quinta-feira, 18 de junho de 2026
Café com Mercado — quinta, 18/06/2026
10:15 BRT
A Superquarta entregou divergência: o Copom cortou a Selic a 14,25% com a porta entreaberta, o Fed de Warsh manteve juros mas sinalizou alta, e o petróleo abaixo de US$80 virou o contrapeso.
Overview
A Superquarta cumpriu o roteiro nos níveis, mas inverteu os sinais. Nos Estados Unidos, o Fed manteve a faixa de 3,50%–3,75% por unanimidade, na estreia de Kevin Warsh no comando. O recado, porém, foi de viés contracionista. O novo quadro de projeções elevou a mediana da taxa de fim de 2026 de 3,4% para 3,8%, e nove dos dezoito membros passaram a ver ao menos uma alta este ano. A reação se concentrou na renda fixa. O Treasury de 2 anos saltou cerca de 16 pontos-base, a 4,21%, máxima em mais de um ano. O dólar firmou-se no mundo, com o índice DXY rompendo 100. O contrapeso veio do petróleo: o Brent caiu pela quinta sessão seguida, para perto de US$79, mínima em três meses, à espera da assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã, marcada para sexta na Suíça.
No Brasil, o Copom foi na direção oposta e cortou a Selic em 0,25 ponto, para 14,25%, em decisão unânime. Foi o terceiro corte do ano. O comunicado endureceu o diagnóstico. Citou inflação corrente e expectativas piores, atividade ainda resiliente e estímulos fiscais no balanço de riscos. Ainda assim, não fechou a porta para novos cortes. O Banco Central elevou a projeção de IPCA de 2026 para 5,2%, acima do teto, e estendeu o horizonte relevante para o primeiro trimestre de 2028, onde projeta 3,7%, ainda longe da meta de 3%. Fica a pergunta que comanda o pregão de hoje: este foi o último corte ou ainda há um pela frente? O câmbio sob dólar forte e o ruído fiscal no Congresso entram na conta.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
A prévia do PIB pelo IBC-Br subiu 0,50% em abril, abaixo do esperado. O número reforça o sinal de desaceleração que o próprio Copom usou para justificar o corte, ao citar evidências de transmissão da política monetária sobre a atividade. No Focus pré-decisão, a mediana de IPCA para 2026 estava em 5,30%, acima do teto, e a de 2027, em 4,10%. As projeções do comunicado vieram piores que as anteriores, com o câmbio do modelo revisado de R$5,00 para R$5,10.
Política
O risco fiscal voltou ao radar do Banco Central. O Senado aprovou a renegociação de dívidas do agronegócio, com custo estimado em até R$81,6 bilhões. O texto foi uma derrota do governo e seguiu para a Câmara. O comunicado do Copom citou os desenvolvimentos da política fiscal doméstica no balanço de riscos. No comércio exterior, segue indefinido o tarifaço de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, com prazo no radar para 15 de julho. Lula participou do G7 e voltou a falar em buscar novos mercados.
Mercado
Há divergência clara entre as casas sobre o fim do ciclo de corte. O Ibovespa fechou a quarta em queda de 0,70%, aos 168.454 pontos, ainda sob o efeito do Fed, e o dólar subiu a R$5,11. Nesta manhã a moeda abriu perto de R$5,09, e os futuros lá fora vinham em alta com o alívio do petróleo. A curva curta de juros cedeu após o Copom, sinal de que o mercado leu o comunicado como menos fechado do que se temia.
Sobre o que vem adiante, as teses se separam. O BTG trabalha com o ciclo encerrado e leu a decisão como levemente branda na margem, com o Banco Central deixando uma fresta aberta. A XP ainda vê espaço para mais um corte de 0,25 em agosto, levando a Selic a 14,00%, mas atribui probabilidade quase igual a uma parada já agora. A Genial é a mais crítica e considera o corte um erro diante de um comunicado tão duro, resumindo o recado do BC como "parei, e se precisar, subo". O Itaú fica no extremo oposto, com Selic terminal em 13,75%. Curioso notar a inversão de rótulo: XP e Genial leem o documento como de viés duro, enquanto o BTG o lê como brando. Concordam no conteúdo, divergem no que ele sinaliza. No posicionamento, o BTG defende carteira defensiva, com bancos e elétricas, e aponta saída de capital estrangeiro como o principal risco se o dólar forte drenar apetite por emergentes.
Empresas (IPO / M&A / OPA / default)
- Brava (BRAV3) — A CVM suspendeu a OPA da Ecopetrol, de R$23 por ação, por tratamento desigual entre acionistas. A B3 cancelou o leilão que estava marcado para 25/6. A Ecopetrol informou que vai recorrer.
- Ultrapar (UGPA3) — Companhia aprovou programa de recompra de até 18 milhões de ações.
🌎 Global
Dados econômicos
Os pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos somaram 226 mil na semana, perto da estabilidade. No Reino Unido, a inflação ao consumidor surpreendeu para baixo, a 2,8%, abaixo dos 3% esperados.
Política
O Fed manteve juros, mas mudou o tom. Warsh retirou o viés de flexibilização e anunciou cinco forças-tarefa para revisar comunicação e balanço da instituição. O próprio presidente relativizou o quadro de projeções, o que parte do mercado leu como motivo para não superestimar o sinal de alta. Ainda assim, os contratos passaram a embutir chance de aperto já em outubro. No Reino Unido, o Banco da Inglaterra manteve a taxa em 3,75%, em votação de 7 a 2, com dois membros pedindo alta.
Geopolítica e commodities
O petróleo é o grande alívio do quadro externo. O Brent recuou pela quinta sessão, para perto de US$79, com a expectativa de mais oferta após o acordo entre Estados Unidos e Irã. A assinatura do memorando está marcada para sexta-feira, na Suíça, e prevê a reabertura do Estreito de Ormuz. O fluxo de navios ainda opera muito abaixo do normal, e a normalização deve levar semanas. O dólar forte pesou sobre os metais, e o ouro recuou para a faixa de US$4.250 a US$4.300. O Bitcoin manteve-se perto de US$66 mil. Vale a nota de calendário: a Bolsa de Nova York fica fechada na sexta pelo feriado de Juneteenth.
📅 Agenda do dia
Brasil:
- Digestão do resultado do Copom; a Ata sai na terça, 24/6.
- Leilão de rolagem de swap cambial do Banco Central.
Global:
- 09:30 (já divulgado) — Pedidos de seguro-desemprego nos EUA (226 mil).
- Repercussão do FOMC e do quadro de projeções; falas de dirigentes do Fed.
- Sexta, 19/6 — EUA fechados (Juneteenth) e assinatura do acordo EUA-Irã na Suíça.
- Próximas datas-chave: Ata do Copom (24/6); prazo do tarifaço dos EUA (15/7); próximo Copom (28–29/7).
Fontes: XP Morning Call, BTG Pactual, Genial, Pablo Spyer; Bloomberg Línea, Seu Dinheiro, CNBC, Fortune, Investing, Senado.
