quarta-feira, 10 de junho de 2026
Café com Mercado — quarta, 10/06/2026
10:00 BRT
CPI dos EUA vem quente no cabeçalho, mas com núcleo mais brando na margem; o risco recua com a reescalada em Ormuz; no Brasil, o ruído eleitoral derruba os juros longos e o radar aponta para a superquarta de 17/6.
Overview
O humor externo amanheceu defensivo. A trégua que acalmou os mercados na véspera durou pouco. Depois que um helicóptero Apache americano foi abatido perto do Estreito de Ormuz, os Estados Unidos retomaram os ataques a alvos iranianos e Trump prometeu resposta. O prêmio de risco voltou. Petróleo e ouro subiram, e a Ásia fechou em forte queda, com Kospi -4,52% e Nikkei -1,89%. A Europa operava no vermelho e os futuros de Nova York apontavam recuo. No meio da manhã, o CPI de maio trouxe alívio na margem: o cabeçalho acelerou a 4,2% no ano, máxima desde abril de 2023, puxado por energia (+23,5%), mas o núcleo mensal veio a 0,2%, abaixo dos 0,3% esperados. A leitura mista não desfaz o pano de fundo de juro alto por mais tempo. A curva americana segue firme, com o 10 anos perto de 4,53%, e o dólar ronda 100 no DXY.
O Brasil entrou na contramão da véspera. O Ibovespa fechou terça em alta de 0,68%, aos 169.813 pontos, recuperando-se das mínimas de janeiro, com bancos, Vale e construtoras à frente. O dólar ficou praticamente estável, a R$ 5,18. O que moveu a ponta longa da curva foi político. Uma pesquisa no estilo Quaest mostrou Flávio Bolsonaro seis pontos à frente de Lula no segundo turno, e o mercado passou a desenhar um eventual Ministério da Fazenda de perfil fiscalista. Os DI futuros recuaram e as apostas em alta da Selic perderam força. O radar agora aponta para a superquarta de 17 de junho, com Copom (Selic em 14,50%) e Fed no mesmo dia, e para o IPCA de maio na sexta. A divergência entre as casas se concentra em onde termina o ciclo de corte.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
A agenda doméstica de indicadores é fraca nesta quarta. O destaque da semana fica para sexta-feira, quando o IPCA de maio e o IPCA-15 de junho saem juntos. Devem confirmar a aceleração que o Focus vem captando: a mediana já projeta inflação de 5,11% para 2026, na décima-terceira alta seguida. O pano de fundo de preços no atacado também não cedeu por completo, com o IGP-DI de maio acumulando 2,53% em doze meses.
Política
O eixo do dia é eleitoral. A pesquisa que pôs Flávio Bolsonaro à frente de Lula no segundo turno reforçou a leitura de um pleito competitivo em 2026 e mexeu com os juros longos. No Congresso, a CPMI do Banco Master já reúne apoio de mais de 420 dos 594 parlamentares, mas a instalação esbarra na resistência da presidência do Senado. No front externo, segue em aberto o tarifaço de 25% que o governo Trump propôs sobre produtos brasileiros, com relatório final previsto para meados de julho e consulta pública aberta.
Mercado
O Ibovespa recupera fôlego perto dos 169,8 mil pontos, com a construção civil na liderança. Cury, Direcional e Cyrela puxaram os ganhos, ajudadas por elevações de recomendação do JP Morgan e pela queda dos juros futuros. A divergência relevante está no rumo da Selic. Há divergência clara entre as casas sobre onde termina o ciclo de corte. A Genoa Capital, em entrevista, defende que o Banco Central deveria interromper os cortes diante de uma inflação que volta a rodar perto de 5,5% nos núcleos, com a pré curta beirando 15% e o juro real longo acima de 8%. Do outro lado, parte do mercado ainda trabalha com mais um ou dois cortes antes da pausa. O recuo das apostas em alta da Selic nesta semana veio mais do ruído eleitoral do que de uma guinada do próprio Banco Central.
Empresas (IPO / M&A / OPA / default)
- Brava Energia (BRAV3) — a OPA da Ecopetrol pelo controle, a R$ 23,00 por ação, segue de pé, com leilão marcado para 25/6. A B3 suspendeu o prazo do parecer do conselho após exigências da CVM. O BTG aproveitou para trocar a debênture da Vero pela da Brava na carteira de crédito de junho, citando a melhora de perfil com a entrada da colombiana.
- Petrobras (PETR4) — anunciou nesta quarta acordo com a Equinor para adquirir 50% do bloco de Itaimbezinho, na Bacia de Campos.
- Axia (AXIA3) — concluiu a migração para o Novo Mercado.
- PetroRecôncavo (RECV3) — produção de maio recuou 1,9%.
🌎 Global
Dados econômicos
O CPI americano de maio dominou a manhã. O índice cheio subiu 0,5% no mês e 4,2% em doze meses, a maior leitura desde abril de 2023 e a terceira aceleração mensal seguida, com a energia disparando 23,5% no reflexo do choque do petróleo. O núcleo, porém, avançou apenas 0,2% no mês, abaixo do consenso de 0,3%, e fechou em 2,9% no ano. A composição alivia na margem: a parte mais teimosa da inflação deu uma trégua, ainda que o cabeçalho assuste.
Política
Sob o comando de Kevin Warsh, empossado no fim de maio, o Federal Reserve chega à reunião de 17 de junho sem espaço para flexibilizar. As apostas em corte foram praticamente zeradas e já se discute risco de nova alta até o fim do ano. A curva reflete isso: o juro de 2 anos ronda 4,15%, o de 10 anos está perto de 4,53% e o de 30 anos beira 5%. Na Europa, o Banco Central Europeu se reúne amanhã e o mercado precifica uma alta de 0,25 ponto, levando a taxa de depósito a 2,25%, pressionado pela inflação de energia.
Geopolítica e commodities
A reescalada no Oriente Médio voltou ao centro. Com os novos ataques americanos perto de Ormuz e o fluxo de petróleo e gás na região comprometido, o Brent oscila ao redor de US$ 91 e o WTI perto de US$ 88, sem disparar porque parte do tráfego no estreito foi mantida. O ouro subiu, na casa de US$ 4.200, e o cobre se mantém acima de US$ 6,3 a libra. O minério segue pressionado, perto de 760 yuans em Dalian, com a demanda chinesa enfraquecida pelo clima. O Bitcoin opera sob tensão, ao redor de US$ 61,5 mil, depois de furar os US$ 60 mil pela primeira vez desde 2024.
📅 Agenda do dia
Brasil:
- Manhã — agenda de indicadores esvaziada; foco nas falas da equipe econômica e nos desdobramentos do tarifaço.
- Sexta, 12/6 — IPCA de maio e IPCA-15 de junho (IBGE), o catalisador doméstico da semana.
Global:
- 09:30 — CPI dos EUA de maio (BLS), já divulgado e catalisador-mãe do dia.
- Amanhã, 11/6 — decisão de juros do BCE.
- Próximas datas-chave: superquarta de 17/6 (Copom + Fed).
Fontes: transcrições e entrevistas dos morning calls — Genoa Capital (via Outliers/InfoMoney), BTG Pactual (crédito privado, Frederico Curi), Pablo Spyer (Minuto Touro de Ouro/Jovem Pan); CPI e mercados — BLS, Bloomberg, CNBC, Reuters, CNN Brasil, InfoMoney, Money Times, Agência Brasil.
