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Colagem foto-real de banco central com colunas, mísseis e refinaria em chamas, chip rachado e telas vermelhas de bolsa, com manchete FED DECIDE, PETRÓLEO DISPARA

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Café com Mercado — quarta, 29/07/2026

09:30 BRT

Dia de Fed, com decisão às 15h e viés duro; o petróleo dispara depois que o Irã rompe a trégua e ataca tropas dos EUA, enquanto o tombo dos chips se estende à Ásia. No Brasil, o IPCA-15 fraco sustenta o Ibovespa e aquece a aposta em novo corte da Selic.

Overview

O dia gira em torno do Fed, que decide juros às 15h e traz a coletiva de Kevin Warsh às 15h30. O consenso é de manutenção na faixa de 3,50%–3,75%, o quinto encontro seguido sem corte, mas a cauda dura ganhou corpo. O mercado precifica entre 30% e 38% de chance de alta hoje, e alguns diretores devem dissentir pelo aperto, como já fizeram na reunião anterior. Em sua segunda decisão no comando, Warsh evita forward guidance e não divulga projeções, deixando ao mercado a leitura de um comunicado enxuto. Sobre esse pano de fundo caíram dois choques na madrugada. O petróleo disparou de 4% a 5%, com o Brent perto de US$87, depois que o Irã lançou mísseis contra tropas americanas no Oriente Médio e encerrou a trégua de quatro dias. E o tombo dos chips se estendeu à Ásia: o Kospi perdeu mais 6%, puxado pela SK Hynix (-12,6%), com a estreia da chinesa CXMT em forte alta e o avanço em litografia reacendendo o receio sobre a cadeia de inteligência artificial.

O Brasil segue descolado, surfando a própria história de afrouxamento. O IPCA-15 de julho a 0,06%, muito abaixo do esperado, consolidou a leitura de que o Copom tem espaço para mais um corte de 0,25 ponto na reunião de 4 e 5 de agosto, e levou o Ibovespa de volta aos 176 mil pontos pelo segundo pregão, com commodities e bancos à frente. O quadro doméstico, porém, divide as casas sobre até onde vai a Selic, e a temporada política esquenta: as pesquisas presidenciais saíram divergentes, Moraes deu 48 horas para Bolsonaro se explicar e o vice de Flávio segue indefinido. As decisões pendentes concentram-se no fim da tarde de hoje, com o Fed, e na semana que vem, com o Copom.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

A agenda doméstica é leve. Saiu de manhã a Sondagem da Indústria de julho da FGV, e às 14h30 vem o fluxo cambial semanal do Banco Central. Os números mais pesados da semana ficam para quinta-feira, quando saem o CAGED de junho e o núcleo do PCE americano. O ponto de partida ainda é o IPCA-15 de julho a 0,06%, prévia bem mais fraca que o esperado, que reforçou a expectativa de desinflação e o espaço para o Copom seguir cortando.

Política

As pesquisas presidenciais dominaram a política e saíram divergentes. A AtlasIntel/Bloomberg, atrasada de ontem, mostra Lula à frente, com vantagem de 9 a 10 pontos no primeiro turno e 49% a 42,9% sobre Flávio Bolsonaro no segundo. Já a Genial/Quaest aponta empate técnico no cenário nacional e Flávio na dianteira em São Paulo. O contraste reforça a leitura de corrida ainda aberta. No Judiciário, Alexandre de Moraes deu 48 horas para Jair Bolsonaro esclarecer se autorizou um vídeo feito com inteligência artificial e mencionou possível volta à prisão. Flávio, oficializado candidato pelo PL, segue sem vice: Daniella Marques, Clarissa Tércio e Michelle estão no páreo. Na frente comercial, Geraldo Alckmin disse que o Brasil "não saiu da mesa" e classificou de injusta a sobretaxa adicional de 12,5% dos Estados Unidos; Lula resumiu que não vai brigar com China e americanos ao mesmo tempo.

Mercado

O Ibovespa fechou terça em alta de 0,70%, aos 176.565 pontos, no segundo pregão positivo. Sustentaram o índice as commodities, com Suzano (+2,9%), CMIN, Gerdau (+2,7%) e Embraer, além dos bancos em bloco; na ponta oposta, Vivo caiu 6,3%. O dólar subiu 0,20%, a R$5,12. Nesta manhã o viés é levemente positivo, com o petróleo empurrando a Petrobras, mas o giro tende a esvaziar até o Fed. Há divergência clara entre as casas sobre a Selic terminal de 2026. BTG, Santander, Bradesco e Itaú BBA projetam 13,75%; XP, C6, BofA e Goldman veem 14%; Genial, Citi, ASA e HSBC apostam em manutenção a 14,25%. A mediana do Focus segue em 14,00%, e o IPCA-15 fraco de ontem fortaleceu o campo mais dovish. O BTG espera corte de 0,25 ponto na semana que vem, para 14%, com nova redução possível adiante, e vê como improvável o corte de 0,50 que voltou a ser ventilado.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Santander Brasil (SANB11) — lucro gerencial de R$3,0 bilhões no 2T26, queda de 17,6% em doze meses e de 20,4% no trimestre, abaixo do consenso de R$3,4 bilhões. O ROE recuou a 12,5%, abaixo do custo de capital, com a provisão para devedores duvidosos saltando a R$7,6 bilhões. É o primeiro balanço sob Gilson Finkelsztain.
  • Petrobras (PETR4) — produção recorde de 3,336 milhões de boe/dia no 2T26, alta de 14,1% em doze meses, com exportações dobrando puxadas por Búzios, Mero e Jubarte. O ADR sobe cerca de 1% no pré-mercado, ajudado pelo salto do petróleo; o balanço financeiro completo sai em 6 de agosto.
  • Motiva (MOTV3) e Intelbras (INTB3) — reportam resultados do 2T26 hoje. A Mover fechou acordo com o Bradesco BBI sobre sua participação na Motiva.

🌎 Global

Dados econômicos

Do lado dos indicadores, a semana reserva para quinta o dado que mais interessa ao Fed: o núcleo do PCE americano, medida de inflação preferida da autoridade, que roda perto de 4%, bem acima da meta de 2%. Warsh fez questão de lembrar, em sua estreia, o histórico de mais de sessenta meses seguidos de inflação alta. CPI e PPI recentes vieram moderados, o que dá margem para o Fed esperar sem subir hoje.

Política

O centro de tudo é o Fed. A leitura predominante, compartilhada por XP e BTG, é de manutenção com sinalização dura: juro parado hoje e a porta aberta para uma alta em setembro, caso a inflação não ceda. O risco assimétrico é um choque de aperto surpresa, que Warsh poderia usar para impor sua agenda de reconquistar a estabilidade de preços, embora poucos apostem nisso. Pesa contra qualquer aceno dovish a nova rodada tarifária de Donald Trump, com sobretaxas de 10% a 12,5% sobre cerca de 60 países, via Seção 301, que adiciona pressão de custos à inflação americana.

Geopolítica e commodities

A trégua no Oriente Médio durou pouco. O Irã disparou mísseis balísticos contra tropas americanas, interceptados, e Estados Unidos e Arábia Saudita responderam com ataques a alvos logísticos no Iraque. A retomada das hostilidades embute o risco maior de uma corrida nuclear, com Riad e Washington desenhando um acordo. O petróleo reagiu na hora: o Brent saltou para perto de US$87 e o WTI para US$82, alta que, no Brasil, favorece a Petrobras. O ouro ficou estável perto de US$4.040, o cobre em torno de US$6,34 e o Bitcoin rondou US$64 mil. Na Ucrânia, drones atingiram a varejista Wildberries, a "Amazon russa", pressionando ainda mais a economia de guerra de Moscou.

📅 Agenda do dia

  • Brasil:
    • 08:00 — Sondagem da Indústria de julho, FGV (já divulgada)
    • 14:30 — Fluxo cambial semanal (Banco Central)
  • Global:
    • 15:00 — Decisão de juros do Fed (FOMC) — catalisador do dia
    • 15:30 — Coletiva de Kevin Warsh (Fed)
    • Após o fechamento em NY — Balanços de Meta e Microsoft
    • Próximas datas-chave: CAGED de junho e núcleo do PCE dos EUA (quinta, 30/7); balanços de Vale e Ambev (quinta, 30/7); leilão da OPA da Brava Energia pela Ecopetrol (5/8, R$23,00/ação); reunião do Copom (4 e 5/8).

Fontes: Morning Calls XP, BTG e Pablo Spyer (Touro de Ouro); InfoMoney, Money Times, CNBC, Reuters, Yahoo Finance e gov.br/Trabalho.