
terça-feira, 3 de novembro de 2026
Café com Mercado — terça, 03/11/2026
14:30 BRT
Na volta do feriado, a proposta de Lara Resende para a Selic reabre o prêmio na curva às vésperas do Copom, enquanto os EUA votam nas eleições de meio de mandato e o petróleo oscila com o ataque a Qeshm.
Overview
Esta edição cobre desde o fechamento de sexta (30/10), já que segunda foi feriado de Finados e a B3 ficou fechada. Lá fora, o feriado foi de petróleo em queda: o Brent recuou 7,6% na segunda, para US$ 104,77, com sinais de diplomacia entre EUA e Irã sobre a reabertura de Hormuz. Na madrugada de hoje, um ataque americano à ilha iraniana de Qeshm, descrito em Washington como limitado e defensivo, devolveu o barril à faixa de US$ 102 a 107, e um oficial iraniano disse que o acordo "ainda está distante". O pano de fundo segue pesado para os juros globais: o ISM industrial subiu a 55,5, com preços em 75,2, o JOLTS mostrou 7,52 milhões de vagas, acima do esperado, e o mercado atribui cerca de 75% de chance a uma alta do Fed em dezembro. Os americanos vão às urnas hoje nas eleições de meio de mandato, e as casas de apostas dão aos democratas mais de 90% de chance na Câmara e cerca de 75% no Senado.
No Brasil, o feriado trouxe o relato de que Lula receberá André Lara Resende, que defende levar a Selic de 13,75% a 7,5% em doze meses e fixá-la numa banda. A notícia chegou com o Copom já reunido (a decisão sai amanhã à noite) e depois de uma semana em que o Ibovespa caiu 18% e o dólar subiu 9%, a maior alta semanal desde 2008. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou a proposta de "incipiente" e negou tabelamento de juros, mas a curva voltou a abrir na ponta longa e o Focus piorou em todas as linhas de inflação.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
O Focus desta semana elevou o IPCA de 2026 de 5,19% para 5,22% e, no horizonte relevante, o de 2027 de 4,34% para 4,76%; o de 2028 subiu a 4,00%. A Selic projetada para o fim de 2026 foi a 13,50% e a de 2027 saltou de 11,75% para 12,50%, com câmbio de R$ 5,34 e PIB de 1,76% neste ano. O ICE da FGV caiu 0,3 ponto, a 89,8, quarta queda seguida. A XP espera nova retração da produção industrial e vê o desemprego, hoje na mínima de 5,2%, subindo a 6,5% no fim de 2027, com PIB de 1% no ano que vem. O Tesouro retoma hoje os leilões de NTN-B, NTN-F e LFT, suspensos na semana passada.
Política
Durigan disse que o mercado não tem motivo para "medo" e que o ajuste fiscal será gradual, com metas de primário de 0,5% do PIB em 2027, 1% em 2028 e 1,5% em 2029. Também negou reunião marcada entre Lula e Lara Resende. O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que só Durigan fala pela área econômica. O ministro leva hoje a Lula uma medida provisória do Imposto Seletivo. No BC, Lula terá seis indicações até o fim de 2027, e a troca de diretores começa até fevereiro; Durigan prometeu "rigor técnico" nas escolhas. A dívida bruta está em 82,9% do PIB e o déficit nominal em 9,51% em doze meses.
Mercado
O Ibovespa fechou sexta em 167.921 pontos (−0,75%), quinta queda seguida, com outubro em −9,9%. Hoje voltou a cair: perto do meio-dia marcava 164.728 pontos (−1,9%), com Petrobras recuando cerca de 6% pelo petróleo do feriado, enquanto Embraer e Santander subiam. O dólar foi a R$ 5,51 (+1,2%), com Ptax de R$ 5,4935. Na abertura, o DI janeiro/2029 subia 20 pontos, a 15,14%, e o janeiro/2031 avançava 26 pontos, a 15,47%, enquanto o janeiro/2027 ficou estável em 13,64%. As opções de Copom já apontam manutenção com probabilidade acima de 75%, embora a pesquisa do Broadcast siga dividida (39 instituições esperam corte e 36, manutenção). A pressão concentrada nos vértices longos reflete prêmio sobre a condução monetária a partir de 2027, mais do que sobre a decisão desta semana.
Há divergência clara entre as casas sobre o ponto de entrada na bolsa. A XP rebaixou a recomendação para neutra, com Ibovespa a 200 mil pontos no fim de 2027, citando fiscal, inflação e risco de desaceleração, e passou a ver no Focus deste Copom mais pressão para manter do que para cortar. O BTG, pela mesa de renda variável, vê empresas de qualidade a quatro ou cinco vezes lucro e sugere recompor posição gradualmente, ressalvando que sem endereçamento fiscal a curva longa não fecha e a temporada de balanços tende a ser fraca por despesa financeira. Na semana passada, pelos dados da mesa do BTG, estrangeiros e institucionais venderam, e a pessoa física comprou. A Nova Futura resume o momento como preço que caiu muito sem que a convicção tenha voltado. No Copom, o Itaú espera manutenção possivelmente unânime e o Inter defende um último corte, para 13,50%.
Empresas (IPO / M&A / OPA / default)
- Itaú (ITUB4), BB Seguridade (BBSE3), RD Saúde (RADL3), ISA Energia (ISAE4) e Marcopolo (POMO4) divulgam o 3T após o fechamento; o consenso LSEG para o Itaú é de lucro de R$ 12,6 bi. Prio e Axia saem amanhã.
- Santander Brasil (SANB11): lucro do 3T 28% menor na comparação anual.
- Ambev (ABEV3): lucro de R$ 4,37 bi (−10,2%), acima do consenso.
- Raízen (RAIZ4): acordo tributário de R$ 22,4 bi com PGFN e Receita.
- Helbor (HBOR3): HBR adquiriu 83,16% do capital e a companhia deixará a bolsa.
- Oncoclínicas (ONCO3): cancelou a AGE de hoje após decisão judicial suspender a exigência de OPA.
- SLC Agrícola (SLCE3): concluiu a compra do bloco Mato Grosso, do grupo Radar, por R$ 669 mi.
- Paranapanema (PMAM3): passa a ter controlador com mais de 81% do capital após conversão de debêntures na reestruturação.
- Embraer (EMBJ3): venda de três KC-390 à Grécia.
🌎 Global
Dados econômicos
O ISM industrial de outubro subiu de 54,5 para 55,5, décimo mês de expansão, com produção em 59 e preços pagos em 75,2. O JOLTS de setembro trouxe 7,52 milhões de vagas, contra 7,1 milhões esperados. Na China, o PMI oficial caiu a 49,3, enquanto o RatingDog subiu a 52,0. A inflação ao consumidor da Coreia saiu em 2,8%. Na temporada de balanços, a Apple superou o consenso em receita e lucro por ação (US$ 2,10), mas a orientação de margem de 45% a 46%, pressionada pelo custo de memória, e a fraqueza na China levaram a ação a cair cerca de 4%. AMD, Arista, Amgen e Super Micro reportam após o fechamento.
Política
O Fed manteve os juros em 3,75%–4,00% em 28/10, com dois votos por alta, e só volta a se reunir em 8 e 9/12; os dados da semana reforçam a aposta em aperto. O RBA subiu 0,25 ponto, a 4,85%, maior taxa em 18 anos, por 6 a 3, e sinalizou pausa. O BCE discute uma alta em dezembro seguida de pausa, e o BoE deve subir na quinta. Na China, o PBoC elevou o compulsório sobre moeda estrangeira de 4% para 6%, e o yuan teve a primeira valorização após 13 quedas; Pequim também flexibilizou regras de recompra e criou linha de swap para sustentar as bolsas. No Japão, a ministra Katayama repetiu que está pronta para agir contra o iene perto de 158 por dólar. Em Wall Street, o S&P 500 sobe 0,6% e o Nasdaq 1,1% no meio do pregão, com recuperação de semicondutores depois de o Nasdaq-100 entrar em correção.
Geopolítica e commodities
O petróleo segue preso ao noticiário de Hormuz: são 18 ataques a navios desde 6/10 e cerca de 490 embarcações à espera de passagem. O WTI oscila entre US$ 96 e 98. O ouro está perto de US$ 3.947, a prata cai 3%, a US$ 48,85, e o cobre recua 3,1%. O bitcoin está em torno de US$ 77 mil, ainda sob o efeito do ataque hacker de US$ 6,3 bi à Binance. Na Ásia, o Kospi caiu 3,5% e o Taiex 3,6% com a venda de chips; o Hang Seng ficou estável e o Nikkei não operou. Na Europa, o STOXX 600 recua 0,5%, puxado por tecnologia. Para o Brasil, o petróleo mais baixo que na semana passada pesa sobre a Petrobras, mas a dúvida sobre Hormuz mantém a inflação importada como risco para o Copom.
📅 Agenda do dia
Brasil
- Manhã — Leilões do Tesouro de NTN-B, NTN-F e LFT.
- Dia todo — 1º dia de reunião do Copom (decisão amanhã, 04/11, à noite).
- Após o fechamento — Balanços de Itaú, BB Seguridade, RD Saúde, ISA Energia e Marcopolo.
- 18:00 — A B3 passa a fechar o mercado à vista às 18h, com o fim do horário de verão americano.
Global
- Dia todo — Eleições de meio de mandato nos EUA (catalisador principal; apuração madrugada adentro).
- Após o fechamento — Balanços de AMD, Arista, Amgen, Super Micro e Booking.
- Noite — PMIs de serviços e composto da China.
Próximas datas-chave: decisão do Copom (04/11), refinanciamento trimestral do Tesouro americano, ISM de serviços e ADP (04/11), BoE (05/11), payroll (06/11), fim da pausa chinesa nos controles de terras raras (10/11), Fed (8–9/12).
Fontes: morning calls transcritos de BTG Pactual, XP e Pablo Spyer; XP Morning Call, InfoMoney, InfoMoney/XP, Money Times, CNN Brasil, Nova Futura, BMC News, Jornal Pequeno, Yahoo Finance, Saxo, Reuters via Lufkin Daily News, InvestingLive.
