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Colagem foto-realista: pregão asiático em pânico com telões vermelhos, chip de semicondutor rachado com faíscas ao centro, e navio petroleiro ao amanhecer com o Congresso Nacional ao fundo

terça-feira, 28 de julho de 2026

Café com Mercado — Terça, 28/07/2026

09:35 BRT

Kospi tomba mais de 10% e Nvidia recua com temor de bolha no financiamento da IA, véspera do Fed; no Brasil, IPCA-15 surpreende para baixo e abre espaço para o Copom.

Overview

A madrugada foi de pânico nos mercados asiáticos. O Kospi mergulhou entre 10,8% e 11,3%, acionando circuit breaker pela oitava vez no ano, com Samsung caindo 13,4% e SK Hynix, 14,7%. O estopim foi uma dupla notícia sobre a cadeia de inteligência artificial: o governo chinês patrocina uma nova fabricante de chips avançados em Xangai e instruiu sua indústria a tratar como "traidoras da pátria" as empresas que não migrarem para semicondutores nacionais; e reportagem do Wall Street Journal revelou que a Nvidia negocia com o governo americano um mecanismo para que a OpenAI garanta US$ 250 bilhões na compra de seus chips, somados a outros US$ 350 bilhões em financiamento. O mercado leu como sinal de financiamento circular insustentável e derrubou a Nvidia em quase 5% na véspera. O contágio já se espalhou ao pré-mercado americano, com Micron, AMD e Marvell no vermelho, enquanto os CDS das sete magníficas sobem, evidenciando que boa parte do US$ 1 trilhão investido em capacidade de IA foi financiado via dívida. A Europa, menos exposta a tecnologia, escapou do movimento e opera no positivo, ajudada por balanços de Unilever, Mercedes e LVMH. Do lado geopolítico, a trégua entre Irã e Estados Unidos completa três dias e segue segurando o petróleo, com o Brent perdendo mais 2,5% a 3,7% hoje, para a faixa de US$ 84-86, após o tombo de cerca de 10% na véspera. Seguem em aberto a administração do estreito de Ormuz e o dossiê nuclear iraniano, enquanto Washington sinaliza reaproximação com a Ucrânia e um Zelensky cauteloso após o desgaste do encontro anterior na Casa Branca. Tudo isso na véspera da decisão do Federal Reserve, a segunda reunião sob Kevin Warsh, que abandonou o forward guidance tradicional e deixa o mercado dividido entre manutenção e um viés mais duro.

No Brasil, o dia caminha na contramão do desconforto global. O IPCA-15 de julho veio em 0,06%, muito abaixo do consenso de mercado (entre 0,17% e 0,21%) e da própria previsão das casas que fizeram o morning call desta manhã, ante alta de 0,41% em junho, e o acumulado em 12 meses recuou para 4,52%. A surpresa desinflacionária reforça a leitura de que o Copom, que se reúne em 4 e 5 de agosto, tem espaço para manter o ritmo gradual de corte da Selic, hoje em 14,25%, com 0,25 ponto percentual já precificado pelo mercado para a próxima reunião. O Ibovespa fechou a véspera em alta de 0,74%, a 175.334 pontos, puxado por Embraer (+5,3%, após backlog recorde de US$ 34,5 bilhões no segundo trimestre) e pelo alívio na curva de juros, enquanto as petroleiras sofreram com o petróleo mais fraco; o dólar, por sua vez, fechou em alta de 0,60%, a R$ 5,11, com o real como a moeda emergente mais penalizada do dia. O governo brasileiro também acionou a Organização Mundial do Comércio contra a nova rodada de tarifas americanas, um adicional de 12,5% baseado na seção 301 e em investigação sobre trabalho forçado que atinge diversos países e não apenas o Brasil, embora carne e café tenham ficado de fora da lista.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O destaque do dia é o IPCA-15 de julho, em 0,06% — surpresa desinflacionária expressiva ante a mediana de mercado de 0,17% a 0,21% e ante a própria expectativa das mesas de operação, que projetavam algo entre 0,21% (BTG) e 0,26% (XP) antes da divulgação. O índice recuou de 0,41% em junho e trouxe o acumulado em 12 meses para 4,52%, beneficiado por alívio em alimentos e combustíveis — mesmo sem capturar ainda o novo soluço do petróleo, já que a coleta cobre o período de 15 de junho a 15 de julho. O número chega às vésperas do Copom de 4 e 5 de agosto e tende a reforçar o cenário de continuidade dos cortes graduais da Selic.

Política

O governo brasileiro formalizou reclamação na Organização Mundial do Comércio contra a nova onda de tarifas dos Estados Unidos — um adicional de 12,5% aplicado com base na seção 301 do comércio americano e em investigação sobre uso de trabalho forçado, distinto do instrumento de "segurança nacional" do Liberation Day que a Suprema Corte americana já havia derrubado. A medida atinge uma série de parceiros comerciais dos EUA, não só o Brasil, e poupou itens sensíveis da pauta bilateral, como carne bovina e café. No front eleitoral, o vice de Flávio Bolsonaro segue indefinido enquanto o prazo para o registro de candidaturas se aproxima, e o mercado deve repercutir ao longo do dia uma nova pesquisa presidencial da Atlas Intel, ainda sem números confirmados até o fechamento desta edição.

Mercado

O Ibovespa fechou a véspera em alta de 0,74%, a 175.334 pontos, em recuperação parcial da queda de sexta-feira, com o contrato futuro (WINQ26) fechando ainda mais forte, +1,18%, a 176.760 pontos. O giro financeiro, porém, ficou abaixo da média do ano (~R$ 14 bilhões ante média de R$ 22 bilhões), sinal de um investidor estrangeiro mais cauteloso com emergentes em meio à aversão a risco global. Há divergência clara entre as casas sobre até onde vai o ciclo de corte da Selic em 2026: BTG, Santander, Bradesco e Itaú BBA projetam a taxa terminal em 13,75%; XP, C6, BofA e Goldman Sachs trabalham com 14%; enquanto Genial, Citi, ASA e HSBC apostam em manutenção nos atuais 14,25%. A surpresa baixista do IPCA-15 desta manhã tende a fortalecer o campo mais dovish dessa divisão.

Empresas

  • Brava Energia (BRAV3): a companhia reapresentou o edital da OPA da Ecopetrol pelo controle da empresa, com novo leilão marcado para 5 de agosto, às 15h, preço de R$ 23,00 por ação sem correção monetária e liquidação financeira 8 dias úteis depois. O Cade já aprovou a operação e o conselho da Brava recomendou a aceitação da oferta em 24 de julho.

🌎 Global

Dados econômicos

Wall Street fechou a véspera mista: o Dow Jones subiu 0,51%, a 52.210,08 pontos, favorecido pelo petróleo mais fraco; o S&P 500 ficou praticamente estável, +0,02%, a 7.413,18; e o Nasdaq recuou 0,18%, a 24.932,08, pressionado pelo tombo de quase 5% da Nvidia em meio ao temor de financiamento circular na cadeia de IA. Os futuros desta manhã mostram divergência marcada: Dow +0,7% a +0,73%, S&P quase estável (+0,03%) e Nasdaq 100 caindo entre 0,8% e 1%, com o VIX subindo a 18,83. Nos Estados Unidos, sai hoje a confiança do consumidor, e a temporada de balanços segue intensa, com Boeing, Coca-Cola, UPS e Corning hoje, além de Barclays e Rio Tinto no Reino Unido, e Visa e Ford após o fechamento americano.

Política

O Federal Reserve começou hoje sua reunião de dois dias, com decisão amanhã, a segunda sob o comando de Kevin Warsh, que já deixou claro não gostar de forward guidance tradicional. Isso deixa o mercado dividido sobre se haverá sinalização para uma eventual alta em setembro: a expectativa majoritária segue de manutenção da taxa entre 3,50% e 4,00%, mas as probabilidades embutidas para um aperto em setembro já sobem a cerca de 82% no CME FedWatch. Em paralelo, a Casa Branca prepara encontros ligados à guerra na Ucrânia, com Zelensky mais cauteloso desta vez após o desgaste do encontro anterior no Salão Oval, e ao Oriente Médio, onde a trégua entre Irã e Estados Unidos completa três dias sem sinal de escalada nas frentes secundárias.

Geopolítica e commodities

O epicentro da aversão a risco global é a cadeia de semicondutores: o Kospi despencou entre 10,8% e 11,3%, acionando circuit breaker pela oitava vez no ano, com Samsung Electronics caindo 13,4% (pior dia em quase duas décadas) e SK Hynix, 14,7%; o Nikkei recuou cerca de 4% e Xangai cedeu 1,2%, enquanto Hong Kong foi na contramão, com o Hang Seng subindo 0,4%. O gatilho foi duplo: o avanço chinês em chips domésticos de IA, com Pequim pressionando sua indústria a abandonar fornecedores estrangeiros, e a reportagem do Wall Street Journal sobre o mecanismo de financiamento bilionário entre Nvidia e OpenAI, que acendeu o alerta sobre uma bolha de "financiamento circular" no setor. No petróleo, o Brent perde entre 2,5% e 3,7% hoje, para a faixa de US$ 84 a 86, e o WTI recua para US$ 80-81, com a trégua Irã-EUA (terceiro dia) seguindo como o principal motor da queda, que já soma cerca de 10% desde a semana passada. O ouro cede para a faixa de US$ 4.024 a 4.046 (dólar mais forte), a prata cai para US$ 57,47-57,68 e o cobre recua a US$ 6,29-6,31 a libra. O Bitcoin caiu para cerca de US$ 63.000, refletindo a aversão a risco na cadeia de tecnologia; o DXY sobe marginalmente, perto de 101,4, e as Treasuries de 10 anos operam em 4,61%-4,63%, no terceiro pregão seguido de queda, com as de 2 anos em 4,29%-4,31%.

📅 Agenda do dia

  • Brasil: IPCA-15 de julho, prévia da inflação oficial — catalisador-mãe do dia, já divulgado em 0,06% pelo IBGE.
  • Brasil: Petrobras divulga o Relatório de Produção e Vendas do 2º trimestre após o fechamento do mercado.
  • Brasil: mercado deve repercutir nova pesquisa presidencial da Atlas Intel para a corrida de 2026.
  • Global: confiança do consumidor americano (Conference Board).
  • Global: Federal Reserve inicia reunião de política monetária de dois dias, com decisão amanhã às 15h de Brasília.
  • Global: balanços de Boeing, Coca-Cola, UPS e Corning (EUA); Barclays e Rio Tinto (Reino Unido); Visa e Ford após o fechamento.
  • Próximas datas-chave: decisão do Fed amanhã (29/07); Meta e Microsoft reportam balanço quarta-feira; Amazon e Apple, quinta-feira; PCE americano sai quinta-feira; Copom decide em 4-5 de agosto.

Fontes: Morning Call XP (youtube.com/watch?v=QExxg6zCbto), Morning Call BTG Pactual (youtube.com/watch?v=4oqQgXSG6mw), Minuto Touro de Ouro/Pablo Spyer (youtube.com/watch?v=OL-bUcXn2TI), CNBC (cnbc.com/2026/07/28/daily-open-ai-boom-chip-selloff-sk-hynix, cnbc.com/2026/07/28/oil-price-today-wti-brent-us-iran-hormuz), Money Times (moneytimes.com.br), InfoMoney (infomoney.com.br/mercados/ipca-15-petrobras-confianca-consumidor-agenda-28072026), Rio Times (riotimesonline.com/brazils-financial-morning-call-for-tuesday-july-28-2026, riotimesonline.com/brazil-markets-ibovespa-the-real-july-28-2026), Atlas Público/ADVFN (Brava Energia/Ecopetrol), Trading Economics, Fortune, Yahoo Finance.