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Colagem noticiosa com petroleiro parado em estreito, loja de varejo brasileira fechada e o contraste entre Nova York em alta e São Paulo em queda

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Café com Mercado — segunda, 17/08/2026

12:45 BRT

O varejo americano fraco tirou a alta de setembro do preço, o Ibovespa emendou a nona queda seguida e a Casas Bahia pediu recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em obrigações.

Overview

As vendas no varejo dos Estados Unidos caíram 0,6% em julho, contra alta de 0,1% projetada, na primeira retração em nove meses. O grupo de controle recuou 0,4%, pior resultado desde janeiro de 2025, e a prévia de agosto da confiança do consumidor medida pela Universidade de Michigan veio a 51,0, contra 54,5 esperados. A probabilidade de alta de juros na reunião do Fed de 16 de setembro caiu para cerca de 30% no CME FedWatch, de aproximadamente 60% antes da divulgação. O S&P 500 recuou 0,2% na sexta, a 7.785,76 pontos, depois do recorde da véspera, enquanto o Russell 2000 fechou em máxima histórica e o VIX marcou 14,25, mínima do ano. Nesta manhã a tecnologia lidera Nova York, com a projeção de receita da Anthropic para 2028 reacendendo a aposta de que o investimento em inteligência artificial será remunerado e o segmento de memória subindo com Micron e Kioxia. O Estreito de Ormuz segue fechado, com cinco navios no sábado e nenhum no domingo, contra mais de 130 por dia antes do conflito, e o Brent negocia perto de US$ 89, alta de 5% na semana.

O Ibovespa fechou sexta a 166.934,20 pontos, queda de 0,10% e nona baixa consecutiva, a sequência mais longa desde as treze registradas em agosto de 2023. No período o índice perdeu 6,25% em reais e cerca de 6,2% em dólares, enquanto a moeda americana avançou a R$ 5,2213, maior cotação desde março, na quinta alta seguida. O DXY caiu na mesma semana, o que localiza a pressão no fluxo doméstico e no prêmio eleitoral. O IBC-Br de junho recuou 0,6% e a Casas Bahia pediu recuperação judicial na noite de domingo, com R$ 17,3 bilhões em obrigações. As decisões pendentes se concentram em setembro, com Copom e FOMC nos dias 15 e 16: o Focus projeta Selic de 13,75% no fim do ano, o que embute um corte adicional, e a ata do FOMC de julho sai na quarta. A propaganda eleitoral de rádio e televisão começa em 28 de agosto.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O IBC-Br de junho recuou 0,6% na margem, contra queda de 0,5% esperada, com indústria em -1,4%, serviços em -0,5% e agropecuária em +1,0%. O indicador acumula alta de 0,2% no trimestre e de 1,5% em doze meses. A curva de juros cedeu na leitura, e o DI para janeiro de 2031 caiu 6 pontos-base, a 14,59%. O Boletim Focus manteve o IPCA de 2026 em 5,02% pela segunda semana, interrompendo seis semanas de recuo e fixando a projeção 0,52 ponto percentual acima do teto da meta. Para 2027 a mediana de inflação subiu de 4,22% para 4,24% e o PIB caiu de 1,52% para 1,50%. O BTG trabalha abaixo do consenso na atividade e acima no preço, com PIB de 1,1% e IPCA de 4,4% em 2027, e o economista Mansueto Almeida afirmou que 2027 será o ano de crescimento mais fraco desde o pós-pandemia. O IGP-10 de agosto recuou 0,51%, puxado por energia e combustíveis.

Política

A campanha eleitoral começou oficialmente no domingo, encerrado às 19h de sábado o prazo de registro no Tribunal Superior Eleitoral. São 13 candidaturas à Presidência, entre elas Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Pablo Marçal e Renan Santos. Tarcísio de Freitas desistiu da disputa nacional e concorrerá à reeleição em São Paulo, e o vice de Flávio Bolsonaro é o deputado Alfredo Gaspar. A propaganda gratuita em rádio e televisão vai de 28 de agosto a 1º de outubro, com espaço nos blocos para apenas quatro candidatos, já que 90% do tempo é proporcional às bancadas eleitas em 2022. Três pesquisas divulgadas desde sexta apontam empate técnico no segundo turno: Quaest com 43% a 40%, PoderData/Aya com 46% a 45% e BTG/Nexus, hoje, com 47% a 44%, sem variação frente à semana anterior. Gabriel Galípolo abre ao meio-dia a conferência anual do Santander. No comércio exterior, o governo acionou a Lei da Reciprocidade em 13 de agosto, a Camex protocolou o pleito de enquadramento e o Itamaraty pediu consultas a Washington, ainda sem resposta americana. O PLP dos combustíveis, aprovado no Senado por 61 votos a 2, aguarda sanção.

Mercado

O Ibovespa abriu a segunda em leve alta, na faixa de 167,5 mil pontos, tentando interromper a série de nove quedas. As duas leituras técnicas mais detalhadas do dia apontam suportes próximos e discordam do gatilho de recuperação: a Genial situa o suporte relevante na média de 200 períodos, perto de 164 mil pontos, e destaca o pavio inferior alongado da sexta como sinal de força compradora; a XP mapeia suportes em 164.835 e 164.090, condiciona qualquer reversão ao fechamento acima de 167.910 e registra o IFR de 14 períodos em 32,66, próximo da sobrevenda, sem que nenhuma das duas decrete fundo. O fluxo explica a maior parte do movimento, com saída estrangeira de R$ 11,9 bilhões nos sete primeiros pregões de agosto, incluindo R$ 4,7 bilhões em um único dia, a maior retirada diária desde 2021. Três casas estrangeiras se manifestaram na direção da venda: o JPMorgan cortou a recomendação, a BCA Research colocou o Brasil em venda e o Citi declarou preferência pelo carrego de 6,5% da África do Sul ao de 14% brasileiro, sob o argumento de que a volatilidade pesa tanto quanto a taxa.

Há divergência clara entre as casas sobre o que o varejo americano fraco significa para o Fed. A XP é a mais dura e sustenta que a alta não deve sair da conta, porque o núcleo de inflação está acima da meta há cinco anos, serviços e chips de memória pressionam de forma persistente e o comitê prefere agir em reuniões com projeções atualizadas, que existem em dezembro e não em outubro. Genial e Pablo Spyer leem os mesmos dados como remoção do aperto no ano. O BTG registra que o mercado saiu de duas altas precificadas para 2026 e agora mal sustenta uma em dezembro, sem alterar a projeção da casa.

A Genial divide-se internamente sobre o real. O estrategista macro Roberto Motta avalia que o dinheiro com intenção de sair está perto do fim e cogita o dólar de volta a menos de R$ 5,20. O estrategista de ações Felipe Villegas lê o gráfico em sentido oposto, com a moeda saindo da lateralização em direção a uma alta mais forte e a média de 200 períodos em R$ 5,26. O BTG quantifica o prêmio: pela paridade, o câmbio justo ficaria perto de R$ 4,60, contra os R$ 5,29 do Focus para 2027, e a diferença corresponde à incerteza eleitoral e fiscal.

No petróleo a divisão se repete dentro da mesma casa. Motta descreve reservas estratégicas em mínimas sucessivas com Ormuz fechado, fala em risco de crise energética e estranha a indiferença do mercado; Villegas responde no gráfico que o Brent trabalha em canal de baixa justamente porque o fluxo encontrou alternativas ao estreito. A XP situa o equilíbrio entre US$ 80 e US$ 90 e trata o patamar como estrutural, dado que a China já consumiu estoques internos e os Estados Unidos já sacaram reservas.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Casas Bahia (BHIA3) — pediu recuperação judicial na noite de domingo, com R$ 17,3 bilhões em obrigações junto a bancos, fundos, seguradoras e fornecedores. Reportou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no 2T26, dos quais R$ 9,1 bilhões não recorrentes, e prejuízo ajustado de R$ 978 milhões. Fechou 298 lojas e atribui o pedido a juros elevados, restrição de crédito e à desistência de um investidor-âncora na captação.
  • Marabraz — protocolou pedido de recuperação judicial no mesmo dia, em meio a recorde de pedidos concentrado em pequenas e médias empresas.
  • Braskem (BRKM5) — reverteu prejuízo e reportou lucro de R$ 3,3 bilhões no 2T26, com EBIT recorrente de R$ 5,2 bilhões. A cautelar expira em 24 de agosto e a companhia avalia recuperação extrajudicial com suspensão de 90 dias, enquanto Elliott e Contrarian pressionam a Petrobras por aporte.
  • Petrobras (PETR4) — encontrou hidrocarbonetos no poço Morfo, bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas, a 175 km da costa, em área integralmente sua. A relevância está na reposição de reservas diante do declínio previsto do pré-sal a partir de 2030.
  • Vibra (VBBR3) — superou as estimativas com margem de R$ 456 por metro cúbico, contra R$ 420 projetados, e anunciou juros sobre capital próprio.
  • Porto Seguro (PSSA3) — elevada de neutro para compra pelo BTG depois da queda recente.
  • Cosan (CSAN3) — deslistará os recibos negociados em Nova York, reestrutura a Radar e reportou prejuízo de R$ 320 milhões.
  • Ibovespa — a segunda prévia da carteira de setembro a dezembro inclui Tenda e exclui PetroReconcavo.

🌎 Global

Dados econômicos

A China divulgou julho abaixo do esperado em todas as linhas, com produção industrial de +4,5% em doze meses contra 4,8% projetados, varejo de +0,6% contra 1,5% e investimento em ativos fixos de -6,7% no acumulado do ano. O desemprego urbano ficou em 5,2%. As bolsas asiáticas subiram mesmo assim, na aposta de estímulo adicional, com Hang Seng em +1,80%, CSI 300 em +1,25% e Xangai em +0,96%. O PIB japonês do segundo trimestre avançou 1,1% anualizado, contra 2,0% esperados, e o juro de dez anos do país está no maior nível desde 1996. Nos Estados Unidos, a produção industrial de julho sai amanhã e a ata do FOMC na quarta.

Política

O CME FedWatch atribui 30% de probabilidade a uma alta de juros em 16 de setembro e 70% à manutenção da faixa de 3,50% a 3,75%, com cerca de 63% de chance de pelo menos uma alta até dezembro. Kevin Warsh sinalizou disposição de subir se a inflação surpreender e mantém a prática de oferecer menos orientação prospectiva que a gestão anterior. Lisa Cook declarou que a inflação está alta demais e que está preparada para agir elevando os juros, e o prazo para sua resposta à Casa Branca vence em 26 de agosto. O Jackson Hole ocorre de 27 a 29 de agosto, com o discurso de estreia de Warsh na sexta-feira 28. Os juros longos seguem sob pressão global, com o Treasury de dez anos em 4,68% e o de trinta anos em 5,267%, depois de subir 6 pontos-base na sexta.

Geopolítica e commodities

O Estreito de Ormuz completa cinco meses e meio fechado. O tráfego caiu para cinco navios no sábado e nenhum no domingo, contra a média histórica superior a 120 por dia, e o seguro de guerra é cobrado a trinta vezes o valor normal. O Irã condiciona a reabertura ao fim do bloqueio naval americano, à liberação de ativos congelados no exterior e a um cessar-fogo regional, e o chanceler iraniano afirma que nada aponta para a retomada de conversas formais. Os Estados Unidos estudam sanções contra refinarias chinesas e instituições financeiras que transacionam com Teerã, e Scott Bessent prometeu para esta semana medidas de isolamento econômico sem precedentes. Donald Trump pediu aos americanos que se preparem para combustível caro por mais tempo. O Brent negocia perto de US$ 89 e o WTI, de US$ 82. O ouro está em US$ 4.396 por onça, com prata a US$ 65,76 e cobre a US$ 6,72 por libra-peso, enquanto o minério de ferro cedeu 0,6% em Dalian. No comércio, as exclusões da Seção 301 foram estendidas até 10 de novembro, e o Canadá passa a enfrentar sobretaxa adicional de 50% pela Seção 338 a partir de 19 de agosto.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 8h25 — Boletim Focus, já divulgado, com IPCA de 2026 mantido em 5,02%
  • 9h00 — IBC-Br de junho, já divulgado, em -0,6% na margem
  • 10h30 — leilões de linha do Banco Central para rolagem dos vencimentos de setembro
  • 12h00 — Gabriel Galípolo abre a 27ª Conferência Anual do Santander, o catalisador do dia
  • Ao longo do dia — vencimento de cerca de R$ 260 bilhões em títulos atrelados ao IPCA e balanço da XP Inc.

Global

  • 9h30 — índice industrial Empire State de agosto (Fed de Nova York)
  • 11h00 — fluxos internacionais de capital de junho (Tesouro americano)
  • Próximas datas-chave: produção industrial e início de construções nos Estados Unidos em 18/08; ata do FOMC em 19/08, às 15h; prévias dos PMIs em 21/08; prazo da Braskem em 24/08; balanço da Nvidia e prazo de Lisa Cook em 26/08; Jackson Hole de 27 a 29/08; início da propaganda eleitoral em 28/08; Copom e FOMC em 15 e 16/09.

Fontes: morning calls transcritos de XP, BTG Pactual, Genial, Pablo Spyer e Money Times; InfoMoney, Boletim Focus, Agência Brasil, Forbes, Seu Dinheiro, CNN Brasil, CNBC, Bloomberg, Jota, TSE e Bloomberg Línea.