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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Café com Mercado — quinta, 11/06/2026

10:18 BRT

Decisão do BCE domina a sessão; o exterior se recupera com o recuo do petróleo e a aposta de trégua no Golfo, enquanto o Senado aprova um pacote bilionário de pautas-bomba e o Brasil aguarda o IPCA de maio.

Overview

O humor externo melhorou na margem após o pregão pesado de quarta. Os Estados Unidos disseram ter concluído os ataques a alvos iranianos perto do Estreito de Ormuz, e fontes em Teerã sinalizam que a negociação para encerrar o conflito acelerou. Os investidores passaram a apostar que o pior da escalada ficou para trás. Os futuros americanos sobem (S&P 500 +0,7%, Nasdaq-100 +1,2%), as bolsas europeias avançam perto de 0,8% e o petróleo recua: o Brent cede para a casa dos US$ 92 depois de roçar US$ 95 na véspera. A virada, porém, tem um custo já contratado. O BCE entrega hoje sua primeira alta de juros desde 2023, com o depósito a 2,25%, em reação ao choque de energia que levou a inflação da zona do euro a 3,2%. O ouro perde força rumo a US$ 4 mil e o dólar segue na faixa de 100: o choque de oferta pressiona o juro real, não a demanda por proteção.

O Brasil entra na contramão desse alívio, ainda digerindo o golpe duplo de quarta. O Ibovespa caiu 0,7%, aos 168.619 pontos, pressionado pela escalada geopolítica e pela pesquisa Genial/Quaest, que pôs Lula à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno. A leitura eleitoral tensionou a curva de juros e ampliou a saída de estrangeiros. O ruído fiscal piorou: o Senado aprovou um pacote de pautas-bomba de impacto bilionário. No radar, duas decisões pesam. A superquarta do Copom (17/6, junto do FOMC) chega com o mercado dividido sobre se ainda há espaço para cortar a Selic de 14,50%. E o IPCA de maio sai amanhã, depois de o IPCA-15 furar o teto da meta, a 4,64% em doze meses.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O IPCA-15 de maio veio a +0,62%, acima do 0,53% esperado, e levou a inflação acumulada em doze meses a 4,64%, a primeira vez no ano acima do teto da meta, com a energia elétrica como maior pressão. O dado fecha o cerco para o IPCA cheio de maio, divulgado amanhã às 9h. Ainda hoje, o IBGE publica a produção de serviços de abril, para a qual o BTG projeta alta de 0,3% na margem.

Política

O governo levou nova derrota no Congresso. O Senado aprovou três medidas com impacto fiscal: renegociação de dívidas de produtores rurais, elevação do piso salarial dos médicos e afrouxamento da aposentadoria de agentes de saúde. A conta soma cerca de R$ 215 bilhões. A expectativa é de veto ou judicialização, já que o STF vedou gasto sem contrapartida de receita. No campo eleitoral, a Quaest mostrou Lula à frente no segundo turno, com 44% contra 38% de Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, são 39% a 29%. A vantagem saiu da margem de erro e bastou para empurrar os juros longos para cima. No comércio exterior, segue no radar a tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, com prazo até 15 de julho.

Mercado

No pregão de quarta, as petroleiras seguraram o índice. Petrobras e PRIO subiram com o petróleo e limitaram a queda, enquanto as cíclicas sensíveis a juros apanharam: Magalu recuou 6,7%, Natura 5,7% e Localiza perto de 4%. A curva de DI virou quase uma reta acima de 14%, com o Jan/27 a 14,5% e o Jan/31 a 14,82%, e o juro real beira 8%. Em junho, o estrangeiro já retirou R$ 3,41 bilhões da B3, embora siga positivo no ano. Há divergência clara entre as casas sobre quanto ainda resta do ciclo de corte da Selic. A XP mantém duas quedas de 0,25 ponto no cenário-base, mas com viés de baixa, porque o choque do petróleo pode tirar o espaço de uma economia ainda aquecida. O BTG vai além e diz que o Banco Central já deveria pausar, ainda que projete um último corte. O pano de fundo técnico é frágil: o BTG aponta o suporte do índice na média de 200 dias, em 166.482, não testada desde abril de 2025.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Brava (BRAV3) — a OPA da Ecopetrol a R$ 23 por ação tem leilão marcado para 25/6; se aprovada, a colombiana chega a 51% do capital.
  • CSN (CSNA3) — avançou com a venda da CSN Cimentos, negócio avaliado em até R$ 13 bilhões.

🌎 Global

Dados econômicos

O dado do dia nos Estados Unidos é o PPI de maio, às 9h30, que ganhou peso depois do CPI de ontem. A inflação ao consumidor veio a 4,2% em doze meses, em linha com o esperado, mas o núcleo não trouxe alívio ao Fed. O consenso para o PPI é de alta de 0,7% no mês. Saem também os pedidos semanais de seguro-desemprego, projetados em 220 mil. Após o fechamento de quarta, a Oracle reportou receita e lucro acima do esperado, mas uma projeção de custos elevada reacendeu o temor com os gastos em inteligência artificial, e a ação caía 8% no pré-mercado. Na China, o CPI de maio subiu 1,2% no ano.

Política

O BCE é o centro das atenções. O banco elevou os juros em 25 pontos-base e levou a taxa de depósito a 2,25%, a primeira alta desde 2023. A decisão responde ao choque de energia que empurrou a inflação da zona do euro para 3,2%, bem acima da meta de 2%. O foco passa à coletiva de Christine Lagarde, às 9h45, em busca de pistas sobre se este é um movimento isolado ou o início de um ciclo. Nos Estados Unidos, o tom mudou de figura. Sob o comando de Kevin Warsh, o mercado já não vê corte do Fed e passou a precificar uma alta de 0,25 ponto, agora projetada para dezembro. O FOMC se reúne na próxima quarta, com manutenção como cenário mais provável.

Geopolítica e commodities

O eixo do dia é o Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos afirmaram ter concluído os ataques a alvos iranianos, após o abate de um helicóptero Apache. O Irã anunciou o fechamento do estreito e revidou contra bases e navios americanos. Ainda assim, sinais de Teerã de que a negociação avança levaram o mercado a apostar em desescalada. O Brent devolve parte do prêmio de guerra e recua para perto de US$ 92. O BTG lê o gráfico do petróleo como mais propenso a um rompimento de baixa, rumo a US$ 83, do que a um novo salto. O ouro cai para a casa dos US$ 4 mil, menor patamar desde novembro, e o cobre marca mínima de três semanas, com o receio de que juros mais altos esfriem a demanda industrial. O Bitcoin opera perto de US$ 62,8 mil, o juro de dez anos americano a 4,53% e o dólar global na linha dos 100.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 9h00 — Produção de serviços de abril (IBGE).
  • Tramitação dos vetos às pautas-bomba aprovadas no Senado.
  • Amanhã, 9h00 — IPCA de maio (IBGE), o catalisador da semana.

Global:

  • 9h15 — Decisão do BCE: alta de 25 pb, depósito a 2,25%. Catalisador do dia.
  • 9h45 — Coletiva de Christine Lagarde (BCE).
  • 9h30 — PPI de maio e pedidos de seguro-desemprego (EUA).
  • Repercussão do balanço da Oracle e dos gastos com inteligência artificial.
  • Próximas datas-chave: superquarta Copom e FOMC em 17/6; leilão da OPA da Brava em 25/6.

Fontes: Morning calls transcritos de XP, BTG Pactual e Pablo Spyer / Minuto Touro de Ouro; BCE/FXStreet, CNBC (Irã/petróleo), CNN Brasil (IPCA-15), CNN Brasil (Quaest), InfoMoney (Brava), Seu Dinheiro (BTG) e CNBC (tarifa).