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Colagem noturna com gráfico verde em alta sobre um horizonte urbano, petroleiro parado em estreito bloqueado e operador de costas diante de telas vermelhas ao lado da bandeira do Brasil

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Café com Mercado — quinta, 13/08/2026

10:30 BRT

A inflação ao produtor ficou estável em julho nos Estados Unidos, tirou a alta de juros de setembro do centro do debate e levou Nikkei e DAX a máximas, enquanto o Ibovespa tenta interromper sete quedas seguidas.

Overview

O índice de preços ao produtor de julho ficou estável na margem nos Estados Unidos, contra projeção de alta de 0,2%, e desacelerou de 5,5% para 4,7% em doze meses. É o segundo dado de inflação em dois dias a aliviar a pressão sobre o Federal Reserve, depois de um CPI em linha na quarta-feira. A probabilidade implícita de alta de juros na reunião de 16 de setembro caiu para cerca de 40%, ante 54,4% uma semana atrás, e a manutenção virou o cenário majoritário, com aproximadamente 60%. O alívio sancionou uma sequência de máximas no exterior: o Nikkei fechou aos 68.309 pontos (+1,16%) e o DAX renovou recorde aos 26.463 (+0,50%), com o Kospi subindo 3,6% puxado por Samsung e SK Hynix. Somado, o valor de mercado das bolsas globais atingiu o recorde de US$ 169,3 trilhões. O Brent recuou 1,8%, a US$ 87,34, encerrando seis pregões de alta.

O Ibovespa fechou a quarta-feira aos 167.491 pontos (-0,23%), sétima queda consecutiva e menor nível desde janeiro, acumulando -5,90% no mês e devolvendo quase toda a valorização do ano, hoje em +3,95%. O vetor mais citado é o fluxo: o investidor estrangeiro retirou cerca de R$ 7 bilhões da B3 em agosto, e o saldo do ano caiu de quase R$ 68 bilhões em meados de abril para perto de R$ 29 bilhões. A Lei Orçamentária de 2027 precisa ser votada até 31 de agosto, o registro de candidaturas se encerra no sábado e o Copom volta a se reunir em 16 de setembro, no mesmo dia do FOMC.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

As vendas no varejo restrito subiram 0,5% em junho ante maio, acima da mediana de 0,30% das projeções, e avançaram 2,9% em doze meses. O varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, recuou 1,0% na margem, com quedas em material de construção (-3,5%), vestuário (-2,6%) e veículos (-1,5%); a média móvel trimestral segue em -0,3%. O resultado se soma à pesquisa de serviços divulgada na terça-feira, que veio estável quando o consenso projetava queda de 0,2%. Duas surpresas positivas seguidas de atividade pesam contra a velocidade do ciclo de corte da Selic, hoje em 14,00% depois da redução de 25 pontos-base em 5 de agosto. A curva de juros respondeu: os contratos de DI abriram em toda a extensão a partir do janeiro/28 na quarta-feira, com o janeiro/29 subindo 7 pontos-base, a 14,250%, e o janeiro/35 a 14,590%. Nesta manhã os vértices cediam de 3 a 4 pontos-base.

Política

O Senado aprovou o projeto de lei complementar dos combustíveis, que segue para sanção. O texto incorporou uma trava de despesas obrigatórias estimada em cerca de R$ 10 bilhões de economia em 2027, mas veio acompanhado de dispositivos que elevam gastos ainda neste ano, combinação lida com desconfiança pelas mesas em ano eleitoral. A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 continua parada e deve ser votada junto com o Orçamento, que prevê salário mínimo de R$ 1.717. O registro de candidaturas termina no dia 15, e o primeiro turno é em 4 de outubro. Flávio Bolsonaro apresenta hoje às 19h o eixo econômico do seu programa, com corte de impostos e uma âncora fiscal referenciada à trajetória da dívida. Na pesquisa Genial/Quaest do início do mês, Lula aparecia com 39% contra 30% de Flávio no primeiro turno. Gabriel Galípolo fala às 14h30 no evento dos 30 anos do Fundo Garantidor de Créditos. Seguem em vigor as sobretaxas americanas de 25% e 12,5% sobre cerca de três mil produtos brasileiros, aplicadas desde julho pela via da Seção 301.

Mercado

O dólar fechou a quarta-feira a R$ 5,179 (+0,36%), terceira alta seguida, e abriu hoje perto de R$ 5,19, com o índice DXY de volta à casa dos 100 pontos. O giro na B3 foi de R$ 31,6 bilhões, com Embraer (+4,00%), CSN Mineração (+3,95%) e Gerdau (+2,98%) na ponta positiva e Braskem (-7,80%) na negativa.

Há divergência clara entre as casas sobre para onde vai a Selic e, por consequência, sobre o que fazer com a bolsa. O JPMorgan, que rebaixou o Brasil a neutro na terça-feira, projeta apenas mais um corte de 25 pontos-base antes de uma pausa longa e cortou o alvo do Ibovespa para 185 mil pontos, preferindo exportadoras. O Bradesco BBI trabalha na direção oposta, com cerca de 300 pontos-base de corte até o fim de 2027 e a Selic caindo para perto de 11%, uma diferença de aproximadamente 275 pontos-base sobre a mesma economia; trata a correção como ajuste técnico e compra domésticas alavancadas. A XP mantém cenário-base de 200.525 pontos para o fim de 2026 e atribui a fraqueza recente ao fiscal, citando os dispositivos de gasto embutidos no projeto dos combustíveis. A Genial trabalha com um pano de fundo de aterrissagem forçada e juro de dois dígitos por vários anos, lê o rebaixamento do JPMorgan como venda disfarçada e prefere renda fixa. No curto prazo, o número que a mesa da XP repete é 168 mil, tratado como a referência técnica que o índice precisa segurar.

A leitura da inflação americana também separa as casas. O BTG afirma que o CPI de quarta-feira não oferece evidência de desinflação disseminada, porque o núcleo de bens veio a 0,20% contra 0,10% projetado e a surpresa favorável se concentrou em hotéis, item volátil. A Genial vai além e vê risco de alta de juros nas próximas reuniões, apoiada na sinalização de Susan Collins, do Fed de Boston, que seria a quarta dissidência em nove votos. Do outro lado, as mesas que leem o dado como alívio limpo trabalham com manutenção em setembro e fim de ciclo de aperto.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Banco do Brasil (BBAS3) — Lucro ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,3% em doze meses e de 13,9% no trimestre, acima do consenso de R$ 3,5 bilhões a R$ 3,6 bilhões, com retorno sobre patrimônio de 8,3%. A qualidade do crédito piorou: a inadimplência acima de 90 dias da pessoa física subiu para 8,4%, o cartão se aproxima de 15% e a do agronegócio está em 6,27%. A projeção de lucro de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões para o ano exige cerca de R$ 5,3 bilhões por trimestre no segundo semestre.
  • Braskem (BRKM5) — Avalia pedir recuperação extrajudicial ainda em agosto, com dívida de US$ 9,5 bilhões e prazo até 24 de agosto. Elliott e Contrarian condicionam a adesão a um aporte da Petrobras, recusado até aqui. A ação caiu 7,80% na quarta-feira.
  • CSN (CSNA3) — Prejuízo de R$ 773 milhões, o décimo trimestre consecutivo no vermelho, com Ebitda ajustado de R$ 2,77 bilhões (+4,9%).
  • Vale (VALE3) — Aprovou o projeto CPF em Salobo, que adiciona 6 milhões de toneladas anuais de capacidade e até 30 mil toneladas de cobre, com início previsto para o primeiro semestre de 2028.
  • Energisa (ENGI11) e Taesa (TAEE11) — A Energisa vendeu cinco ativos de transmissão à Taesa por R$ 1,638 bilhão.
  • Direcional (DIRR3) — Caiu 4,72% apesar de lucro de R$ 202 milhões (+9,7%), margem bruta perto das máximas históricas e recompra de até 32 milhões de ações. A queda foi atribuída ao aumento de distratos com a interrupção de programas habitacionais regionais em Brasília, Manaus e Fortaleza.
  • Auren (AURE3) — Rebaixada pelo Safra para neutra, com preço-alvo cortado de R$ 14,10 para R$ 11,50, por alavancagem de 5,3 vezes.

🌎 Global

Dados econômicos

O núcleo do índice de preços ao produtor subiu 0,2% na margem em julho e 4,2% em doze meses, contra 4,7% do índice cheio. O dado interessa ao Federal Reserve porque alimenta o núcleo do índice de gastos com consumo pelas linhas de serviços financeiros, assistência médica, passagens aéreas e margens de comércio. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego somaram 209 mil na semana encerrada em 8 de agosto, acima dos 202 mil projetados e da leitura anterior de 199 mil. O CPI divulgado na quarta-feira havia subido 0,1% na margem e 3,4% em doze meses, com núcleo de 2,5%, e o pano de fundo continua sendo o relatório de emprego de julho, que registrou perda de 23 mil vagas. No Reino Unido, o PIB do segundo trimestre cresceu 0,4%, em linha. No Japão, o índice de preços ao produtor avançou 7,2% em doze meses.

Política

O Fed mantém a taxa em 3,50%-3,75%, e a discussão dentro do comitê é sobre a conveniência de uma alta. Na reunião de julho, a segunda sob Kevin Warsh, três membros dissentiram por elevação de 25 pontos-base. Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland e votante, fala às 10h15; Tom Barkin, de Richmond e sem voto em 2026, às 10h40. Na Europa, o Banco Central Europeu mantém a taxa de depósito em 2,25% depois de subir 25 pontos-base em junho, e o Banco da Inglaterra segue em 3,75%, com três de nove membros votando por alta. Os juros longos americanos não acompanharam o alívio da ponta curta: o Treasury de dois anos rendia 4,176%, em queda de 2 pontos-base, enquanto o de trinta anos ficava em 5,236%.

Geopolítica e commodities

O Estreito de Ormuz segue fechado. Apenas oito navios cruzaram a via na segunda-feira, contra média de 120 antes da guerra, segundo a Kpler. Omã e Catar informam avanço nas tratativas entre Estados Unidos e Irã, mas Teerã condiciona a reabertura a alívio de sanções e reparações, e não há negociação em curso para prorrogar o cessar-fogo. A queda do petróleo hoje teve origem no lado da demanda: a Agência Internacional de Energia cortou a projeção de crescimento da demanda global, os estoques americanos vieram acima do esperado e a Opep reduziu em 200 mil barris por dia sua própria estimativa de demanda para 2026. O ouro recuava 0,7%, a US$ 4.378 a onça, e o minério de ferro em Dalian caía 2,15%, a 705 iuanes por tonelada, o que retira suporte das exportadoras que sustentaram a B3 na véspera.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 09:00 — Vendas no varejo de junho, PMC (IBGE) — divulgado
  • 11:00 — Leilão de LTN e NTN-F (Tesouro Nacional)
  • 14:30 — Gabriel Galípolo no evento de 30 anos do FGC (Banco Central)
  • 19:00 — Flávio Bolsonaro apresenta o eixo econômico do plano de governo
  • Após o fechamento — Balanços de Nubank, Braskem, Cemig, CPFL, Cyrela, Raízen, Yduqs, MBRF e Azul

Global:

  • 09:30 — Índice de preços ao produtor de julho e pedidos de auxílio-desemprego, EUA (BLS e Departamento do Trabalho) — divulgado, catalisador do dia
  • 10:15 — Discurso de Beth Hammack, Fed de Cleveland
  • 10:40 — Discurso de Tom Barkin, Fed de Richmond
  • 14:00 — Leilão de Treasuries de trinta anos, que encerra o refinanciamento trimestral
  • Após o fechamento — Balanço da Applied Materials

Próximas datas-chave: vendas no varejo, produção industrial e prévia do Michigan nos Estados Unidos na sexta-feira, com a PNAD Contínua no Brasil; registro de candidaturas até sábado; IBC-Br de junho no dia 17; balanço da Nvidia em 26 de agosto; simpósio de Jackson Hole de 27 a 29 de agosto; Orçamento até 31 de agosto; FOMC e Copom em 16 de setembro.

Fontes: XP Morning Call 13/08, BTG Morning Call 13/08, Genial Fechamento 12/08, Minuto Touro de Ouro 13/08, Money Times ao vivo 13/08, BLS, CNBC, InfoMoney, InfoMoney/varejo, InfoMoney/JPMorgan, InfoMoney/Bradesco BBI, InfoMoney/Braskem, Money Times, ADVFN, JOTA, Forbes.