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Cavalos de petróleo sob fumaça laranja, módulos de memória estilhaçados, barricada em rua europeia e skyline sul-americano com feixes verde e amarelo

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Café com Mercado — terça, 20/10/2026

13:45 BRT

A cinco dias do segundo turno, novas pesquisas com Flávio à frente levam o Ibovespa para perto do recorde, enquanto o Brent oscila em torno de US$ 110 com Ormuz e a liquidação em chips derruba a Ásia.

Overview

O exterior amanheceu com aversão a risco concentrada em tecnologia e energia. A estreia da Elice em Seul, com queda de 32%, reabriu a dúvida sobre o retorno do capex de inteligência artificial: o Kospi caiu 3,7%, o Nikkei 1,3% e o Hang Seng 1,3%. Ao mesmo tempo, ataques houthis contra instalações de energia sauditas e relatos de minas em Ormuz levaram o Brent a US$ 111, máxima em cinco meses. Ao longo da manhã, notícias não confirmadas de uma negociação entre EUA e Irã, mediada por Paquistão e Catar, devolveram o petróleo para perto de US$ 108. Nova York abriu em alta, com o S&P 500 em +0,7% perto das 11h30, puxado por saúde e por balanços como o da 3M. O Treasury de 10 anos recuou para 5,08% depois de dados fracos de construção residencial.

No Brasil, a cinco dias do segundo turno, o motor segue eleitoral. As pesquisas divulgadas desde segunda (PoderData, Real Time Big Data e Alfa) mostram Flávio Bolsonaro entre 51,5% e 52% dos votos válidos, e o Ibovespa chegou a 208.720 pontos (+1,8%) às 13h, a menos de mil pontos do recorde intradiário de 209.606. O dólar recua a R$ 5,01. Até domingo, a agenda se resume a pesquisas: Quaest na quarta, Datafolha na quinta e seis levantamentos no sábado, além do debate da Globo na sexta. Copom (3 e 4/11) e FOMC (27 e 28/10) ficam para depois da eleição.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

Não há indicador doméstico relevante hoje. O Focus de segunda manteve o IPCA de 2026 em 5,22% e elevou o de 2027 para 4,32%, com Selic projetada em 13,25% no fim do ano e 12% em 2027; o PIB de 2026 caiu para 1,83%. A Selic está em 13,75% depois de cinco cortes seguidos. O petróleo acima de US$ 100 é o principal risco ao ciclo: encarece combustíveis num momento em que alimentos já pressionam pelo El Niño, e os serviços seguem acima da meta. O IPCA-15 de outubro sai na sexta, com projeções entre 0,45% e 0,51%, ante 0,70% em setembro.

Política

As pesquisas de segunda e terça mantêm Flávio à frente. PoderData e Real Time Big Data apontam 52% a 48% dos válidos; a Alfa Inteligência, 51,5% a 48,5%; a AtlasIntel, 49,8% a 47,6% nos votos totais, com a diferença encolhendo de 5,4 para 2,2 pontos. Nenhuma delas capta inteiramente o debate da Band nem as acusações envolvendo Fábio Luís, cujo advogado informou que ele entregou os sigilos fiscal, bancário e telemático ao ministro André Mendonça, do STF.

No campo fiscal, Lula negou em sabatina uma "bomba" no reajuste do Bolsa Família e no perdão de dívidas de MEIs, projetou superávit primário de 0,1% e voltou a criticar a autonomia do Banco Central. O governo também antecipou o calendário de pagamento do programa. Flávio apagou publicações em que criticava o Bolsa Família.

Mercado

O Ibovespa fechou segunda em 205.079 pontos (−0,17%), contido por Petrobras, que tirou cerca de 870 pontos do índice com o recuo do petróleo. A amplitude foi positiva: 49 altas contra 27 quedas, small caps em alta firme e destaque para Azzas (+13%) e Magazine Luiza (+6,5%), após elevação de recomendação pelo Citi. O dólar fechou a R$ 5,048 e a curva ficou praticamente estável, com o DI janeiro/2029 em 12,66%. Hoje os bancos lideram a alta e Americanas sobe cerca de 25% com o fim da recuperação judicial.

Há divergência clara entre as casas sobre o efeito do petróleo caro e sobre o tamanho do risco eleitoral. O BTG considera o saldo do Brent alto negativo para a bolsa: favorece apenas Petrobras, que já subiu muito, e atrasa o ciclo de cortes do Banco Central. A casa sugere olhar as small caps e os setores ligados à economia doméstica, que andaram mais que o índice. Para a Genial, o petróleo é ambíguo: melhora a balança comercial, mas o subsídio aos combustíveis acumula uma conta fiscal represada para 2027, que pode levar a inflação a 7% no ano que vem. A Genial lê o cenário como binário: com alternância de poder, o estrangeiro, que trouxe R$ 21 bilhões em outubro, seguiria comprando; em caso de virada de Lula, a bolsa devolveria quase todo o ganho do primeiro turno e o dólar iria a R$ 5,20–5,25. A XP vê uma fase em que a seleção de ações passa a pesar mais que o movimento do índice, depois de uma alta concentrada em fluxo estrangeiro e fechamento da curva longa.

Na leitura técnica, o BTG trata o intervalo entre 204 mil e 209 mil pontos como contração de volatilidade, com rompimento provável depois da eleição e tendência de médio prazo de alta (resistências em 222 mil e 237 mil). O Itaú BBA vê alvo de 220 mil caso o índice supere 209.700; o BB Investimentos esperava lateralidade entre 204 mil e 207 mil na semana, faixa que o mercado já ultrapassou hoje.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Americanas (AMER3): a Justiça do Rio encerrou a recuperação judicial, três anos e nove meses após a fraude de R$ 25,3 bilhões; a decisão cabe recurso.
  • Inter (INTR): compra os 39,75% da Wiz (WIZC3) na Inter Seguros por R$ 409,5 milhões e passa a deter 100%, sujeito a BC e Cade.
  • Braskem (BRKM5): a OPA liquida amanhã (21/10); o FIP Shine fica com 50,11% do capital votante e os demais acionistas ON podem vender até 16/11 nas mesmas condições.
  • Prudential: vende as operações de Brasil e México à CNP por US$ 4,03 bilhões.
  • CSN (CSNA3): diz que a venda da área de cimentos está em fase final e descarta a alternativa de IPO.
  • Casas Bahia (BHIA3): acionistas ratificaram o pedido de recuperação judicial.
  • Vale (VALE3): registrou programa de Panda bonds de até RMB 10 bilhões na China.
  • Avicultura: o México suspendeu importações de produtos avícolas brasileiros após caso de doença de Newcastle em Santa Catarina.

🌎 Global

Dados econômicos

Nos EUA, o início de obras residenciais caiu 5,2% em setembro, para 1,221 milhão de unidades anualizadas, abaixo do consenso de 1,30 milhão, e ajudou a puxar os juros longos para baixo. Na Alemanha, a inflação ao produtor subiu para 6,7% em 12 meses, a mais alta desde 2023 e o sexto avanço seguido. No Reino Unido, os salários sem bônus cresceram 3,7% no trimestre até agosto. Na China, as taxas de referência de empréstimo ficaram em 3,0% e 3,5%, sem mudança pelo 17º mês, e o fixing do yuan veio no nível mais forte desde fevereiro de 2023.

Política

O Fed opera na faixa de 3,75% a 4,00% após a alta de setembro, e o FedWatch dá cerca de 83% de chance de manutenção em 28/10, com alta precificada para dezembro. Para a Genial, uma correção mais longa em tecnologia afetaria os dois pilares do crescimento americano (capex e consumo) e reduziria a necessidade de novas altas, o que reabriria o debate sobre dólar fraco. O BTG lê o ambiente como de aversão a risco, com juros longos americanos em torno de 5,1%–5,2% e petróleo pressionando a inflação global. O BCE (2,50%) decide em 29/10 e o BoJ (1,25%) em 30/10.

Geopolítica e commodities

No Oriente Médio, o Irã relatou dois petroleiros atingidos por minas em Ormuz, a Guarda Revolucionária ameaçou cabos submarinos na região e os houthis atacaram instalações sauditas; o Reino Unido anunciou missões para defender a Arábia Saudita. O WTI de novembro, que vence hoje, chegou a US$ 109 antes de recuar com os relatos de negociação entre EUA e Irã. Na França, o toque de recolher segue em áreas do país e o spread da OAT de 10 anos contra o Bund chegou a cerca de 150 pontos-base, nível não visto desde a crise do euro, antes da revisão da Moody's na sexta. O ouro recua a US$ 4.124, o cobre sobe a US$ 6,6 por libra e o Bitcoin está em torno de US$ 81,5 mil.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 11:00 — Leilão de LFT e NTN-B (Tesouro Nacional)
  • Ao longo do dia — novas pesquisas eleitorais; Galípolo em visita ao Estadão (fechada à imprensa)
  • Após o fechamento — resultado da Romi (ROMI3)

Global

  • 09:30 — Construção de moradias de setembro (EUA) — divulgado
  • 11:00 — Vendas pendentes de imóveis (EUA)
  • Após o fechamento em NY — Netflix, SpaceX e United Airlines (balanços do 3º trimestre; catalisador do dia para tecnologia)

Próximas datas-chave: 21/10 Quaest, IGP-M 2ª prévia, Meta, Tesla e WEG · 22/10 Datafolha e CMN · 23/10 IPCA-15, debate da Globo e Moody's sobre a França · 25/10 segundo turno · 27-28/10 FOMC · 29/10 BCE · 30/10 BoJ · 03-04/11 Copom.

Fontes: morning calls BTG, XP, Genial e Pablo Spyer; InfoMoney, InfoMoney Focus, Money Times, Exame, Poder360, Bloomberg Línea, NeoFeed, FXStreet, Saxo, Yahoo Finance, Quartz.