
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Café com Mercado — sexta, 16/10/2026
10:40 BRT
O Datafolha estreita a vantagem de Flávio e devolve prêmio ao câmbio e aos DIs, enquanto Warsh esfria a aposta de alta do Fed e a Ásia recupera parte da liquidação em chips.
Overview
A fala de Kevin Warsh no encontro do FMI, sem qualquer sinalização sobre o próximo passo e com ênfase genérica em estabilidade de preços, bastou para retirar parte do prêmio de alta que o PPI de setembro (6,3% a/a, maior desde dezembro de 2022) havia colocado na curva. A probabilidade de alta no FOMC de 27 e 28/10 caiu de cerca de 27% para perto de 15%, o Treasury de 10 anos recuou 10,5 pb, a 5,085%, e Nova York fechou quinta em alta liderada por setores defensivos (Dow +1,08%, S&P 500 +0,33%), com tecnologia ainda em queda. Nesta manhã a Ásia recompõe parte da liquidação em semicondutores (Kospi +2,05% depois de −7,6%, Nikkei +1,39%), a Europa sobe e o DXY cede a 101,8.
No Brasil, o vetor segue eleitoral. O Datafolha encurtou a vantagem de Flávio Bolsonaro para 51% a 49% dos votos válidos, o PoderData registrou empate em 50% a 50%, e o anúncio de ônibus gratuito nos fins de semana reforçou a leitura de risco fiscal. O resultado foi a terceira alta seguida do dólar, a R$ 5,0885 (+1,17%), DIs mais altos em toda a curva e Ibovespa em 204.324 pontos (−1,06%). O dia combina IBC-Br acima do consenso mais baixo, vencimento de opções sobre ações, uma bateria de pesquisas e a entrevista de Flávio na Globo à noite, a nove dias do segundo turno e a menos de três semanas do Copom.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
O IBC-Br de agosto subiu 0,3% m/m, revertendo a queda de 0,2% de julho. O número ficou em linha com a mediana da Reuters e acima dos 0,12% coletados pelo Broadcast. A abertura mostra indústria em +0,9%, serviços em +0,2% e agropecuária em −1,8%. No trimestre encerrado em agosto, o índice recua 0,6%, e em 12 meses acumula 1,6%. O quadro contrasta com o varejo divulgado ontem, que avançou só 0,1% no conceito restrito, ante consenso de 0,7%, e caiu 0,2% no ampliado. A atividade desacelera sem colapso, o que mantém o debate do Copom concentrado em expectativas e fiscal. O IPC-S da segunda quadrissemana de outubro subiu 0,46%, com 4,29% em 12 meses.
Política
O Datafolha, com campo entre 13 e 15/10, mostra Flávio com 47% dos votos totais e Lula com 45%, empate técnico na margem de dois pontos. Nos válidos, a vantagem passou de 52% a 48% para 51% a 49%. A PoderData/Aya trouxe 50% a 50%. Hoje saem ainda Futura, MDA, Vox Populi e Veritá, esta prevista para o meio-dia.
Na entrevista após o Jornal Nacional, Lula afirmou que não vai cortar gasto social e que o crescimento é o caminho para reduzir a dívida. A posição se opõe à avaliação recente de Galípolo de que o estímulo ao consumo se esgotou e de que a queda de juros depende de contenção de despesas. O anúncio de tarifa zero no transporte aos fins de semana entrou no preço do câmbio no fim da tarde de ontem.
O Congresso promulga hoje, com a presença de Lula, a PEC do fim da escala 6x1: a jornada cai para 42 horas dois meses após a publicação e para 40 horas em 12 meses, sem redução salarial. Flávio é entrevistado na Globo às 21h15. Os debates estão marcados para 18/10 (Band) e 23/10 (Globo).
Mercado
A queda de quinta concentrou-se em construção e varejo, os setores mais sensíveis a juros: Direcional (DIRR3) perdeu 9,26% após prévia operacional fraca do 3T, MRV (MRVE3) cedeu 4,94% e Magazine Luiza (MGLU3), 4,24%. O volume girou perto de R$ 41 bilhões. Nos DIs, o ajuste levou o F27 a 13,51%, o F29 a 12,63% e o F31 a 12,68%. Nesta manhã, o Ibovespa futuro sobe 0,35%, o dólar cede 0,2%, a R$ 5,076, e os DIs alternam sinal com a repercussão do Datafolha.
Há divergência clara entre as casas sobre o que o movimento da semana representa. A XP lê a correção como normalização técnica depois do salto pós-primeiro turno: o índice desenha uma bandeira de alta, e rompimento acima de 210 mil pontos depois da eleição abriria caminho para 237 a 240 mil, com 187 mil como sinal de reversão. A casa recomenda compra de SMAL11 protegida por venda de BOVA11, prefere PRIO a Petrobras pelo potencial gráfico e trata 5.077 pontos no dólar futuro como a linha que separa a tendência de queda, com objetivo em R$ 4,88, de uma correção até R$ 5,33. Parte dos gestores atribui a alta do dólar a causas domésticas e eleitorais, e não a ajuste técnico: a Manchester cita a proteção montada antes da pesquisa, e a Wagner projeta R$ 4,80 em caso de vitória de Flávio. O BTG, na carteira de outubro, trabalha com Ibovespa perto de 170 mil e dólar entre R$ 5,70 e R$ 6,00 num cenário de reeleição. O vencimento de opções sobre ações tende a ampliar a volatilidade até o exercício.
Empresas (IPO / M&A / OPA / default)
- Braskem (BRKM5): leilão da OPA hoje. A oferta do Shine I FIP paga em debêntures da NSP Investimentos, que está em recuperação judicial, e não em dinheiro; a AZ Quest estima valor implícito de R$ 1 a R$ 3 por ação. A companhia segue em recuperação extrajudicial de cerca de US$ 10,9 bilhões.
- Eneva (ENEV3): recebe aporte de R$ 1,77 bilhão do Itaú na subsidiária Eneva III.
- Direcional (DIRR3): prévia do 3T com vendas e lançamentos abaixo do esperado.
- Brava (BRAV3): comunica descoberta de hidrocarbonetos no Rio Grande do Norte.
- Estapar (ALPK3): receita de R$ 548,9 milhões no 3T, alta de 12,9%.
🌎 Global
Dados econômicos
O PPI de setembro avançou 1,3% m/m e 6,3% a/a (consenso de 5,5%), com núcleo em 5,0%, e completou uma semana de inflação acima do esperado depois do CPI de 3,7%. Do lado da demanda, o varejo subiu 0,8% e os pedidos de seguro-desemprego ficaram em 199 mil, enquanto o Philly Fed caiu para 20,9. Hoje saem a produção industrial de setembro (consenso de +0,4%) e a utilização da capacidade. No domingo, a China divulga o PIB do 3T, com consenso de 4,4% a/a.
Política
Warsh não antecipou decisões, e o Fed entra em período de silêncio antes do FOMC de 27 e 28/10, com juros em 3,75% a 4,00%. Beth Hammack advertiu que uma deterioração das expectativas de inflação exigiria resposta maior. O Treasury de 2 anos recuou para 4,74% e o de 30 anos para 5,43%; na semana anterior, o de 10 anos havia tocado 5,36%, a máxima em 24 anos. No Japão, Ueda reiterou que o BoJ seguirá elevando juros, com o momento condicionado ao câmbio e ao Oriente Médio, e o iene opera perto de 158 por dólar. O BCE também está em silêncio antes da reunião de 28 e 29/10, com a taxa de depósito em 2,50%.
Geopolítica e commodities
O afundamento do porta-contêineres GFS Pride em Ormuz, atribuído pelo CENTCOM a projétil iraniano, mantém o Brent entre US$ 105 e US$ 106. A liberação de 100 milhões de barris aprovada pela AIE e a passagem de mais de 40 navios em 24 horas limitam a alta. O petróleo nesse patamar sustenta exportadoras como PRIO e Petrobras e pressiona a defasagem do diesel no mercado interno. O ouro sobe 0,7%, a US$ 4.185, e o cobre ganha 1,2% com greves nas minas de Escondida e Centinela, no Chile. Entre emergentes, a bolsa da Indonésia cai 11,6% diante de alerta de rebaixamento de classificação de mercado. O Conselho Europeu encerra hoje o encontro de dois dias, com Ucrânia, defesa e liberdade de navegação na pauta.
📅 Agenda do dia
Brasil
- 09h00 — IBC-Br de agosto (BC): +0,3% m/m
- ao longo do dia — Vencimento de opções sobre ações (B3)
- ao longo do dia — Leilão da OPA da Braskem (B3)
- ao longo do dia — Promulgação da PEC do fim da escala 6x1 (Congresso)
- 12h00 — Pesquisa Veritá; Futura, MDA e Vox Populi ao longo do dia
- 21h15 — ⚑ Entrevista de Flávio Bolsonaro na TV Globo, catalisador do dia para o pregão de segunda
Global
- antes da abertura — Resultados de Travelers, Truist, Citizens, Regions e M&T
- 10h15 — Produção industrial e utilização da capacidade de setembro (Fed)
- 15h00 — Resultado orçamentário de setembro (Tesouro dos EUA)
- ao longo do dia — Conselho Europeu, segundo dia
Próximas datas-chave: 18/10 PIB da China e debate na Band · 23/10 debate na Globo · 25/10 segundo turno · 27-28/10 FOMC · 28-29/10 BCE · 29-30/10 BoJ · 03-04/11 Copom.
Fontes: morning calls XP, Pablo Spyer e Money Times; InfoMoney, Forbes, Diário do Comércio, O Povo/AE, Money Times, CNN Brasil, Poder360, Seu Dinheiro, AP, Reuters/Yahoo, Benzinga, TheStreet, FXStreet, Consilium.
