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terça-feira, 9 de junho de 2026

Café com Mercado — terça, 09/06/2026

16:50 BRT

Trégua entre Irã e Israel derruba o petróleo e reacende o apetite a risco lá fora; no Brasil, a curva de juros segue no centro do debate às vésperas da superquarta, com as casas divididas sobre o fim do ciclo de corte.

Overview

O pêndulo do risco voltou a girar a favor em 24 horas. Irã e Israel sinalizaram o fim das hostilidades e Trump falou em cessar-fogo nos próximos dias, o que esvaziou o prêmio de guerra que havia disparado na segunda. O Brent devolveu boa parte do salto e recuou para a casa de US$ 93, ante os quase US$ 96 do auge. Com menos demanda por proteção, o ouro cedeu para perto de US$ 4.340 e o DXY voltou a romper 100 para baixo, na casa de 99,8. A Ásia reagiu ao pânico da véspera: o Kospi subiu mais de 3% e recuperou parte do circuit breaker de segunda, enquanto a China surpreendeu com exportações de maio a +19,4%. Em Nova York, o rali de semicondutores e a fila de ofertas em inteligência artificial — pedidos de IPO de OpenAI e SpaceX — sustentaram o humor, ainda que o pregão tenha oscilado entre ganho e a volta da rotação para fora da tecnologia.

O alívio externo não apaga o nó local. A curva de juros brasileira segue no centro do debate, e os vértices longos rondam as máximas: a NTN-B 2035 trabalha perto de 8,2% de juro real. O Focus elevou a Selic projetada para o fim de 2026 a 13,50% e levou o IPCA do ano a 5,11%, a décima terceira alta seguida, acima do teto da meta. Tudo converge para a superquarta de 17 de junho, quando o Copom decide com a Selic em 14,50% e o Fed se reúne pela primeira vez sob novo comando. No radar imediato está o CPI americano de amanhã, última leitura de inflação antes da decisão do Fed, e a estreia de alta do BCE na quinta.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O IGP-DI de maio surpreendeu para cima, a 0,87% ante 0,79% esperado, e acumula 2,53% em doze meses — leitura desconfortável para um Banco Central que ainda luta para ancorar expectativas. O Focus desta semana confirmou o quadro: além de Selic e IPCA mais altos, o crescimento de 2026 segue em 1,91% e o câmbio projetado para o fim do ano em torno de R$ 5,15. A agenda doméstica de inflação culmina no IPCA-15 de quinta.

Política

O eixo fiscal voltou a pesar. O secretário-executivo da Fazenda, Dário Durigan, concedeu entrevista e recebe a Moody's, num momento em que o mercado cobra ancoragem das contas. No Congresso, a CPMI do Banco Master foi protocolada pela oposição, com 42 senadores e 238 deputados, mas a leitura do requerimento segue travada. A Justiça das Bahamas reconheceu a liquidação do banco. Na frente externa, o tarifaço americano avança: a investigação concluída no início do mês propõe 25% sobre produtos brasileiros, com relatório final previsto para meados de julho, e Lula já reagiu publicamente.

Mercado

O Ibovespa fechou ontem a 168.669 pontos, em queda de 0,21% — a terceira baixa seguida e o menor nível desde janeiro — e abriu hoje em recuperação, com bancos à frente e os juros futuros cedendo na margem. O dólar ronda R$ 5,19. Há divergência clara entre as casas sobre o fim do ciclo de juros. A XP segue na contramão do mercado e projeta mais dois cortes de 25 pontos, levando a Selic a 14% no fim de 2026, mesmo reconhecendo as revisões altistas de inflação. O BTG é cético: lembra que a curva chegou a precificar até alta de juros e enxerga risco fiscal "acima de patamares de crise", com a NTN-B em IPCA+7,5% que classifica de praticamente imbatível. A Genial recusa a dominância fiscal como cenário-base, mas reconhece que o Banco Central perdeu tração sobre a curva. As opções atribuem cerca de 70% de chance de manutenção da Selic em 14,50% na semana que vem.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Brava Energia (BRAV3): a colombiana Ecopetrol comprou 26% do capital por R$ 2,77 bilhões (R$ 23 por ação) e lançará OPA para assumir o controle.
  • Asaas: a fintech anunciou sua maior aquisição, a Helena CRM, por R$ 150 milhões.
  • PetroRecôncavo (RECV3): produção de maio em 23,9 mil boe/dia, recuo de cerca de 2% sobre abril por eventos não programados no ativo da Bahia.
  • Equatorial (EQTL3): cumpriu as exigências regulatórias de sua oferta.
  • Axia Energia (AXIA3): concluiu a migração ao Novo Mercado.

🌎 Global

Dados econômicos

A China deu o tom positivo: exportações de maio a +19,4% e importações a +27,4%, ambas acima do esperado, com o CPI local em +1,3% e o PPI acelerando para 3,8%. Nos Estados Unidos, todas as atenções estão no CPI de maio, que sai amanhã: o consenso vê o índice cheio subir para cerca de 4,2% em doze meses, com núcleo perto de 2,9% — a última fotografia da inflação antes de o Fed decidir.

Política

A curva americana mantém o juro de dez anos em torno de 4,55% e o mercado ainda precifica perto de 70% de chance de alta do Fed em dezembro, herança do payroll forte. O FOMC se reúne em 16 e 17 de junho, na primeira decisão sob o novo comando que sucede Powell. Na Europa, o BCE deve promover na quinta a primeira alta do ciclo, levando a taxa de depósito a 2,25% para conter uma inflação pressionada pela energia.

Geopolítica e commodities

A trégua entre Irã e Israel é o motor do dia. Os dois lados suspenderam ataques e Trump fala em acordo iminente, com promessa de reabertura do Estreito de Ormuz assim que selado — ainda que um helicóptero americano tenha caído na região, sem vítimas. O recuo do risco derrubou o petróleo: Brent perto de US$ 93 e WTI na casa de US$ 89. O cobre estancou a queda perto de US$ 6,3 a libra, o minério rondou US$ 101 e o Bitcoin se estabilizou em torno de US$ 63 mil após furar US$ 60 mil na sexta. A China estuda investir cerca de US$ 295 bilhões em data centers de inteligência artificial em cinco anos.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 08:00 — Balança comercial semanal (Secex/MDIC).
  • Entrevista do secretário Dário Durigan e reunião com a Moody's.
  • Julgamento no TSE sobre a pesquisa AtlasIntel.

Global:

  • 09:30 — Balança comercial dos EUA.
  • (amanhã, 10/6) 09:30CPI de maio dos EUA, o catalisador-mãe da semana antes do Fed.
  • Próximas datas-chave: BCE (11/6), IPCA maio (12/6), superquarta Copom + FOMC (17/6).

Fontes: Morning calls XP, BTG, Genial e Pablo Spyer (9/6); InfoMoney, Money Times, Brazil Journal, CNBC, Trading Economics e FXStreet.