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Torre do Banco Central com bandeira do Brasil, seta de juros em queda e petroleiro em chamas em um estreito, com painéis de bolsa em máxima ao fundo

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Café com Mercado — quarta, 05/08/2026

10:17 BRT

O Copom decide hoje com o corte de 25 pontos já contratado e a discussão inteira deslocada para setembro, enquanto Wall Street renova recordes com o Brent abaixo de US$ 80.

Overview

Wall Street fechou a terça-feira em máximas históricas, com o Dow Jones aos 54.085,88 pontos (+1,71%) e o S&P 500 acima de 7.700 pela primeira vez, aos 7.736,52 (+1,79%). O motor foi a declaração do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, de que um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz sairia em dias. O Brent recuou 5,26%, para US$ 79,36, acumulando queda de cerca de 10% em uma semana. Petróleo mais barato descomprime prêmio na curva de juros americana, e o efeito apareceu na precificação do Fed: o CME passou a embutir uma alta em setembro, não mais duas, com probabilidade de 58,4% contra 62,7% na véspera. O ADP de julho reforçou o movimento ao registrar 44 mil vagas privadas, ante 98 mil em junho e projeções na casa de 70 mil. A Ásia veio a reboque, com Nikkei +3,53% e Kospi em alta de cerca de 4% depois de recuar 22% em julho. Nesta manhã o Brent voltou a subir 1,9%, para US$ 80,87, depois que os houthis atacaram um petroleiro saudita ao largo de Yanbu.

O Ibovespa não acompanhou e encerrou a terça-feira aos 177.894,97 pontos (-0,06%), com o dólar comercial em R$ 5,1309 (+0,86%), e o descolamento em relação a Nova York tem origem doméstica. O Copom decide hoje às 18h30 e o corte de 25 pontos-base, para 14,00%, está contratado — as opções da B3 davam 95% de probabilidade na virada do mês. A disputa é sobre setembro, e nela as casas se dividem entre quem projeta mais um corte e quem projeta pausa imediata. Compõem o pano de fundo a produção industrial de junho em -1,8%, a cassação do visto da embaixadora brasileira em Washington e a resposta de reciprocidade anunciada pelo Planalto.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

A produção industrial de junho recuou 1,8% na margem, segunda queda consecutiva e resultado bem pior que o consenso. O carrego estatístico para o terceiro trimestre ficou negativo em 1,5%. A XP revisou o crescimento do PIB do segundo trimestre de 0,47% para 0,40%, mantendo 2,0% em 2026. O PMI industrial de julho já havia caído a 47,5, de 50,8 em junho, o que coloca a indústria em dois meses de contração. O contraponto vem dos preços: a inflação corrente tem rodado abaixo das projeções do Banco Central e o câmbio se manteve estável desde a última reunião. É esse conjunto que abre espaço para a decisão de hoje.

Política

Os Estados Unidos revogaram na terça-feira o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, alegando demora do Brasil em conceder o agrément ao indicado americano. O Planalto classificou as justificativas como falsas e falou em escalada deliberada por razões ideológicas em ano eleitoral. O governo anunciou que adotará reciprocidade, e o Itamaraty ainda define se a medida espelha a esfera de vistos ou se assume outro formato. O quadro tarifário segue o de julho: 25% da Seção 301 desde 22 de julho, sobre cerca de 3.000 itens, mais 12,5% pela alegação de trabalho forçado, alcançando 23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos.

A pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje mostra Lula com 44% contra 39% de Flávio Bolsonaro no segundo turno, ante 45% a 37% em 15 de julho. No primeiro turno são 39% e 30%, com Caiado e Renan Santos a 4% e Zema a 2%. A aprovação do governo aparece em 48%, contra 47% de desaprovação. Flávio anuncia o vice da chapa às 11h, no último dia do prazo de convenções; o registro no TSE vai até 15 de agosto. O Congresso não tem sessão deliberativa esta semana, com esforços concentrados marcados para 10 a 14 de agosto e 31 de agosto a 3 de setembro. O PLOA 2027 vence em 31 de agosto e a LDO do mesmo ano ainda não foi votada.

Mercado

Os juros futuros fecharam a terça-feira com movimentos mistos e inclinação da curva: DI jan/27 a 13,79% (-2 pb), jan/29 a 14,02% (+4 pb) e jan/31 a 14,21% (+2 pb). A abertura da ponta longa ocorreu com os Treasuries em queda, com a de 2 anos a 4,20% (-6 pb), a de 10 anos a 4,62% (-7 pb) e a de 30 anos a 5,18% (-5 pb). A pressão é doméstica e se concentra no risco fiscal e político. As NTN-B seguem firmes, com a 2029 a 8,24%, a 2035 a 8,09% e a 2050 a 7,63%.

Há divergência clara entre as casas sobre o que o Copom faz depois de hoje. A XP trabalha com corte de 25 pontos seguido de pausa e espera comunicado neutro, sem sinalização dos próximos passos; para a casa, ajustes mais expressivos ficam para 2027 e condicionados a avanços na política fiscal. O BTG projeta o caminho oposto no curto prazo: corte hoje, mais 25 pontos em setembro e freio do ciclo em 13,75%, totalizando 125 pontos-base desde os 15% do início do ano. O mapa de projeções para o fim de 2026 vai de 13,25%, com JP Morgan e Inter, a 14,25%, com o Citi, único a projetar manutenção hoje. A maior concentração está em 13,75%, com BTG, Santander, Bradesco, Itaú, UBS BB e BofA, e em 14,00%, com XP, Genial, C6, Goldman Sachs, ASA e HSBC. O que une as casas é a leitura do comunicado: HSBC, XP, Santander e Itaú esperam que o Copom preserve a decisão reunião a reunião.

Na pesquisa pré-Copom da XP com 23 gestores macro, a visão negativa sobre a economia brasileira subiu de 40% em junho para 54%, recorde da série, e a expectativa de inflação em 12 meses piorou de 4,10% para 4,19%. O BTG lembra que o mercado começou o ano precificando 300 pontos-base de corte e, em março, temia não haver nem 50; o ciclo efetivo ficou no meio do caminho, e o Ibovespa acompanhou essa acomodação com dois pregões de lado em agosto. Na alocação, a XP reduziu multimercados no mês e elevou renda variável internacional nos perfis moderado e sofisticado, tratando a realização recente em tecnologia como ponto de entrada.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Itaú (ITUB4) — lucro recorrente gerencial de R$ 12,4 bilhões no 2T26 (+7,8% a/a) e ROE de 24,3%, em linha com o consenso. O guidance de receitas de serviços e seguros foi cortado de 5%-9% para 2%-5%; a ação recuou 2,57% na terça, antes da divulgação.
  • Bradesco (BBDC4) — reporta hoje após o fechamento. O consenso Bloomberg aponta R$ 6,99 bilhões e ROE de 16%; a XP projeta R$ 7,0 bilhões e trata o banco como a principal surpresa positiva entre os grandes.
  • PRIO (PRIO3) — lucro de US$ 413,3 milhões (+169% a/a) e Ebitda ajustado recorde de US$ 847,1 milhões, com receita de US$ 1,22 bilhão. O BTG avaliou o resultado como bom, porém em linha, e destacou o custo de extração abaixo do trimestre anterior.
  • Gerdau (GGBR4) — lucro ajustado de R$ 1,46 bilhão (+69,7% a/a) e Ebitda de R$ 3,43 bilhões (+33,9%), puxado pela operação na América do Norte.
  • Klabin (KLBN11) — lucro de R$ 387 milhões (-34% a/a) e Ebitda ajustado de R$ 1,96 bilhão, pressionado pela valorização do real.
  • Brava (BRAV3) — leilão da OPA da Ecopetrol hoje às 15h, a R$ 23,00 por ação, por 116,1 milhões de papéis. Somado ao bloco adquirido a R$ 24,00, leva a estatal colombiana a cerca de 51% do capital; liquidação em 17 de agosto.
  • CSN (CSNA3) — subiu 6,2% na terça, recuperando parte da queda do início da semana. As propostas vinculantes pela CSN Cimentos vencem em 7 de agosto, com valor estimado entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões.
  • Tenda (TEND3) — lucro de R$ 179,1 milhões com elevação de guidance; o BTG mantém o segmento de baixa renda como preferência dentro de construção civil.
  • Marcopolo (POMO4) — caiu 10,4% na terça, pior desempenho do índice, após o resultado do trimestre.

🌎 Global

Dados econômicos

O ADP de julho registrou 44 mil vagas no setor privado americano, contra 98 mil em junho e projeções entre 68 mil e 75 mil. O dado contrasta com o ISM industrial, que veio a 55,6 em julho, máxima em quatro anos, com preços pagos ainda elevados. O ISM de serviços sai às 11h, com consenso de 54,5 ante 54,0 em junho, e o payroll de julho fecha a semana na sexta-feira. Na Europa, os PMIs de serviços de julho mostraram recuperação: zona do euro a 51,7, maior nível em cinco meses, Reino Unido a 52,1 e Alemanha a 49,8, ainda em contração marginal. O Japão recuou de 52,2 para 51,2.

Política

O Fed não se reúne em agosto, e a precificação de setembro migrou de duas altas para uma, com 58,4% de probabilidade de aperto de 25 pontos-base. Schmid, do Fed de Kansas City, afirmou que pode ser necessário apertar mais; Cook e Daly falam hoje. O simpósio de Jackson Hole ocorre entre 27 e 29 de agosto, com discurso do presidente Kevin Warsh, que tem defendido reduzir o número de reuniões de política monetária e abandonar a orientação futura, sob o argumento de que a comunicação do Fed passou a gerar mais ruído do que sinal. O BoJ manteve o juro em 1,00% por 8 votos a 1, com Ueda sinalizando alta possível em setembro; o iene está em 157,4 após a intervenção coordenada com o Tesouro americano. O BCE mantém a taxa de depósito em 2,25% e o BoE, a taxa básica em 3,75%.

Geopolítica e commodities

Trump afirmou hoje que o acordo sobre Ormuz pode sair quarta ou quinta-feira, repetindo a sinalização de Bessent na véspera. Teerã nega negociação direta e menciona tratativas por intermédio de Omã. O fluxo pelo Estreito segue abaixo de dez navios por dia, segundo a Kpler, e o ataque houthi a um petroleiro saudita ao largo de Yanbu devolveu prêmio ao Brent nesta manhã. Para o Brasil, o petróleo mais barato é o principal vetor externo de desinflação e sustenta parte do espaço para a decisão de hoje, ao mesmo tempo em que pesa sobre a receita de Petrobras e PRIO. O ouro subiu para US$ 4.095 e a prata opera perto de US$ 60, ambos favorecidos pela redução das apostas de aperto nos Estados Unidos. O minério de ferro avançou cerca de 1% em Dalian e o bitcoin segue em torno de US$ 64 mil. A Rússia retomou ataques intensos com drones e mísseis contra Kiev.

Na temporada de resultados americana, 86% das empresas do S&P 500 superaram as estimativas de lucro, e o crescimento agregado do segundo trimestre está em 47,4%, ante 23,2% projetados no fim de junho. A AMD reportou receita de US$ 11,54 bilhões (+50,1%) e guidance acima do esperado, mas caiu 8,1% porque a margem bruta ficou travada em 56% e o capex veio em US$ 808 milhões, o triplo do modelado. A SpaceX, no primeiro balanço após o IPO, teve receita de US$ 7,81 bilhões (+92%) e prejuízo menor, ambos melhores que o esperado, e ainda assim recuou 10% no pré-mercado por causa do capex de US$ 18,37 bilhões, dos quais US$ 15,83 bilhões em inteligência artificial.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 10:00 — PMI de serviços e composto de julho (S&P Global)
  • 11:00 — Flávio Bolsonaro anuncia o vice da chapa; último dia do prazo de convenções partidárias
  • 15:00 — leilão da OPA da Brava (BRAV3) na B3, a R$ 23,00 por ação
  • 18:30decisão do Copom, o catalisador do dia; corte para 14,00% contratado, com o comunicado no centro das atenções
  • Após o fechamento — balanços de Bradesco, Copel, Totvs, Engie, Smart Fit, Vivara, Auren, CSN Mineração e Brava

Global

  • 09:15 — ADP de julho, divulgado em 44 mil vagas (EUA)
  • 11:00 — ISM de serviços de julho (EUA), consenso de 54,5
  • Ao longo do dia — falas de Cook e Daly, do Fed
  • Balanços — Eli Lilly, Uber, CVS, Honeywell, Kraft Heinz e Shopify; após o fechamento, SanDisk, Western Digital e eBay

Próximas datas-chave: Petrobras e jobless claims em 6/8; payroll de julho e propostas vinculantes pela CSN Cimentos em 7/8; IPCA em 11/8; esforço concentrado no Congresso de 10 a 14/8; Jackson Hole de 27 a 29/8.

Fontes: Morning Call XP, Morning Call BTG Pactual, Minuto Touro de Ouro, Esquenta do Copom XP, Money Times, InfoMoney, CNBC, Jornal de Brasília, FactSet, Rio Times.