
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Café com Mercado — segunda, 05/10/2026
10:40 BRT
Flávio Bolsonaro termina o 1º turno à frente de Lula, contra as pesquisas, e o kit Brasil reprecifica de uma vez, com Ibovespa acima de 200 mil, dólar abaixo de R$ 5 e queda de até 90 pb nos DIs longos.
Overview
O exterior chega ao pregão sem direção única. O payroll de setembro (+29 mil, contra cerca de 90 mil esperados, desemprego em 4,2%) derrubou para perto de 16% a probabilidade de alta do Fed em 28/10, e o S&P 500 fechou a sexta em 7.722,72 (+0,73%). Os juros longos, porém, não acompanharam o alívio: o Treasury de 10 anos está em 5,30%, perto da máxima desde 2002, e o DXY foi a 102,25, maior nível desde abril de 2025, puxado pela queda do euro à mínima de 17 meses com o risco fiscal francês e a eleição antecipada na Espanha. Na Ásia, o Nikkei subiu 2,4%; a China segue em feriado até quarta.
No Brasil, o resultado do 1º turno domina a sessão. Flávio Bolsonaro (PL) terminou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (PT), uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos, quando as principais pesquisas davam Lula à frente. O 2º turno será em 25/10, e o Polymarket passou a atribuir a Flávio entre 82% e 84% de chance de vitória. O PL também ampliou a bancada no Senado, o que o mercado lê como maior viabilidade de uma agenda fiscal. A reação é de reprecificação ampla do kit Brasil: Ibovespa acima de 200 mil pontos, dólar abaixo de R$ 5 e DIs longos em queda de até 90 pb. Com o Copom de 03-04/11 no horizonte, a discussão passa a ser o ritmo de cortes da Selic, hoje em 13,75%.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
O Focus elevou pela terceira semana seguida a projeção de IPCA de 2026, para 5,01%, e manteve a de 2027 em 4,30%. A mediana da Selic segue em 13,50% no fim de 2026 e 12% em 2027; o PIB de 2026 foi a 1,85% e o câmbio de fim de ano, a R$ 5,20, nível que o mercado à vista já deixou para trás. O PMI de serviços de setembro ficou em 49,2, em contração, na mesma direção da produção industrial de agosto (−0,6% no mês), divulgada na semana passada. A coleta do Focus é anterior ao resultado das urnas.
Política
Flávio abriu a maior vantagem no Sul e venceu no Sudeste pelo volume absoluto de votos; Lula manteve a liderança no Nordeste. A abstenção foi recorde para um 1º turno, de 21,07% (33,4 milhões de eleitores). Entre os eliminados, Augusto Cury teve 2,89%, Renan Santos 2,24% e Ronaldo Caiado 2,18%; Romeu Zema sinalizou apoio a Flávio no 2º turno. Dezessete governos foram decididos ontem, com destaque para a reeleição de Tarcísio de Freitas em São Paulo (62,85%); sete estados, entre eles Rio de Janeiro e Distrito Federal, terão 2º turno. No Senado, o PL elegeu 19 ou 20 das 54 cadeiras em disputa, conforme a contagem, e deve chegar a cerca de 28 senadores em 2027. A sinalização de um ajuste fiscal com meta de superávit primário é o que o mercado passa a cobrar da campanha nas próximas três semanas, junto com o nome da equipe econômica.
Mercado
O Ibovespa fechou a sexta em 192.114 pontos (+2,63%), acumulando 4,71% na semana, e hoje chegou a 207.659 pontos (+8,09%), máxima histórica, com o futuro perto do limite de alta. O dólar à vista opera a R$ 4,99 (−4,5%), com mínima de R$ 4,974. Na curva, o DI jan/29 cai 86 pb, a 12,83%, e o jan/31, 90 pb, a 13,02%, enquanto o jan/27 recua só 12 pb, a 13,39%: a desinclinação concentra a compressão no prêmio fiscal dos vértices longos. Bancos, B3 e estatais lideram, com B3SA3 +21%, BBAS3 +10,9%, BBDC4 +10,2%, ITUB4 +9,2% e PETR4 +6%. Em Nova York, o EWZ subia cerca de 13% no pré-mercado.
Há divergência clara entre as casas sobre o ritmo da reprecificação. A XP considera o cenário-base de 200 mil pontos já alcançado e mantém 250 mil no cenário otimista, condicionado a uma NTN-B longa perto de 5,5%, o que exigiria regra fiscal e equipe econômica definidas; a casa recomenda elevar risco de forma gradual, em prefixados intermediários e cíclicas domésticas, e lembra que o juro real americano (TIPS perto de 3%) limita a queda da NTN-B. A Genial é mais construtiva: avalia que não é momento de reduzir posição, vê espaço para o dólar a R$ 4,90 e a NTN-B a 6,5%, e espera que o mercado passe a discutir corte de 50 pb no Copom, apoiado na desaceleração da atividade. Nos bancos estrangeiros, o JPMorgan vê o dólar a R$ 4,95 e a bolsa com até 11% de alta, e o Goldman Sachs admite câmbio a R$ 4,50. O morning call do BTG ainda não tinha legenda disponível no fechamento desta edição e não entrou nesta leitura.
Empresas (IPO / M&A / OPA / default)
- Braskem (BRKM5): a OPA por mudança de controle do Shine I FIP tem leilão em 16/10; o pagamento é em debêntures da NSP Investimentos (em recuperação judicial), com valor nominal de R$ 3,08, e o próprio ofertante reconhece valor econômico inferior.
- Azzas 2154 (AZZA3): a Farm Rio recebeu cerca de 15 propostas não vinculantes, avaliadas entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões; os acionistas pedem de R$ 4,5 bilhões a R$ 5,5 bilhões.
- B3 (B3SA3): a maior alta do índice na abertura (+21%) reflete a expectativa de volume e de realocação do investidor local, hoje com cerca de 5% do patrimônio em bolsa, segundo a XP.
- Estatais (PETR4, BBAS3): sobem com a redução do risco de interferência precificado no cenário de alternância de governo.
🌎 Global
Dados econômicos
O payroll de setembro criou 29 mil vagas, com revisão de agosto de 162 mil para 133 mil e salário-hora de +0,1% no mês (3,0% em 12 meses). Na zona do euro, o PMI composto mostrou o crescimento mais rápido em mais de três anos. Hoje saem o ISM de serviços americano (consenso perto de 55) e o PPI da zona do euro.
Política
O Fed elevou os juros em setembro; para 28/10, o mercado precifica cerca de 80% de manutenção, mas ainda atribui 69% de chance a uma alta até dezembro. A ata do FOMC sai na quarta. O BCE, com depósito a 2,50%, tem nova alta precificada até dezembro. Na França, o orçamento de 2027 com déficit de 5,0% do PIB levou o spread OAT-Bund a cerca de 146 pb e o CAC à mínima de seis meses; na Espanha, Pedro Sánchez convocou eleição para 29/11.
Geopolítica e commodities
A Opep+ manteve para novembro as metas de produção de setembro. O Brent opera perto de US$ 102 e o WTI a US$ 89,7 (−1,6%), entre o plano do G7 de liberar 100 milhões de barris de reservas, o corte de preços da Aramco e a tomada do estreito de Bab el-Mandeb pelos houthis, com as exportações do Golfo entre 60% e 80% do normal. O ouro sobe a US$ 4.177, a prata 3% e o cobre 2,3%, apoiados na menor aposta de alta do Fed; o Bitcoin está em US$ 86 mil. Para o Brasil, o petróleo acima de US$ 100 sustenta Petrobras e a balança, mas mantém pressão sobre combustíveis e o IPCA.
📅 Agenda do dia
Brasil
- 08:25 — Boletim Focus (BC) — já divulgado
- Ao longo do dia — primeiras declarações das campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula para o 2º turno ⭐ catalisador principal
Global
- 10:45 — PMI de serviços final (S&P Global, EUA)
- 11:00 — ISM de serviços (EUA), consenso perto de 55
Próximas datas-chave: 06/10 falas de Williams e Bowman (Fed) · 07/10 ata do FOMC · 08/10 ata do BCE · 16/10 leilão da OPA da Braskem · 25/10 2º turno · 27-28/10 FOMC · 29/10 BCE · 03-04/11 Copom.
Fontes: morning calls XP, Genial e Pablo Spyer; TSE, InfoMoney, CNN Brasil, Bloomberg Línea, Agência Brasil, Seu Dinheiro, Yahoo Finance, Euronews, Opep, FXStreet.
