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terça-feira, 2 de junho de 2026

Café com Mercado — terça, 02/06/2026

10:15 BRT

O petróleo recua com a sinalização de trégua no Irã, mas o tarifaço de 25% do USTR domina o dia no Brasil; Copom, Fed e BCE decidem nas próximas duas semanas.

Overview

Wall Street renovou máximas na segunda. O S&P 500 fechou perto de 7.600 pontos, na nona semana seguida de alta, e os futuros consolidam nesta terça. O movimento que organiza o dia é o recuo do petróleo. O Brent cai 1,4%, a US$ 93,6, depois de Trump dizer que as conversas com o Irã avançam "em ritmo rápido" e acenar com a reabertura do Estreito de Ormuz na próxima semana. Há uma quarta rodada de negociações em Washington hoje. A trégua segue frágil, porque o Irã suspendeu o diálogo indireto em protesto contra a ofensiva de Israel no Líbano, mas o prêmio de risco arrefeceu. A Ásia corrigiu de máximas (Kospi −2,1%, Nikkei −1,6%) e a Europa rebateu (DAX +1%). A maré de juros, porém, ficou mais dura. A inflação cheia da Zona do Euro surpreendeu para cima em maio (3,2%, núcleo 2,5%) e cravou a aposta de alta do BCE na próxima semana. Nos EUA, o FedWatch precifica manutenção quase certa no FOMC de junho, mas ~70% de chance de alta até dezembro. O Bitcoin perdeu os US$ 70 mil.

Na contramão, o fato doméstico chegou de madrugada. O USTR concluiu a investigação da Seção 301 e propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, ainda não aplicada e com janela de negociação até 15 de julho. O governo Lula classificou a medida de "ideológica". Ela cai a duas semanas do Copom (16-17/jun, mesma semana do FOMC) e a poucos dias da entrada em vigor, em 5/jun, da designação de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA. O Focus empurra o IPCA acima do teto e a narrativa de corte de Selic está praticamente sepultada. Nesse quadro, o real tem sido o único ativo brasileiro a resistir, e abre firme com o dólar de volta a R$ 5,00.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

Agenda esvaziada e semana encurtada pelo feriado de Corpus Christi (quinta, 4/jun). O Focus de segunda elevou a projeção de IPCA 2026 pela 12ª semana seguida, a 5,09%, acima do teto da meta. O dólar de fim de ano ficou em R$ 5,16 e a mediana da Selic 2026, em 13,25%. A leitura de corte, porém, se desfaz rápido (ver Mercado). Sem indicador de peso nesta terça, o motor do dia é a repercussão do tarifaço.

Política

O parecer da Seção 301 domina. O USTR considerou o Brasil "não razoável" em comércio digital e meios de pagamento (decisões judiciais contra big techs e suposto favorecimento ao Pix), propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. A sobretaxa proposta é de 25%, com uma lista de exceções de 73 páginas que preserva aviões, suco de laranja, café e carne bovina. Os pedidos de participação na audiência pública de 6/jul vão até 22/jun. Lula chamou a medida de "ideológica e incoerente" e incumbiu Mauro Vieira (Itamaraty) e o MDIC de buscar diálogo. Durigan (Fazenda) se reúne com os EUA, em meio a alertas de que a disputa pode alcançar o Pix e os bancos. Trump indicou Daniel Perez, presidente da Câmara estadual da Flórida, para embaixador no Brasil. No plano interno, Lula reúne ministérios na quarta para alinhar a agenda a quatro meses da eleição. A nova pesquisa Real Time Big Data traz o presidente de volta à dianteira: 45% a 40% sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas empate com a terceira via (43% a 43% com Caiado; 43% a 40% com Zema).

Mercado

O Ibovespa abre praticamente estável, na casa dos 173,7 mil pontos, depois de um maio brutal (−7%, pior mês em três anos). O real foi o único ativo local que segurou. Há divergência clara entre as casas sobre a bolsa brasileira. O UBS rebaixou o país de "atrativo" para "neutro", resumindo o caso em três palavras: "eleições, juros e fiscal". A XP, no extremo oposto, recomenda comprar a realização de maio, com múltiplos atraentes e mercado tecnicamente leve. O BTG fica no meio do caminho. Está construtivo com uma bolsa a cerca de um desvio-padrão abaixo da média histórica (8x com Petro e Vale, 9,5x sem), mas rotaciona para qualidade e fluxo de caixa previsível: troca Nubank por Itaú, adiciona Equatorial e reduz Petrobras (de 15% para 10%) e Localiza. A segunda divergência é sobre a Selic. A mediana do Focus ainda marca 13,25% para 2026, mas o Itaú já trabalha com 13,75% e o mercado passou a tratar 14% como piso. A amplitude colapsou: apenas 14% dos papéis seguem acima da média de 50 dias.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Brava (BRAV3) — a OPA da Ecopetrol a R$ 23/ação segue rumo ao leilão de 25/jun. Corretoras veem prêmio embutido, com valor justo estimado em ao menos R$ 27.
  • Copasa (CSMG3) — a reserva da oferta de privatização (cerca de R$ 9 bi) corre entre 5 e 9/jun a R$ 52/ação. Analistas preferem entrar apenas no piso e seguem com Sabesp (SBSP3) como preferida.
  • Lojas Renner (LREN3) — o Itaú BBA elevou a recomendação para compra, com alvo de R$ 18 (cerca de 21% de potencial de alta), mantendo C&A (CEAB3) como preferida do vestuário.
  • Vale (VALE3) — virou unanimidade nas carteiras de junho, a primeira vez em 2026, amparada por minério resiliente perto de US$ 108/t e pela única performance positiva entre os pesos-pesados em maio.

🌎 Global

Dados econômicos

A inflação cheia da Zona do Euro surpreendeu para cima em maio: 3,2% em doze meses (de 3,0%), núcleo de 2,5% (acima dos 2,4% esperados) e serviços acelerando a 3,5%. O dado reforça o viés contracionista. Nos EUA, o ISM industrial de segunda foi o maior em quatro anos (54), com o subíndice de preços pagos em 82, e o PCE de abril foi o mais alto em quase três anos. A agenda de trabalho se adensa na semana, com JOLTS (3/jun), ADP (4/jun) e o payroll de maio na sexta (consenso de +95 mil, desemprego de 4,3%).

Política

O aperto monetário lá fora ganha tração. O BCE é dado como quem eleva juros na reunião da próxima semana, após o CPI mais forte. O FedWatch precifica manutenção quase certa no FOMC de 16-17/jun, o primeiro de Kevin Warsh como presidente, mas ~70% de chance de alta até dezembro. Esse movimento é justamente o que mantém a pressão sobre o real e estreita o espaço do BC para cortar.

Geopolítica e commodities

O pêndulo entre Irã e Ormuz comanda os mercados. O salto da véspera (Brent rumo a US$ 97, de 6% a 7% no intradia) se reverteu depois de Trump afirmar que as conversas avançam e acenar com a reabertura do estreito na próxima semana, com uma quarta rodada de negociações em Washington nesta terça. O Brent roda agora a US$ 93,6 (−1,4%) e o WTI, a US$ 90,8. O prêmio de risco persiste, porque o Irã suspendeu o diálogo indireto pela ofensiva israelense no Líbano e Netanyahu promete seguir atacando. Por isso, o consenso de mercado é manter petróleo e gás como proteção contra um choque de 10 a 15 milhões de barris, que levaria cerca de seis meses para normalizar e contaminaria a inflação via fretes, minério e grãos. O ouro está estável perto de US$ 4.520 e o cobre segue firme (o Citi mira US$ 13 mil por tonelada). O Bitcoin opera abaixo dos US$ 70 mil (cerca de US$ 69 mil) após a Strategy, ex-MicroStrategy, vender BTC pela primeira vez: 32 moedas, cerca de US$ 25 milhões. Pouco no valor, muito no simbolismo.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • Dia — repercussão do tarifaço da Seção 301 (25%), o catalisador-mãe. Prazo de resposta do Brasil até 15/jul, audiência pública em 6/jul e pedidos de participação até 22/jun.
  • Acompanhar falas do governo (Itamaraty e Fazenda) sobre a resposta. 5/jun entra em vigor a designação de PCC e CV como terroristas; 4/jun é feriado de Corpus Christi.

Global

  • Manhã — CPI cheio da Zona do Euro (maio), já divulgado: 3,2% no ano, núcleo 2,5%.
  • EUA: JOLTS (3/jun), ADP (4/jun) e payroll de maio (sexta, 5/jun).
  • Próximas datas-chave: payroll EUA 5/jun; BCE na próxima semana; Copom e FOMC em 16-17/jun.

Fontes: morning calls de 2/jun — BTG Pactual, Genial, Pablo Spyer/Touro de Ouro, Money Times, Suno, XP; notícias — USTR/301 (Exame), 301 (CNN Brasil), Focus (CNN Brasil), carteiras de junho (InfoMoney), BTG junho (Seu Dinheiro), Renner/Itaú BBA (InfoMoney), Irã/petróleo (CNN), CPI Zona do Euro (ActionForex), Ásia/mercados (CNBC), agenda EUA (Kiplinger).