
terça-feira, 13 de outubro de 2026
Café com Mercado — terça, 13/10/2026
10:45 BRT
Na volta do feriado, a bolsa realiza parte do rali recorde enquanto a BTG/Nexus mantém Flávio à frente, o Focus eleva o IPCA de 2026 e os balanços dos bancos americanos abrem a temporada sob a pressão da liquidação em chips na Ásia.
Overview
O exterior das últimas 48 horas foi dominado por uma liquidação em semicondutores. Notícias de avanço da chinesa CXMT em memória DRAM derrubaram o Kospi em mais de 5% nesta madrugada, com Samsung e SK Hynix perto de 8% de queda, e o Nikkei recuou cerca de 2%. Em Nova York, os futuros da Nasdaq cedem 0,6% enquanto o Dow sobe, num movimento de rotação para setores de valor. O petróleo devolve parte da alta de segunda: o Brent, que passou de US$ 107 após ataques houthis ao aeroporto de Riad, recua 2%, a US$ 104, com a liberação de diesel russo pelos EUA. Os Treasuries de 10 anos caem para 5,19%, e o dia é dos balanços de JPMorgan, Goldman, Wells Fargo e Citi, que abrem a temporada do terceiro trimestre.
No Brasil, a sessão de hoje cobre o intervalo desde sexta, já que segunda foi feriado. O Ibovespa fechou a semana passada em 209.067 pontos, recorde, com alta de 8,8% na semana, e abre hoje em realização, perto de 206,6 mil (-1,2%), com o dólar de volta a R$ 5,01. A pesquisa BTG/Nexus mostra Flávio Bolsonaro com 52% a 48% dos votos válidos sobre Lula, e o Focus elevou o IPCA de 2026 para 5,22% ao mesmo tempo em que reduziu a Selic projetada para o fim do ano a 13,25%. A decisão do Copom de 3 e 4/11 segue precificada como corte de 25 pb, e o FOMC de 27 e 28/10 como manutenção.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
O Focus desta semana subiu a mediana do IPCA de 2026 de 5,01% para 5,22% e manteve 2027 em 4,30%, absorvendo o IPCA de setembro, que veio em 0,82% e levou a inflação em 12 meses a 4,58%, acima do teto da meta. A Selic de fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25%, o que equivale a dois cortes de 25 pb a partir dos atuais 13,75%, com 12,00% para o fim de 2027. O PIB de 2026 está em 1,85%, e o câmbio de fim de ano recuou para R$ 5,15. O FMI cortou o crescimento brasileiro para 2,2% em 2026 e 1,9% em 2027 (de 2,4% e 2,2%), citando juros restritivos e retirada de estímulos fiscais. A agenda da semana concentra a atividade de agosto: PMS na quarta, PMC na quinta e IBC-Br na sexta.
Política
A BTG/Nexus, com campo de 10 a 12/10, deu a Flávio 48% contra 45% nos votos totais, invertendo a rodada de 28/09, em que Lula liderava por 46% a 44%. A rejeição de Lula é de 51% e a de Flávio, de 47%. A Quaest divulgou apenas recortes estaduais no feriado; a nacional sai na quarta e o Datafolha, na quinta. No Executivo, o governo ampliou por 30 dias o pacote de combustíveis, ao custo de R$ 5,2 bilhões: a desoneração da gasolina sobe para R$ 0,89 por litro e o diesel importado ganha subvenção extra de R$ 1,40 por litro. Lula anuncia nesta manhã um pacote de crédito e renegociação para microempreendedores. No Senado, a PEC do fim da escala 6x1 vai a votação em primeiro turno na quarta e precisa de 49 votos.
Mercado
A semana passada foi de reprecificação ampla: além do recorde do Ibovespa, o dólar fechou sexta a R$ 4,986 (-4,4% na semana), o DI janeiro/2031 recuou cerca de 170 pb em cinco sessões, e o índice de small caps subiu cerca de 20%. O estrangeiro aportou R$ 1,65 bilhão no pregão de 08/10 e acumula R$ 14,7 bilhões em outubro. Hoje o movimento se inverte em parte: o DI janeiro/2029 sobe 9,5 pb, a 12,32%, bancos recuam cerca de 2% e Magazine Luiza devolve 6% após subir mais de 19% na sexta. O Tesouro faz leilão de NTN-B às 11h30, e a demanda pelos vencimentos longos é o termômetro do dia para a curva.
Há divergência clara entre as casas sobre o fôlego do movimento. A Genial trata o rali como o início de um ciclo, com o Brasil funcionando como contrapeso a carteiras concentradas em inteligência artificial, e prefere NTN-B de prazo longo e small caps; a própria análise técnica da casa, porém, vê assimetria desfavorável nas small caps no curto prazo e projeta 228 mil pontos para o Ibovespa só se o índice firmar acima de 210 mil. O BTG concorda com a tese de fluxo, lembrando que a alocação local e institucional em ações segue muito abaixo da média histórica, mas recomenda capturá-la via small caps e bancos em vez do índice cheio, pela concentração em commodities, e mantém visão reticente para Vale com o minério. A XP é mais comedida: atribui a alta à expectativa de um ajuste fiscal gradual e à redução da incerteza eleitoral, e destaca que a inflação de serviços segue resistente e que os subsídios aos combustíveis terão de ser revertidos em algum momento.
Empresas (IPO / M&A / OPA / default)
- CSN (CSNA3) — assinou term sheet vinculante para vender a alemã SWT à Megasa por valor de firma de € 550 milhões, com exclusividade de até 10 semanas.
- Braskem (BRKM5) — leilão da OPA na sexta, 16/10; o Shine I FIP oferece três debêntures da NSP, em recuperação judicial, por ação, sem componente em dinheiro.
- Raízen (RAIZ4) — assembleia aprovou o pedido de migração para o Nível 2 de governança da B3.
- Movida (MOVI3) — prévia do 3T26 com lucro de R$ 152,1 milhões (+117% a/a) e Ebitda de R$ 1,8 bilhão.
- Eztec (EZTC3) — vendas líquidas de R$ 522,7 milhões no trimestre (-0,6% a/a), com lançamentos 53% maiores.
- Santander (SANB11) — JCP de R$ 1,5 bilhão, data-com em 20/10.
- BlackRock — passou de 5% em Azzas (AZZA3), Alupar (ALUP11) e Totvs (TOTS3) e de 10% nas preferenciais da Gerdau (GGBR4).
- Vale (VALE3) — anunciou medidas contra o ex-vice-presidente do conselho Marcelo Gasparino por quebra de sigilo; a CVM abriu processo.
🌎 Global
Dados econômicos
A temporada de balanços começou com resultados mistos nos bancos. O JPMorgan entregou lucro por ação de US$ 5,57, abaixo dos US$ 5,90 esperados, pesado por perdas de US$ 658 milhões com títulos, e receita de US$ 50,2 bilhões. O Goldman Sachs surpreendeu com US$ 17,01 por ação contra US$ 13,02, com receita de ações 72% maior, e sobe cerca de 4% no pré-mercado. Wells Fargo (US$ 1,87) e Citi (US$ 2,85) superaram o consenso, este com o melhor terceiro trimestre em renda fixa em pelo menos uma década. Na Ásia, o PPI do Japão desacelerou para 6,8% em 12 meses, contra 7,6% esperados. O dado central da semana é o CPI americano, na quarta.
Política
O Fed está em 3,75% a 4,00% depois da alta de setembro, e o mercado atribui probabilidade baixa a nova alta em outubro. Hammack, de Cleveland, defende mais aperto, enquanto Waller sinalizou espaço para pausa; Barkin e Collins falam hoje, e o período de silêncio começa em 17/10. O DXY, a 102,6, está perto da máxima em 18 meses, e o euro tocou 1,1154, mínima em 17 meses, com o impasse orçamentário francês: o spread da OAT sobre o Bund está em cerca de 142 pb depois do rebaixamento da França a A+ pela Scope. Na Austrália, a ata do RBA manteve viés duro com juros em 4,60%, e o BoJ, que se reúne em 29 e 30/10, segue com alta no radar.
Geopolítica e commodities
O petróleo segue preso ao Golfo. A UKMTO registrou seis navios atingidos no Estreito de Hormuz no domingo, recorde do conflito, e Trump rejeitou as sete condições impostas pelo Irã para reabrir a passagem. A pressão de oferta veio do outro lado: o acordo energético anunciado por Trump permite à Rússia fornecer diesel por seis meses, e a Arábia Saudita estuda elevar a capacidade do oleoduto que contorna Hormuz para 10 milhões de barris por dia. O WTI recua para US$ 91,8. O ouro sobe 0,5%, a US$ 4.210, o cobre está na máxima em duas semanas e o minério caiu 1,15% em Dalian. Para o Brasil, o Brent acima de US$ 100 mantém a pressão sobre o IPCA e o custo fiscal dos subsídios; a queda de hoje alivia, mas não muda o patamar.
📅 Agenda do dia
Brasil
- 11:30 — Leilão de LFT e NTN-B (Tesouro Nacional)
- 15:00 — Balança comercial semanal (MDIC)
Global
- Pré-abertura — ⭐ Balanços de JPMorgan, Goldman Sachs, Wells Fargo e Citi (catalisador do dia)
- 11:00 — Vendas de imóveis usados (NAR, EUA)
- 14:00 — Thomas Barkin (Fed de Richmond)
- 17:00 — Susan Collins (Fed de Boston)
- 22:30 — CPI, PPI e balança comercial (China)
Próximas datas-chave: 14/10 CPI dos EUA, PMS, Quaest nacional, PEC 6x1 no Senado, balanços de BofA, Morgan Stanley e ASML · 15/10 Datafolha, PMC e TSMC · 16/10 IBC-Br e leilão da OPA da Braskem · 23/10 debate da Globo · 25/10 segundo turno · 27-28/10 FOMC · 3-4/11 Copom.
Fontes: morning calls Genial, BTG, XP, Money Times, Pablo Spyer; InfoMoney, B3 Bora Investir, Money Times, BPMoney, Poder360, Seu Dinheiro, Saxo, TheStreet, investingLive, Business Recorder/Reuters.
