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Porta de cofre blindada se fechando sobre carta náutica de um estreito, petroleiros parados sob fumaça negra e pilha de barras de ouro contra céu de tempestade

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Café com Mercado — segunda, 24/08/2026

10:30 BRT

Bessent detalha às 14h o pacote de sanções ao Irã, o petróleo cede depois de sete altas seguidas e a Braskem protocola recuperação extrajudicial de R$ 54 bilhões.

Overview

O pacote de sanções que o secretário do Tesouro americano detalha às 14h de Brasília organizou o humor global desde o fim de semana. Scott Bessent descreveu a medida em artigo no Financial Times de domingo como um dia D econômico, a maior ofensiva financeira já montada contra um adversário, e o desenho prevê sanções secundárias a qualquer país que mantenha comércio com Teerã. A dúvida do mercado está na extensão do alcance: se a China, principal financiadora do regime, entrar no perímetro da medida, o efeito deixa de ser regional. O Brent recua 1,4%, para perto de US$ 93, interrompendo sete pregões de alta que somaram 13% em duas semanas. O ouro avançou 2,1%, a US$ 4.719 a onça, maior nível desde maio, e acumula 15% no mês. Os futuros americanos operam em baixa puxados por semicondutores, com o Nasdaq cedendo 0,72%, depois de uma Ásia pesada em que o Kospi perdeu 3,12% e o Hang Seng, 1,89%, com a Alibaba caindo 8,6% após anunciar colocação de ações para financiar investimento em inteligência artificial.

No Brasil, o pregão começa depois da melhor semana do Ibovespa entre os grandes mercados em dólares, alta de 4,2% na conversão, e de uma sexta-feira de 1,85%, aos 171.031 pontos, com fechamento de curva liderado pela ponta longa. Duas pesquisas estreitaram a corrida presidencial em quatro dias. O Datafolha de sexta trouxe Lula 47 a 43 sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno, e o BTG/Nexus divulgado nesta manhã reduziu a distância a um ponto. A Braskem protocolou hoje pedido de recuperação extrajudicial de cerca de R$ 54 bilhões, no dia em que vencia a tutela cautelar obtida em junho. O Focus manteve a Selic projetada em 13,75% para dezembro, contra os 14,00% em vigor, e cortou o PIB de 2026 de 1,98% para 1,95%.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O Boletim Focus foi o único indicador brasileiro da agenda de hoje. A mediana do IPCA de 2026 ficou em 5,02%, e a de 2027 subiu de 4,24% para 4,25%. A Selic projetada para o fim de 2026 segue em 13,75% pela terceira semana consecutiva, e a de 2027, em 12,00% pela décima. O PIB de 2026 caiu de 1,98% para 1,95%, ajuste coerente com os números fracos de indústria e do IBC-Br divulgados na semana passada. O câmbio projetado para 2027 subiu de R$ 5,29 para R$ 5,30, com o de 2026 parado em R$ 5,20 pela décima semana, e o IGP-M de 2026 recuou de 4,71% para 4,55%.

O BTG destacou a coluna das projeções enviadas nos últimos cinco dias úteis, em que o IPCA de 2027 já aparece em 4,32% contra a mediana geral de 4,25%, indicação de revisão para cima a caminho. A casa mantém distância maior do consenso na atividade: projeta 1,1% como teto do crescimento de 2027, contra 1,5% do Focus, e liga a diferença à arrecadação e à trajetória de endividamento, já que um denominador menor deteriora a relação dívida bruta sobre PIB, que subiu cerca de 11 pontos percentuais no atual mandato.

Política

O Datafolha divulgado na sexta-feira às 18h47 mostrou Lula com 47% e Flávio Bolsonaro com 43% no segundo turno, ante 48 a 43 no levantamento de julho. No primeiro turno, o petista tem 39% e o senador, 33%, contra 41 e 31 na rodada anterior. A coleta ocorreu em 18 e 19 de agosto, com 2.058 eleitores e margem de dois pontos percentuais. Nos demais cenários testados, Lula aparece à frente de Ronaldo Caiado por 47 a 40 e de Romeu Zema por 48 a 38.

O BTG/Nexus divulgado nesta manhã estreitou ainda mais a disputa, com Lula recuando de 47% para 46% e Flávio subindo de 44% para 45%. A diferença entre os dois passou de três pontos para um, dentro da margem em ambos os casos, e devolveu à cena o cenário de eleição decidida voto a voto que o mercado vinha precificando desde o começo do ano. O primeiro debate presidencial, realizado no domingo, teve o menor comparecimento desde 1989, com as ausências de Lula, Flávio e Zema. Gabriel Galípolo discursa hoje em evento da Febraban, na única fala relevante de autoridade brasileira no dia. O MDIC retomou as conversas com Washington sobre a tarifa de 37,5% aplicada ao Brasil, tema que as mesas apontam entre as razões da alta de sexta-feira.

Mercado

O Ibovespa fechou sexta-feira aos 171.031,73 pontos, alta de 1,85%, com giro de R$ 33,40 bilhões inflado pelo vencimento de opções. O índice oscilou entre 167.928 e 171.980 pontos e acumulou 2,45% na semana, reduzindo a perda de agosto para 3,91%. O SMLL subiu 3,00% e o IFIX, 0,95%. Entre as maiores altas apareceram MGLU3, com 7,99%, CSAN3, com 6,82%, e MBRF3 e HAPV3, com 6,40% cada. O dólar comercial caiu 1%, a R$ 5,141, acumulando desvalorização de 1,53% na semana. A curva de juros fechou em toda a extensão, com o movimento concentrado no longo: o DI para janeiro de 2033 recuou 18 pontos-base, a 14,52%, o de 2031 cedeu 15,5 pontos, a 14,425%, e o de 2029, 10,5 pontos, a 14,17%, enquanto o de 2027 caiu apenas 1,5 ponto, a 13,71%. O futuro do índice opera em baixa de 0,86% nesta manhã, aos 172.560 pontos.

Há divergência clara entre as casas sobre o que fazer com o desconto acumulado pela bolsa. A XP é a mais direta na recomendação: Rafael Figueiredo aponta que o Ibovespa entregou a melhor performance semanal do mundo em dólares, 4,2%, depois de configurar exaustão vendedora, e afirma que o índice "apresenta uma ótima oportunidade em relação de risco-retorno para a compra, porque a simetria continua". Ele sustenta o argumento em três pilares: as revisões de lucro não caíram junto com o preço, o múltiplo trabalha "levemente abaixo da média, 10,5, 11 vezes", e o comprador marginal passou a ser o investidor local, com R$ 13,4 bilhões de entrada líquida institucional, volume que a casa não via desde o início de 2025. A tese diferenciada da XP para hoje é o descolamento: com as praças globais concentradas no risco de inteligência artificial, "o Brasil sendo não-IA volta pro tema local", e o índice deve seguir na inércia de sexta.

O BTG não discutiu preço de bolsa e ancorou a cautela na atividade. Lorena Laudares tratou o crescimento de 2027 como a principal preocupação da casa e cobrou atenção aos dados de mercado de trabalho desta semana, argumentando que a surpresa positiva do PIB nos últimos quatro anos foi o que segurou parte da alta da dívida sobre o produto.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Braskem (BRKM5) — protocolou nesta manhã, na Justiça de São Paulo, pedido de recuperação extrajudicial abrangendo cerca de R$ 54 bilhões (US$ 10,3 bilhões), no dia em que expirava a tutela cautelar obtida em junho. O instrumento abre 90 dias para a apresentação do plano definitivo. Entre os maiores credores estão os detentores de bonds, Banco do Brasil, BNDES, Itaú, Bradesco e Santander.
  • Casas Bahia (BHIA3) — o Itaú BBA colocou o papel sob revisão, sem preço-alvo nem recomendação, alegando que o balanço tornou a projeção inviável; o Safra recomenda venda; a XP alerta para o risco de a recuperação virar bola de neve, com fornecedores exigindo garantias adicionais. Sindicatos preparam ação coletiva sobre cerca de 1.900 demissões.
  • Lojas Renner (LREN3) — o UBS rebaixou a recomendação de compra para neutra e cortou o preço-alvo de R$ 18 para R$ 13,50, depois de a companhia reduzir a projeção de crescimento de 2026 da faixa de 9%-13% para 4%-8%. As estimativas de lucro caíram de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,4 bilhão em 2026.
  • Grupo Mateus (GMAT3) — a XP rebaixou de compra para neutra, com preço-alvo de R$ 5, citando a queda de cerca de 5% no benefício médio do Bolsa Família em três anos e a exposição ao Maranhão, origem de quase metade das lojas.
  • Cosan (CSAN3) — a venda de parte da participação na Rumo chegou à fase de propostas vinculantes, sem decisão tomada. A ação subiu 6,82% na sexta e 8,76% na semana.
  • Localiza e Movida — o Bradesco BBI reiterou compra para as duas, apontando descontos de até 59% ante o valor justo estimado.

🌎 Global

Dados econômicos

O PMI preliminar americano de agosto, divulgado na sexta-feira, veio bem acima do esperado. O composto marcou 56,0, máxima em 52 meses, contra 54,0 projetados. Serviços atingiram 56,8, maior leitura em 20 meses, enquanto a indústria recuou a 53,2, mínima de cinco meses e abaixo dos 53,9 esperados. O componente de emprego subiu ao maior nível desde janeiro de 2025. O núcleo do PCE de julho sai na quarta-feira e é o dado que organiza a semana, no mesmo dia em que a Nvidia reporta resultado.

Política

A recompra de títulos longos anunciada pelo Tesouro americano continua sendo o eixo da discussão, e as duas maiores casas do país convergiram na natureza da medida enquanto divergiram sobre o efeito. Maria Irene Jordão, da XP, classifica a intervenção como manejo do perfil da dívida, com efeito de liquidez limitado, e aponta um custo colateral: Kevin Warsh havia justificado a manutenção dos juros na última reunião dizendo que os juros da economia já haviam subido pela ponta longa, e a compra do Tesouro torna esse sinal menos legível. Lorena Laudares, do BTG, vai adiante e chama o arranjo de conflito de instrumentos, porque o Fed sinaliza retirada de liquidez ao mesmo tempo em que o Tesouro derruba a taxa longa e reprecifica financiamentos. A mesa do BTG registra o efeito de mercado na direção contrária ao ceticismo, com a leitura de "algum afrouxamento monetário" que sustentou a alta de emergentes, metais e criptoativos na semana.

Os Treasuries devolveram parte do movimento nesta manhã. O título de 30 anos cede 3,4 pontos-base, a 5,242%, depois de fechar sexta em 5,276% e de tocar 5,33% na semana passada, máxima em 19 anos. O título de 10 anos está em 4,716% e o de dois anos, em 4,246%. A precificação para setembro afastou o aperto: o CME atribui cerca de dois terços de probabilidade à manutenção na reunião de 15 e 16 de setembro. A XP vai além e considera a alta de setembro praticamente zerada, com 25 pontos-base em dezembro como cenário mais provável. Na zona do euro, o mercado embute cerca de 80% de chance de alta do BCE em 10 de setembro, e no Japão a probabilidade de aperto no mesmo mês chega a 82%. Kevin Warsh discursa em Jackson Hole na sexta-feira, em seu primeiro simpósio como presidente do Fed, com o tema "Financial Innovation: Implications for Payments and Policy".

Geopolítica e commodities

Bessent apresenta às 14h o pacote que descreveu como dia D econômico, com vigência a partir de amanhã. O ponto sensível está nas sanções secundárias, que alcançariam qualquer país que sustente o fluxo comercial iraniano, e a China é o alvo implícito. A XP registra ceticismo quanto à eficácia do desenho e nota que o risco corre para os dois lados, com desdobramentos difíceis de dimensionar fora do Oriente Médio. O monitoramento do Estreito de Ormuz ficou opaco desde que as embarcações desligaram os transponders, e os estoques estratégicos americanos estão em mínimas históricas. Teerã ameaçou interromper as exportações de petróleo pelo Golfo se a campanha americana continuar. O Brent recua a US$ 93 e a XP não vê espaço para o barril abaixo de US$ 85 enquanto o impasse durar.

As tarifas americanas de 50% sobre US$ 20 bilhões em bens canadenses entraram em vigor no sábado, depois que Mark Carney suspendeu as negociações. Ottawa anunciou retaliação equivalente sobre cerca de US$ 28 bilhões, com início em 8 de setembro, alcançando aço, lácteos, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, papel e celulose e eletrônicos. O BTG avalia que o episódio deteriora as relações comerciais e aumenta a incerteza sobre a revisão do USMCA, sem novas reuniões agendadas entre as equipes. O dólar canadense derreteu no fim de semana e ajudou a sustentar o DXY em 98,94. O Bitcoin está perto de US$ 78 mil depois de saltar cerca de 20% na semana passada, e o minério de ferro subiu quase 1% em Dalian.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 08:25 — Boletim Focus (Banco Central), já divulgado
  • A confirmar — discurso de Gabriel Galípolo em evento da Febraban

Global

  • 09:30 — Chicago Fed National Activity Index de julho (Fed de Chicago)
  • 12:30 — leilões de T-Bills de 3 e 6 meses (Tesouro dos EUA)
  • 🔴 14:00 — coletiva de Scott Bessent com o pacote de sanções ao Irã (Tesouro dos EUA), o catalisador do dia
  • 22:30 — ata da reunião de política monetária do RBA (Austrália)

Próximas datas-chave: 26/08 IPCA-15, núcleo do PCE e resultado da Nvidia; 27/08 PNAD Contínua; 27 a 29/08 Jackson Hole, com Warsh na sexta-feira; 28/08 IGP-M, Caged, dados fiscais e início da propaganda eleitoral; 31/08 PLOA 2027 e volta do Congresso; 08/09 início da retaliação tarifária canadense; 10/09 decisão do BCE; 15 e 16/09 Copom e FOMC.

Fontes: Morning Call BTG Pactual, Morning Call XP, Minuto Touro de Ouro, Money Times, InfoMoney, Boletim Focus, Poder360, SpaceMoney, CNBC, Yahoo Finance, NPR, Al Jazeera, S&P Global PMI.