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Colagem dramática de um petroleiro sob céu que clareia, um pregão em alta ao amanhecer e o Congresso Nacional ao fundo, com faixa escura no topo para a manchete

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Café com Mercado — Segunda, 27/07/2026

09:30 BRT

Trégua entre EUA e Irã derruba o petróleo e resgata bolsas globais, mas o Ibovespa fecha sexta abaixo dos 175 mil pontos às vésperas do FOMC e no fim das convenções partidárias.

Overview

Wall Street amanhece em compasso de alívio depois que Washington e Teerã suspenderam, desde sexta-feira, a sequência de quase duas semanas de ataques mútuos no Golfo e no estreito de Ormuz — uma trégua informal que a China tenta consolidar em negociações retomadas no Paquistão. O efeito mais visível é o desabamento do petróleo: o Brent, que tocara US$100 na semana passada, chegou a cair quase 12% intraday nesta manhã e opera na faixa de US$85-90, com o WTI recuando cerca de 8%. O alívio geopolítico contamina os futuros em Nova York (S&P 500 subindo perto de 0,9%, Nasdaq-100 avançando cerca de 1,5%), a Ásia — que reverteu o tombo de sexta, com Kospi e Nikkei em alta e Xangai subindo 1,15% — e a Europa, com Frankfurt liderando alta superior a 1,5%. Mas a trégua tem fissuras: a Arábia Saudita atacou posições houthis no Iêmen no fim de semana, em retaliação a ataques a petroleiros sauditas no Mar Vermelho, e a Ucrânia atingiu uma embarcação comercial iraniana no Cáspio — sinal de que o conflito migrou de frente em vez de terminar. A semana ainda reserva o teste decisivo para o apetite por risco: o Federal Reserve decide juros na quarta-feira, na segunda reunião sob Kevin Warsh, que vem dispensando o forward guidance tradicional em favor de um compromisso duro contra a inflação; o PCE só sai na quinta, já fora da janela da decisão. Meta e Microsoft reportam balanço na quarta, Amazon e Apple na quinta — testando se as gigantes de tecnologia sustentam o capex de inteligência artificial depois do fluxo de caixa livre negativo, inédito, da Alphabet no trimestre.

No Brasil, o Ibovespa fechou sexta-feira em queda de 1,52%, a 174.042 pontos, voltando a operar abaixo do patamar psicológico de 175 mil pontos — puxado pelo bloco financeiro e por Petrobras, pressionada pelo tombo do petróleo; na semana, o índice ficou praticamente estável (+0,19%). Nesta segunda, os futuros locais abrem em alta modesta, perto de 175.300 pontos, no mesmo embalo externo, com o dólar perto de R$5,08. O Relatório Focus divulgado nesta manhã trouxe leitura mista: a mediana do IPCA de 2026 recuou de 5,15% para 5,12%, mas as projeções de 2027 e 2028 seguem se desancorando, subindo a 4,22% e 3,80%, respectivamente — processo que o próprio Banco Central já trata como motivo de cautela e que reflete tanto o choque de petróleo quanto dúvidas fiscais sobre o próximo governo, a partir de 2027. É a última semana de convenções partidárias e do recesso do Congresso: o PL homologou no sábado a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, com a presença do argentino Javier Milei, ainda sem vice definido; o PSD confirmou Ronaldo Caiado, com Gilberto Cassab na chapa. No mercado corporativo, o fim de semana trouxe o parecer favorável do conselho da Brava Energia à oferta da Ecopetrol pelo controle da companhia, e a precificação do follow-on da ISA Energia. O Copom só volta a se reunir no início de agosto; a Selic segue em 14,25%.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

A Confiança do Consumidor da FGV recuou pelo terceiro mês seguido, a 88,3 pontos (ante 88,7 em junho, abaixo do consenso de 88,5) — piora concentrada na avaliação sobre o presente. O próprio Focus manteve a Selic projetada em 14% para o fim de 2026 (ante os 14,25% correntes) e o dólar em R$5,20, sinal de que o mercado vê espaço limitado para cortes adicionais enquanto a inflação de 2027-28 segue desancorando. Amanhã sai o IPCA-15, prévia da inflação de julho, seguido da balança comercial; a semana ainda traz o Caged e o IGP-M na quinta.

Política

O fim de semana consolidou o tabuleiro eleitoral: o PL homologou, na convenção de sábado, a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, com a presença de aliados como o presidente argentino Javier Milei — ainda sem vice definido, prazo que corre até 5 de agosto, quando se encerram as convenções, com registro oficial no TSE em 15 de agosto. O PSD homologou Ronaldo Caiado, com Gilberto Cassab como vice, e Romeu Zema também foi confirmado como candidato por seu partido, sem chapa fechada ainda. O Datafolha divulgado na sexta à noite — com campo anterior à consolidação da reconciliação entre Michelle e Flávio Bolsonaro — mostrou Lula com 48% no segundo turno contra 43% de Flávio, estabilidade ante junho; mas uma pesquisa BTG Nexus divulgada nesta manhã já aponta empate técnico, 47% a 43%, evidenciando o quanto o resultado eleitoral segue em aberto. O Congresso retoma os trabalhos em 3 de agosto, mas dois terços do Senado e os 513 deputados devem se concentrar em construir base eleitoral em seus estados, esvaziando a pauta em Brasília no segundo semestre.

Mercado

Há divergência clara entre as casas sobre o ritmo dos juros dos dois lados do Equador. O BTG projeta um Fed mais duro que o consenso — três altas ao todo, sendo duas ainda em 2026 e uma em 2027 — e, no lado doméstico, ainda vê espaço para dois cortes cautelosos da Selic este ano, até 13,75%, destoando da mediana do Focus, que trava a taxa em 14% ao fim do ciclo. Entre os bancos, o Bradesco BBI mantém o Itaú Unibanco como preferida do setor (8,8x P/L 2026, dividend yield de 8,2%) e cortou os alvos de Banco do Brasil (para R$20, neutro) e Santander Brasil (para R$29, neutro), enquanto o Itaú BBA elegeu BTG Pactual, Bradesco e Nubank como preferidas para o segundo semestre e elevou o preço-alvo de WEGE3 a R$50, apostando em recuperação. Já a XP defende que o Brasil segue como alternativa de rotação para investidores globais incomodados com a geração de caixa da tese de inteligência artificial — a casa destaca o retorno do capital estrangeiro em julho (fluxo líquido de R$4,6 bilhões no mês, R$38 bilhões acumulados no ano) e recomenda tratar a renda variável com o mesmo peso da renda fixa na alocação, dada a assimetria de custo de oportunidade caso os juros comecem a cair.

Empresas

  • Brava Energia (BRAV3): conselho de administração deu parecer favorável à oferta pública da Ecopetrol pelo controle da companhia, em comunicado divulgado na noite de sexta-feira, após o fechamento do mercado.
  • ISA Energia (ISAE4): precificou follow-on a R$27 por ação — desconto de cerca de 5% sobre o fechamento anterior —, dobrou o tamanho da oferta para 44,4 milhões de ações preferenciais e captou R$1,2 bilhão; os novos papéis passam a negociar na B3 nesta segunda-feira.

🌎 Global

Dados econômicos

Na China, o lucro industrial subiu 15,1% em junho ante igual mês de 2025, puxado pela manufatura ligada à inteligência artificial, mas em ritmo mais lento que os 21,1% de maio; no acumulado do primeiro semestre, o avanço foi de 18,7%, levemente abaixo do 18,8% até maio. Nos Estados Unidos, a semana traz pedidos de bens duráveis e o índice de manufatura do Fed de Dallas hoje, PCE e PIB do segundo trimestre na quinta — depois da decisão do Fed. No Japão, o iene voltou a fraquejar acima de 163 por dólar, perto de mínimas de décadas, às vésperas do CPI japonês e da decisão do BoJ na sexta-feira; o Banco da Inglaterra também decide juros na quinta.

Política

O Federal Reserve decide juros na quarta-feira, na segunda reunião sob a presidência de Kevin Warsh, que abandonou o forward guidance tradicional em favor de uma comunicação mais enxuta — a leitura predominante é que o comitê mantém a taxa parada, mas o compromisso duro contra a inflação preserva o viés de alta para o restante do ano. O PCE, medida de inflação preferida do Fed, só sai na quinta-feira, portanto fora da janela desta decisão.

Geopolítica e commodities

A trégua entre Estados Unidos e Irã, em vigor desde sexta-feira após quase duas semanas de bombardeios recíprocos no estreito de Ormuz, é o que move os mercados hoje: o comando central americano recomendou suspender a campanha por considerar os alvos iranianos designados praticamente esgotados, e Teerã sinalizou reciprocidade em meio a uma mediação chinesa que tenta reatar negociações no Paquistão. O resultado imediato foi o desabamento do Brent, que chegou a cair quase 12% intraday e voltou a operar na faixa de US$85-90, depois de ter tocado US$100 na semana passada — o WTI recuou cerca de 8% no mesmo movimento. A trégua, porém, não eliminou os riscos: a Arábia Saudita atacou posições houthis no Iêmen neste fim de semana, em resposta a ataques a petroleiros sauditas no Mar Vermelho, e a Ucrânia atingiu uma embarcação iraniana no Cáspio, sinalizando que a tensão migrou para outras frentes sem desaparecer. Os dois pontos que travam uma paz mais duradoura — quem administra o estreito de Ormuz e o dossiê nuclear iraniano — seguem sem solução, o que deve manter um prêmio de risco no barril mesmo com o alívio de hoje. O ouro sobe para perto de US$4.100, e o minério de ferro em Dalian recuou levemente, cerca de 0,3%.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 09:00 — Vivo (Telefônica Brasil) divulga resultado do segundo trimestre.
  • Terça — IPCA-15, prévia da inflação de julho (IBGE), e balança comercial.
  • Quinta — Caged (emprego formal) e IGP-M.

Global:

  • 15:00 — decisão de juros do Federal Reserve (FOMC), segunda reunião sob Kevin Warsh; Meta e Microsoft reportam balanço.
  • Quinta — Amazon e Apple reportam balanço; PCE e PIB do 2º trimestre dos EUA; decisão do Banco da Inglaterra.
  • Sexta — decisão do Banco do Japão; CPI japonês.

Próximas datas-chave: Copom no início de agosto; fim das convenções partidárias em 5/8; registro de candidaturas no TSE em 15/8.

Fontes: Morning Call XP, BTG Pactual, Minuto Touro de Ouro (Pablo Spyer); InfoMoney (Ibovespa), InfoMoney (Galípolo/Copom), InfoMoney (Bradesco BBI), BPMoney (Itaú BBA), Money Times (Focus), Seu Dinheiro (Datafolha), Metrópoles (reconciliação), Fortune (petróleo), Washington Post (trégua Irã), Fool (Fed/Warsh), Seu Dinheiro (ISA Energia).