Pular para o conteúdo
<- Voltar para Café com Mercado
Cadeado partido e moeda cripto rachada diante de dominós em queda e bandeira do Brasil rasgada na tempestade

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Café com Mercado — sexta, 30/10/2026

10:30 BRT

Balanços de Amazon e Intel reabrem a dúvida sobre o retorno do capex em IA, o roubo de US$ 6,3 bi na Binance derruba o cripto e o Brasil fecha a semana pós-eleição sem nome na Fazenda, com dólar acima de R$ 5,40.

Overview

Os resultados de Amazon e Intel, divulgados ontem após o fechamento, ampliaram a liquidação em tecnologia que começou com a Alphabet (−12,6% na quinta). O futuro do Nasdaq recua cerca de 2,5% e o do S&P 500, 1,1%, enquanto o Dow fica perto da estabilidade. O debate é se o ciclo de capex em IA, estimado em US$ 750 bi pelas casas, se paga com receitas que já desaceleram. A queda das ações empurra o investidor para a renda fixa americana: o Treasury de 10 anos cai 8 pb, para 4,91%, e o DXY recua para 101,8. O petróleo segue na contramão, com o Brent perto de US$ 117 (+2,5%) diante do risco de os EUA retomarem ataques ao Irã depois das midterms de terça. O roubo de US$ 6,3 bi na Binance levou o Bitcoin para perto de US$ 77 mil.

No Brasil, o Ibovespa fechou quinta em 169.186 pontos (−1,06%), na quarta queda seguida, e acumula −17,5% na semana. O dólar subiu 0,89%, a R$ 5,388, e volta a operar acima de R$ 5,40 nesta manhã. O mercado segue à espera do nome da Fazenda e de um plano fiscal crível antes do Copom de 3 e 4/11. Segunda-feira é feriado de Finados, e a próxima sessão local será a de terça, junto com as eleições de meio de mandato nos EUA.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

A PNAD Contínua trouxe desemprego de 5,2% no trimestre encerrado em setembro, em linha com o consenso e abaixo dos 5,3% anteriores. O mercado de trabalho apertado limita o espaço do Copom num momento de câmbio pressionado. O governo central registrou superávit primário de R$ 4,8 bi em setembro, abaixo da mediana de R$ 5,3 bi, e acumula déficit de R$ 90,2 bi no ano. O setor público consolidado teve déficit primário de R$ 5,5 bi, com a dívida bruta em 82,9% do PIB. A alta dos juros futuros já chegou ao crédito: Itaú, Bradesco e Santander elevaram as taxas do financiamento imobiliário.

Política

Lula ainda não definiu o titular da Fazenda. Rafael Fonteles negou ter tratado de cargos, depois que a notícia de um convite deu alívio ao câmbio no fim da sessão de ontem. Edinho Silva disse que a escolha sai até o fim do ano e que a meta de superávit será mantida. Rui Costa afirmou que o compromisso fiscal "não depende de nome". Guilherme Boulos escreveu que "o Tesouraço foi derrotado nas urnas", o que pesou nos preços ao longo da quinta. O secretário do Tesouro negou haver medida em curso sobre IOF em LCI, LCA e debêntures incentivadas. O PLP prometido pela Fazenda para buscar o centro da meta segue sem data, e as duas diretorias vagas do BC continuam sem indicação.

Mercado

O Ibovespa futuro recua 0,9%, para 169.690 pontos, e o DI janeiro/2031 sobe para 15,23%, depois de fechar ontem em 15,05%. O estrangeiro retirou R$ 2,7 bi na quarta. A pessoa física fez o movimento oposto e acumula R$ 13,4 bi em compras desde a semana anterior ao segundo turno, segundo a Genial.

Há divergência clara entre as casas sobre o momento de voltar à bolsa. A Genial (Roberto Motta) está vendida em Ibovespa e comprada em dólar e vê espaço para reprecificação adicional de até 20%, por revisão de crescimento e de custo de capital. A tese é que o mercado não dará benefício da dúvida e exigirá ajuste fiscal entregue na frente, e não em conta-gotas. Motta cita o subsídio aos combustíveis, de cerca de R$ 90 bi por ano, como bomba-relógio para 2027. Na leitura técnica da casa, a perda de 165 mil pontos abre caminho para a faixa de 140 mil, e o dólar tem projeção para R$ 5,70–5,80. A XP (Rafael Figueiredo) também evita comprar a queda, mas por outro motivo: a casa revisa estimativas e preços-alvo para 2027 e publica hoje uma visão de renda variável mais tática. Para fundos imobiliários, a XP prefere os fundos de recebíveis, que negociam a taxas implícitas de IPCA + 11% a 12%, e é mais cautelosa com Fiagros e shoppings. A Nova Futura lê eventual alívio como estabilização, não normalização. Entre os estrangeiros, Citi, BCA e Morgan Stanley cortaram exposição a Brasil, enquanto Wells Fargo, Carmignac e GQG enxergam exagero nos preços.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Vale (VALE3): lucro de US$ 1,26 bi no 3T26 (−53% a/a) e Ebitda proforma de US$ 3,5 bi (−20%), com custo C1 de US$ 23,1/t. Teleconferência às 11h.
  • CSN (CSNA3): exclusividade de 10 dias com a Huaxin para a venda da CSN Cimentos, a valor da firma de R$ 12,7 bi.
  • Raízen (RAIZ4): AGE hoje vota redução de capital de até R$ 35 bi, criação de ações PNB e units e novo conselho; a Shell converteu 1,23 bi de ações ON em PN.
  • Telefônica Brasil (VIVT3): conversas preliminares com a Vero.
  • Brava (BRAV3): concluiu a cessão de 37,5% de Papa-Terra à 3R.
  • Usiminas (USIM5): lucro de R$ 243 mi, abaixo dos R$ 300 mi esperados.
  • Multiplan (MULT3): lucro de R$ 383 mi, alta de 73% a/a.
  • Bradesco (BBDC4): caiu 3,5% ontem após o JPMorgan cortar o preço-alvo em quase 30%.

🌎 Global

Dados econômicos

O índice de custo do emprego dos EUA subiu 0,8% no 3T, em linha com o esperado, e não altera a leitura do PCE de ontem (3,6% a/a, núcleo em 3,1%). O PIB da zona do euro cresceu 0,4% no trimestre, o dobro do consenso, com Alemanha em +0,2% e França em −0,1%. A prévia da inflação italiana veio em 5,4%, contra 4,6% esperados.

Política

O BoJ manteve os juros por 8 votos a 1 e elevou a projeção do núcleo da inflação para 2,6%. Ueda sinalizou alta em dezembro, e mais de 80% dos economistas já a esperam. O BCE manteve a taxa de depósito em 2,50%, por unanimidade, e o mercado precifica cerca de 82% de chance de alta em 17/12. Nos EUA, a queda das bolsas e dos juros curtos reduziu a precificação de altas adicionais do Fed. Parte do mercado já discute quando o ciclo se inverte, enquanto o silêncio de Warsh sobre os próximos passos amplia a volatilidade dos Treasuries.

Geopolítica e commodities

O fluxo de petróleo em Ormuz se aproxima da normalidade, mas o Brent não cede. A alta reflete o temor de que Trump retome a ofensiva contra o Irã depois das midterms, e o WTI sobe 2,2%, a US$ 104. O ouro perde US$ 4.000 (−1,4%) e a prata cai 4%, num padrão de venda de ativos líquidos para cobrir chamadas de margem. A Binance suspendeu saques após o roubo, atribuído à Coreia do Norte, e prometeu cobrir as perdas. Na Ásia, Nikkei (−2,1%) e Kospi (mais de −3%) refletiram a liquidação em semicondutores, e o CSI 300 marcou a 12ª semana de queda. O Hang Seng subiu 1,5%. Na Europa, o DAX cede 0,5% e Londres e Paris sobem levemente. Para o Brasil, petróleo caro sustenta Petrobras, mas encarece a conta de subsídios aos combustíveis.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 11:00 — Teleconferência de resultados da Vale
  • — — AGE da Raízen (horário n/d)
  • 17:00 — Bandeira tarifária de novembro (Aneel)

Global

  • 10:00 — Prévia da inflação de outubro (Alemanha)
  • 10:30 — Abertura de Nova York, com Amazon e Intel em destaque
  • 10:45 — PMI de Chicago (cons. 54,6) (ISM-Chicago)
  • 13:30 — Fala de Alberto Musalem (Fed de St. Louis)
  • 22:30 — PMIs oficiais de outubro (China, NBS)
  • Balanços de Exxon e Chevron

Próximas datas-chave: 02/11 Finados (B3 fechada) e balanço da Apple · 03/11 midterms nos EUA · 03 e 04/11 Copom · 04/11 Caged de setembro · 17/12 BCE.

Fontes: morning calls Genial, XP, Pablo Spyer; InfoMoney, InfoMoney 29/10, Jovem Pan, O Povo, Brasil 247, DGABC, Seu Dinheiro, Gazeta Mercantil, Bloomberg Línea, Yahoo Finance, Investing, investingLive, Eunews, Reuters.