terça-feira, 16 de junho de 2026
Café com Mercado — terça, 16/06/2026
09:50 BRT
Superquarta Copom-FOMC entra em campo; o Ibov vai na contramão, preso ao petróleo barato e ao Focus pior, e o mercado se divide entre o corte residual e a pausa.
Overview
O exterior chega à terça em compasso de espera. O risk-on que dominou a véspera — S&P 500 +1,65% e Nasdaq +3,07% em Nova York na segunda, no embalo do acordo EUA-Irã — deu lugar a futuros de lado nesta manhã, com o foco migrando do petróleo barato para o Federal Reserve. A surpresa veio de Tóquio: o Banco do Japão elevou o juro a 1,0%, o maior nível desde 1995, em decisão apertada de 7 a 1 e contra a vontade da primeira-ministra Sanae Takaichi. O Brent recuou para a casa dos US$81, mínima de cerca de dois meses, à espera da assinatura formal do acordo em Genebra na sexta. Começa hoje a dupla jornada de política monetária: Fed e Copom iniciam suas reuniões, com as decisões amanhã.
O Brasil entra na contramão. O Ibovespa caiu 0,42% na segunda, aos 170.415 pontos, descolado das máximas externas. A Petrobras seguiu o tombo do petróleo e pesou no índice. O real ronda os R$5,19, perto da máxima de dois meses, pressionado pelo dólar forte e pelo tarifaço americano no radar. O pano de fundo doméstico voltou a piorar com o Focus, e sobre ele entra a decisão do Copom de amanhã, com a Selic em 14,50% e o mercado dividido entre um corte residual e a manutenção. No campo político, a nova pesquisa BTG/Nexus mostra Lula à frente fora da margem de erro, e a sondagem CNT/MDA sai ainda hoje.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
A agenda de indicadores é vazia nesta terça. O destaque doméstico fica para o Boletim Focus divulgado na segunda, que trouxe a décima quarta revisão consecutiva para cima do IPCA de 2026, agora em 5,30%, contra 5,11% na semana anterior. A mediana para a Selic de fim de ano subiu de 13,50% para 13,75%, sinal de que o mercado vê menos espaço para cortes. O câmbio projetado passou de R$5,15 para R$5,20. A deterioração das expectativas é o argumento central de quem defende uma pausa no Copom de amanhã.
Política
A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus reordenou o tabuleiro. No segundo turno, Lula tem 49% contra 43% de Flávio Bolsonaro. É a primeira vez que o presidente lidera fora da margem de erro. No primeiro turno, a vantagem subiu de cinco para nove pontos. A aprovação do governo voltou ao terreno positivo pela primeira vez na série, 48% a 47%. A segurança pública virou o principal problema do país, com 33%, depois de os Estados Unidos classificarem PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Ainda hoje sai a pesquisa CNT/MDA, acompanhada de perto pelo mercado. No Congresso, o Senado aprovou a renegociação de dívidas de grandes produtores rurais, uma derrota para o governo. A conta pode chegar a R$180 bilhões, com recursos do Fundo Social do Pré-sal. Segue no radar o tarifaço de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, com prazo legal em 15 de julho.
Mercado
O Ibovespa fechou a segunda na contramão dos recordes externos, puxado para baixo pela Petrobras, que acompanhou o tombo de quase 5% do petróleo. Para a XP, ainda assim, o índice está barato a 8,5 vezes lucro, contra a média histórica de 10,5, e a casa segue comprada, apoiada na entrada da pessoa física. O foco real está no Copom de amanhã, e aqui há divergência clara entre as casas. De um lado, XP e a leitura de fluxo do Money Times já trabalham com manutenção em 14,50%: cortar com a inflação repicando passaria a mensagem errada. De outro, parte relevante da curva ainda precifica um corte residual de 0,25 ponto, para 14,25%. Pablo Spyer cita cerca de 75% de probabilidade de corte, e casas como Itaú, BTG e J.P. Morgan veem espaço para um último ajuste antes de encerrar o ciclo. O que aproximou os dois campos foi a piora do Focus. O desfecho ficou genuinamente em aberto.
Empresas (IPO / M&A / OPA / default)
- Braskem (BRKM5) — A IG4 assumiu o controle via fundo Shine I e protocolou OPA na CVM para as ações ON e PN. A oferta é em debêntures, não em dinheiro, o que frustrou parte do mercado.
- Brava Energia (BRAV3) — O leilão da OPA da Ecopetrol está marcado para 25/6, a R$23 por ação. O sucesso levaria a colombiana ao controle com 51%.
- SLC Agrícola (SLCE3) — A reavaliação de terras pela Deloitte apontou R$13,5 bilhões, reforçando o valor patrimonial e afastando risco para os dividendos.
- JBS — Paga hoje dividendo de R$1,00 por ação, a primeira distribuição após a dupla listagem na Bolsa de Nova York.
- Embraer (EMBR3) — Avançou cerca de 6% na véspera, após a Grécia aprovar a compra de três aeronaves militares.
🌎 Global
Dados econômicos
Nos Estados Unidos, as vendas no varejo de maio vieram firmes, o oitavo mês seguido de alta, sinal de um consumidor ainda resistente. O dado reforça o desconforto deixado pelo CPI de maio, que acelerou a 4,2% no acumulado em doze meses, máxima desde 2023, puxado pela energia. Na Europa, sai hoje o índice ZEW de expectativas da Alemanha. O quadro de inflação ainda pegajosa lá fora é o que sustenta a cautela dos bancos centrais.
Política
O grande evento é a estreia de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve, na reunião que começa hoje e decide amanhã. O mercado dá como quase certa a manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%. A atenção se volta ao quadro de projeções: parte dos investidores chegou a precificar viés de alta para este ano, probabilidade que recuou de 80% para 60% à medida que o petróleo cedeu. O Banco do Japão surpreendeu pela dureza, com o juro a 1,0%, maior patamar desde 1995, em decisão de 7 a 1 e contra a primeira-ministra Sanae Takaichi, com o iene perto de 160 por dólar. O Banco Central Europeu, que já subiu juros pelo choque de energia, segue no campo contracionista.
Geopolítica e commodities
O acordo entre Estados Unidos e Irã segue como o eixo das commodities. A assinatura formal está marcada para sexta-feira, em Genebra, e prevê a reabertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e o fim do bloqueio aos portos iranianos. O petróleo reagiu com a maior queda em meses: o Brent ronda os US$81 e o WTI, os US$80, vindos da casa dos US$120 no auge da guerra. A ressalva dos operadores é prática: a retomada plena de Ormuz pode levar até duas semanas por causa das minas no mar, e o texto do acordo ainda não foi divulgado. O ouro se manteve perto de US$4.330, ainda demandado como proteção. O Bitcoin operava ao redor de US$66 mil.
📅 Agenda do dia
Brasil:
- Manhã — Início da reunião do Copom; decisão amanhã, 17/6 (catalisador-mãe da semana).
- 11:00 — Divulgação da pesquisa eleitoral CNT/MDA.
- Dia — JBS paga dividendo de R$1,00 por ação.
Global:
- 06:05 — Índice ZEW de expectativas (Alemanha).
- Tarde — Início da reunião do FOMC; decisão amanhã, 17/6 (estreia de Warsh).
- Próximas datas-chave: decisões do Copom e do Fed amanhã (17/6); assinatura do acordo EUA-Irã em Genebra na sexta (19/6, NYSE fechada por Juneteenth); leilão da OPA da Brava em 25/6; prazo do tarifaço americano em 15/7.
Fontes: XP Morning Call, BTG Morning Call, Genial Morning Call, Pablo Spyer (Minuto Touro de Ouro), Money Times (Bolsa Hoje); InfoMoney, CNN Brasil, Seu Dinheiro, Reuters/Investing (BoJ), CNBC, NBC News, Yahoo Finance, Exame.
