal 12m YoY)
Termometro Fiscal baseado em 'How Countries Go Broke' (Ray Dalio, 2025). 20 indicadores semaforizados em 5 categorias (Carga, Capacidade, Estrutura, Stress, Levers) — FAIXAS CALIBRADAS PELA AZ a partir dos casos historicos do livro, nao numeros do livro. r, g, r-g e primario estabilizador vem do bloco 'sustentabilidade' do fiscal-classicos v2 (taxa implicita da DLSP x PIB nominal 12m YoY, perimetro unico do setor publico consolidado) — calculados UMA vez no pipeline; nenhum componente do front recalcula. Equacao iterativa Debt(t+1)/Income(t+1) = [Debt(t)*(1+i) + Primary_Deficit(t)] / [Income(t)*(1+g)], matrizes Debt-to-Income apos 10 anos variando deficit e gap (i-g), e os 4 Levers calculados isoladamente. Variaveis em tempo real: BCB SGS, Tesouro RTN, IBGE.
Última atualização: 27/07/2026, 14:39:41.
