quarta-feira, 3 de junho de 2026
Café com Mercado — quarta, 03/06/2026
10:25 BRT
Petróleo volta à casa dos US$ 98 após nova troca de ataques entre EUA e Irã; a segunda rodada de tarifas de Trump alcança o Brasil; XP e BTG já veem o ciclo de corte da Selic parando em 14% ou acima, na véspera do feriado de Corpus Christi.
Overview
A trégua no Golfo durou um dia. O Irã disparou mísseis contra o Kuwait e o Bahrein na madrugada; os EUA responderam atacando a ilha de Qeshm e um petroleiro, e a negociação travou. O Brent sobe pela terceira sessão seguida, a US$ 98. Nos juros americanos, o JOLTS de ontem (7,6 milhões de vagas, maior leitura desde novembro de 2024) e o ADP desta manhã (+122 mil, acima do esperado) confirmam o mercado de trabalho aquecido: o título de 10 anos voltou a 4,48% e o de 30 anos flerta de novo com 5%. A precificação já atribui cerca de 40% de chance de alta do Fed até dezembro. As bolsas seguem resilientes: o S&P 500 fechou ontem acima de 7.600 pontos pela primeira vez, o Nikkei renovou máxima histórica e a China surpreendeu com o Caixin de serviços forte. A Europa destoa, com PMI fraco e BCE caminhando para subir juros na semana que vem.
O Brasil chega à véspera de Corpus Christi administrando a segunda rodada tarifária em três dias. Depois dos 25% da Seção 301, Washington propôs na noite de terça uma sobretaxa ligada a trabalho forçado sobre 60 países; o Brasil ficaria na faixa adicional de 12,5%. Lula reúne o ministério às 10h, na primeira reunião desde a reforma de março. No radar doméstico, o Copom de 16-17/jun ganhou novo contorno: XP e BTG encerraram o ciclo de corte mais cedo, em 14% e 14,25%, bem acima do Focus (13,25%). O pregão de ontem deu alívio: o Ibovespa quebrou a sequência de cinco quedas puxado pelo recuo da tarifa do aço.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
A produção industrial de abril subiu 0,7% na margem, quarto avanço seguido e acima do consenso (0,5%); na comparação anual, +2,7%. Extrativas e derivados de petróleo (+3,1% cada) puxaram o índice; químicos (-3,9%) e farmacêuticos pesaram do outro lado. O PMI composto de maio sai às 10h, vindo de leituras acima de 50, e a balança comercial de maio fecha a agenda à tarde. No pano de fundo fiscal, a XP estima que os estímulos somam 1,5 ponto do PIB: do crescimento de 2% projetado para 2026, 1,7 ponto seria só estímulo.
Política
Lula convocou reunião ministerial para as 10h com o tarifaço no centro da pauta. O governo classificou a tarifa de 25% como ingerência política e diz esperar "um telefonema" de Trump. Flávio Bolsonaro promete acionar o STF e escreveu a Marco Rubio pedindo que os EUA poupem o país. Amanhã, no feriado, o pré-candidato encontra Tarcísio de Freitas na Marcha para Jesus; o governador repetiu na segunda que "não há espaço para terceira via". Galípolo, em Lisboa, citou pressão de demanda na inflação de serviços e defendeu integrar o Brasil às cadeias de IA. A designação de PCC e CV como organizações terroristas entra em vigor na sexta.
Mercado
O Ibovespa subiu 1,16% ontem, a 174.197 pontos, interrompendo cinco quedas; o dólar fechou a R$ 5,01 e o DI jan/27 cedeu a 14,16%. O motor foi o aço: Trump cortou de 25% para 15% a tarifa da Seção 232 sobre derivados de aço e alumínio, e CSN (+8,9%), Usiminas (+8,6%) e Gerdau (+6,5%) dispararam, com Vale (+4%) ajudada pela isenção dos minerais metálicos na Seção 301. Há divergência clara entre as casas sobre a sustentação do movimento: a Genial vê alta "fraca em fundamento", com risco de desvio de aço importado para o mercado brasileiro.
Sobre a Selic, a discussão mudou do ritmo para o ponto final do ciclo. A XP revisou o terminal de 2026 para 14% (mais dois cortes de 0,25 ponto), o BTG vê parada em 14,25% já em junho, e a Genial observa que 14% "virou consenso" — o Focus, em 13,25%, ficou para trás. Na bolsa, a divergência segue aberta: a XP enxerga ponto de compra, com preferência por financeiras e distância de small caps; a Genial mantém ceticismo, lembrando que o único argumento é preço, que o estrangeiro sacou mais R$ 850 milhões e que a NTN-B 2032 paga 7,9% reais. No câmbio, a XP mantém R$ 5,00 para o fim do ano, com cenário de R$ 4,50 se o dólar global ceder de vez.
Empresas (IPO / M&A / OPA / default)
- Petrobras (PETR4) — atingiu R$ 580 bilhões de valor de mercado pela primeira vez; hoje é a data de corte dos dividendos do 1º tri (R$ 9,03 bilhões) para detentores de ADRs.
- BTG Pactual (BPAC11) — Itaú BBA elegeu o banco como preferido do setor, com alvo de R$ 63; a tese passa pelo consignado privado.
- Raízen (RAIZ4) — Genial destaca o plano de reestruturação completo, incluindo a venda da operação argentina.
- Totvs (TOTS3) — Goldman Sachs elevou a recomendação; BlackRock reduziu a fatia a 4,13%.
- Mobly (MBLY3) — prejuízo ampliado a R$ 75,6 milhões na esteira da integração com a Tok&Stok.
🌎 Global
Dados econômicos
O mercado de trabalho americano voltou a surpreender. O JOLTS apontou 7,62 milhões de vagas abertas em abril, a maior leitura desde novembro de 2024, e o ADP registrou +122 mil empregos privados em maio, acima do consenso. O ISM de serviços sai às 11h, com atenção aos preços pagos; o payroll vem na sexta (consenso perto de 90 mil, desemprego em 4,3%). Na zona do euro, o PMI composto caiu a 48,5, o pior em 18 meses, na contramão da inflação de 3,2%: aperto monetário com atividade fraca. Na China, o Caixin de serviços saltou a 54,4 e levou o yuan à máxima de três anos. A OCDE cortou a projeção de crescimento global de 2026 e alertou que uma guerra prolongada no Golfo ampliaria o dano.
Política
O FOMC de 16-17/jun será o primeiro sob Kevin Warsh. A precificação dá manutenção como certa em junho e cerca de 40% de chance de alta até dezembro; a ala dura do comitê quer comunicado mais firme. Powell, agora apenas diretor, fez defesa pública da independência do Fed. O BCE decide em 11/jun, com o mercado atribuindo cerca de 90% de probabilidade a uma alta de 25 pontos-base, para 2,25%. No Japão, Ueda sinaliza aperto e o iene rondando 160 alimenta o temor de intervenção; o pacote fiscal de US$ 20 bilhões de Takaichi mantém os vigilantes dos títulos em alerta. Nas tarifas, a leitura das casas é que Trump reconstrói por outras vias a muralha derrubada na Suprema Corte; o efeito econômico imediato é zero, já que as alíquotas só se definem em julho.
Geopolítica e commodities
A madrugada trouxe a troca de ataques mais direta entre EUA e Irã desde o início da crise: mísseis iranianos contra o Kuwait e o Bahrein, resposta americana em Qeshm e contra um petroleiro, Ormuz minado e diálogo suspenso. O Brent acumula três ganhos seguidos a US$ 98, com estoques americanos (API) caindo pela sétima semana. Para a XP, o risco maior é o petróleo, não a tarifa: quatro meses de encarecimento já contaminam combustíveis, fertilizantes e inflação ao produtor. O ouro cedeu a US$ 4.488 com a subida dos juros; o minério recuou a US$ 104 em Dalian, vento contrário para a Vale. O Bitcoin perdeu os US$ 68 mil e opera perto de US$ 67 mil, menor nível desde março, com resgates recordes em ETFs. Nos semicondutores, o setor negocia 73% acima da média móvel de 200 dias, a maior distância desde a bolha da internet; a Genial resume: continua na festa, mas com stop.
📅 Agenda do dia
Brasil:
- 9:00 — Produção industrial de abril (IBGE): +0,7% m/m, acima do consenso — divulgada
- 10:00 — PMI composto e de serviços de maio (S&P Global)
- 10:00 — Reunião ministerial sobre o tarifaço (Planalto), catalisador do dia
- 15:00 — Balança comercial de maio (MDIC)
Global:
- 9:15 — ADP de maio (EUA): +122 mil, acima do esperado — divulgado
- 11:00 — ISM de serviços de maio (EUA), com foco em preços pagos
- 11:30 — Estoques semanais de petróleo (DOE)
- 15:00 — Livro Bege (Fed); discursos de Barr (10:00), Goolsbee (12:00) e Logan (17:00)
Próximas datas-chave: B3 fechada amanhã (Corpus Christi); payroll e vigência da designação de PCC/CV como organizações terroristas na sexta (5/jun); BCE em 11/jun; Copom e FOMC em 16-17/jun; consulta pública da tarifa de 25% corre até meados de julho.
Fontes: Morning Call XP, Morning Call BTG, Morning Call Genial, Minuto Touro de Ouro, InfoMoney, Agência Brasil, CNBC, Investing, Yahoo Finance, USTR, CNN Brasil, Seu Dinheiro.
