
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Café com Mercado — sexta, 31/07/2026
09:45 BRT
A febre de inteligência artificial e o balanço da Amazon levantam as bolsas globais, enquanto o petróleo volta a US$92 com o Irã e o Brasil encara um Copom dividido entre corte e pausa.
Overview
A queda pós-Fed durou um dia. Na quinta, Wall Street reagiu com força: o S&P 500 subiu 1,7%, o Nasdaq 2,8% e o Dow 1,2%. A tração veio da tecnologia. A Microsoft saltou 16%, o maior ganho diário de valor de mercado da sua história. Depois do fechamento, a Amazon reforçou o apetite por risco. A AWS cresceu 37%, o ritmo mais rápido em dezoito trimestres, e a receita passou de US$200 bilhões pela primeira vez. A ação disparou cerca de 13%. A Apple destoou: superou as estimativas, mas caiu perto de 7% com serviços fracos e projeção morna. A euforia com IA e memória contagiou a Ásia. O Kospi disparou quase 18%, com a SK Hynix no limite de alta, e o Nikkei subiu mais de 3%. Na Europa, o Stoxx 600 renovou máxima. Os futuros em Nova York voltam a apontar alta nesta manhã. O contraponto está no petróleo e nos juros longos. Novos ataques americanos ao Irã e ameaças houthis no Mar Vermelho levaram o Brent de volta a US$92. O rendimento da T-note de trinta anos segue perto de 5,19%, máxima de décadas, depois de um núcleo do PCE ainda quente.
O Brasil surfou a mesma onda. O Ibovespa subiu 1,88% na quinta e voltou aos 177 mil pontos, com ganho de 9,95% no ano. O real firmou e o dólar recuou a R$5,062. Agora dois vetores se cruzam. O desemprego caiu a 5,4%, mínima histórica para o período, e o IPCA-15 de julho veio em apenas 0,06%. É um quadro de inflação comportada, que reabre espaço para corte. Do outro lado, o fiscal piorou, com déficit primário de R$48 bilhões em junho, e Galípolo repete que não há sinalização para agosto. O desenho aponta para um Copom dividido em 4 e 5 de agosto. O mercado precifica corte de 0,25 ponto, para 14,00%, mas as casas racham entre cortar, parar e seguir cortando. O prazo do tarifaço americano, em 6 de agosto, paira sobre tudo.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
A leitura do trabalho e da inflação veio benigna. O desemprego medido pela PNAD Contínua recuou a 5,4% no trimestre até junho, o menor patamar da série para o período, ante 5,6% até maio. A renda média real subiu para R$3.738. A prévia da inflação surpreendeu para baixo. O IPCA-15 de julho avançou 0,06%, contra 0,41% em junho, e a taxa em doze meses cedeu a 4,52%. No atacado, o IGP-M recuou 1,16% no mês, puxado por commodities e câmbio. A nota destoante ficou nas contas públicas. O governo central registrou déficit primário de R$48,2 bilhões em junho, o pior para o mês desde 2023, com a despesa crescendo mais que a arrecadação.
Política
A pauta segue dominada pelo tarifaço. A sobretaxa americana de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros entra em vigor em 6 de agosto, adiada de 1º de agosto e atrelada ao processo de Bolsonaro. Ficaram de fora itens como aeronaves, energia, suco de laranja, celulose e fertilizantes. Alckmin afirmou que o Brasil não saiu da mesa e vai pedir redução de alíquotas e mais exceções. Haddad disse que a reunião entre Lula e Trump não ocorreu por falta de sinalização americana. No campo eleitoral, a corrida de 2026 aperta. A Gerp apontou empate técnico no segundo turno, com Flávio Bolsonaro em 46% e Lula em 45%.
Mercado
O Ibovespa acompanhou o exterior e fechou a quinta em alta de 1,88%, aos 177.159 pontos, com bancos, Petrobras e Vale à frente. O dólar cedeu a R$5,062, sustentado pelo carrego da Selic a 14,25%. O foco agora é a decisão da semana que vem, e há divergência clara entre as casas sobre o fim do ciclo. O Itaú passou a ver apenas mais um corte, para 14,00%, mas não descarta uma pausa, diante de expectativas ainda desancoradas. O BTG foi na direção oposta e ficou mais brando: projeta dois cortes, levando a Selic a cerca de 13,75%. O Santander enxerga espaço limitado para novas quedas, e a Pilar trabalha com manutenção. A surpresa desinflacionária do IPCA-15 fortaleceu o campo do corte, mas a ambiguidade de Galípolo mantém o desfecho em aberto.
Empresas (IPO / M&A / OPA / default)
- Vale (VALE3): lucro líquido de R$6,85 bilhões no segundo trimestre, queda de 43% na comparação anual, pressionado pelo real forte e pelo minério mais fraco. O Ebitda ajustado somou US$3,67 bilhões, alta de 9%, com a melhor produção para um segundo trimestre desde 2018. A companhia anunciou R$8,64 bilhões em proventos e elevou o guidance de cobre e níquel.
- Ambev (ABEV3): lucro de R$3,47 bilhões, alta de 24,5% e acima do consenso, com volumes ajudados pela Copa. Ainda assim, a ação recuou, na leitura de que o resultado não convenceu na margem.
- Brava (BRAV3): o leilão da OPA da Ecopetrol foi marcado para 5 de agosto, a R$23,00 por ação. A colombiana mira 51% do capital.
- Bancos: a temporada do segundo trimestre começa na próxima semana. Bradesco (BBDC4) chega como preferida das casas, enquanto Santander e Banco do Brasil ainda têm contas a acertar.
🌎 Global
Dados econômicos
Nos Estados Unidos, os números reforçam o desconforto do Fed. O núcleo do PCE de junho, medida preferida da autoridade, subiu 0,3% no mês e 2,8% em doze meses, acima do esperado. O PIB do segundo trimestre desacelerou para 1,5% anualizado. É uma combinação levemente estagflacionária. Na zona do euro, a inflação ao consumidor subiu a 2,9% em julho, pressionada por energia, enquanto o PIB avançou 0,4% no trimestre. Na China, o PMI industrial oficial caiu a 49,2 e voltou ao território de contração pela primeira vez desde fevereiro, o que renova as apostas em novos estímulos.
Política
O Fed manteve os juros em 3,50% a 3,75% na quarta, pela quinta reunião seguida, mas em votação apertada de 9 a 3. Os três dissidentes queriam alta, o primeiro trio na mesma direção desde 2016. O tom foi duro e reduziu a expectativa de afrouxamento no curto prazo. O próximo teste é o payroll de julho, em 7 de agosto. No Japão, a suspeita de intervenção do banco central derrubou o dólar para perto de ¥159 e reforçou o iene.
Geopolítica e commodities
O petróleo voltou a ser o fio de tensão. Novos ataques americanos a alvos iranianos e a ameaça de bloqueio houthi no Mar Vermelho reacenderam o prêmio de risco. O Brent negocia perto de US$92, e o Estreito de Ormuz segue no centro das atenções. O ouro se manteve firme, ao redor de US$4.086 a onça. Para o Brasil, o petróleo mais caro dá fôlego à Petrobras, mas pressiona a conta de importados e o repasse nos combustíveis.
📅 Agenda do dia
Brasil:
- 08:00 — IGP-M de julho (FGV): -1,16%.
- A próxima semana concentra os catalisadores: Copom (4 e 5/8), leilão da OPA Brava/Ecopetrol (5/8) e prazo do tarifaço americano (6/8).
Global:
- 10:45 — PMI de Chicago (julho).
- 11:00 — Sentimento da Universidade de Michigan (final de julho).
- Balanços de Chevron e ExxonMobil.
- Próximas datas-chave: ISM industrial (3/8) e payroll de julho (7/8).
Fontes: Copom/casas (InfoMoney), Itaú, BTG, Vale (Money Times), Ambev, Brava/OPA, Ibovespa, Wall Street, Amazon, Apple, China PMI, Brent, tarifaço.
