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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Café com Mercado — quarta, 17/06/2026

10:20 BRT

Superquarta domina a sessão — Copom (18h30) e Fed (15h, estreia de Warsh) decidem juros com o mercado dividido entre o último corte e a pausa; petróleo abaixo de US$ 80 e a queda do minério moldam o pano de fundo.

Overview

Lá fora a sessão é de cautela calibrada antes do Fed. Os futuros de Nova York chegam mistos — Dow perto da máxima histórica, S&P 500 de lado e Nasdaq levemente negativo, numa digestão do rali da véspera. O que comanda o humor é o petróleo: o Brent cai pela quinta sessão rumo a US$ 78, menor nível desde março, com o WTI perto de US$ 76,5. A assinatura formal do acordo entre Washington e Teerã está marcada para sexta, em Genebra, e a reabertura gradual do Estreito de Ormuz drena o prêmio geopolítico do barril. No pano de fundo seguem o Banco do Japão a 1,0% (maior nível desde 1995), com o iene tensionado perto de 160/US$, e dados fracos da China, onde o varejo recuou pela primeira vez em mais de três anos.

No Brasil, o mercado opera em compasso de espera diante da Superquarta. O Copom decide a Selic às 18h30 e o FOMC sai às 15h, na estreia de Kevin Warsh no comando do Fed. A curva de juros precifica um último corte, mas a deterioração do Focus — Selic terminal de 2026 em 13,75% e IPCA do ano em 5,30%, acima do teto da meta — manteve viva a tese de pausa. Some-se a isso a frente fiscal, com a renegociação das dívidas rurais aprovada no Senado, e o prazo do tarifaço americano em 15 de julho. O IBC-Br de abril, prévia do PIB, abre a agenda doméstica.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O IBC-Br de abril, indicador de atividade do Banco Central, é o destaque da manhã como prévia do ritmo do PIB no segundo trimestre. A XP projetava avanço de 0,5% na margem e de 1,4% na comparação anual, leitura ainda compatível com uma economia resiliente. Na inflação ao produtor, o IGP-10 de junho recuou 0,30% (FGV), aliviado pela commodity e pelo câmbio mais comportado.

Política

A frente fiscal volta ao centro. O Senado aprovou a renegociação das dívidas rurais, que segue agora para a Câmara. A Fazenda estima custo de até R$ 140 bilhões e o governo ameaça vetar. A Frente Parlamentar da Agropecuária rebate o rótulo de novo refis e calcula impacto de R$ 65 bilhões em treze anos. No comércio exterior, segue de pé o prazo de 15 de julho para o tarifaço de 25% dos Estados Unidos, com Brasília articulando uma saída negociada. No tabuleiro eleitoral, pesquisa Vox Brasil aponta Lula com 47,8% contra 41,3% de Flávio Bolsonaro em simulação de segundo turno.

Mercado

O Ibovespa chega à Superquarta sem direção, depois de perder fôlego nas últimas sessões: a leitura técnica do BTG aponta os 175 mil pontos como resistência não confirmada e os 167 mil (média de 200 dias) como suporte. O real oscila em torno de R$ 5,07, à espera das decisões. É no Copom que está a divergência clara entre as casas. A curva de juros embute cerca de 80% de chance de um corte de 0,25 ponto (para 14,25%) contra 20% de manutenção. De um lado, XP (cenário-base de Selic a 14,00% no fim do ano), BTG, Itaú e J.P. Morgan defendem que cabe um último corte, com a política ainda restritiva e o alívio do petróleo a favor. De outro, Warren, Pilar e Ipê argumentam que cortar com a inflação acima da banda e expectativas em deterioração sinalizaria tolerância maior com os preços, e que o efeito do barril mais barato chega defasado. A CNI engrossa o coro pró-corte, lembrando que o juro real perto de 10% é o dobro do neutro.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Brava (BRAV3) — A OPA da Ecopetrol a R$ 23/ação tem leilão marcado para 25/06; a B3 suspendeu o prazo do parecer do conselho após exigências da CVM.
  • Braskem (BRKM5) — Ações pressionadas depois de a companhia se tornar ré em ação relativa ao afundamento do solo em Maceió.
  • Petrobras (PETR4) — Anúncio de juros sobre capital próprio com componente atrelado ao patamar elevado da Selic.
  • CSN (CSNA3) — Avança na venda de ativos de infraestrutura e de fatia na CSN Cimentos para reduzir a alavancagem.
  • Auren (AURE3) — Comprou 23,03% da Dona Francisca Energética (hidrelétrica de 125 MW no RS) da Copel por R$ 150 milhões, sujeito ao Cade.

🌎 Global

Dados econômicos

Os juros longos americanos seguem firmes: o Treasury de 2 anos ronda 4,07%, o de 10 anos 4,43% e o de 30 anos perto de 4,97%, num repricing que tira espaço para um tom suave do Fed. O DXY anda de lado em torno de 99,6. Na agenda, as vendas no varejo de maio nos EUA saem às 9h30. Na China, o quadro decepcionou: o varejo caiu pela primeira vez em mais de três anos e a produção industrial mal superou o esperado, reforçando um segundo trimestre mais fraco.

Política

O FOMC decide às 15h e o mercado precifica cerca de 96% de manutenção do intervalo de 3,50% a 3,75%. O foco real está no dot plot e na primeira coletiva de Kevin Warsh às 15h30: cresce a aposta de que o comitê retire o único corte que ainda figurava nas projeções de março, e há quem veja pontos sinalizando alta. Qualquer aceno à pressão de Trump por cortes seria lido como risco à independência do Fed. No Japão, o BoJ subiu o juro a 1,0% na véspera e o iene perto de 160/US$ mantém viva a discussão sobre o desmonte do carry trade.

Geopolítica e commodities

O petróleo é o eixo do dia: o Brent acumula a quinta queda seguida rumo a US$ 78, com o prêmio do conflito praticamente evaporado diante da assinatura do acordo EUA-Irã prevista para sexta, em Genebra, e da reabertura gradual de Ormuz. O efeito é desinflacionário e dá fôlego aos bancos centrais. Nos metais, o ouro se estabiliza perto de US$ 4.333/oz e o cobre opera próximo de recorde, ao redor de US$ 6,51/lb. O minério de ferro caiu cerca de 2,5% em Dalian na madrugada, pressionando as siderúrgicas. O bitcoin consolida em torno de US$ 65,8 mil, à espera do Fed.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 09:00 — IBC-Br de abril, prévia do PIB (BCB).
  • 18:30 — Decisão do Copom sobre a Selic (BCB). Catalisador-mãe doméstico.

Global:

  • 09:30 — Vendas no varejo de maio nos EUA (Census).
  • 15:00 — Decisão do FOMC e projeções econômicas/dot plot (Fed). Catalisador-mãe externo.
  • 15:30 — Primeira coletiva de Kevin Warsh como presidente do Fed.

Próximas datas-chave: assinatura do acordo EUA-Irã em Genebra 19/06 (NYSE fechada pelo feriado de Juneteenth); leilão da OPA da Brava 25/06; prazo do tarifaço americano 15/07.

Fontes: Pablo Spyer (Jornal da Manhã/BandNews), Morning Call BTG Pactual, XP (Esquenta do Copom / News Xpress), InfoMoney, Money Times, Suno, Reuters, Barchart, Trading Economics, CME FedWatch e Federal Reserve.