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Prédio de governo neoclássico com linha vermelha em alta, petroleiro em mar agitado e bandeiras dos EUA e da China em salão cerimonial

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Café com Mercado — quinta, 24/09/2026

12:50 BRT

O Treasury de 10 anos passa de 5,15%, o maior nível desde 2007, e o Brent vai a US$ 107; no Brasil, o RPM vê 90% de chance de o IPCA estourar o teto em 2026 e o governo faz o primeiro contingenciamento do ano.

Overview

O Treasury de 10 anos passou de 5,15% nesta quinta, o maior nível desde 2007, um dia depois de subir 15 pb. O salto de quarta juntou o PMI composto americano de 58,4, o mais forte em 62 meses, a um leilão fraco de títulos de 5 anos. Os dados de hoje sustentaram o movimento, com pedidos de seguro-desemprego abaixo do esperado e vendas de casas novas no ritmo mais forte do ano. O mercado atribui entre 70% e 75% de chance a uma nova alta do Fed já em 28/10. O petróleo sobe pelo segundo dia, com o Brent perto de US$ 107 e o discurso iraniano mais duro. Da visita de Xi Jinping a Washington saiu, até agora, apenas a extensão da trégua comercial até 10/01, anunciada por Bessent.

No Brasil, o Relatório de Política Monetária manteve em 5,2% a projeção de IPCA de 2026 e elevou de 79% para 90% a chance de a inflação do ano estourar o teto da meta. No horizonte relevante, o primeiro trimestre de 2028, a projeção segue em 3,2%, e o PIB de 2026 foi revisto de 2,0% para 1,8%. Na coletiva, Galípolo disse ver mais indicações de desaceleração da atividade. O relatório bimestral elevou o déficit primário projetado para 2026 e trouxe o primeiro contingenciamento do ano. As casas seguem divididas sobre o Copom de 04/11, e o Datafolha nacional sai ainda hoje, a dez dias do primeiro turno.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O RPM de setembro estimou em 33% a probabilidade de o IPCA também superar o teto em 2027 e projeta 3,1% para o primeiro trimestre de 2029, que aparece pela primeira vez no horizonte. Para 2027, o BC espera crescimento de 1,4%, e a expansão prevista do crédito em 2026 passou de 9,0% para 9,1%. Segundo o documento, o choque do petróleo ainda não gerou propagação relevante por efeitos indiretos.

O relatório bimestral de receitas e despesas, divulgado nesta manhã, elevou a projeção de déficit primário de 2026 antes das deduções de R$ 52 bi para R$ 80,9 bi. Descontados R$ 67,3 bi de deduções, o resultado na métrica da meta passou de superávit de R$ 10,8 bi para déficit de R$ 13,6 bi, valor do contingenciamento anunciado. O bloqueio por limite de gastos caiu de R$ 17,9 bi para R$ 2,4 bi, e a contenção total ficou em R$ 16,1 bi. O detalhamento por ministério sai em 30/09.

A confiança do consumidor da FGV caiu 0,5 ponto em setembro, a 84,2, na quinta queda seguida e no menor nível desde novembro de 2022. Amanhã sai o IPCA-15 de setembro, com projeções entre 0,51% (Daycoval) e 0,65% (BTG) e a energia elétrica como principal pressão.

Política

Na coletiva do RPM, Galípolo disse que a incerteza significativa exige humildade no consumo de dados. Ele afirmou que o BC está preocupado com ofertas de crédito agressivas, e mesmo predatórias, e que a indexação gera inércia, um dos motivos pelos quais o Brasil convive com juros mais altos. O fiscal, segundo ele, é um insumo que pode afetar o combate à inflação.

A Real Time Big Data divulgada hoje mostra Flávio 45% × Lula 44% no segundo turno e Lula à frente no primeiro, por 41% a 37% (2.000 entrevistas por telefone de 19 a 23/09, margem de 2 pontos, registro BR-04202/2026). Com a AtlasIntel de ontem, que deu Lula 47,7% × Flávio 47,4%, as duas pesquisas mais recentes apontam empate técnico no segundo turno.

No caso Master, a campanha de Flávio pediu ao ministro André Mendonça, do STF, a abertura de inquérito contra Lula por corrupção passiva e advocacia administrativa, com base nas mensagens do advogado Walfrido Warde sobre um uísque que Vorcaro teria enviado ao presidente. O Planalto nega ter recebido o presente e diz que o único encontro com Vorcaro foi em dezembro de 2024. A revista piauí revelou que Flávio voltou dos EUA em janeiro de 2025 num jato ligado à Prime You, empresa que teve Vorcaro como sócio, o mesmo avião que Alexandre de Moraes usou em outro voo.

Mercado

O Ibovespa caiu 0,86% na quarta, a 185.814 pontos, e o dólar subiu 1,28%, a R$ 5,168, no rastro dos Treasuries. Na curva de DI, os vértices de 2029 a 2033 subiram 11,5 pb (janeiro de 2033 a 14,075%), contra 3 pb do janeiro de 2027. Construtoras e bancos, mais sensíveis a juros, estiveram entre as maiores quedas, com Tenda em −6,0%, Cury em −3,8% e Banco do Brasil em −2,2%. Petrobras subiu 2,6% com o petróleo. Por volta das 12h30 de hoje, o Ibovespa recuava 0,8%, perto de 184,3 mil pontos, e o dólar subia a R$ 5,19.

Há divergência clara entre as casas sobre o efeito do juro americano na Selic. A equipe macro da XP reiterou hoje, em texto, corte de 25 pb em novembro e Selic de 13,25% no fim do ano, mas no morning call da própria casa o estrategista Raphael Figueredo tratou a alta do Treasury como impeditivo para que o BC corte tanto quanto gostaria. Na Genial, Roberto Motta leu o RPM pelo lado contracionista: com hiato do produto positivo e o governo estimulando a economia, o país paga juro real perto de 9% para ter inflação de 5%. O BTG, cujo cenário é de pausa em 13,75%, não voltou ao tema no morning call de hoje.

Sobre o Fed, o BTG diverge do mercado: o time macro da casa espera a próxima alta em dezembro, e não em outubro, porque a reunião de 27 e 28/10 cai às vésperas das eleições de meio de mandato, com mais uma alta em março de 2027. No risco local, Figueredo disse que o juro americano preocupa mais do que a eleição, cuja volatilidade já estaria nos preços. Motta vê no empate das pesquisas uma fonte adicional de cautela, porque parte do mercado esperava Flávio à frente fora da margem de erro.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Yduqs (YDUQ3) e Afya (AFYA): fusão anunciada na noite de quarta, com a Yduqs incorporando a Afya na relação de 6,408347 ações por ação da Afya e os acionistas da Afya com 69% da companhia combinada. Os acionistas da Yduqs recebem R$ 750 mi em dividendos, e a operação depende do Cade e das assembleias.
  • Braskem (BRKM5): a Shine I FIP, da IG4, lançou OPA por alienação de controle, com leilão em 16/10 e intermediação do BTG. Na recuperação extrajudicial, o MPSP recomendou congelar aportes de mais de US$ 400 mi na Braskem Idesa, e a Petrobras diz esperar consenso com os credores.
  • Iguatemi (IGTI11): venda de participações em cinco shoppings ao fundo TRXF11 por R$ 876,1 mi.

🌎 Global

Dados econômicos

Os pedidos iniciais de seguro-desemprego nos EUA caíram a 197 mil na semana, abaixo do consenso de 201 mil, com a leitura anterior revisada para 198 mil. As vendas de casas novas subiram 6,4% em agosto, a 684 mil unidades anualizadas, acima das projeções de cerca de 620 mil. Os dois dados se somam ao PMI de ontem, que trouxe serviços em 58,7 e a maior alta de custos de insumos em quase quatro anos.

Política

Segundo o Tesouro americano, o título de 10 anos fechou a quarta em 5,11% (+15 pb), o de 2 anos em 4,85% (+14 pb) e o de 30 anos em 5,40% (+11 pb). Além do PMI, pesou o leilão de títulos de 5 anos, que saiu a 5,033%, 3,1 pb acima da taxa do mercado antes da oferta. Hoje o título de 30 anos tocou 5,45%. À tarde, o Tesouro leiloa US$ 44 bi em títulos de 7 anos.

No Fed, Michael Barr disse ontem que, em seu cenário-base, novos ajustes devem ser necessários para levar a inflação à meta a tempo. John Williams, do Fed de Nova York, afirmou hoje, em Londres, que outra alta até o fim do ano pode ser apropriada, sem se comprometer com outubro. O CME FedWatch indicava 73% de chance de alta em 28/10 na noite de quarta. No México, o Banxico anuncia sua decisão às 16h, com consenso de manutenção em 6,50%.

Geopolítica e commodities

O Brent ajustou a US$ 103,08 na quarta (+3,9%) e sobe a cerca de US$ 107 hoje, alta de quase 8% em dois pregões; o WTI de novembro está perto de US$ 96. Na Assembleia Geral da ONU, Pezeshkian disse que o Irã não cede a ameaças e manterá restrita a navegação em Ormuz enquanto houver sanções e bloqueio. O general Safavi, assessor militar do Líder Supremo, afirmou que a guerra pode chegar ao Oceano Índico se os EUA continuarem os ataques. Os estoques de petróleo da EIA subiram 2,97 mi de barris na semana, contra expectativa de queda, sem conter os preços.

A trégua comercial de dois meses entre EUA e China ficou abaixo do prazo que o mercado esperava e ainda depende de confirmação de Pequim. Xangai caiu 1,2% e o CSI 300, 1,7%, e o encontro de Trump e Xi na Casa Branca não produziu anúncio concreto até o início da tarde. Tóquio reabriu após três dias de feriado com o Nikkei em alta de 0,76%, a 65.514 pontos. O Stoxx 600 recuava 0,5% perto do fechamento europeu. O ouro cai 0,8%, a cerca de US$ 4.280 a onça, pressionado pelo dólar e pelos juros. Para o Brasil, o petróleo sustenta Petrobras e mantém o diesel como risco inflacionário.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 08:00 — Relatório de Política Monetária de setembro (BC)
  • 08:00 — Confiança do Consumidor de setembro (FGV)
  • 09:30 — Coletiva do relatório bimestral de receitas e despesas (Fazenda e Planejamento)
  • 11:00 — Leilão de LTN e NTN-F (Tesouro Nacional)
  • 11:00 — Coletiva de Galípolo sobre o RPM (BC)
  • 15:00 — Reunião do CMN (BC e Fazenda)
  • Noite — Pesquisa Datafolha para presidente (Datafolha)

Global

  • 09:30 — Pedidos de seguro-desemprego (Departamento do Trabalho dos EUA)
  • 11:00 — Vendas de casas novas de agosto (Census)
  • 14:00Leilão de US$ 44 bi em Treasuries de 7 anos (Tesouro dos EUA), o catalisador do dia
  • 16:00 — Decisão de juros do Banxico
  • Dia todo — Visita de Estado de Xi Jinping à Casa Branca, com reunião bilateral e jantar de Estado

Próximas datas-chave: 25/09, IPCA-15 de setembro (9h) e bens duráveis nos EUA; 28/09, Focus; 30/09, PCE e PIB final do 2º trimestre nos EUA, decreto do contingenciamento e início da reunião Brasil-EUA sobre tarifas em Milwaukee; 04/10, primeiro turno; 27 e 28/10, FOMC; 04/11, Copom; 10/01, novo prazo da trégua EUA-China.

Fontes: morning calls de BTG Pactual, XP, Genial e Money Times; RPM (BC), Agência Brasil, Poder360, InfoMoney, DGABC/Estadão, Metrópoles, FGV via DGABC, Money Times, CNN Brasil, Diário do Grande ABC, Poder360 (mercado), XP, InfoMoney (Braskem), Money Times (Afya e Yduqs), Tesouro dos EUA, Departamento do Trabalho, Census, Bloomberg, Federal Reserve, CNBC (Williams), CNBC (Fed), CNBC (China), Al Jazeera, Business Today, Reuters via Yahoo, Trading Economics e EIA.