
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Café com Mercado — quarta, 28/10/2026
11:00 BRT
Depois da desalavancagem pós-eleição, o mercado espera nomes e medidas fiscais de Lula 4 enquanto o Fed decide com o Brent acima de US$ 115 e as casas divergem sobre o Copom da semana que vem.
Overview
O pano externo desta quarta é de espera pelo Fed, que anuncia às 15h a decisão de juros com manutenção praticamente consensual em 3,75%-4,00% (cerca de 90% de probabilidade na CME) e coletiva de Kevin Warsh às 15h30. O que está em jogo é a sinalização para dezembro, quando o mercado ainda atribui cerca de 75% de chance a uma nova alta. O Brent voltou a superar US$ 115 depois que os houthis disseram ter atingido a refinaria saudita de Ras Tanura, e o Treasury de 10 anos segue colado em 5,00%. Na Ásia, o Kospi subiu 6,8% e passou de 6.000 pontos com o lucro recorde da SK Hynix, o que sustenta os futuros da Nasdaq antes dos balanços de Microsoft e Alphabet, após o fechamento.
No Brasil, terça foi um dia de acomodação após o choque de segunda: o Ibovespa recuou 0,51%, a 175.710 pontos, o dólar cedeu 1%, a R$ 5,35, e a curva de juros devolveu parte da abertura, com o DI janeiro/2029 caindo 51 pb. O mercado agora espera duas coisas que ainda não vieram, o nome do ministro da Fazenda e o desenho do ajuste fiscal de Lula 4, enquanto o Tesouro segue sem vender títulos e recomprando papéis. A saída de Flávio Bolsonaro do país adicionou ruído institucional ontem à tarde, mas as casas avaliam que o preço segue determinado pelo fiscal. O Copom de 3 e 4 de novembro passou a ser o principal ponto de divergência entre as casas.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
O Índice de Confiança da Indústria (FGV) caiu 0,3 ponto em outubro, para 91,0, quarta queda seguida. O nível de utilização da capacidade recuou 1,4 p.p., a 81,8%, sinal de que a desaceleração da atividade já estava em curso antes da eleição. Na véspera, a confiança da construção subiu 0,2 ponto, a 90,7.
O Relatório de Estabilidade Financeira do BC mostrou ativos problemáticos no maior nível desde 2012 na maioria das modalidades e comprometimento de renda das famílias no maior patamar em 21 anos. Ainda assim, o BC não vê risco relevante à estabilidade do sistema. Estrangeiros retiraram R$ 2,8 bilhões da B3 na segunda, enquanto pessoas físicas compraram cerca de R$ 6 bilhões no mesmo dia, segundo a Genial. O fluxo cambial semanal sai à tarde.
Política
O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo vai "buscar o centro da meta de maneira formal" por meio de projeto de lei complementar, sem PEC. A proposta deve chegar ao Congresso até o fim do ano e permitir contingenciamentos maiores em 2027. Durigan atribuiu a alta do dólar a uma "troca de posição" de quem apostava em outro candidato.
A equipe econômica segue sem anúncio. Alckmin aparece como favorito para a Fazenda na imprensa, com Rafael Fonteles e Haddad também citados. Lula se reuniu com Hugo Motta e Davi Alcolumbre, e o PT vai apoiar a reeleição de ambos em fevereiro.
Galípolo afirmou que o BC só atua no câmbio em caso de disfuncionalidade, que hoje não vê. Ele evitou comentar a eleição e o Copom. O BC rolou integralmente os 80 mil contratos de swap (cerca de US$ 4 bilhões). O governo prorrogou por 30 dias a subvenção ao diesel. A Moody's manteve o rating Ba1 com perspectiva estável e a Fitch apontou maior incerteza fiscal, sem ação.
Mercado
O Tesouro cancelou os leilões de venda da semana e recomprou cerca de R$ 31,6 bilhões em NTN-F e NTN-B entre segunda e terça. Na manhã de hoje, o Ibovespa futuro operava em queda de cerca de 0,5%, com o dólar estável perto de R$ 5,35.
Há divergência clara entre as casas sobre o Copom. A XP espera corte de 0,25 p.p. na próxima semana, motivado pela desaceleração da atividade, e mantém a projeção de Selic em 13,25% no fim do ano, embora reconheça maior chance de pausa em dezembro. A Genial também considera difícil o BC não entregar o corte, por avaliar que interrompê-lo abriria conflito com Brasília. O BTG observa que a curva passou a precificar alta da Selic e vê possibilidade de não haver nenhum corte até o fim de 2027.
As casas também divergem sobre o piso da bolsa. O BTG calcula o Ibovespa a 7,7 vezes lucro, um desvio-padrão abaixo da média, vê queda adicional limitada a partir de 170 mil pontos e lembra que, nos 17 circuit breakers desde 1998, o índice estava ao menos 30% acima um ano depois. A Genial contesta o critério de preço, porque a bolsa brasileira é um ativo de juros e o desconto depende de onde a Selic se estabiliza. A Genial acrescenta que o câmbio deve funcionar como o canal de pressão sobre o governo, já que dólar alto chega à inflação de alimentos e à popularidade.
As preferências convergem para ativos defensivos. O BTG prefere utilities e concessões (Equatorial, Sabesp, Motiva, Copasa), seguradoras e exportadoras, e evita varejo e construção. A XP encurtou a duration dos prefixados para cerca de dois anos, mantém IPCA+ em torno de seis anos e concentra o crédito privado em emissores de alta qualidade.
Empresas (IPO / M&A / OPA / default)
- Santander Brasil (SANB11): lucro gerencial de R$ 2,9 bi no 3T26 (−28% a/a), abaixo do consenso de R$ 3,16 bi; ROAE de 11,9%, PDD +14,4% e inadimplência de 3,4%.
- Hypera (HYPE3): lucro de cerca de R$ 525 mi (+15%), acima do esperado, e recompra de até 5 milhões de ações (1,61%).
- Klabin (KLBN11): lucro de R$ 393 mi (−18%) e Ebitda de R$ 1,86 bi, levemente acima do consenso.
- Movida (MOVI3): lucro de R$ 152 mi (+117%) e Ebitda +21%.
- Raízen (RAIZ4): aumento de capital de até R$ 39,8 bi a R$ 0,25 por ação, com AGE em 30/10, no âmbito da recuperação extrajudicial.
- Sabesp (SBSP3): concluiu a incorporação da Emae.
- Petrobras (PETR4): a CVM pediu esclarecimentos sobre a fala da presidente de que "é hora de comprar ações"; prévia operacional do 3T26 sai após o fechamento.
🌎 Global
Dados econômicos
A confiança do consumidor do Conference Board subiu a 91,7 em outubro, muito acima do consenso de 81,0, primeira alta em quatro meses. O componente de expectativas, em 72,6, segue abaixo da linha de 80 associada a recessão. Saem hoje a balança comercial avançada de setembro e os estoques de petróleo da EIA. Na zona do euro, o PMI composto prévio caiu a 51,9, mínima em quatro meses, com a França em contração.
Política
O Fed vem de uma alta em setembro, a primeira desde 2023, e o foco é o tom de Warsh sobre o ciclo. O Banco da Nova Zelândia surpreendeu e manteve a taxa em 2,75%, quando a alta era consenso, citando o efeito do petróleo sobre o crescimento. A Genial vê nisso o início de uma divergência entre bancos centrais e acompanha o Banco do Canadá, que decide hoje com alta de 0,25 p.p. como cenário-base. O Reino Unido apresenta o orçamento, com risco para gilts e libra. O BCE decide amanhã e o BoJ na sexta.
Geopolítica e commodities
O Brent sobe cerca de 1,3%, a US$ 115, e o WTI volta a superar US$ 100. O ataque reivindicado contra Ras Tanura e a retirada de pessoal não essencial da embaixada americana na Arábia Saudita reforçam o prêmio de risco, enquanto o Irã classificou como inaceitáveis as propostas da mediação mais recente. A liberação de estoques pela AIE e pela reserva estratégica americana não reverteu a alta. No Brasil, o petróleo pressiona a inflação e a defasagem dos combustíveis, mas melhora a arrecadação. O ouro recua a US$ 4.064 e o Bitcoin está perto de US$ 80,5 mil.
📅 Agenda do dia
Brasil
- Após o fechamento — Prévia operacional da Petrobras; balanços de Motiva e Intelbras
- Tarde — Fluxo cambial semanal (BC)
Global
- 10h45 — Decisão de juros do Banco do Canadá
- 11h30 — Estoques de petróleo (EIA)
- 15h00 — Decisão do FOMC (catalisador principal), coletiva de Warsh às 15h30
- Após o fechamento — Microsoft, Alphabet, ServiceNow, KLA, Ford
Próximas datas-chave: 29/10 BCE, PIB e PCE dos EUA, Vale e Amazon · 30/10 BoJ e AGE da Raízen · 03/11 eleições de meio de mandato nos EUA · 03-04/11 Copom.
Fontes: morning calls transcritos de BTG Pactual, XP, Genial e Pablo Spyer; InfoMoney, DGABC, CNN Brasil, NeoFeed, InvestNews, Seu Dinheiro, Money Times, BNN/Reuters, AP, Middle East Eye.
