Pular para o conteúdo
<- Voltar para Café com Mercado
Petroleiro bloqueado em estreito ao entardecer, navio de guerra ao fundo, bandeira do Brasil sobre urna eletrônica e fichas de cassino levadas pelo vento

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Café com Mercado — segunda, 28/09/2026

12:50 BRT

A recusa de Trump à proposta iraniana para Ormuz devolve o Brent a US$ 108 e leva o juro longo global a novas máximas, enquanto o Brasil entra na semana do 1º turno com Lula à frente nas pesquisas e o fim das bets no radar fiscal.

Overview

No sábado, Trump recusou a proposta do Irã apresentada na ONU para reabrir o Estreito de Ormuz de forma gradual em até sete dias, condicionada à liberação de fundos congelados, ao alívio das sanções e ao fim do bloqueio naval. O Brent voltou a US$ 107-108 (alta de 3% a 4%) e o WTI passou de US$ 96. A reação chegou à renda fixa: o Treasury de 10 anos opera perto de 5,22%, máxima desde 2007, e o de 30 anos em 5,53%, a maior desde 2004. O Bund superou 3,6% e o Gilt foi a 5,40%. O mercado atribui cerca de 70% de chance a uma alta do Fed em 28/10. Na sexta, Wall Street havia fechado em alta, com o S&P 500 a 7.743 (+0,51%); hoje os índices americanos recuam entre 0,5% e 0,8%, e ouro (-3%) e prata (-4,8%) sofrem liquidação forçada.

No Brasil, a semana é a última antes do 1º turno, em 04/10, e o pregão responde ao exterior e às pesquisas. Nexus/BTG e Quaest, divulgadas hoje, mostram Lula à frente no 1º turno e empate técnico no 2º. O Ibovespa recua para a mínima do mês e o dólar rompeu R$ 5,20. No fim de semana repercutiram as duas medidas provisórias de sexta: uma proíbe apostas de quota fixa e cassinos online, a outra cria o Desenrola 3.0. O Focus subiu pela segunda semana a projeção de IPCA 2026, agora em 4,99%, após o IPCA-15 de 0,70%, sem mexer na Selic.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O Focus elevou o IPCA de 2026 de 4,92% para 4,99% e o de 2027 para 4,31%. A Selic ficou em 13,50% para o fim de 2026 e em 12,00% para 2027. O PIB de 2026 caiu para 1,86%, terceira revisão seguida para baixo, e o câmbio segue em R$ 5,20 há 15 semanas. O detalhamento do IPCA-15 de setembro confirma a leitura qualitativa pior: a média dos núcleos ficou em 0,34% (projeção de 0,29%), os serviços em 12 meses aceleraram de 5,5% para 6,0%, os intensivos em trabalho subiram 0,56% e a difusão foi a 54%. No setor externo, a conta corrente de agosto teve déficit de US$ 5,06 bi (consenso de US$ 4,9 bi), compensado por IDP de US$ 7,40 bi. A Aneel definiu bandeira verde para outubro, após cinco meses de amarela, o que alivia o IPCA do mês que vem.

Política

A Nexus/BTG (25 a 27/09) traz Lula 42% x Flávio Bolsonaro 37% no 1º turno e 46% x 44% no 2º. A Quaest (24 a 27/09), última antes da votação, registra 39% x 34% no 1º turno e 42% x 42% no 2º. Na sexta, o Datafolha havia mostrado 40% x 36%. A AtlasIntel sai amanhã e o debate de quinta-feira é o último grande evento da campanha.

A MP das apostas vale desde a publicação. Ela extingue as autorizações sem devolução de outorga, sob o argumento de interesse público. O saque voluntário vai até 05/10, a Anatel bloqueia os sites a partir de 06/10 e os bancos devolvem saldos entre 9 e 14/10. O Congresso tem 120 dias para votar o texto, e a judicialização pelas empresas é esperada. O Desenrola 3.0 prevê a compra pelo Tesouro de cerca de R$ 150 bi em dívidas de cartão e crédito pessoal atrasadas entre dois e quatro anos e meio. Com deságio estimado em 90%, o custo ficaria perto de R$ 15 bi, com leilão das carteiras em novembro. A Fazenda não detalhou o impacto sobre os orçamentos de 2026 e 2027.

Mercado

O Ibovespa fechou a sexta a 183.477 pontos (-0,27%), terceira queda seguida e segunda semana negativa (-0,95%). O dólar cedeu 0,23%, a R$ 5,18. Na curva, o IPCA-15 não impediu o fechamento dos vértices longos: F31 a 13,93% (-12 pb) e F33 a 13,98% (-13 pb), com F27 estável em 13,55%. Hoje o índice opera perto de 182,4 mil (-0,6%), mínima de setembro, com Petrobras e PRIO como exceções positivas pelo petróleo. O dólar sobe 0,55%, a R$ 5,22, e o DI longo voltou a pagar perto de 14%.

Há divergência clara entre as casas sobre o ritmo final da Selic. A XP mantém dois cortes de 25 pb, em novembro e dezembro, e juro de 13,25% no fim do ano. O BTG, com a Empiricus, vê um único corte e só em dezembro, com o BC parando em novembro para observar dados, e taxa terminal de 13,50%; o mercado, lembra a casa, converge para corte em novembro seguido de pausa. As projeções de inflação do ano também se afastaram: 5,3% no BTG e na Empiricus (com IPCA de setembro em 0,83%), 5,0% na XP e 4,8% no Safra.

A leitura da MP das apostas também separa as casas. A XP trata o tema como risco fiscal de curto prazo, pela perda de arrecadação, e considera cedo para medir o efeito sobre o consumo. A Genial desloca o debate para o risco institucional: a extinção de autorizações recém-regulamentadas equivaleria a quebra de contrato, e o investidor estrangeiro, antes focado no fiscal, passaria a precificar a qualidade das instituições. Para a Genial, câmbio e juros estão comportados diante do choque global; acima de R$ 5,20-5,21 o dólar ganharia espaço, e o Ibovespa, preso ao suporte, teria margem para realização de lucros antes do domingo.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Nubank (ROXO34): em conversas preliminares para comprar o britânico Monzo, avaliado entre £ 8 bi e £ 10 bi, em dinheiro e ações.
  • Azzas 2154 (AZZA3): subiu 12,97% na sexta com a expectativa de venda da Farm Rio; o prazo para propostas não vinculantes termina no fim de setembro.
  • Braskem (BRKM5): OPA por mudança de controle, lançada pela Shine I, tem leilão em 16/10, com pagamento em debêntures.
  • Axia (ex-Eletrobras): prazo de conversão das PNC em ON vai de 28 a 30/09; quem não se manifestar terá os papéis resgatados a R$ 55,15.
  • Motiva (MOTV3): Moody's Local elevou o rating de AA+.br para AAA.br.
  • Multiplan (MULT3) e Guararapes (GUAR3): aprovaram JCP de R$ 139 mi e R$ 30 mi, respectivamente.

🌎 Global

Dados econômicos

O Michigan final de setembro caiu para 48,1 (51,7 em agosto), e a expectativa de inflação em 12 meses subiu de 4,0% para 4,6%. A semana concentra o motor da precificação do Fed: PCE de agosto e PIB final do 2º trimestre na quarta, ISM industrial na quinta e payroll na sexta. Para o PCE, a mediana aponta variação mensal de 0,3% e anual em torno de 3,3% a 3,4%; para o payroll, criação perto de 90 mil vagas. O resultado da Micron sai na quarta. Na China, o lucro industrial desacelerou.

Política

O fed funds está em 3,75%-4,00% e o mercado precifica cerca de 95 pb adicionais no ciclo. Hammack (Cleveland) alertou que "uma mentalidade inflacionária pode se instalar" e defendeu política restritiva, embora atribua a alta do juro longo a juro real, crescimento e dívida, e não a perda de confiança na inflação. Barr afirmou que "novos ajustes provavelmente serão necessários". No Reino Unido, o mercado atribui 85% de chance a uma alta do BoE em novembro. No Japão, nova intervenção verbal fortaleceu o iene e o JGB de 2 anos foi à máxima desde 1995. Pequim confirmou a extensão da trégua comercial com os EUA até 10/01/2027, com redução de tarifas sobre cerca de US$ 30 bi em importações de cada lado; a soja americana ficou fora do texto.

Geopolítica e commodities

Trump afirmou que o Irã está "desesperado" por um acordo, mas não por aquele que ele aceitaria, e espera novas conversas nesta semana, com Catar e Paquistão na mediação. O fluxo em Ormuz segue muito abaixo do pré-guerra: 132 travessias na última semana, contra cerca de 130 por dia antes do conflito. A coalizão saudita interceptou no sábado mísseis e drones lançados pelos houthis. Na Ásia, o Kospi reabriu com queda de 2,7%, Xangai caiu 1,67% e o CSI 300 perto de 2,2%; na Europa, as bolsas sobem cerca de 0,5% com as construtoras britânicas. O cobre recua 2% e o minério de ferro entrou em tendência de baixa, o que pesa sobre Vale e siderúrgicas. Para o Brasil, o petróleo sustenta Petrobras, enquanto a combinação de dólar forte, juro longo global e commodities metálicas em queda pressiona moedas e bolsas emergentes.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 08:25 — Boletim Focus (BC), já divulgado
  • Manhã — Transações correntes e IDP de agosto (BC), já divulgados
  • Tarde — Balança comercial semanal (MDIC)
  • Ao longo do dia — repercussão das pesquisas Nexus/BTG e Quaest — catalisador principal, junto do petróleo

Global

  • Ao longo do dia — falas de Lagarde (BCE), Ramsden (BoE) e Barkin (Fed de Richmond)
  • Ao longo do dia — negociações EUA-Irã sobre Ormuz

Próximas datas-chave: 29/09 PNAD, AtlasIntel, JOLTS, falas de Goolsbee e Williams · 30/09 PCE e PIB final 2T (EUA), Micron · 01/10 ISM industrial, debate presidencial · 02/10 payroll · 04/10 1º turno · 16/10 leilão da OPA da Braskem · 27-28/10 FOMC · 04/11 Copom.

Fontes: morning calls BTG Pactual, XP e Genial; InfoMoney, Exame, CNN Brasil, XP Research, Gazeta do Povo (Nexus), Gazeta do Povo (Quaest), Estado de Minas, Al Jazeera, TheStreet, Reuters/Yahoo, Reuters/USNews, Saxo.