Pular para o conteúdo
<- Voltar para Café com Mercado
Petroleiro em chamas num estreito ao entardecer, navio de guerra ao fundo, Torre Eiffel sob tempestade e bandeira do Brasil iluminada em primeiro plano

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Café com Mercado — quarta, 07/10/2026

10:40 BRT

Ataques do Irã a petroleiros em Ormuz e o Treasury de 30 anos em máxima de 24 anos devolvem o dólar global ao centro do pregão, enquanto o Brasil digere a entrada recorde de estrangeiros e espera a ata do FOMC.

Overview

O exterior voltou a ditar o tom. O Irã intensificou os ataques a navios-tanque no Estreito de Ormuz, o que interrompe a recuperação parcial das exportações do Golfo e devolve o Brent a US$ 101,7 (+1,2%). O petróleo pressiona as expectativas de inflação e, com elas, a ponta longa americana: o Treasury de 10 anos voltou a 5,31%-5,35%, nas máximas desde 2002, e o de 30 anos chegou a 5,71%, máxima em 24 anos, na véspera de leilões de US$ 39 bi de 10 e de 30 anos. A crise fiscal francesa soma-se ao quadro: o spread da OAT sobre o Bund passa de 130 pb, o euro caiu abaixo de US$ 1,12 e o DXY sobe 0,6%, a 102,4. Os futuros de Nova York recuam levemente depois de novos recordes do S&P 500 (7.818,93) e do Nasdaq na terça, e a ata do FOMC, às 15h, deve indicar até onde vai o aperto do Fed.

No Brasil, a terça foi de acomodação depois da alta de 7,7% da segunda. O Ibovespa recuou 0,52%, a 205.835 pontos, puxado por BBAS3 (-6,4%), rebaixada para venda pelo JPMorgan, e por Petrobras. O dólar seguiu caindo e fechou em R$ 4,9756, o primeiro fechamento abaixo de R$ 5 desde maio. A curva continuou fechando nos vértices longos (F29 -20 pb, F31 -14 pb), e o fluxo estrangeiro de segunda chegou a cerca de R$ 10 bi, recorde, tendo a pessoa física como contraparte. Hoje o dólar global e os juros externos tendem a prevalecer sobre a tese doméstica de alternância de poder, enquanto o mercado espera as primeiras pesquisas do segundo turno (Datafolha e PoderData amanhã, AtlasIntel na sexta).

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O IGP-DI de setembro subiu 1,50%, ante 0,06% em agosto e em linha com a mediana de 1,53%. O IPA avançou 1,95%, o IPC 0,67% e o INCC 0,22%, e o índice acumula 3,80% em 12 meses. A balança comercial de setembro registrou superávit de US$ 7 bi, com exportações de US$ 34 bi (+13% a/a) puxadas pelo petróleo, que superou a soja como principal item, e importações em queda de 2,4%, sinal de atividade mais fraca. O IPCA de setembro sai na sexta: a Empiricus projeta 0,83%, acima do consenso, com energia elétrica e passagens aéreas pressionando, e vê viés de baixa a partir de novembro pelos bens comercializáveis, dada a apreciação do câmbio.

Política

Flávio Bolsonaro amplia a base para o segundo turno de 25/10. PP e União Brasil anunciaram apoio na terça, e o Republicanos deve se somar hoje, depois de Caiado e Zema. Lula ainda não anunciou adesões. A Eurasia elevou de 45% para 70% a probabilidade de vitória de Flávio, que teve 47,0% dos votos válidos contra 45,2% de Lula. Na Fazenda de um eventual governo Flávio circulam os nomes de Campos Neto, Marcelo Kayath e Alexandre Bettamio, e a equipe trabalharia com um ajuste da ordem de R$ 200 bi a ser votado entre a eleição e a posse.

A PEC do fim da escala 6x1 não foi votada na terça: o Senado fez a primeira de cinco sessões de discussão, com ausência da maior parte do PL, e realiza hoje a segunda. Alcolumbre sinaliza o primeiro turno na próxima semana, com exigência de 49 votos, e a oposição trabalha para adiá-la. Galípolo prestou depoimento à PF como testemunha no inquérito do Banco Master e não falou publicamente depois do fechamento. O ministro Dario Durigan discursa hoje na abertura de evento da Abrainc, e o STF retoma o julgamento sobre créditos presumidos de ICMS na base do PIS/Cofins, com impacto estimado em R$ 16,5 bi.

Mercado

O Ibovespa abriu perto da estabilidade, na casa de 205,8 mil pontos, depois de o futuro ter chegado a cair 0,8%. O dólar sobe a cerca de R$ 4,99 e os DIs longos abrem 5 a 6 pb, acompanhando o exterior. As casas concordam que a primeira perna do rali refletiu a descompressão de um prêmio fiscal extremo, e não apenas o resultado eleitoral, mas há divergência clara sobre o quanto alongar a exposição. A Genial é a mais agressiva: considera a NTN-B 2084 o melhor ativo do país mesmo depois de subir 34% em um único pregão, vê espaço para o juro real cair a 5% caso a PEC fiscal passe e põe small caps em segundo lugar. A XP recomenda adicionar risco de forma gradual e tática (prefixados com duration de 4 anos, bolsa e fundos imobiliários) e lembra que correções entre o primeiro e o segundo turno são historicamente comuns. O BTG, com a Empiricus, também prefere os IPCA+ mais longos e vê espaço adicional para o real, mas pondera que o ajuste fiscal que justifica o fechamento da curva desacelera a atividade em 2027, o que limita o ganho das cíclicas domésticas no curto prazo.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Braskem (BRKM5): leilão da OPA marcado para 16/10, com Shine I FIP como ofertante e BTG como intermediário.
  • Banco do Brasil (BBAS3): JPMorgan rebaixou para venda e elevou Bradesco (BBDC4) para compra; BBAS3 caiu 6,4% e BBDC4 subiu 4,4% na terça.
  • Axia Energia (AXIA3): aprovou resgate de R$ 4 bi em ações PNC, etapa da migração para o Novo Mercado.
  • Grupo Primo: incorpora a Oikos e chega a R$ 34 bi sob custódia.
  • Opalus: compra a operação de home care da Emeis no Brasil.
  • IMC (MEAL3): recebeu da B3 novo prazo para reenquadrar a cotação acima de R$ 1.
  • Banrisul (BRSR6): UBS elevou a recomendação de venda para neutra.

🌎 Global

Dados econômicos

A produção industrial alemã de agosto subiu 2,0%, acima dos 0,5% esperados, sem impedir a queda das bolsas europeias. Nos EUA, o ISM de serviços da semana trouxe o componente de preços na máxima em quatro anos, argumento de quem defende novas altas. Hoje saem os estoques de petróleo da EIA, a expectativa de inflação do consumidor do Fed de Nova York e o crédito ao consumidor. A Mercedes-Benz informou queda de 8% nas vendas de carros no terceiro trimestre, com recuo de 31% na China.

Política

A ata da reunião de setembro, que elevou os juros em 25 pb, sai às 15h. O CME precifica cerca de 78% de manutenção em outubro e cerca de 69% de alta em dezembro. Os dirigentes mantêm viés duro: Logan defende juros 50 pb ou mais acima do nível atual, enquanto Williams e Bowman não veem urgência para a próxima alta. Na Europa, o mercado embute cerca de 75 pb de aperto do BCE até 2027 e mais de 100 pb do BoE até o fim de 2027. O BC da Índia subiu os juros pela primeira vez em cerca de quatro anos.

Geopolítica e commodities

O UKMTO contabiliza nove incidentes com petroleiros no mês, e os houthis voltaram a atacar alvos sauditas. Em sentido contrário pesam o oleoduto Leste-Oeste saudita de volta a 5,8 mi b/d, a liberação de 100 mi de barris de reservas pelo G7 e a OPEP+ mantendo as metas para novembro. O WTI sobe a US$ 90,2. O dólar forte derruba o ouro a US$ 4.088 (-1,8%), a prata a US$ 59,7 (-2,7%) e o Bitcoin a cerca de US$ 84 mil (-2,3%). Na Ásia, o Nikkei caiu 0,9%, o Hang Seng 0,6% e o Kospi 2,0%, com a China continental em feriado até amanhã. Na Europa, o FTSE MIB recua 2,3%, o DAX 1,2% e o CAC 0,9%, este no menor nível desde março. Para o Brasil, o petróleo acima de US$ 100 sustenta a balança comercial, mas o canal do dólar global e da inflação externa pesa contra o câmbio e a curva no curto prazo.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 09:20 — Durigan abre fórum da Abrainc
  • Manhã — Anfavea divulga produção e vendas de setembro; leilões da ANP
  • Tarde — Senado faz a 2ª sessão de discussão da PEC do fim da escala 6x1; STF retoma o julgamento do ICMS na base do PIS/Cofins
  • Tarde — Fluxo cambial semanal (BC)

Global

  • 11:30 — Estoques de petróleo (EIA)
  • 12:00 — Expectativa de inflação do consumidor (Fed de Nova York)
  • 14:00 — Leilão de US$ 39 bi de Treasuries de 10 anos
  • 15:00 — Ata do FOMC (catalisador do dia)
  • 16:00 — Crédito ao consumidor (EUA)

Próximas datas-chave: 08/10 Datafolha e PoderData do 2º turno, seguro-desemprego nos EUA, leilão de 30 anos e prévia da Samsung · 09/10 IPCA de setembro e AtlasIntel · 16/10 leilão da OPA da Braskem · 25/10 2º turno · 27-28/10 FOMC · 03-04/11 Copom.

Fontes: morning calls em vídeo de BTG Pactual, XP, Genial, Pablo Spyer e Money Times; XP Morning Call, InfoMoney, Money Times, DGABC/IGP-DI, Agenda do Poder, CartaCapital, Brazil Journal, TheStreet, Yahoo Finance, Trading Economics, Federal Reserve.