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Tríptico com figura de costas diante de um púlpito ao pé das montanhas de Jackson Hole, duas curvas divergentes cruzando sobre um pregão e a bandeira brasileira ao lado de uma mina de minério de ferro

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Café com Mercado — sexta, 28/08/2026

10:45 BRT

Warsh estreia em Jackson Hole com o Brasil precificando corte de juros e os Estados Unidos discutindo alta, enquanto o Ibovespa encadeia a sétima alta seguida por recálculo eleitoral.

Overview

Kevin Warsh faz às 11h de Brasília seu primeiro discurso como presidente do Federal Reserve, no simpósio de Jackson Hole, e o mercado global suspendeu posição até lá. Os futuros americanos oscilam perto da estabilidade depois de uma quinta-feira encerrada com Nasdaq em alta de 1,6% e S&P 500 de 0,7%, movimento sustentado quase inteiramente por tecnologia: a Nvidia subiu 8,74%, para US$ 227,98, acrescentando cerca de US$ 435 bilhões de valor de mercado depois do balanço, enquanto os demais setores do índice fecharam em queda. O Treasury de 30 anos segue em 5,18% e o de 10 anos em 4,67%, com o DXY na casa de 99,2. O que está em jogo no discurso é a função de reação da autoridade monetária: os futuros de juros ainda embutem cerca de um terço de probabilidade de alta na reunião de 15 e 16 de setembro, com a taxa hoje em 3,50% a 3,75%.

No Brasil o Ibovespa encadeou a sétima alta seguida, fechando quinta a 175.135 pontos (+0,31%), com ganho acumulado próximo de 5,5% na sequência. A explicação que as casas dão para o repique não passa por fundamento econômico: o mercado vinha precificando cerca de 70% de continuidade do governo em 2027 e migrou para algo perto de 60%, leitura que BTG e Genial extraem, independentemente uma da outra, do Polymarket e das opções do EWZ. O pano de fundo doméstico segue frouxo, com IGP-M de agosto em -0,22% e desemprego na mínima da série, o que sustenta a aposta de corte da Selic em setembro na mesma semana em que os Estados Unidos discutem alta.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O IGP-M de agosto registrou -0,22%, contra consenso de -0,30% apurado pelo Projeções Broadcast, e acumula 2,16% em doze meses. O resultado primário do Governo Central de julho ficou em superávit de R$ 10,783 bilhões, praticamente sobre o consenso de R$ 10,679 bilhões, com o acumulado de janeiro a julho ainda em déficit de R$ 81,3 bilhões. O Caged de julho sai às 12h30, com expectativa de abertura de 115 mil vagas formais contra 145.161 no mês anterior, número que confirmaria a desaceleração na margem do emprego com carteira assinada. A PNAD divulgada na quinta trouxe desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor da série para o período.

Política

O horário eleitoral gratuito começa hoje em rádio e televisão. Lula deu entrevista ao Jornal Nacional na quinta e disse não se preocupar com a dívida pública, comparando a situação brasileira à do Japão, comparação que Roberto Motta rejeitou no morning call da Genial ao lembrar que o Japão se financia na própria moeda e a custo próximo de zero. Flávio Bolsonaro vai ao mesmo programa hoje e prometeu anunciar novos nomes de equipe, um dia depois de um jantar de apoio em São Paulo que reuniu banqueiros e empresários. O PLOA 2027 deve ser enviado até segunda-feira, com salário mínimo de R$ 1.741, e o Congresso entra em esforço concentrado de 31 de agosto a 4 de setembro, com a MP da taxa das blusinhas, a PEC da Segurança Pública, a PEC do fim da escala 6x1, o Redata e o marco dos minerais críticos na pauta. A reunião virtual entre o MDIC e o Representante de Comércio americano está marcada para segunda-feira, às 14h30.

Mercado

O Ibovespa fechou quinta a 175.135,41 pontos (+0,31%), com giro de R$ 23,07 bilhões, puxado por Petrobras (PN +3,02%), TOTVS (+6,41%) e Gerdau (+4,76%), enquanto os bancos privados destoaram, com Itaú PN em -0,89% e Santander Unit em -0,87%. O dólar subiu para R$ 5,1641 (+0,21%) e o IFIX avançou 0,56%, a 3.718,47 pontos. O índice futuro opera perto de 178 mil nesta manhã.

Há divergência clara entre as casas sobre onde a Selic para. A XP revisou o cenário na quarta-feira à noite e passou a projetar corte de 25 pontos-base já em setembro, com a taxa em 13,25% ao fim de 2026 contra 14,00% na projeção anterior, mantida a terminal de 11,50% em dezembro de 2027. No extremo oposto, a GT Capital, convidada do Giro do Mercado, defende 14% como piso adequado e reconhece estar isolada nessa posição, embora projete cortes de 25 pontos-base por reunião como cenário efetivo. O BTG fica entre os dois: trata a deflação do IPCA-15 e o desemprego perto da mínima como espaço para queda residual de juros, sem mudança estrutural. Motta, da Genial, sustenta o argumento pelo lado fiscal e quantifica o custo: o juro real de dez anos do Brasil está em 7,67%, contra 4,5% no México e 4,25% na África do Sul, diferença que ele atribui à trajetória da dívida e não ao ciclo monetário.

Sobre o discurso de Warsh as casas convergem no mecanismo e divergem no sinal. O BTG considera que uma leitura dura viria caso Warsh afirme que o aperto das condições financeiras não substitui uma ação do Fed, o que elevaria a probabilidade de alta em setembro, valorizaria o dólar global e pressionaria emergentes. Motta descreve o cenário construtivo como dólar mais forte com juros longos em queda, e o adverso como a repetição da meta de 2% sem explicitar o caminho, hipótese que voltaria a enfraquecer a moeda americana.

No técnico, a Genial marca 178.000 pontos como o nível cujo rompimento confirmaria a reversão da tendência, com proteção abaixo de 172.900. O fluxo estrangeiro limita o otimismo: o BTG estima que a entrada líquida acumulada em 2026 caiu de mais de R$ 40 bilhões para algo entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões, e agosto acumula saída próxima de R$ 20 bilhões, a maior para o mês desde 2022.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Vale (VALE3) — o STF formou maioria para permitir a cobrança de IRPJ e CSLL sobre lucros de controladas no exterior (RE 870.214). A Receita estima impacto imediato de R$ 22 bilhões, e o passivo chegaria a R$ 142,5 bilhões referentes a 2017-2021 caso a União vencesse todas as frentes. A sessão virtual se encerra hoje.
  • Braskem (BRKM5) — a ação PNA subiu 19,89% na quinta, depois de a Petrobras elevar o limite de crédito comercial de R$ 350 milhões para R$ 2,35 bilhões. O plano de negócios vai aos credores na segunda-feira.
  • Oncoclínicas (ONCO3) — queda de 28,13% na quinta, realização após a alta provocada pela decisão da CVM que obriga a Centaurus a lançar OPA. O prazo é de 60 dias contados de 25 de agosto.
  • Nexa / Votorantim / Boliden — acordo definitivo de troca de ações, a 0,250 ação Boliden por ação Nexa. A Votorantim passa a deter cerca de 7% da sueca, com OPA voluntária aos minoritários prevista para o primeiro trimestre de 2027.
  • Equatorial (EQTL3) — venda da Echoenergia, ativo de geração comprado em 2021, lida pela Genial como redução de exposição a um negócio de retorno abaixo do custo de capital.

🌎 Global

Dados econômicos

O CPI de Tóquio de agosto veio em 1,9% na comparação anual, com o núcleo que exclui alimentos frescos em 1,8%, acima da projeção de 1,7%, leitura que reforça a aposta de alta do Banco do Japão em setembro. Nos Estados Unidos saem hoje o PMI de Chicago e a leitura final da confiança da Universidade de Michigan, cuja prévia de agosto caiu para 51,0 ante 55,2 em julho. Os pedidos de seguro-desemprego divulgados na quinta somaram 203 mil, abaixo do esperado, e o PCE de julho, conhecido na quarta, marcou 3,7% no índice cheio e 3,3% no núcleo.

Política

O discurso de Warsh é o primeiro dele à frente do Fed e ocorre depois de uma reunião de julho com três votos dissidentes a favor de alta. A crítica corrente à gestão é a ausência de uma função de reação explícita, agravada pela decisão de reduzir a sinalização prévia às reuniões. Corre em paralelo o atrito com o Tesouro: Warsh tolera que os juros longos subam por força de mercado, enquanto Scott Bessent atuou na direção oposta ao ampliar o programa de recompra de títulos, e a Genial observa que a taxa de 30 anos foi a 5,15% no anúncio do programa antes de voltar a 5,21%. O BCE se reúne em 10 de setembro com cerca de 84% de probabilidade de alta para 2,50% precificada, e o Banco do Japão em 17 e 18 de setembro com cerca de 85% de alta para 1,25%.

Geopolítica e commodities

O Comando Central americano declarou hoje que as rotas internacionais do Estreito de Ormuz estão livres de minas iranianas, e Trump afirmou à Axios, em entrevista concedida na quinta, que o estreito está aberto. O lado iraniano não acompanha a leitura: o chanceler repetiu que o retorno às negociações diplomáticas não está descartado, mas segue condicionado à reabertura formal do estreito e ao fim dos conflitos em curso na região. O Brent recuou levemente, para a casa de US$ 89, depois de subir cerca de 2% na quinta. O minério de ferro avançou 0,9% em Dalian e o contrato de referência voltou a US$ 98,6 por tonelada, o que sustenta Vale e siderúrgicas na abertura, ainda que a decisão do STF pese na direção contrária. O ouro à vista opera perto de US$ 4.609 a onça, o cobre na Comex recuou para a faixa de US$ 6,58 a libra depois do recorde do começo de agosto, e o bitcoin oscila perto de US$ 79 mil. A Fitch divulga hoje a revisão do rating soberano da França, atualmente A+ com perspectiva estável: o CAC 40 caiu 1,72% na quinta por antecipação, com bancos recuando de 3% a 4%, e recupera cerca de 1% nesta manhã, com o OAT de dez anos em 4,11% e prêmio de 86 pontos-base sobre o Bund.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 09:00 — IGP-M de agosto, divulgado em -0,22% (FGV)
  • 12:30 — 🔥 Caged de julho, consenso de 115 mil vagas (MTE)
  • Ao longo do dia — definição da bandeira tarifária de setembro (Aneel)
  • Início do horário eleitoral gratuito em rádio e televisão

Global

  • 10:45 — PMI de Chicago de agosto
  • 11:00 — 🔥 discurso de Kevin Warsh no simpósio de Jackson Hole (Fed) — catalisador principal do dia
  • 11:00 — confiança do consumidor da Universidade de Michigan, leitura final de agosto
  • Após o fechamento europeu — revisão do rating soberano da França (Fitch)

Próximas datas-chave: 31/08 PLOA 2027, reunião Brasil-EUA às 14h30 e plano de negócios da Braskem; 31/08 a 04/09 esforço concentrado no Congresso; 01/09 PIB do segundo trimestre; 08/09 retaliação tarifária canadense; 10/09 BCE; 15-16/09 Copom e FOMC; 17-18/09 Banco do Japão.

Fontes: morning calls transcritos de BTG Pactual, XP, Genial, Money Times e Pablo Spyer; InfoMoney, Money Times, Tesouro Nacional, Brazil Journal, Seu Dinheiro, Axios, Euronews, Kansas City Fed e Japan Times.