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Navio-tanque em estreito ao entardecer, flares de refinaria ao fundo e silhuetas de delegações em mesa de negociação

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Café com Mercado — segunda, 21/09/2026

12:00 BRT

Petróleo cede pela quarta sessão e derruba o juro global, enquanto o Brasil chega à ata do Copom com a corrida presidencial mais apertada e o STF sob nova pressão.

Overview

O petróleo abriu a semana em queda pela quarta sessão, com o Brent na casa de US$ 100 e na mínima desde 10 de setembro, e a matéria-prima do movimento é dupla. Do lado da oferta, as exportações sauditas voltaram a 4 milhões de barris por dia em setembro, ante 2,4 milhões em agosto, o pior mês desde 2013, por meio de transferências navio a navio em Sohar que contornam o trecho danificado do oleoduto Leste-Oeste. Do lado da demanda de prêmio de risco, Trump disse estar "probably open" a encontrar o presidente iraniano Masoud Pezeshkian à margem da Assembleia Geral da ONU, em entrevista à Fox News no domingo, e o fluxo de navios em Ormuz voltou ao maior nível desde o início do conflito. Petróleo mais barato fechou a curva de juros em todo o mundo — a Treasury de 10 anos, que havia fechado sexta em 5,01%, recuou para a casa de 4,95%, e o movimento foi mais intenso na Europa. A curva americana segue corcunda, com o vértice de 20 anos em 5,38%, acima dos 5,34% do de 30 anos, uma inversão que se repete todos os pregões desde 4 de setembro. O segundo motor do apetite por risco veio de Manhattan: He Lifeng se reuniu domingo com Scott Bessent e Jamieson Greer na sede do JP Morgan, encontro que Bessent classificou de bem-sucedido, com a proposta americana de um mecanismo de notificação de segurança em inteligência artificial e o compromisso de operacionalizar o processo de cortes tarifários recíprocos. A cúpula entre Trump e Xi Jinping está marcada para quinta-feira, 24 de setembro, em Washington.

No Brasil, a semana chega à ata do Copom, que sai amanhã às 8h e é o primeiro documento detalhado desde o corte de 0,25 ponto que levou a Selic a 13,75%. O Focus desta segunda registrou a virada de expectativa que o mercado vinha ensaiando: a mediana da Selic para 2026 caiu de 13,75% para 13,50%, incorporando mais um corte, enquanto o IPCA de 2026 subiu de 4,90% para 4,92% e o PIB recuou a 1,88%. A tensão entre esses dois movimentos é exatamente o que a ata precisa resolver. No campo político, a pesquisa BTG/Nexus divulgada hoje mostrou a corrida se fechando, com Lula perdendo dois pontos no primeiro turno, e o fim de semana trouxe duas imagens que recolocaram o Supremo no centro do noticiário: a foto do procurador-geral Paulo Gonet com Daniel Vorcaro em Londres e o vídeo de Alexandre de Moraes desembarcando de um jato ligado ao dono do Banco Master.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O Boletim Focus desta segunda reduziu a mediana da Selic para o fim de 2026 de 13,75% para 13,50%, o primeiro movimento depois do corte de 16 de setembro, e manteve 12,00% para 2027. Na direção oposta, a projeção de IPCA para 2026 subiu de 4,90% para 4,92%, com 4,30% em 2027, e o PIB deste ano cedeu de 1,89% para 1,88%. O câmbio ficou estável em R$ 5,20 para dezembro. A composição é desconfortável: o mercado passou a esperar mais afrouxamento justamente enquanto revisava a inflação para cima, e a aposta se apoia menos na desinflação do que na perda de tração da atividade.

O Monitor do PIB da FGV deu medida a essa perda de tração ao apontar retração de 0,4% de junho para julho, segunda queda mensal consecutiva, com o acumulado em doze meses desacelerando de 2,2% para 1,8%. A agropecuária recuou e indústria e serviços ficaram estagnadas.

A agenda da semana concentra os testes a partir de amanhã. A ata do Copom sai terça às 8h, o Relatório de Política Monetária na quinta, junto do relatório bimestral de avaliação fiscal, e o IPCA-15 de setembro na sexta, confirmado no calendário do IBGE. O indicador de sexta é o primeiro sem o bônus de Itaipu que produziu a deflação de 0,32% em agosto, e o consenso de mercado aponta retorno ao terreno positivo, na casa de 0,55% no mês. A bandeira tarifária de outubro também sai sexta.

Política

A pesquisa BTG/Nexus divulgada hoje às 8h traz Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno, uma distância de três pontos contra cinco na rodada anterior, com Lula perdendo dois pontos e Flávio estável. No segundo turno, Lula 46% e Flávio 45%, ante 47% a 46%. O campo foi de 18 a 20 de setembro, com 2.006 entrevistas por telefone, margem de dois pontos e registro TSE BR-00485/2026. O dado mais relevante para o mercado não é o placar, e sim a consolidação: 84% dos entrevistados dizem já ter voto decidido, percentual que sobe a 90% entre eleitores de Lula e 92% entre os de Flávio. A Quaest divulga sua rodada no início da noite de hoje, com campo de 17 a 20 de setembro e registro BR-06004/2026.

Duas imagens divulgadas no fim de semana recolocaram o Supremo sob pressão. Na sexta, O Globo revelou uma foto extraída pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro em que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece fumando charuto e com copos de whisky à mesa ao lado do dono do Banco Master e de outros dois homens. A PGR confirmou a autenticidade da imagem, que é de abril de 2024 e foi feita durante fórum jurídico em Londres patrocinado pelo Master. Na sessão de 15 de setembro, Gonet já havia negado proximidade com Vorcaro e citado esse mesmo encontro. No domingo, a coluna de Lauro Jardim publicou vídeo de 22 de agosto de 2025 em que Alexandre de Moraes desembarca de um Legacy 650 no Santos Dumont, aeronave cuja cadeia de propriedade e operação passa por fundos ligados a Vorcaro. O ministro havia afirmado ao Supremo que jamais viajara em avião de Vorcaro. O escritório Barci de Moraes divulgou nota negando vínculo pessoal e atribuindo a escolha da aeronave às empresas de táxi aéreo contratadas. Ninguém contestou a autenticidade ou a data das imagens.

O julgamento que decide se as acusações contra Moraes e contra André Mendonça tramitam juntas ou em separado segue 4 a 3 pela separação, com pedido de vista de Flávio Dino antes da proclamação. A sessão de quarta-feira está mantida, e o prazo para Mendonça responder às acusações de Moraes termina hoje.

No Executivo, o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, que eleva o piso de R$ 600 para R$ 691 a partir de 1º de outubro, virou objeto de ação no TSE movida por Renan Santos, com relatoria de André Mendonça. Uma ação anterior, de Zé Trovão, foi rejeitada por ilegitimidade, sem análise de mérito. O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, afirmou no Fórum CEO Brasil na quinta que "o reajuste do Bolsa Família foi pela inflação, não foi real", e que a prioridade fiscal não muda por causa do programa. O custo estimado de R$ 22 bilhões em 2027 continua sendo a fonte de dúvida sobre o espaço de ajuste. Amanhã, Lula e Trump discursam em sequência na abertura do debate geral da ONU, com o Brasil falando primeiro.

Mercado

O Ibovespa fechou sexta aos 185.229,17 pontos, queda de 0,41%, com giro de R$ 38,37 bilhões em dia de vencimento de opções. Foi a primeira semana negativa desde meados de agosto, com recuo de 1,06% em reais e de 1,9% em dólares, interrompendo quatro semanas de alta. O dólar encerrou a R$ 5,1451, alta de 0,11%, com PTAX de venda em R$ 5,1575. Hoje o índice opera em alta e a moeda americana cede para a casa de R$ 5,13, acompanhando o exterior.

Há divergência clara entre as casas sobre o que a ata de amanhã vai mostrar, e ela é simétrica. O BTG espera um documento que detalhe a preocupação do comitê com a desaceleração da atividade, tratando a dúvida como sendo apenas se haverá mais um corte. A XP parte do enquadramento oposto, lembrando que o próprio Copom elevou as projeções de inflação para 2026 e 2027, e argumenta que o efeito do fechamento da curva longa "já aconteceu" e está integralmente precificado em bolsa. A Genial não mencionou a ata.

A XP é a única das três com recomendação direcional para o índice: como a queda da semana passada não perdeu a mínima da semana anterior, vê espaço para reaceleração se houver nova máxima, com objetivo na máxima histórica de 199 mil pontos. A Genial trabalha com uma leitura mais dura do que sustenta o preço — "80% dos preços dos ativos brasileiros tem correlação com trade eleitoral", diz a casa, acrescentando que "se você olhar a economia em si, a economia está desacelerando" e que o trade brasileiro "não é virtuoso". O BTG não citou um único nível de Ibovespa, dólar ou curva, e preferiu entregar dois cenários fiscais binários. No câmbio, a Genial marca suporte em R$ 5,10 e, abaixo dele, R$ 5,05, com viés lateral de baixa, e registra estranheza com a moeda nesse nível a duas semanas da eleição.

Sobre o que o estrangeiro está fazendo, a Genial trouxe o dado mais concreto do dia: segundo o JP Morgan, o investidor de fora não está comprando proteção para esta eleição, e sim opções de compra fora do dinheiro, com mais gente desmontando posição defensiva do que montando. O fluxo estrangeiro acumulado, que chegou a R$ 68 bilhões, está hoje na casa de R$ 23 bilhões. A XP registrou que não houve alteração significativa no fluxo.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Braskem (BRKM5) — a CVM aprovou o registro da OPA por alienação de controle, e a B3 já autorizou o leilão. Em paralelo, os detentores dos títulos resistem à proposta de reestruturação e cobram compromisso executável de aporte dos acionistas, com pressão direta sobre a Petrobras. O prazo para os termos básicos é 9 de outubro, e o plano final precisa do apoio de mais da metade dos credores até o fim de novembro.
  • Raízen (RAIZ4) — a IG4 Capital prepara oferta vinculante a credores por cerca de 80% do negócio, buscando comprar mais de 50% dos créditos para assumir o controle.
  • TIM Brasil (TIMS3) — a Poste Italiane concluiu a aquisição do controle da Telecom Italia e passa a ser controladora indireta da operação brasileira.
  • Vibra (VBBR3) — contrato de fornecimento de etanol hidratado de R$ 1,21 bilhão, com vigência de 1º de setembro de 2026 a 31 de agosto de 2027.
  • Petrobras (PETR4) — aderiu à subvenção de R$ 1,00 por litro do diesel, por 30 dias prorrogáveis, cumulativa com a anterior.
  • Casas Bahia (BHIA3) — recebeu alerta da B3 por cotação abaixo de R$ 1,00, com prazo até 2027 para reenquadramento, depois de captar R$ 368,2 milhões em notas comerciais e R$ 200 milhões em FIDC de risco sacado.
  • Fleury (FLRY3) e TOTVS (TOTS3) — antecipação de juros sobre capital próprio de cerca de R$ 217 milhões e de R$ 85 milhões, respectivamente.

🌎 Global

Dados econômicos

A LPR chinesa foi mantida em 3,00% para um ano e 3,50% para cinco anos, décimo sexto mês consecutivo sem mudança, em linha com a unanimidade dos 21 economistas consultados pela Reuters. Veículo ligado ao banco central chinês escreveu que há pouca necessidade de reduzir diretamente os juros de política, o que desloca a expectativa de estímulo para o lado fiscal e para o crédito dirigido.

Nos Estados Unidos, a contagem de sondas da Baker Hughes subiu quatro na semana, para 595, o maior nível desde maio de 2024 e 53 acima de um ano atrás. A semana concentra os dados relevantes a partir de amanhã: PMIs preliminares da S&P Global na terça, pedidos de bens duráveis, PIB final do segundo trimestre e pedidos de seguro-desemprego na quinta, e o deflator do PCE na sexta, que é o número que importa para o Fed.

Política

O Fed mantém a taxa em 3,75% a 4,00% desde 16 de setembro, com viés de alta e decisão unânime sob a presidência de Kevin Warsh. Austan Goolsbee falou hoje e disse que trazer a inflação de volta a 2% será difícil, com choques de oferta de energia e tarifas incidindo sobre demanda ainda forte. Na sexta, Jeffrey Schmid descreveu a inflação como persistente e defendeu novas altas. A probabilidade implícita de elevação em 28 de outubro está entre 56% e 60%, dependendo do instrumento, contra 49% logo após a reunião. A Genial notou o detalhe mais informativo desse quadro: John Williams e Christopher Waller, historicamente os mais brandos do comitê, votaram pela alta, e Williams fala amanhã.

O Banco da Inglaterra manteve a taxa em 3,75% por seis votos a três, com Greene, Mann e Pill votando por alta, o que abre a discussão sobre novembro. O impasse sobre o enxugamento do balanço ficou resolvido: o comitê fixou trajetória de £20 bilhões por ano em vendas, somadas aos vencimentos, enquanto o executivo do banco suspendeu os leilões de gilts no mercado para estudar a venda direta de £146 bilhões em papéis ao Tesouro, com revisão até abril de 2027. O BCE segue com a taxa de depósito em 2,50%. O Banco do Japão elevou o juro a 1,25% na sexta, maior nível desde 1995, e a bolsa japonesa está fechada por feriado até quinta.

Geopolítica e commodities

Trump sancionou na sexta a lei de sanções que leva o nome de Lindsey Graham, aprovada por 86 a 11 no Senado e 262 a 159 na Câmara, e que autoriza tarifas de até 100% sobre os cinco maiores compradores de petróleo e gás russos, além de sancionar autoridades, oligarcas e bancos. China e Índia são os alvos evidentes, o que introduz uma contradição de agenda com a cúpula de quinta-feira.

No Golfo, a Aramco contorna o trecho danificado do oleoduto Leste-Oeste e projeta recuperar a capacidade plena em cerca de seis semanas, mas a restrição efetiva já cedeu por outra via, com cerca de 60 milhões de barris de setembro e outubro colocados por transferências navio a navio em Sohar para China, Coreia, Índia e Japão. Os houthis lançaram no sábado um míssil balístico contra Riad, interceptado, a primeira vez que a capital saudita é alvo nesta escalada, e seguem controlando Mocha e a ilha de Perim. Os trânsitos em Bab al-Mandeb voltaram a 45 no domingo, contra 25 logo após o avanço.

Com isso, o Brent cede para a casa de US$ 100, com queda superior a 2,5% no dia, e o WTI opera bem abaixo desse nível. O ouro recuou 1,4%, para cerca de US$ 4.362, com a curva de juros mais comportada tirando urgência da proteção. O cobre subiu 2,6%, aos US$ 6,79 a libra, o movimento que a Genial destacou como o mais relevante do dia por ser leitura de produção industrial chinesa. O gás natural europeu caiu 6%. O Bitcoin disparou para cerca de US$ 84,7 mil, alta de 4,3%, com entradas em ETFs e encerramento de posições vendidas; a Genial abriu trade de compra com alvo em 96 mil e stop abaixo de 80,8 mil.

O quadro do diesel americano segue apertado e é o que a mesa do BTG aponta como vetor inflacionário real, acima do petróleo bruto: os estoques de destilados estão 13% abaixo da média de cinco anos, a EIA projeta queda para menos de 100 milhões de barris em setembro, e o preço no varejo bateu US$ 6,29 por galão, recorde nominal da série. A Europa é a mais exposta, por depender de destilados do Oriente Médio, da Rússia e da Ucrânia.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 08:00 — Boletim Focus (Banco Central), já divulgado
  • Início da noite — pesquisa Quaest para presidente, campo de 17 a 20/09 (Globo)
  • Hoje — termina o prazo para André Mendonça responder às acusações de Alexandre de Moraes (STF)

Global

  • 10:15 — discurso de Austan Goolsbee (Fed de Chicago)
  • Dia inteiro — semana de alto nível da ONU em Nova York; debate geral abre amanhã

O catalisador da semana é a ata do Copom, amanhã às 8h — é o primeiro documento detalhado desde o corte para 13,75% e o árbitro da divergência entre as casas sobre se ainda há espaço para mais um corte em 2026.

Próximas datas-chave: ata do Copom e discursos de Lula e Trump na ONU em 22/09; PMIs preliminares dos EUA e sessão do STF sobre a tramitação dos casos Moraes e Mendonça em 23/09; cúpula Trump-Xi em Washington, Relatório de Política Monetária do BC e reabertura da bolsa japonesa em 24/09; IPCA-15 e bandeira tarifária em 25/09; deflator do PCE em 26/09; depoimentos de Daniel e Henrique Vorcaro à PF e encontro de Márcio Elias Rosa com Jamieson Greer em 30/09; primeiro turno em 04/10; prazo dos termos básicos da Braskem em 09/10; vencimento da trégua comercial EUA-China em 10/11; Copom em 04/11.

Fontes: morning calls transcritos de BTG Pactual, XP, Genial e Pablo Spyer; Nexus/BTG, Poder360, O Globo, InfoMoney, Forbes, CNN Brasil, CNBC, Treasury.gov, Bank of England, CBS e EIA.