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Colagem cinematográfica com a fachada da Bolsa de Nova York e bandeira americana à esquerda, pregão brasileiro em telas vermelhas com bandeira do Brasil à direita, petroleiro num estreito ao centro e barras de ouro em primeiro plano

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Café com Mercado — segunda, 10/08/2026

09:50 BRT

O payroll negativo levou o S&P 500 ao recorde e deixou o Ibovespa para trás, e as mesas divergem sobre o que explica o descolamento.

Overview

O payroll de julho, divulgado na sexta com destruição líquida de 23 mil vagas contra consenso de 80 mil, levou o S&P 500 ao fechamento recorde de 7.757,64 pontos e coroou a melhor semana do índice desde abril, com alta de 3,53%. A curva americana cedeu em todos os vértices, com o Treasury de dois anos a 4,19% e o de dez anos a 4,65%, perdas de 9 e 10 pontos-base na semana. As mesas, porém, não leem o dado como início de afrouxamento: o BTG registra na curva 60% de probabilidade de alta de juros em outubro e 80% em dezembro, e a XP afirma que a expectativa de aperto até o fim do ano "caiu marginalmente com o payroll mais fraco, mas essencialmente continua bastante elevada". O dado adiou o aperto sem inverter o sentido do ciclo. A Ásia acompanhou nesta segunda, com o Nikkei em alta de 2,08% e o Hang Seng de 1,1%, e a Europa opera estável, com o Stoxx 600 rente ao recorde.

O Ibovespa caiu 1,73% na sexta, aos 172.513 pontos, na quarta baixa seguida, e fechou a pior semana desde maio, com recuo de 3,08%, enquanto Nova York renovava a máxima. O dólar terminou a R$ 5,0836 e o índice futuro opera perto da estabilidade nesta manhã. O contraste com os Estados Unidos domina as mesas, sem consenso sobre a causa. Duas decisões concentram as respostas nas próximas 48 horas: a ata do Copom e o IPCA de julho saem amanhã, e o CPI americano, na quarta. O Copom cortou a Selic a 14,00% em 5 de agosto sem sinalizar o passo seguinte, e a curva DI embute cerca de 17 pontos-base de corte para setembro, mediana entre quem espera nova redução e quem espera pausa.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O Boletim Focus trouxe a sexta queda seguida na projeção de IPCA para 2026, de 5,03% para 5,02%, com a mediana da janela de cinco dias úteis já em 4,99%. As estimativas de atividade continuam cedendo: PIB de 1,98% neste ano e 1,52% em 2027, terceira revisão negativa consecutiva para o ano que vem. A Selic projetada seguiu inalterada em 13,75% ao fim de 2026 e 12,00% em 2027, com o mercado ainda vendo juro de dois dígitos até 2029. Para o câmbio, R$ 5,20 no fim deste ano.

O IPCA de julho, que sai amanhã às 9h, deve ficar entre a estabilidade e alta de 0,07% conforme a casa, o que levaria o acumulado em doze meses de 4,64% para a faixa de 4,40%. O IPC-S da primeira quadrissemana de agosto, divulgado hoje cedo, recuou 0,05%, com 4,27% em doze meses.

Política

A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta manhã mostra Lula com 47% contra 44% de Flávio Bolsonaro no segundo turno, ante 46% a 45% no levantamento de 3 de agosto. No primeiro turno, 40% a 35%. O campo ouviu 2.001 eleitores entre 7 e 9 de agosto, com margem de dois pontos, o que mantém o empate técnico. O registro das candidaturas no TSE vai até 15 de agosto.

O Congresso entra em esforço concentrado de 10 a 14 de agosto, com a LDO de 2027 pendente desde o vencimento do prazo em julho e a proposta orçamentária a ser enviada até 31 de agosto. A medida provisória das compras internacionais e as PECs da escala 6x1 e da segurança pública dependem da pauta de Davi Alcolumbre. O programa de governo registrado por Lula preserva o arcabouço fiscal e incorpora a jornada de 40 horas e o fim da escala 6x1.

Mercado

O Ibovespa acumula queda de 3,08% em agosto e sobe 7,07% no ano, e está 13,2% abaixo da máxima de 52 semanas. Há divergência clara entre as casas sobre por que a bolsa brasileira andou na direção oposta a Nova York. A Genial atribui o movimento à rotação de fluxo global, com a desalavancagem em inteligência artificial empurrando dinheiro para papéis defensivos, Dow e ouro, e deixando a bolsa brasileira "de escanteio", somada a uma temporada de balanços local que classifica como "mais sofrida". O Money Times ouviu Marcelo Bassani, da Boa Brasil Capital, que aponta redução de posição de estrangeiros em emergentes por percepção de risco macro e descarta os resultados como gatilho: "não acredito que essa queda da Petrobras deva-se à divulgação dos resultados". A XP contraria as duas leituras, porque o fluxo estrangeiro parou de cair em agosto, e Rafael Figueiredo suspeita que a venda de sexta tenha partido do investidor local, com o preço refletindo "o auge da preocupação futura, colocando a eleição no preço".

O número técnico da semana, para a XP, são os 168 mil pontos, região cuja perda faria a casa "virar a chave" sobre renda variável, ainda que siga construtiva. A Genial trabalha com referência mais dura: o índice tocou a média móvel de 200 dias no gráfico diário na sexta, e a perda desse suporte valida uma projeção de 150 mil pontos, que o analista fez questão de qualificar — "não tô aqui vendendo susto". Os juros futuros fecharam a sexta em queda em toda a curva, com o DI de janeiro de 2027 a 13,745% e o de janeiro de 2029 a 14,035%.

A divisão se repete na Selic de setembro: a XP leu o comunicado do Copom como neutro e mantém a Selic em 14,00% ao fim de 2026, embora Figueiredo tenha registrado hoje que a queda das projeções no Focus aumentou as chances de novo corte de 0,25 ponto. O BTG considera o comunicado compatível com mais uma redução em setembro, mas classificou a pausa ainda neste ano como cenário "mais plausível" depois da última reunião. A ata de amanhã é o desempate, e o BTG destaca que o comunicado veio "bem mais enxuto", com trechos suprimidos.

O Brent na casa dos US$ 84 produz a terceira divergência. Para a XP, o nível "tem se mostrado algo não tão ruim, principalmente pro mercado brasileiro", pela melhora da balança comercial. O BTG trata o mesmo preço como risco altista para a inflação, ao lado de El Niño e da PEC da escala 6x1, e está bem abaixo do consenso na atividade: projeta PIB de 2027 "mais próximo de um, com tendência para baixo", contra os 1,52% do Focus.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Embraer (EMBR3) — Lucro líquido ajustado de R$ 1,11 bilhão no 2T26, ante R$ 890,3 milhões um ano antes, divulgado antes da abertura de hoje.
  • Iguatemi (IGTI11) — Assinou memorando com o fundo imobiliário TRXF11 para vender participações minoritárias em cinco shoppings por R$ 876 milhões, a um cap rate de saída de 8,5% e cerca de 10% do valor da firma. O BTG classificou a transação como positiva.
  • Brava Energia (BRAV3) — Rescindiu o acordo de acionistas em meio à mudança de controle para a colombiana Ecopetrol, que fez oferta por 116,1 milhões de ações, equivalentes a 25% do capital. A liquidação está marcada para 17 de agosto.
  • BB Seguridade (BBSE3) — Lucro gerencial recorrente de R$ 2,151 bilhões no 2T26, queda de 3,9% em doze meses, pressionado por marcação a mercado na Brasilprev e pelo IGP-M acima do IPCA. Anunciou R$ 3,85 bilhões em dividendos intercalares e a ação caiu 6,30% na sexta.
  • MRV (MRVE3) — A subsidiária americana Resia vendeu o empreendimento Memorial, em Atlanta, e cinco terrenos por US$ 170 milhões, com efeito de desalavancagem.

🌎 Global

Dados econômicos

O payroll de julho registrou destruição de 23 mil vagas, com o setor público cortando 53 mil e o privado criando cerca de 20 mil, além de revisões negativas de 103 mil nos dois meses anteriores. O saldo dos três últimos meses ficou negativo em 126 mil. A taxa de desemprego caiu a 4,1%, abaixo dos 4,2% esperados, por queda da participação na força de trabalho, que recuou a 61,4%. Os salários avançaram apenas 0,1% no mês, com desaceleração de 3,5% para 3,2% em doze meses.

A China divulgou no domingo o CPI de julho a 0,5% em doze meses, o menor desde janeiro, e o PPI a 3,5%, abaixo dos 3,8% projetados e em desaceleração ante os 4,1% de junho. As exportações subiram 23,9% em doze meses, a US$ 397,85 bilhões, puxadas por tecnologia ligada a inteligência artificial e pela antecipação de embarques aos Estados Unidos, com superávit de US$ 112,5 bilhões.

A temporada de resultados americana chegou a 88% do S&P 500, com 86% das empresas acima da estimativa de lucro por ação, contra média de cinco anos de 78%. A surpresa agregada de 29,2% está inflada por itens não recorrentes, entre eles US$ 53,4 bilhões de outras receitas na Amazon, boa parte vinda do investimento na Anthropic. Excluídos esses efeitos, o lucro por ação subiu 26% em doze meses, o ritmo mais forte desde 2021. A XP soou o alerta pela voz de Maria Irene, para quem o resultado das grandes de tecnologia foi "inflado de uma forma talvez até um pouco suja", ainda que a casa veja espaço para o índice avançar.

Política

O Federal Reserve mantém a faixa em 3,50%-3,75% sob Kevin Warsh, com três dissidências a favor de alta na reunião de julho. O BTG observa que o presidente do banco central americano "vem dando cada vez menos indicações sobre as conduções futuras", com a orientação futura abandonada nos dois últimos encontros. A precificação de alta para setembro recuou de 54% para 43% ao longo da manhã de sexta na leitura do CME citada pelo Money Times, e Pablo Spyer aponta manutenção majoritária para 16 de setembro.

O CPI de julho, na quarta às 9h30 de Brasília, decide o tom da semana. O consenso trabalha com 0,1% no índice cheio e 0,2% no núcleo, o que levaria a 3,4% e 2,5% em doze meses, e o PPI sai na quinta. Na Europa, o BCE elevou juros em junho pela primeira vez em três anos, puxado por energia, e as atas mostram dirigentes evitando sinalizar o próximo passo.

Geopolítica e commodities

O Irã afirmou no domingo que o rascunho de acordo bilateral com Omã sobre o Estreito de Ormuz está em fase final, mas condicionou a reabertura plena ao cumprimento de exigências adicionais pelos Estados Unidos, e o chanceler Araghchi negou negociação direta com Washington. A XP acrescentou um detalhe relevante: a imprensa iraniana divulgou que o rascunho baniria embarcações americanas e israelenses do estreito, condição inaceitável para os americanos. O BTG trouxe o outro lado da equação, com Trump pedindo a fabricantes que acelerem a produção de munição, gargalo que na leitura do banco aumenta o incentivo a uma solução rápida.

O Brent avança 1,4%, a US$ 84,70, e o WTI opera a US$ 79,31. O ouro à vista recua 0,5%, a US$ 4.322 a onça, depois de fechar a sexta em alta de 2,11%, na máxima desde 17 de junho. A prata está a US$ 64,78 e o cobre a US$ 6,61 a libra. O minério de ferro rodou estável, com o contrato mais negociado em Dalian a 716 iuanes por tonelada e o de setembro em Singapura a US$ 95,25.

O Senado americano aprovou na sexta, por 86 votos a 11, o Sanctioning Russia Act, que atinge Vladimir Putin e o setor de energia e autoriza tarifas de até 100% sobre os cinco maiores importadores de petróleo e gás russos.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 08:03 — IPC-S, primeira quadrissemana de agosto (FGV) · divulgado, -0,05%
  • 08:25 — Boletim Focus (Banco Central) · divulgado
  • Após o fechamento — Balanços do 2T26 de JBS, Itaúsa, Natura, Caixa Seguridade, Movida, São Martinho, Centauro e JSL

Global:

  • 14:00 — Leilão de notas de três anos (Tesouro dos EUA)

Próximas datas-chave: ata do Copom às 8h e IPCA de julho às 9h amanhã, o desempate da decisão de setembro; CPI americano de julho na quarta às 9h30, o catalisador da semana lá fora; PPI americano e balanços de Nubank e JBS na quinta; vendas no varejo e Michigan preliminar na sexta; registro de candidaturas no TSE até 15/08; liquidação da OPA da Ecopetrol por Brava em 17/08; Jackson Hole de 27 a 29/08; FOMC em 15 e 16/09 e Copom em 16/09.

Fontes: Morning Call XP e BTG Pactual de 10/08; Fechamento Genial de 07/08; Minuto Touro de Ouro e Money Times de 10/08; Boletim Focus (BCB); InfoMoney; Money Times; CNBC; FactSet; Treasury; Al Jazeera; Fortune; China Daily.