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Congresso Nacional sob céu carregado, telas de bolsa em verde no primeiro plano, capacete de operário e relógio de ponto, e plataforma de petróleo ao fundo

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Café com Mercado — terça, 06/10/2026

10:45 BRT

Depois da maior alta do Ibovespa desde 2020, o mercado testa a sustentação do rali entre a PEC do 6x1 no Senado, a fala de Galípolo e a ata do FOMC de amanhã.

Overview

No exterior, a combinação de petróleo em queda e Treasuries mais calmas sustenta o apetite a risco. O Brent recua para perto de US$ 98, com as exportações do Oriente Médio voltando aos níveis pré-guerra e o compromisso do G7 de ampliar a oferta. O juro de 10 anos americano devolve parte da alta depois de tocar 5,35% na segunda, o maior nível desde 2002, e o payroll fraco de sexta reduziu a chance de nova alta do Fed em outubro, embora a de dezembro siga largamente precificada. O Nasdaq fechou ontem em recorde, puxado por Nvidia, e os futuros sobem de 0,3% a 0,5%. Na Europa, o euro abaixo de 1,12 e o spread OAT-Bund no maior nível desde a crise de 2010-2012 mantêm a França como foco de risco fiscal.

No Brasil, o mercado digere o pregão de segunda: Ibovespa +7,70% a 206.912 pontos, recorde nominal e maior alta diária desde março de 2020; dólar −4,12% a R$ 5,00; e a curva de DI com queda de até 122 pb nos vértices longos, em volume recorde de R$ 103 bilhões na B3. A abertura de hoje estende o movimento, com Ibovespa acima de 207 mil e dólar abaixo de R$ 4,97. Os testes do dia são políticos: a PEC do fim da escala 6x1 começa a ser votada no Senado à tarde, e Galípolo fala depois do fechamento. A agenda de pesquisas de segundo turno começa na quinta, com Datafolha, e a ata do FOMC sai amanhã.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O Focus de segunda subiu a projeção de IPCA 2026 para 5,01%, terceira alta seguida, cortou o PIB do ano para 1,85% e manteve a Selic de fim de ano em 13,50%, um corte abaixo dos 13,75% atuais. A reprecificação de ontem se adiantou ao boletim: a curva já embute Selic perto de 12,25% em agosto de 2027, segundo a leitura da Genial. O real mais forte, se mantido, alivia a inflação de bens comercializáveis e reforça o argumento para cortes.

Política

Com 47,03% contra 45,16% no primeiro turno, Flávio Bolsonaro recolhe apoios. Romeu Zema e Michel Temer declararam voto nele ontem, e Ronaldo Caiado anuncia o seu hoje em Goiânia. A conta de votos favorece o candidato do PL: dos cerca de oito pontos em disputa, ele precisa de três e Lula de mais de cinco. A campanha de Flávio deve manter a estratégia, enquanto o governo tenta retomar a pauta. O exemplo do dia é a PEC 221/2019, que reduz a jornada de 44 para 40 horas e precisa de 49 votos em dois turnos. Davi Alcolumbre a pautou para a tarde. A aprovação é incerta num Senado que sai da eleição bem mais à direita, com o PL perto de 28 cadeiras a partir de 2027.

Nomes da equipe econômica de um eventual governo Flávio ainda não apareceram. Também não há proposta fiscal detalhada: a campanha falou pouco de despesa e muito de adiar parte da reforma tributária do consumo. As primeiras pesquisas de segundo turno feitas depois da votação saem na quinta (Datafolha) e na sexta (AtlasIntel).

Mercado

A abertura confirma a continuidade: Ibovespa em +0,4% a 207,8 mil (máxima de 209,5 mil), dólar em −0,7% a R$ 4,96 e DI cedendo mais 10 a 15 pb nos vértices intermediários. Ontem, a alta se concentrou em financeiros, ações domésticas e small caps: MGLU3 +24,2%, CSAN3 +23,8%, B3SA3 +22,6% e BPAC11 +22,5%. Do lado negativo ficaram as exportadoras usadas como proteção cambial: SUZB3 −5,4% e EMBJ3 −3,3%. O ETF EWZ negociou cerca de US$ 8 bilhões, o terceiro mais negociado do mundo no dia.

As casas divergem sobre o ritmo a partir daqui. Genial e BTG tratam o pregão como início de ciclo. A Genial se diz disposta a comprar qualquer realização e vê o dólar rumo a R$ 4,80, além de citar projeção de NTN-B longa a 5,5%. O BTG estima que a bolsa ainda precisaria subir 30% a 40% para voltar ao múltiplo médio histórico e lembra que, após altas diárias acima de 7%, o índice costuma devolver ganhos em 5 a 10 pregões e só depois retomar. A XP é mais comedida: elevou o risco das carteiras apenas de forma tática, em prefixados, bolsa e fundos listados. A casa ressalta que um Congresso alinhado reduz o custo de negociação, mas não toma para si a agenda fiscal, que depende de equipe, proposta e capital político do eleito. Entre os estrangeiros, Morgan Stanley (base 215 mil, otimista 250 mil), JPMorgan (recomendação acima da média) e Goldman (dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,80) aderiram ao otimismo, todos condicionados a um plano fiscal crível.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Braskem (BRKM5): OPA por alienação de controle após a compra da fatia da Novonor, com leilão marcado para 16/10 e BTG como intermediário.
  • B3 (B3SA3) e BTG (BPAC11): maiores beneficiárias do volume recorde e da expectativa de reabertura da janela de IPOs, que as casas descrevem como extensa.
  • Magazine Luiza (MGLU3) e Cosan (CSAN3): lideraram o rali como as ações mais sensíveis a juros e alavancagem.

🌎 Global

Dados econômicos

O ISM de serviços de setembro caiu para 54,9, mas o componente de preços subiu a 74, maior em quatro anos, o que mantém o Fed desconfortável. Hoje sai a balança comercial americana. A temporada de balanços do terceiro trimestre começa na semana que vem, pelos bancos, com expectativa de lucro do S&P acima de 30% na comparação anual. A XP fixou alvo de 8.900 pontos para o S&P no fim de 2027.

Política

O mercado precifica cerca de 78% de chance de manutenção dos juros pelo Fed em outubro, com alta em dezembro ainda no preço. Hoje falam John Williams (Fed de Nova York), Jeffrey Schmid (Kansas City) e Lorie Logan (Dallas). A ata do FOMC de setembro sai amanhã. Na França, o governo promete levar o déficit de 5,6% para 3,7% do PIB no ano que vem, compromisso que o mercado ainda desconta. No Japão, o JGB de 10 anos acima de 3% e o iene perto de 158 mantêm o BoJ sob pressão.

Geopolítica e commodities

O petróleo opera na mínima de um mês: Brent perto de US$ 97,7 (−2,7%) e WTI a US$ 87,5 (−2,2%). O alívio vem do escoamento por rotas alternativas no Oriente Médio e da liberação de reservas do G7, embora o conflito siga ativo, com nova ofensiva sobre a capital do Iêmen. Nos EUA, Trump autorizou por decreto o uso temporário de diesel agrícola, isento de impostos, por caminhoneiros, para conter o preço dos combustíveis. O ouro sobe a US$ 4.197 e o cobre a US$ 6,62/lb, com greve na mina Centinela, no Chile. Na Ásia, o Nikkei avançou 1,05%, a 70.684 pontos, e o Hang Seng 1%. O Kospi caiu 0,9%, com realização em semicondutores, e a China segue em feriado até quinta. Para o Brasil, o petróleo mais barato pesa sobre a Petrobras, mas reforça o alívio inflacionário que sustenta a tese de corte de juros.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 14:00 — Senado começa a votação da PEC do fim da escala 6x1 (catalisador do dia)
  • Dia — Caiado anuncia apoio a Flávio Bolsonaro em Goiânia
  • Após o fechamento — Galípolo (BC) fala em evento

Global

  • 09:30 — Balança comercial dos EUA (Census)
  • 10:05 — John Williams (Fed de Nova York)
  • 14:00 — Leilão de Treasuries de 3 anos
  • 14:15 — Jeffrey Schmid (Fed de Kansas City)
  • 20:00 — Lorie Logan (Fed de Dallas)

Próximas datas-chave: 07/10 ata do FOMC · 08/10 Datafolha de 2º turno e volta da China · 09/10 AtlasIntel · 16/10 leilão da OPA da Braskem · 25/10 segundo turno · 27-28/10 FOMC · 03-04/11 Copom.

Fontes: morning calls XP, BTG, Genial, Pablo Spyer e Money Times; InfoMoney, Exame, Seu Dinheiro, O Povo, Gazeta Mercantil, NeoFeed, Times Brasil, Reuters/Investing, Yahoo Finance, Tickmill, TechTimes.