O retrato amplo do trabalho no Brasil (formais, informais, conta própria e quem desistiu de procurar) — da taxa de desocupação à massa real de rendimentos.
Referência: 1T26 (trimestre calendário) · massa de rendimento até abr/26 (trimestre móvel)
A desocupação ficou em 6,1% no 1T26, abaixo da mediana histórica de 8,8%; a queda de 0,9 p.p. em um ano veio em parte com menos gente procurando trabalho (participação −0,2 p.p.); o poder de compra agregado do trabalho cresce 6,5% em um ano.
A pergunta de partida do painel: o desemprego está alto ou baixo para o padrão brasileiro? Linha azul: taxa livre de sazonalidade (estimativa própria); tracejada cinza: taxa observada, como o IBGE divulga.
O teste do motivo
Participação e nível da ocupação na mesma unidade (% da PIA): a queda da desocupação só é boa notícia quando vem de mais gente ocupada, não de gente desistindo de procurar.
As duas séries na mesma unidade (% da população em idade de trabalhar): quem procura trabalho e quem de fato trabalha. É o teste de qualidade de qualquer queda da desocupação.
Folga do mercado
Desocupação, subutilização composta e informalidade em escala própria — a medida ampla da folga que a taxa-manchete não captura.
A desocupação subestima a folga do mercado de trabalho: a subutilização composta soma quem trabalha menos horas do que gostaria e quem está disponível mas não procurou; a informalidade mede a qualidade da ocupação existente.
Vínculo
Com × sem carteira no setor privado (mil pessoas) e o share de conta própria — formalidade é a diferença entre emprego com proteção e bico.
Carteira assinada é o proxy de vínculo formal (proteção, FGTS, previdência). O painel separa o crescimento formal do informal; o share de conta própria completa a leitura de qualidade.
Ocupados no setor privado (mil pessoas)
Conta própria (% dos ocupados)
Decomposição
A variação da ocupação decomposta por grupamento de atividade, em barras divergentes — quem cria e quem destrói postos, em vez do empilhado de 100 milhões onde nada se via.
Δ em mil pessoas ocupadas por grupamento de atividade: 1T26 vs 1T25. Quem cria e quem destrói postos — a soma das barras é o Δ total do título.
Renda agregada
Ocupação × rendimento médio real: o canal que liga o mercado de trabalho ao consumo das famílias.
Ocupação × rendimento médio real, agregados: quanto dinheiro do trabalho entra na economia por mês. É o motor do consumo das famílias — e a ponte do mercado de trabalho para a atividade.
Nível (R$ bilhões, valores reais)
Variação interanual (YoY)
Esmiuçamento
Os últimos 8 trimestres em tabela e a série completa em CSV (taxas, carteira e massa).
As taxas-síntese lado a lado e o export da série completa (taxas, carteira e massa de rendimento) em CSV no padrão Excel pt-BR.
| Trimestre | Desocup. | Dessaz.* | Particip. | Nível ocup. | Informal. | Subutil. |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1T26 | 6,1% | 5,3% | 62,0% | 58,2% | 37,3% | 14,3% |
| 4T25 | 5,1% | 5,4% | 62,1% | 58,9% | 37,6% | 13,4% |
| 3T25 | 5,6% | 5,8% | 62,2% | 58,7% | 37,8% | 13,9% |
| 2T25 | 5,8% | 6,0% | 62,4% | 58,8% | 37,8% | 14,4% |
| 1T25 | 7,0% | 6,3% | 62,2% | 57,8% | 38,0% | 15,9% |
| 4T24 | 6,2% | 6,5% | 62,6% | 58,7% | 38,6% | 15,2% |
| 3T24 | 6,4% | 6,6% | 62,3% | 58,4% | 38,8% | 15,7% |
| 2T24 | 6,9% | 7,0% | 62,1% | 57,8% | 38,7% | 16,4% |
Fontes e séries. IBGE/SIDRA — PNAD Contínua Trimestral: 4099 (desocupação, % da força de trabalho), 6461 (participação, nível da ocupação e subutilização composta), 8529 (informalidade, % dos ocupados — série iniciada no 4T2015), 4096 (composição da ocupação por posição), 5434 (ocupados por grupamento de atividade, mil pessoas), 4097 (setor privado com/sem carteira, exclusive domésticos, mil pessoas) e 6392 (massa de rendimento mensal real habitual). Recessões: cronologia CODACE/FGV.
Janelas amostrais distintas — declaradas. As taxas e os recortes por setor/vínculo usam o trimestre CALENDÁRIO (1T = jan–mar); a massa de rendimento (6392) usa trimestre MÓVEL terminado no mês de referência. As duas janelas não coincidem — compare tendências, não pontos. Algumas tabelas têm hiato no período pandêmico (suspensão da coleta presencial entre 2020 e 2022).
Metodologia — honestidade de cálculo. desocupacao_sa é dessazonalização PRÓPRIA (STL robusta a 2020): o IBGE não publica ajuste sazonal oficial da PNAD — trate como estimativa da casa. A massa real já vem deflacionada pelo IBGE (deflator oficial) — não re-deflacionamos. Variações de taxas são sempre YoY em PONTOS PERCENTUAIS (vs mesmo trimestre do ano anterior — a comparação que controla a sazonalidade); variações de contingentes (mil pessoas) são diferenças absolutas. A "taxa combinada" (4114) foi descartada do painel: redundante com a subutilização composta (segue disponível no CSV).
Pipeline: data-pipeline/python/build_emprego_pnad.py (schema v2) · GitHub Actions (cron mensal, dia 16).