PNAD Contínua — Mercado de Trabalho
O retrato amplo do trabalho no Brasil (formais, informais, conta própria e quem desistiu de procurar) — da taxa de desocupação à massa real de rendimentos.
Referência: 2T26 (trimestre calendário) · massa de rendimento até ago/26 (trimestre móvel)
A desocupação ficou em 5,4% no 2T26, abaixo da mediana histórica de 8,8%; a queda de 0,4 p.p. em um ano veio em parte com menos gente procurando trabalho (participação −0,3 p.p.); o poder de compra agregado do trabalho cresce 4,8% em um ano.
Desocupação dessazonalizada de 5,4% é a mínima da série iniciada em 2012
A pergunta de partida do painel: o desemprego está alto ou baixo para o padrão brasileiro? Linha azul: taxa livre de sazonalidade (estimativa própria); tracejada cinza: taxa observada, como o IBGE divulga.
O teste do motivo
01 ·O desemprego caiu pelo motivo certo?
Participação e nível da ocupação na mesma unidade (% da PIA): a queda da desocupação só é boa notícia quando vem de mais gente ocupada, não de gente desistindo de procurar.
Participação em queda e ocupação parada — a melhora do desemprego tem cheiro de desalento
As duas séries na mesma unidade (% da população em idade de trabalhar): quem procura trabalho e quem de fato trabalha. É o teste de qualidade de qualquer queda da desocupação.
Folga do mercado
02 ·Quanta força de trabalho sobra?
Desocupação, subutilização composta e informalidade em escala própria — a medida ampla da folga que a taxa-manchete não captura.
Folga além do desemprego: a subutilização de 12,9% é 2,4× a desocupação de 5,4%
A desocupação subestima a folga do mercado de trabalho: a subutilização composta soma quem trabalha menos horas do que gostaria e quem está disponível mas não procurou; a informalidade mede a qualidade da ocupação existente.
Vínculo
03 ·A ocupação que cresce é de qualidade?
Com × sem carteira no setor privado (mil pessoas) e o share de conta própria — formalidade é a diferença entre emprego com proteção e bico.
Carteira assinada lidera: +399 mil em um ano, contra +29 mil sem carteira
Carteira assinada é o proxy de vínculo formal (proteção, FGTS, previdência). O painel separa o crescimento formal do informal; o share de conta própria completa a leitura de qualidade.
Ocupados no setor privado (mil pessoas)
Conta própria (% dos ocupados)
Decomposição
04 ·Quais setores criam ocupação?
A variação da ocupação decomposta por grupamento de atividade, em barras divergentes — quem cria e quem destrói postos, em vez do empilhado de 100 milhões onde nada se via.
Variação da ocupação por setor
Sem dados para este período.
Renda agregada
05 ·Massa de rendimento real
Ocupação × rendimento médio real: o canal que liga o mercado de trabalho ao consumo das famílias.
Massa real de rendimentos no recorde da série: R$ 386 bi por mês (+4,8% em um ano)
Ocupação × rendimento médio real, agregados: quanto dinheiro do trabalho entra na economia por mês. É o motor do consumo das famílias — e a ponte do mercado de trabalho para a atividade.
Nível (R$ bilhões, valores reais)
Variação interanual (YoY)
Esmiuçamento
06 ·Análise completa
Os últimos 8 trimestres em tabela e a série completa em CSV (taxas, carteira e massa).
Análise completa — últimos 8 trimestres
As taxas-síntese lado a lado e o export da série completa (taxas, carteira e massa de rendimento) em CSV no padrão Excel pt-BR.
| Trimestre | Desocup. | Dessaz.* | Particip. | Nível ocup. | Informal. | Subutil. |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2T26 | 5,4% | 5,4% | 62,1% | 58,8% | 37,4% | 12,9% |
| 1T26 | 6,1% | 5,4% | 62,0% | 58,2% | 37,3% | 14,3% |
| 4T25 | 5,1% | 5,5% | 62,1% | 58,9% | 37,6% | 13,4% |
| 3T25 | 5,6% | 5,9% | 62,2% | 58,7% | 37,8% | 13,9% |
| 2T25 | 5,8% | 5,8% | 62,4% | 58,8% | 37,8% | 14,4% |
| 1T25 | 7,0% | 6,3% | 62,2% | 57,8% | 38,0% | 15,9% |
| 4T24 | 6,2% | 6,6% | 62,6% | 58,7% | 38,6% | 15,2% |
| 3T24 | 6,4% | 6,6% | 62,3% | 58,4% | 38,8% | 15,7% |
Ficha técnica — fontes e metodologia
Fontes e séries. IBGE/SIDRA — PNAD Contínua Trimestral: 4099 (desocupação, % da força de trabalho), 6461 (participação, nível da ocupação e subutilização composta), 8529 (informalidade, % dos ocupados — série iniciada no 4T2015), 4096 (composição da ocupação por posição), 5434 (ocupados por grupamento de atividade, mil pessoas), 4097 (setor privado com/sem carteira, exclusive domésticos, mil pessoas) e 6392 (massa de rendimento mensal real habitual). Recessões: cronologia CODACE/FGV.
Janelas amostrais distintas — declaradas. As taxas e os recortes por setor/vínculo usam o trimestre CALENDÁRIO (1T = jan–mar); a massa de rendimento (6392) usa trimestre MÓVEL terminado no mês de referência. As duas janelas não coincidem — compare tendências, não pontos. Algumas tabelas têm hiato no período pandêmico (suspensão da coleta presencial entre 2020 e 2022).
Metodologia — honestidade de cálculo. desocupacao_sa é dessazonalização PRÓPRIA (STL robusta a 2020): o IBGE não publica ajuste sazonal oficial da PNAD — trate como estimativa da casa. A massa real já vem deflacionada pelo IBGE (deflator oficial) — não re-deflacionamos. Variações de taxas são sempre YoY em PONTOS PERCENTUAIS (vs mesmo trimestre do ano anterior — a comparação que controla a sazonalidade); variações de contingentes (mil pessoas) são diferenças absolutas. A "taxa combinada" (4114) foi descartada do painel: redundante com a subutilização composta (segue disponível no CSV).
Pipeline: data-pipeline/python/build_emprego_pnad.py (schema v2) · GitHub Actions (cron mensal, dia 16).
