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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Café com Mercado — sexta, 19/06/2026

10:00 BRT

O mercado digere o veredito do Copom — real fraco e curva mais inclinada — em pregão de liquidez fina, com EUA e China fechados, vencimento de opções e o adiamento da cerimônia EUA-Irã na Suíça no radar.

Overview

A semana foi forte em Wall Street, mas o calendário esvazia o pregão de hoje. Os Estados Unidos estão fechados pelo feriado de Juneteenth, e China e Hong Kong não operam por causa do Barco-Dragão. Liquidez fina, portanto. O que dita o humor lá fora é a virada de tom do Fed. Na estreia de Kevin Warsh, o banco central americano endureceu o discurso, e o mercado já precifica como certa uma alta de juros nos EUA ainda este ano. Os juros dos Treasuries subiram e o índice do dólar voltou a operar acima de 100. Nas commodities, o petróleo ignorou o ruído geopolítico: a ida do vice JD Vance à cerimônia do acordo EUA-Irã na Suíça foi adiada, mas o Brent seguiu abaixo de US$80, sinal de que o prêmio de guerra já se desfez.

O Brasil foi na contramão. O mercado leu o comunicado do Copom — que cortou a Selic para 14,25% mesmo com as projeções de inflação acima da meta — como leniente. O resultado foi um real fraco e uma curva de juros mais inclinada. O dólar subiu 1,32%, a R$5,1752, e o real foi a pior moeda emergente do dia. A ponta curta da curva cedeu, mas os vértices longos abriram: o corte de hoje, lido como tolerância maior com a inflação, encareceu o juro de amanhã. No radar, a ata do Copom (24/6) deve calibrar a aposta sobre o fim do ciclo. Hoje, sessão técnica, com vencimento de opções e uma pesquisa Datafolha a caminho.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

A agenda doméstica está vazia hoje. O IPCA-15 de junho só sai por volta do dia 25. O retrato mais recente vem do Focus de 8 de junho: IPCA de 2026 em 5,11%, Selic terminando o ano em 13,50% e PIB de 1,91%. Mesmo após o corte, o Brasil mantém o maior juro real do mundo, perto de 9%. É esse o pano de fundo que sustenta o fluxo para a renda fixa local.

Política

A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, respingou no Senado. A apreensão de US$49 mil e 13 relógios foi associada ao senador Jaques Wagner (PT-BA), que nega ter recebido vantagens. Lula prestou solidariedade. Em paralelo, tramita a PEC da autonomia do Banco Central, e o relator, da oposição, afirma que Wagner nunca tratou do tema. O ruído alimenta a leitura, repetida nas mesas, de que cortar juros com a inflação ainda fora da meta reacende o temor de ingerência política no BC em ano eleitoral. É parte do que pressionou o real e abriu a ponta longa da curva. A pesquisa Datafolha esperada para hoje entra no mesmo eixo de 2026.

Mercado

O Ibovespa fechou ontem em 168.278 pontos (−0,10%), de lado, ignorando a alta de Nova York. O destaque foi o câmbio e a curva, não o índice. Há divergência clara entre as casas sobre o fim do ciclo de cortes. O BTG é categórico: o ciclo acabou, não se deve esperar novo corte, e o comunicado trouxe "mais ruído do que sinal". O Itaú BBA vê espaço para novos cortes, com a Selic em 13,75% no fim do ano, e o Safra projeta 13,50%. A XP não crava o fim do ciclo. Lê o comunicado como equilibrado, com o BC esticando o horizonte relevante para abrir espaço ao corte, mas adota o lema de "juros altos por mais tempo" e alerta para revisão de lucros para baixo. O Goldman Sachs aponta o descompasso entre afrouxar a política e piorar as projeções. As duas mesas concordam num ponto: o mercado leu o comunicado como brando, e foi isso que moveu os preços. No técnico, a XP vê o Ibov apoiado na média de 200 dias e sugere compra cautelosa, em meio à saída de fluxo estrangeiro.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Brava Energia (BRAV3) — a OPA da Ecopetrol (R$23,00 por ação) segue suspensa. A Ecopetrol recorreu ao colegiado da CVM, e o leilão de 25/6 e a liquidação de 7/7 foram adiados sem nova data.
  • Braskem (BRKM5) — despencou −10,27%, a R$7,51, mínima do ano. A Justiça Federal de Alagoas tornou a empresa ré pelo afundamento do solo em Maceió, e credores resistem ao plano de reestruturação extrajudicial com a IG4 Capital.
  • WEG (WEGE3) — subiu +4,59%, a R$45,81, após aprovar R$438,1 milhões em juros sobre capital próprio (R$0,10 por ação; data-base 19/6, "ex" em 22/6).
  • Copasa (CSMG3) — entre as maiores altas, depois de o BTG retomar a cobertura com potencial de +44% no cenário de privatização.

🌎 Global

Dados econômicos

No Japão, o CPI de maio veio em linha. O núcleo, que exclui alimentos frescos, subiu 2,1% na comparação anual, o 26º mês seguido acima da meta de 2% do banco central. A inflação ao produtor japonesa acelerou para 6,3%. No Reino Unido, as vendas no varejo de maio surpreenderam: +1,2% no mês, ante expectativa de +0,5%. Com os EUA fechados, não há dados americanos hoje.

Política

A virada do Fed domina. Após a primeira reunião sob Warsh, o mercado passou a precificar 100% de chance de alta de juros nos EUA ainda este ano. O juro de 2 anos está na máxima de mais de um ano, e o de 10 anos ronda 4,45%–4,50%. O Banco da Inglaterra manteve a taxa em 3,75%, agora com dois votos por alta. O Banco do Japão, que já elevou os juros a 1%, segue na normalização gradual. Amanhã, a China divulga a LPR, com consenso de manutenção.

Geopolítica e commodities

O acordo provisório entre EUA e Irã já está assinado, mas a cerimônia presencial na Suíça, que daria início às negociações definitivas, foi adiada. O vice JD Vance não viajou, sob alegação de questões logísticas. BTG e Pablo Spyer ligaram o adiamento à tensão remanescente entre Israel e o Hezbollah no Líbano, que ameaça o prazo de 60 dias do acerto definitivo. O petróleo, porém, não reagiu: o Brent caiu para US$79,4, e o tráfego em Ormuz volta a fluir — passaram 12,5 milhões de barris entre quarta e quinta, ante 20 milhões por dia antes do conflito. O dólar forte derrubou o ouro para perto de US$4.200. O Bitcoin ficou parado, ao redor de US$62 mil.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • Agenda de indicadores vazia.
  • Vencimento de opções sobre ações e índice na B3 — o catalisador técnico do dia.
  • Pesquisa Datafolha esperada ao longo do dia.
  • Próximas datas-chave: ata do Copom (24/6) e IPCA-15 (~25/6).

Global

  • EUA fechados (Juneteenth): sem pregão de ações e de Treasuries.
  • China e Hong Kong fechadas (Barco-Dragão).
  • Sábado (20/6): China divulga a LPR.
  • Próximas datas-chave: PCE dos EUA no fim do mês.

Fontes: morning calls XP, BTG e Pablo Spyer (transcritos); Money Times, InfoMoney, Investing.com, DGABC, Bom Dia Mercado, Diário do Comércio, Bloomberg, Reuters, CNBC, Al Jazeera, Trading Economics.