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Míssil cruzando o céu noturno sobre aeroporto no deserto, tanques de petróleo em chamas e urna com fita verde e amarela

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Café com Mercado — quinta, 08/10/2026

10:30 BRT

Petróleo acima de US$ 105 e Treasuries perto da máxima de 24 anos pesam lá fora, enquanto a PoderData com Flávio a 53% sustenta o trade eleitoral à espera do Datafolha.

Overview

O petróleo volta a ditar o humor global. O Brent sobe perto de 5%, para US$ 105, depois de relatos de que a Casa Branca pediu ao Pentágono opções de ataque ao Irã antes das eleições de meio de mandato, de os Houthis reivindicarem um míssil contra o aeroporto de Riad e de a tempestade Isaías interromper cerca de 500 mil barris/dia no Golfo do México. A ata do FOMC saiu dura, com a maioria vendo outra alta de juros até o fim do ano, e Waller confirmou o viés, embora sem exigir reuniões consecutivas; o mercado reduziu a chance de alta em outubro para perto de 19% e concentra a aposta em dezembro (~80%). O UST 10 anos opera em 5,33%-5,35% e o de 30 anos tocou 5,73%, máxima desde 2002, apesar de o leilão de 10 anos ter saído forte (taxa 1,7 pb abaixo do secundário, demanda de 2,77 vezes). Os futuros de Nova York caem de 0,5% a 0,9% e a Europa recua mais de 1%.

No Brasil, o trade eleitoral funciona como contrapeso. A PoderData trouxe Flávio Bolsonaro com 53% dos votos válidos contra 47% de Lula, antes de refletir os apoios de Republicanos, União, PP e Novo; o Datafolha sai no fim do dia. O Ibovespa abriu perto da estabilidade, em torno de 204,8 mil pontos, depois de recuar 0,74% na quarta, para 204.302, na segunda sessão de correção após o salto de 7,7% de segunda-feira. O dólar segue pouco acima de R$ 5,01. A agenda doméstica é leve até o IPCA de setembro, na sexta.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

A produção industrial regional de agosto, divulgada pelo IBGE, mostrou queda de 0,6% na média nacional no mês e de 1,2% na comparação anual. A Anfavea reportou para setembro emplacamentos de 281,4 mil unidades, o maior volume desde dezembro de 2014 (+15,7% no ano), e elevou a projeção de vendas de 2026. O IPCA-15 de setembro havia marcado 0,70%, acima da projeção de 0,65% do BC, e a XP afirma que a fase de leituras benignas de inflação terminou: El Niño nos alimentos e defasagem do diesel devem carregar os índices até o fim do ano. O Focus mais recente aponta Selic de 13,50% no fim de 2026 e 12% no fim de 2027.

Política

A PoderData/Aya ouviu 3.000 eleitores entre 5 e 7 de outubro, com margem de 1,8 ponto. Na pergunta sobre quem deve vencer, Flávio aparece com 54% contra 37% de Lula. O Republicanos oficializou o apoio na quarta, com Tarcísio presente. Circulam duas notícias sobre o programa econômico do candidato: o assessor Luís Felipe Trevisan, ex-Itaú BBA, defenderia cortar despesas já antes da posse, e o ajuste fiscal discutido passou de R$ 200 bilhões para cerca de R$ 250 bilhões em reportagens de Folha e Valor. No Senado, Davi Alcolumbre prevê votar em primeiro turno a PEC do fim da escala 6x1 na semana de 12 de outubro, antes do segundo turno, o que preocupa investidores.

Mercado

O fluxo estrangeiro de segunda-feira foi de R$ 10,1 bilhões, o maior em um único dia desde pelo menos 2008 segundo o BTG, e o EWZ foi o terceiro ETF mais negociado do mundo naquela sessão. A correção de quarta concentrou-se em bancos (BBDC4 −3,7%, ITUB4 −2,7%) e em exportadoras pressionadas pelo real forte (Embraer −5,1%, Vale −2,3%), enquanto small caps e construtoras seguiram subindo. Há divergência clara entre as casas sobre o fôlego do movimento. A Genial trata o Brasil como "jogo de juros", segue preferindo NTN-B longa e small caps, sustenta que o ciclo "está apenas no começo" e lê o real pela ótica de África do Sul e Colômbia, cujas moedas subiram de 10% a 15% no mês seguinte às eleições. A XP mantém o rebalanceamento tático e gradual, projeta câmbio de R$ 5,00 com viés de baixa e Selic de 13,25% no fim do ano e 11,5% em 2027, condicionada à sinalização fiscal. O BTG considera saudável uma correção de dois ou três pregões, com suporte em 199,5 mil pontos, e calcula que cada 100 pb a menos no custo de capital elevaria em cerca de 16% os preços-alvo do setor financeiro. A GT Capital, ouvida pelo Money Times, vê o Ibovespa estacionando perto de 210 mil até o fim do ano sem detalhamento fiscal dos candidatos.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • GPA (PCAR3): Justiça de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial; a ação chegou a subir 10%, mas o mercado aponta risco de R$ 17 bilhões fora do plano.
  • B3 (B3SA3): BlackRock passou a deter cerca de 10,08% das ações ordinárias.
  • Leilão da ANP: sete de 13 blocos do pré-sal arrematados, com bônus de cerca de R$ 503 milhões; Petrobras (PETR4), PRIO (PRIO3) e Equinor levaram dois blocos cada. Eneva (ENEV3) levou seis blocos na bacia do Parnaíba.
  • Azul (AZUL4): Tribunal do Cade aprovou por unanimidade o investimento de US$ 100 milhões da American Airlines.
  • Natura (NATU3): caiu 9% na quarta após relatório sobre exposição da receita a riscos climáticos em insumos amazônicos.
  • Brava (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3): prévias de setembro com produção de ~83 mil boe/d (+1,7%) e ~23,5 mil boe/d (−1,3%), respectivamente.

🌎 Global

Dados econômicos

Os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA vieram em 197 mil, abaixo dos 200 mil esperados. Na Alemanha, as exportações caíram 0,8% em agosto, a maior queda desde novembro de 2025. A Samsung reportou lucro operacional recorde de ₩ 107,4 trilhões no terceiro trimestre, ligeiramente abaixo do consenso, e a ação recuou; o Kospi caiu 2,6% e o Nikkei 1,4%. A temporada de resultados nos EUA começa na terça, 13, com os grandes bancos.

Política

A ata do FOMC retirou a menção a riscos no mercado de trabalho e citou pela primeira vez pressão inflacionária ligada à demanda por insumos de inteligência artificial. Waller, em Istambul, defendeu novas altas, com flexibilidade de calendário; Kashkari e Musalem falam hoje. A ata do BCE indicou riscos de inflação para cima. Na França, o spread OAT-Bund chegou a 134 pb, o euro está na mínima de 17 meses (~1,118) e o governo liberou reservas estratégicas de diesel em meio a protestos. O DXY sobe para 102,4 e o iene opera a 158,2.

Geopolítica e commodities

Trump disse que não quer mais um acordo com o Irã, e o Axios relatou ordem ao Comando Central para se preparar para operações de combate. O WTI sobe para US$ 92,6. O ouro fica perto de US$ 4.130, a prata cai cerca de 2% e o minério de ferro recuou na volta da China do feriado. O Bitcoin opera em torno de US$ 82,5 mil, após cerca de US$ 700 milhões em liquidações. Para o Brasil, o petróleo alto ampara Petrobras e PRIO, mas encarece a defasagem do diesel e pressiona o IPCA de 2027 se persistir.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 09:00 — Produção industrial regional de agosto (IBGE)
  • 11:30 — Leilão de LTN e NTN-F (Tesouro Nacional)
  • Após o fechamento — Pesquisa Datafolha de segundo turno, principal catalisador do dia

Global

  • 09:30 — Pedidos de seguro-desemprego (EUA): 197 mil
  • 11:40 — Discurso de Neel Kashkari (Fed)
  • 14:00 — Leilão de Treasuries de 30 anos (US$ 22 bilhões)
  • 14:40 — Discurso de Alberto Musalem (Fed)

Próximas datas-chave: IPCA de setembro (09/10); feriado no Brasil (12/10); bancos americanos abrem a temporada (13/10); vencimento de índice (14/10); 2º turno (25/10); FOMC (27-28/10); Copom (03-04/11).

Fontes: morning calls BTG, XP, Genial, Pablo Spyer, Money Times; InfoMoney, Money Times, Poder360, Agência Senado, Seu Dinheiro, O Povo, Yahoo Finance, Bloomberg, investingLive, Euronews.