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Cabo de fibra óptica rompido soltando faíscas diante de um cofre de banco aberto, com farol sob tempestade ao fundo

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Café com Mercado — quinta, 29/10/2026

10:45 BRT

O Fed parou sem tirar a alta de dezembro da mesa, a Alphabet reacendeu a dúvida sobre o retorno do capex em IA e, no Brasil, o Ibovespa chega ao quarto pregão pós-eleição com bancos liderando a queda e o Copom cada vez mais inclinado à pausa.

Overview

O Fed manteve os juros em 3,75%–4,00% por 10 votos a 2, com Lisa Cook e Beth Hammack defendendo alta de 25 pb. Kevin Warsh evitou sinalizar o próximo passo, mas descreveu a atividade como forte e a inflação como elevada, e o mercado elevou para mais de 80% a chance de alta em dezembro. Os dados desta manhã reforçam essa leitura: o PIB do 3T cresceu 3,4% anualizado (consenso de 3,2%) e o PCE de setembro subiu 3,6% em 12 meses, com núcleo de 3,1%, em linha. O Banco do Canadá subiu a taxa para 2,50%, e o BCE decide hoje com expectativa de manutenção em 2,50%, no dia seguinte ao anúncio de que Lagarde deixa o cargo em fevereiro. Nos balanços, a Alphabet recua cerca de 10% no pré-mercado (lucro por ação de US$ 2,12 contra US$ 3,02 esperados, com fluxo de caixa livre negativo), enquanto a Microsoft sobe perto de 3%. O futuro da Nasdaq perde cerca de 1%.

No Brasil, o Ibovespa fechou a quarta em 171.006 pontos (-2,68%), terceira queda seguida, e acumula -16,6% na semana do segundo turno, com os bancos à frente da baixa. O motor segue sendo o fiscal: sem nome para a Fazenda e sem plano detalhado, o prêmio continua na curva, com o DI de janeiro de 2031 perto de 15%. O Copom de 3 e 4 de novembro passou a ser precificado como pausa (62% nas opções da B3), e o pronunciamento de Lula prometido para 2 de novembro virou o próximo marco. O Ibovespa futuro operava perto da estabilidade, em 173,2 mil pontos, e o dólar abriu em alta de 0,5%, a R$ 5,37.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O IGP-M subiu 1,47% em outubro, ante 1,57% em setembro, e acumula 5,24% em 12 meses. A pressão segue concentrada nos preços ao produtor, num período sazonalmente desfavorável para a inflação. A FGV também divulgou a confiança do comércio, que subiu a 83,1 pontos (+1,8), e a dos serviços, que ficou em 88,2 (+0,1). O BC publica hoje as estatísticas de crédito de setembro, e o Tesouro divulga dados fiscais.

Política

O governo prepara um PLP para perseguir o centro da meta de primário, e não o piso, ampliando o contingenciamento a despesas não obrigatórias que hoje têm proteção legal. O Globo informou que a Fazenda estuda cobrar IOF sobre títulos isentos (LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas), o que poderia ser feito por decreto; a pasta não comentou. A escolha do ministro da Fazenda segue sem prazo. Alckmin, Rafael Fonteles e Haddad aparecem entre os cotados, e a Folha indica que Lula não deve anunciar o nome de imediato. Para conter a volatilidade, o Tesouro suspendeu os leilões regulares, recomprou mais de R$ 30 bilhões em títulos e interrompeu temporariamente o Tesouro Direto em momentos de estresse. A Genial destacou a circulação do nome de André Roncaglia, de linha heterodoxa, para uma das duas diretorias vagas do BC. Do lado político, Flávio Bolsonaro divulgou dos Estados Unidos uma carta aberta em que fala em perseguição, e um editorial do Wall Street Journal criticou o governo. Trump disse que não vai se envolver.

Mercado

Na quarta, a queda do Ibovespa foi puxada pelos bancos: BBDC4 caiu 6,7%, BPAC11 6,5% e SANB11 5,9%. Fora do setor financeiro, CSAN3 perdeu 12,3% com dúvidas sobre a dívida. O dólar fechou praticamente estável, perto de R$ 5,34, e a curva subiu nos vencimentos longos, com o F31 a 14,97%.

Há divergência clara entre as casas sobre o que o preço já embute. A XP, pela análise técnica, vê o índice de volta à faixa anterior às pesquisas eleitorais e mais resistente a novas quedas, com suporte perto de 165 mil pontos, dólar lateral entre R$ 5,30 e R$ 5,40 e espaço para correção dos juros futuros no curto prazo. O BTG trata a queda como questão de fundamento: as medidas anunciadas são necessárias mas insuficientes, e só um nome com peso na Fazenda e um plano com metas de primário factíveis comprimem os prêmios. A Genial está vendida em bolsa e comprada em dólar: vê a pessoa física comprando a queda (cerca de R$ 8 bilhões na segunda e na terça), enquanto o estrangeiro ainda teria volume relevante a vender, e põe a recessão no centro do debate, dado o endividamento das famílias. O BTG compartilha o diagnóstico sobre o crédito e vê risco de desalavancagem do setor privado. Sobre o Copom, o BTG espera pausa em novembro, com dezembro dependendo das definições fiscais. O Itaú BBA tornou a carteira mais conservadora: tirou BBDC4, BPAC11, EQTL3, DIRR3 e GGBR4 e incluiu SBSP3, CPFE3, WEGE3, CURY3 e XPBR31, com a bolsa a cerca de 8 vezes o lucro.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Ambev (ABEV3): lucro ajustado de R$ 4,39 bi no 3T (+14,3%), acima do consenso, e recompra de até 190 milhões de ações.
  • Motiva (MOTV3): Ebitda ajustado ex-aeroportos de R$ 2,6 bi (+11%), em linha, com alavancagem caindo para 3,2x.
  • Intelbras (INTB3): lucro de R$ 177 mi (+19,7%), acima dos R$ 154 mi esperados.
  • Petrobras (PETR4): produção recorde de 3,5 milhões de boed no 3T e exportações também em recorde.
  • Assaí (ASAI3): fundos ligados à família Muffato chegaram a 15,02% do capital, sem intenção de mudar o controle.
  • Oncoclínicas (ONCO3): cancelou a AGE depois que a Justiça suspendeu a exigência de OPA.
  • Raízen (RAIZ4): AGE amanhã vota aumento de capital de até R$ 39,8 bi, parte do plano de recuperação extrajudicial.
  • Vale (VALE3): divulga o 3T após o fechamento; o consenso aponta lucro de R$ 7,6 bi (-48%).

🌎 Global

Dados econômicos

O PIB americano do 3T veio em 3,4% anualizado, acima dos 3,2% esperados e acelerando ante 2,2% no 2T. O PCE de setembro subiu 0,5% no mês e 3,6% em 12 meses, com núcleo de 0,3% e 3,1%, ambos em linha. Os pedidos de seguro-desemprego somaram 194 mil, abaixo dos 198 mil projetados. O conjunto confirma atividade forte e inflação acima da meta, sem surpresa que mude o cenário de mais uma alta.

Política

O comunicado do FOMC melhorou a avaliação da atividade e manteve a inflação como elevada. Warsh também anunciou que, a partir de 2027, ao menos uma das oito reuniões anuais será dedicada só à estratégia, sem decisão de juros. O Banco do Canadá fez a primeira alta desde 2023 e não descartou outras. O BCE anuncia a decisão às 10h15, com manutenção esperada e viés de alta para dezembro, e o BoJ decide amanhã, com expectativa de manutenção em 1,25%. No Reino Unido, o orçamento de John Healey manteve a disciplina fiscal e o gilt de 10 anos recuou a 5,31%. O Treasury de 10 anos opera perto de 5,00%.

Geopolítica e commodities

O Brent cai cerca de 1%, para perto de US$ 114, com a carta de JD Vance a Teerã e a proposta do Catar sinalizando diplomacia entre Estados Unidos e Irã. Os houthis alegaram um ataque com míssil à maior refinaria saudita, sem confirmação, e autoridades americanas alertam para possível ação militar após as eleições de 3 de novembro. O minério sobe 2,4% em Dalian, o que favorece Vale antes do balanço. O ouro recua para cerca de US$ 4.037, o cobre para US$ 6,60 por libra e o bitcoin está perto de US$ 80 mil. Para o Brasil, o petróleo acima de US$ 100 sustenta a receita da Petrobras, mas mantém a pressão inflacionária e o custo dos subsídios aos combustíveis.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 08:00 — IGP-M de outubro: +1,47% (FGV)
  • Manhã — Estatísticas de crédito de setembro (BC) e dados fiscais (Tesouro)
  • Após o fechamento — Balanços de Vale, Multiplan e Vamos

Global

  • 09:30 — PIB do 3T, PCE de setembro e pedidos de seguro-desemprego (EUA), já divulgados
  • 10:15 — ⭐ Decisão de juros do BCE, catalisador do dia; coletiva de Lagarde às 10h45
  • Após o fechamento — Balanços de Amazon e Intel

Próximas datas-chave: 30/10 decisão do BoJ e AGE da Raízen · 02/11 pronunciamento de Lula e balanço da Apple · 03/11 eleições de meio de mandato nos EUA · 03-04/11 Copom · 11/11 balanço do Banco do Brasil.

Fontes: morning calls de BTG Pactual, Genial, XP e Pablo Spyer; InfoMoney, InfoMoney 28/10, CNN Brasil, Itaú BBA via InfoMoney, O Povo, Seu Dinheiro, Money Times, Bloomberg, Fortune, Banco do Canadá, Investing.com, BNN Bloomberg, Euronews.