segunda-feira, 1 de junho de 2026
Café com Mercado — segunda, 01/06/2026
11:00 BRT
O cessar-fogo EUA-Irã se desfaz e o petróleo volta a subir, mas a IA sustenta as bolsas lá fora; o Brasil digere o pior maio em três anos sob risco de tarifaço, com Copom e Fed na mesma semana e a designação de CV e PCC como terroristas valendo em 5 de junho.
Overview
O fim de semana virou o roteiro externo de cabeça para baixo. O cessar-fogo EUA-Irã que parecia encaminhado na sexta se desfez — novos ataques americanos a radares e centros de controle de drones, retaliação iraniana e avanço israelense no Líbano — e o petróleo devolveu boa parte da queda recente (Brent ~US$ 94, +3%). O ponto que as mesas fazem questão de grifar é que, desta vez, o choque de energia não contaminou a curva americana: o Treasury de 10 anos segue ancorado perto de 4,46%, o que limita o estrago. No comando do humor não está o Golfo, e sim a inteligência artificial — a Nvidia abriu o Computex anunciando um chip para PCs, os futuros de Nova York renovam máximas e a Ásia tech dispara (Kospi em novo recorde).
O Brasil chega na contramão. Digere um maio de -7,2% (pior mês em três anos) com sangria de capital estrangeiro, e tem o risco idiossincrático no centro do tabuleiro: a investigação comercial dos EUA pode desaguar em tarifaço a qualquer momento e a designação de CV e PCC como organizações terroristas passa a valer em 5 de junho. Três frentes seguem no radar: o Copom em 16-17 de junho — na mesma semana do Fed, agora com viés de alta no preço —, a deterioração fiscal e inflacionária estampada no Focus, e o desdobramento diplomático do tarifaço no ano eleitoral.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
O PIB do 1º trimestre, divulgado sexta, veio acima do consenso (+1,1% no tri, +1,8% em doze meses), mas o mercado mal reagiu. Hoje às 9h sai o PMI industrial de maio. No Focus, a projeção de IPCA de 2026 subiu pela 12ª semana seguida, a 5,09%, acima do teto da meta, com a Selic terminal ancorada em 13,25% e o dólar projetado em R$ 5,16 — combinação que esvazia a aposta em cortes generosos.
Política
O risco do dia é o "tarifaço 2.0": o secretário Durigan (Fazenda) se reúne com autoridades dos EUA esta semana e alertou que eventuais sanções podem alcançar até o Pix; o USTR pode concluir a investigação 301 ainda em junho, "a qualquer momento". A classificação de CV e PCC como organizações terroristas entra em vigor em 5 de junho, reabrindo a tensão Trump-Lula. No fiscal, o governo ampliou o bloqueio orçamentário para R$ 23,7 bilhões e, em paralelo, atua no pré-eleitoral — subsídio ao diesel até dezembro, consignado privado, isenção de IR. A PEC do fim da escala 6x1 (→ 5x2) foi aprovada na Câmara (461 a 19) e agora tramita no Senado. E a primeira pesquisa do ciclo a inverter o jogo: Lula reassume a liderança no 2º turno, 45% a 40% sobre Flávio Bolsonaro (Real Time Big Data).
Mercado
O Ibov abre em repique (futuro +0,66%, ~175,9 mil) depois de um maio para esquecer. Há divergência clara entre as casas sobre a direção do índice. A XP está em modo comprador explícito — lê maio como fluxo, não fundamento, aponta que seu indicador de sentimento de compra zerou (leitura contrarian de fundo) e que o Ibovespa reverteu a média de 200; "pouco a perder, muito a ganhar". Genial e BTG ficam do outro lado: para a Genial é "tchau, Brasil, quero tecnologia", sem gatilho local enquanto o juro não ajudar (alvo técnico de baixa em ~164-165 mil), enquanto o BTG prefere gastar a fala do dia em cripto a discutir o índice. O ponto de convergência é o câmbio: com o Fed possivelmente em viés de alta, "fica difícil achar argumento para o real", e o fim da safra retira a sazonalidade favorável que vigorou até maio — ainda assim, o real abre firme, a ~R$ 5,03.
Empresas (IPO / M&A / OPA / default)
- Brava (BRAV3) — OPA da Ecopetrol a R$ 23/ação (cerca de 25% do capital, mirando 51%); parecer do conselho até 9/jun, leilão em 25 de junho.
- Copasa — o book da privatização encerra hoje (14h); preço definido amanhã (2/jun).
- Petrobras (PETR4) — cortou o diesel às distribuidoras em 9,59% (R$ 3,65 → 3,30), em vigor hoje, com subsídio federal estendido até dezembro.
- Suzano / Kimberly-Clark — a JV de tissue (US$ 3,4 bi, Suzano com 51%) obteve todas as aprovações antitruste; fechamento no 3T26.
- Raízen (RAIZ4) — em recuperação extrajudicial (~R$ 65 bi), negocia venda de ativos na Argentina; a B3 estendeu o prazo da situação de penny stock.
- Oncoclínicas (ONCO3) — negou o aporte de R$ 500 mi, mas mantém a reestruturação "em avaliação".
- Camil (CAML3) — aprovou aumento de capital de R$ 1,39 bi por capitalização de reservas (sem novas ações).
🌎 Global
Dados econômicos
O destaque é o ISM industrial dos EUA, hoje às 11h (consenso ~53), com atenção redobrada ao componente de preços. Na China, o PMI oficial de maio recuou para 50,0, no limiar da estagnação (o Caixin veio melhor, 51,8), reforçando a tese de mais estímulo. O payroll de maio fecha a semana na sexta, com desemprego projetado subindo a 4,3%.
Política
O enredo mudou de tom: depois da surpresa inflacionária recente, o mercado já precifica o próximo movimento do Fed como alta, não corte. A estreia de Kevin Warsh na presidência cai em 16-17 de junho — exatamente na mesma semana do Copom. Na Europa, Schnabel defende publicamente alta de juros do BCE em junho, apesar do quadro no Irã.
Geopolítica e commodities
Sem cessar-fogo: EUA e Irã trocaram ataques no fim de semana e Israel avançou no Líbano, com o foco de volta ao Estreito de Ormuz. Brent ~US$ 94 (+3%), WTI ~US$ 90 — mas, como notado, sem repique relevante nos juros. O ouro segue firme (~US$ 4.530) e o cobre sobe ~1% (~US$ 6,43/lb; Citi e Morgan Stanley elevaram o alvo de curto prazo), com efeito positivo sobre Vale e mineradoras. A OPEP+ confirmou aumento simbólico de 188 mil bpd para junho, na primeira reunião sem os Emirados. E a Nvidia, no Computex, anunciou o chip N1X para PCs ("reinvenção do PC"), sustentando o humor de IA que se sobrepõe à geopolítica.
📅 Agenda do dia
Brasil:
- 08:25 — Boletim Focus (já divulgado: IPCA 2026 a 5,09%)
- 09:00 — PMI industrial de maio (S&P Global)
- 14:00 — Copasa encerra o book da privatização (preço amanhã)
Global:
- 11:00 — ISM industrial EUA, maio (consenso ~53) — destaque do dia
- China — PMI oficial 50,0 / Caixin 51,8 (já divulgados)
- Próximas datas-chave: payroll EUA e vigor da designação CV/PCC em 5/jun, possível decisão da 301, e Copom + Fed em 16-17/jun
Fontes: morning calls em vídeo transcritos — XP, BTG, Genial, Pablo Spyer; Money Times (Focus, diesel, tarifaço); CNBC e Reuters (Fed, Irã, OPEP+, Nvidia); Xinhua (PMI China); euqueroinvestir (BRAV3).
