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Colagem foto-real de refinaria e petroleiro em mar escuro, painel de chips de memória e a fachada do Banco Central, com a bandeira do Brasil ao centro.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Café com Mercado — segunda, 03/08/2026

10:30 BRT

A trégua entre Estados Unidos e Irã derruba o petróleo mais de 5% e desarma o prêmio de guerra sobre os juros longos, enquanto o Brasil entra na semana do Copom com as casas divididas entre corte e pausa.

Overview

O petróleo abriu a semana em forte queda, com o Brent a US$83 e o WTI a US$79, ambos recuando mais de 5% depois que Donald Trump cancelou um ataque ao Irã e anunciou negociações que apontam para a reabertura do Estreito de Ormuz. O recuo desarma parte do prêmio de guerra embutido nas commodities desde fevereiro e alivia os juros longos americanos, com o Treasury de 10 anos cedendo para 4,69% ante quase 4,80% na sexta, o maior patamar desde dezembro de 2024. A euforia de inteligência artificial que impulsionou a Ásia na semana passada andou no sentido oposto: o Kospi caiu 5,1%, com Samsung e SK Hynix perto de -9%, depois que a estreia da chinesa CXMT reacendeu o temor de excesso de oferta de memória. Os futuros de Nova York operam em leve alta, sustentados pelo alívio no petróleo e pelo balanço da Amazon, que saltou 15% na sexta com a receita de nuvem confirmando retorno dos investimentos em IA.

No Brasil, a Bolsa vem de uma sexta firme para dentro da semana que concentra as decisões do ano. O Ibovespa fechou julho aos 177.999 pontos (+0,47% no dia, +2,27% na semana e a primeira alta mensal depois de quatro quedas), e o futuro sobe cerca de 0,6% nesta manhã. À frente estão o Copom de quarta-feira, sobre o qual as casas estão genuinamente divididas entre um corte de 25 pontos e a pausa; o prazo da sobretaxa americana de 50%, que entra em vigor na quinta; o balanço da Petrobras, também na quinta; e o payroll de julho, na sexta, que baliza o Fed de setembro. O real se sustenta perto de R$5,07, amparado pelo diferencial de juros e pela condição de exportador líquido, inclusive de petróleo.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O ciclo de inflação virou a favor do corte: o IPCA-15 de julho subiu apenas 0,06% (4,52% em 12 meses), com alívio em alimentação, e as casas projetam o IPCA cheio de julho perto de zero e o de agosto negativo. Do outro lado, o mercado de trabalho segue resiliente: a taxa de desemprego roda abaixo do nível neutro pela PNAD, e o Caged ainda mostra criação gradual de vagas, um contraponto que dá munição ao Banco Central para calibrar o discurso. O Focus manteve a Selic projetada em 14,00% no fim de 2026 pela quinta semana, com o IPCA do ano em 5,12% e o dólar em R$5,20. No horizonte mais longo, o risco é o El Niño: casas como XP e BTG citam um evento climático em formação comparável ao de 2015, capaz de pressionar alimentos no fim do ano e em 2027.

Política

A sobretaxa americana de 50% sobre produtos brasileiros entra em vigor na quinta-feira (6/8), depois de adiada de 1º de agosto. Trump ampliou a lista de exceções para mais de dois mil itens — incluindo aeronaves, energia, alumínio, suco de laranja, celulose, fertilizantes, ferro-gusa e metais preciosos —, mas negou alívio a vestuário, calçados e máquinas. A leitura de mercado é de que a lista maior que a esperada abre espaço para negociação, e Geraldo Alckmin, que já se reuniu com os setores afetados e com o encarregado de negócios dos EUA, afirmou que o diálogo "começa agora". No plano fiscal, a IFI voltou a classificar a política de "insustentável" e a equipe econômica discute apertar os gatilhos do arcabouço. Para o BTG, a eleição de 2026 ainda não é tema de mercado: o que manda são Fed, inflação e petróleo, ao menos até o início da campanha, em 16 de agosto.

Mercado

O Copom domina a semana, e as casas seguem divididas entre cortar e pausar. A curva embute cerca de 90% de chance de um corte de 25 pontos-base para 14,00% na quarta, impulsionada pela surpresa desinflacionária do IPCA-15. No campo do corte, o BTG projetou em seu morning call de hoje a redução nesta reunião e provavelmente mais uma em setembro, levando a Selic a 13,75%; Itaú BBA e ASA acompanham o corte, e o Safra vai além, com 13,50% no fim do ano. A XP também corta para 14,00%, mas trata como provável uma pausa já nesta reunião caso o comunicado venha duro, e não vê novos cortes adiante. No campo da manutenção, Genial e Banco Pine defendem pausa imediata, com o argumento de que a inflação não está ancorada, enquanto Bank of America e Rabobank inclinam-se pela estabilidade. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, reforçou que não há "sinalização" para agosto, um tom que pesa do lado mais duro da mesa.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Santander Brasil (SANB11) subiu 13% na sexta com a oferta do controlador espanhol para fechar o capital: troca das units por BDRs do Santander Espanha, com prêmio de cerca de 15% sobre o fechamento anterior. A ação vinha na mínima após o balanço fraco do 2T, e quem não aderir corre o risco de ficar preso em papel sem liquidez.
  • Vale (VALE3): o balanço do 2T (lucro R$6,85bi, -43% a/a; Ebitda ajustado R$18,5bi; receita R$53bi, +6,4%) agradou, mas a companhia elevou a projeção de custo C1 do minério para US$22,5-23,5/t por causa do petróleo alto. BTG e Itaú BBA mantêm compra, e a diversificação em cobre (meta acima de 700 mil toneladas até 2035) é o destaque estrutural.
  • Brava (BRAV3): o leilão da OPA da Ecopetrol ocorre na quarta (5/8), às 15h, a R$23,00/ação (cerca de 116 milhões de ações, ~25% do capital), com liquidação em 17/8; a colombiana busca chegar a 51%.
  • Petrobras (PETR4): reporta o 2T na quinta (6/8), após o fechamento, com produção recorde no trimestre; o BTG projeta Ebitda ajustado de US$18,9bi e lucro de US$9,5bi.
  • Bancos: a temporada do 2T avança com Itaú e Bradesco (BBDC4) nesta semana e Banco do Brasil na seguinte; depois do resultado fraco do Santander, o foco recai sobre inadimplência e provisões.

🌎 Global

Dados econômicos

Wall Street fechou julho no positivo, com o S&P 500 a 7.489,72 (+0,7% na sexta), o Nasdaq em alta de 1,0% e o Dow somando o quarto mês seguido de ganhos. A dispersão entre as big techs seguiu extrema: Amazon +15% com a nuvem AWS confirmando retorno dos investimentos em IA e o gasto de 2026 elevado a cerca de US$220bi, contra Apple -7% por projeções fracas. A agenda americana da semana é pesada — ISM industrial e PMIs hoje, JOLTS e ADP na terça, ISM de serviços na quarta e o payroll de julho na sexta, o dado que pode selar as apostas para setembro. Na China, o PMI industrial de julho veio a 49,2, primeira contração desde fevereiro, o que reforça a expectativa de novos estímulos. A Europa opera perto das máximas (Stoxx 600 +0,4%), com AstraZeneca -7% após rumor de fusão com a Bristol-Myers Squibb.

Política

O Fed manteve os juros na semana passada, mas com tom duro: três diretores dissentiram a favor de uma alta, a primeira vez em anos que três votos vão na mesma direção. O novo presidente, Kevin Warsh, reiterou a meta de inflação de 2% "a qualquer custo" e recusou-se a dar sinalização, o que empurrou a curva longa para cima e deixou no preço uma probabilidade não desprezível de alta — e não corte — em setembro. O núcleo do PCE de junho veio a 0,13%, abaixo do esperado; pela leitura do BTG, enquanto os dados de inflação seguirem contidos o Fed não sobe, mas a barra para uma alta não está alta. Na Europa, o petróleo e as demais commodities elevadas mantêm viva a hipótese de mais uma ou duas altas do BCE.

Geopolítica e commodities

A desescalada entre Estados Unidos e Irã é o motor da queda do petróleo, com a promessa de reabertura de Ormuz desfazendo o prêmio acumulado desde fevereiro — embora a chancelaria iraniana negue negociações em curso, o que mantém o risco de reversão. O BTG pondera que o alívio pode ser parcial: gasolina, diesel, trigo e gás natural na Europa seguem perto das máximas, puxados também pela guerra na Ucrânia e pela queda na capacidade de refino russa, de modo que a desinflação de energia tende a ser mais lenta que a do barril. No câmbio, o iene dispara ante o dólar, ainda sob suspeita de intervenção do Banco do Japão para tirar a moeda das mínimas históricas. Nos metais, ouro perto de US$4.100 e prata superando US$58, com a prata subindo mais que o ouro; o Bitcoin recua para cerca de US$62,7 mil.

📅 Agenda do dia

  • Brasil: 8h — Boletim Focus; 8h — sondagens da FGV (ICE e IPC-S de julho). O catalisador-mãe da semana é o Copom, que inicia a reunião na terça e anuncia a decisão na quarta (5/8), após o fechamento.
  • Global: 10h45/11h — PMI industrial S&P Global e ISM industrial dos EUA (julho). Próximas datas-chave: leilão da OPA da Brava (quarta, 15h), entrada da sobretaxa americana e balanço da Petrobras (quinta), payroll dos EUA (sexta) e IPCA de julho (dia 11).

Fontes: morning calls transcritos de BTG, XP e Genial; Pablo Spyer (Mjoin); InfoMoney, Bloomberg Línea, Money Times, Seu Dinheiro, Valor e Forbes (Copom, tarifaço, empresas); CNBC, Reuters, Yahoo Finance, TheStreet e Fortune (overnight, Fed, petróleo, Ásia).