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Colagem foto-real com banco central neoclássico, telas de mercado em queda, refinaria de petróleo e caminhão de minério com bandeira do Brasil.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Café com Mercado — quinta, 30/07/2026

09:47 BRT

O Fed segura os juros em decisão dividida e Warsh reforça o tom duro; o PCE vem quente, o PIB americano desacelera e o Ibovespa tenta reagir na véspera do balanço da Vale.

Overview

O Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50%-3,75% pela quinta reunião seguida, mas a decisão saiu dividida e com tom duro. A leitura de um banco central disposto a segurar juros altos por mais tempo empurrou os rendimentos longos ao topo em décadas: a nota de 30 anos foi a 5,20%. Nova York caiu forte na sessão (Dow -2,19%, S&P 500 -1,52%, Nasdaq -1,74%), com o índice de tecnologia mais de 11% abaixo do pico de junho. Nesta manhã os futuros ensaiam recuperação, embalados pela cisão entre as gigantes: a Microsoft sobe cerca de 8% após o Azure superar US$100 bilhões de receita anual, enquanto a Meta cai perto de 8% com o novo aumento dos investimentos em inteligência artificial.

No Brasil, o Ibovespa acompanhou a onda de aversão a risco, com bancos e elétricas na ponta negativa e a Petrobras na contramão. O foco se desloca para o Copom de 4 e 5 de agosto, cercado de dúvida: Gabriel Galípolo negou "sinalização" para a reunião e reforçou que os juros ficarão restritivos por período prolongado. O quadro externo aperta a margem de manobra, com o PCE quente e o Fed mais duro. Ainda hoje, o balanço da Vale à noite e a proximidade do prazo do tarifaço, em 6 de agosto, completam a pauta.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O Novo Caged de junho, divulgado ontem, trouxe saldo de 145,2 mil vagas formais, resultado de 2,22 milhões de admissões e 2,07 milhões de desligamentos. É o menor saldo para o mês desde 2020. No primeiro semestre, o país abriu 921,6 mil postos com carteira. O mercado de trabalho segue positivo, mas perde tração na margem. A leitura dá algum conforto ao campo que defende a continuidade dos cortes de juros. Hoje a atenção fica com a taxa de desemprego da PNAD Contínua.

Política

A condenação de Jair Bolsonaro transitou em julgado e Alexandre de Moraes negou novo recurso da defesa. A corrida de 2026 já opõe Lula a Flávio Bolsonaro. O Datafolha de 24 de julho traz o presidente com 40% contra 32% no primeiro turno, e 48% a 43% no segundo. O Quaest de 15 de julho mostra distância maior, de 40% a 28%, com rejeição de 57% ao pré-candidato do PL. No campo externo, a sobretaxa americana sobre produtos brasileiros chega ao prazo de 6 de agosto, com os dois governos sinalizando negociação e exceções para itens da pauta exportadora.

Mercado

O Ibovespa fechou a sessão de ontem em queda de 1,52%, aos 173.885 pontos, já cerca de 12% abaixo da máxima de 52 semanas. A pressão veio de bancos e de elétricas, com Sabesp (-5,9%) e B3 (-4,2%) entre as piores; a Petrobras (+1,9%) destoou. O dólar cedeu a R$5,108, com o real amparado pelo diferencial de juros da Selic a 14,25%. Há divergência clara entre as casas sobre o fim do ciclo de juros. O mercado precifica corte de 25 pontos na próxima semana, para 14,00%, mas o campo mais brando (BTG, Santander, Itaú BBA) enxerga espaço até 13,75%, enquanto o mais duro (Genial, Citi, HSBC) trabalha com parada em 14,25%. A mediana do Focus fica em 14,00%, e as falas recentes de Galípolo mantêm o debate aberto.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Ambev (ABEV3): lucro líquido de R$3,47 bilhões no 2T26 (+24,5% em um ano), Ebitda de R$6,6 bilhões (+7%) e receita de cerca de R$20,8 bilhões (+3,5%); anunciou pagamento de R$1,10 bilhão em juros sobre capital próprio.
  • Vale (VALE3): reporta hoje após o fechamento, com a melhor produção de minério para um segundo trimestre desde 2018; as casas divergem no Ebitda ajustado, entre US$3,63 bilhões (Itaú BBA) e US$3,9 bilhões (XP).
  • Petrobras (PETR4): produção própria recorde de 3,34 milhões de boe/d no trimestre; a ação subiu 1,9% ontem, ajudada por notícias de entrada em energia nuclear.
  • Brava (BRAV3): o leilão da OPA da Ecopetrol foi marcado para 5 de agosto, a R$23,00 por ação, mirando 51% do capital, cerca de R$5,5 bilhões.

🌎 Global

Dados econômicos

O núcleo do PCE de junho, métrica de inflação preferida do Fed, subiu 0,3% no mês e 2,8% em doze meses, acima dos 2,7% esperados. No mesmo horário, o PIB do segundo trimestre desacelerou para 1,5% anualizado na leitura preliminar, ante 2,1% no trimestre anterior e abaixo do consenso. O consumo sustentou a atividade, mas o gasto público recuou. A combinação de inflação mais persistente e crescimento mais fraco é desconfortável para o banco central americano.

Política

Pela quinta reunião seguida o Fed não mexeu na taxa, mas o placar de 9 a 3 expôs a divisão interna. Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan queriam alta imediata de 0,25 ponto, o primeiro trio de dissidências na mesma direção desde 2016. Kevin Warsh, no comando desde a reunião anterior, reafirmou que a meta de inflação é 2%, dispensou a orientação futura e encurtou o comunicado. O recado consolidou a tese de juros altos por mais tempo e levou a nota de 10 anos a 4,67%.

Geopolítica e commodities

A escalada entre Irã e Estados Unidos perdeu força e o petróleo devolveu boa parte do prêmio de risco. O Brent recuou para cerca de US$87 e o WTI para US$84, com o fluxo pelo Estreito de Ormuz mantido apesar do conflito. O ouro segue perto de US$4.100 e o cobre a US$6,27 a libra. Na Ásia, os semicondutores continuam sob pressão: o Kospi caiu 1,2%, com a SK Hynix em baixa, depois de duas interrupções automáticas seguidas na esteira do IPO da chinesa CXMT.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 09:00 — Taxa de desemprego, PNAD Contínua (IBGE), trimestre encerrado em junho.
  • Após o fechamento — Balanço do 2T26 da Vale (VALE3), catalisador do dia na bolsa local.

Global:

  • 09:30 — Núcleo do PCE de junho e PIB do 2º trimestre nos Estados Unidos (já divulgados).
  • Após o fechamento (EUA) — Balanços de Apple e Amazon.
  • Próximas datas-chave: Copom (4-5/8), leilão da OPA Brava/Ecopetrol (5/8) e prazo do tarifaço Brasil-EUA (6/8).

Fontes: morning calls de Safra, XP e Genial; Federal Reserve, CNBC, Reuters, BEA (PIB e PCE), InfoMoney, Seu Dinheiro, Money Times e Rio Times.