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Petroleiro em estreito sob céu carregado, fachada de banco central e pregão em colagem cinematográfica

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Café com Mercado — sexta, 11/09/2026

10:50 BRT

O núcleo do CPI americano veio acima do esperado e o IPCA de agosto registrou deflação de 0,32%, desenhando a divergência que a super-quarta do dia 16 vai formalizar.

Overview

O CPI de agosto saiu com o índice cheio em 0,4% no mês e 3,4% em doze meses, em linha com o consenso, e o núcleo em 0,3% no mês, um décimo acima do projetado. A energia respondeu por mais de um terço da alta do cheio, com a gasolina subindo 3,9% no mês e acumulando 27,4% em doze meses. Antes do dado, o mercado futuro já atribuía cerca de 70% de probabilidade a uma alta de 25 pontos-base no FOMC de 15 e 16 de setembro. As bolsas americanas reagiram bem mesmo assim, com Dow, S&P 500 e Nasdaq subindo perto de 1% na pré-abertura, acompanhando o recuo do petróleo: o Brent fechou a quinta em US$ 107,63, alta de 6,34%, e cede agora para perto de US$ 104.

O IBGE divulgou o IPCA de agosto com deflação de 0,32%, mais intensa que os 0,29% da mediana da pesquisa Reuters, e a inflação em doze meses recuou de 4,44% para 4,22%. O resultado se concentra em habitação, que caiu 1,87% com o Bônus de Itaipu abatendo 7,63% da conta de luz residencial. O Copom se reúne nos dias 15 e 16 com as opções da B3 atribuindo cerca de 95% de probabilidade a um corte de 25 pontos-base, para 13,75%. O calendário põe as duas decisões na mesma quarta-feira, com o Fed caminhando para apertar e o Banco Central para afrouxar, e o Ibovespa já negocia como se essa assimetria estivesse contratada: fechou a quinta em 188.269 pontos, maior fechamento em quatro meses, e acumula 7% na semana em que Nova York caiu 2%.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O IPCA caiu 0,32% em agosto, acumula 3,11% no ano e 4,22% em doze meses. Habitação recuou 1,87%, o menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real, com a energia elétrica residencial cedendo 7,63% e subtraindo sozinha 0,33 ponto percentual do índice, efeito do Bônus de Itaipu que se reverte em setembro. Transportes caíram 0,86%, com passagens aéreas em -13,17% e combustíveis em -0,91%. Alimentação e bebidas recuaram 0,34%, puxadas por batata, cenoura e cebola. Do lado oposto, despesas pessoais subiram 1,30% e o cigarro avançou 19,59%, o maior impacto individual positivo do mês.

As medidas de tendência não acompanharam o cheio: o núcleo segue perto de 5% na média móvel trimestral dessazonalizada e anualizada, e os serviços intensivos em mão de obra rodam perto de 7%, ancorados num mercado de trabalho ainda apertado. A produção de serviços ficou estável em julho pelo segundo mês seguido, e as pesquisas de atividade do terceiro trimestre apontam desaceleração, algumas já em terreno negativo.

O fluxo estrangeiro na B3 acumula entrada líquida de R$ 5,9 bilhões em setembro, com R$ 647 milhões no dia 8.

Política

O Datafolha divulga às 18h45 a primeira rodada desde a crise no Supremo, com 2.002 entrevistas presenciais colhidas desde terça e registro BR-01833/2026. A rodada anterior, de 3 de setembro, deu Lula 38% e Flávio Bolsonaro 33% no primeiro turno, e 46% a 44% no segundo. Na quinta, a AtlasIntel mostrou Flávio 46,4% contra Lula 46,2% no segundo turno, ganho de 3,8 pontos para Flávio ante agosto, com Lula ainda à frente no primeiro turno por 43,0% a 37,4%. O PoderData deu 47% a 45% para Flávio e registrou a aprovação do governo em 44%, a menor da série iniciada em janeiro de 2024.

O ministro André Mendonça levantou na noite de quinta o sigilo da Petição 15.556 e dos processos conexos do caso Banco Master, atendendo a pedido do presidente do Supremo feito horas antes. O plenário extraordinário de terça, às 10h, julga a Pet 16.662 e decide se a Polícia Federal pode investigar Alexandre de Moraes a partir de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro.

A Polícia Federal cumpriu na quinta 49 mandados de busca da Operação Make Up, em São Paulo, Rio, Ceará e Distrito Federal, contra o deputado Mario Frias e a produtora Karina Gama, por suspeita de desvio de emendas para a cinebiografia de Jair Bolsonaro. O Instituto Conhecer Brasil, no centro da apuração, recebeu R$ 2 milhões indicados por Frias.

O governo publicou na quarta a medida provisória dos combustíveis, com R$ 6,6 bilhões de subvenção e corte de R$ 0,63 por litro de PIS/Cofins na gasolina, além de zerar o tributo sobre o etanol hidratado. A Petrobras anunciou alta de R$ 0,19 por litro na gasolina e cancelou o reajuste na madrugada de quinta, levando o preço a distribuidoras para R$ 3,05 por litro.

Mercado

O Ibovespa fechou a quinta em 188.268,59 pontos, alta de 1,42%, com máxima em 188.539, mínima em 184.601 e giro de R$ 30,9 bilhões. Assaí subiu 7,17%, Magazine Luiza 6,64% e Hapvida 4,57%. Natura liderou as perdas, com -3,30%, depois de encerrar o programa de recompra. O dólar recuou 0,19%, a R$ 5,10, e abriu esta sexta em R$ 5,1084. O IFIX subiu 0,06%, aos 3.746,97 pontos.

A curva de juros fechou nos vértices longos mesmo com a abertura lá fora. O DI de janeiro de 2029 cedeu 6 pontos-base, para 13,81%, e o de janeiro de 2031 recuou 9 pontos, voltando a 14,00%, enquanto o vértice curto ficou quase parado, com o janeiro de 2027 em 13,60%. O Tesouro colocou um volume de prefixados abaixo do da semana anterior, o que reduziu a pressão técnica sobre a curva.

Há divergência clara entre as casas sobre até onde vai o ciclo de corte. A XP projeta a Selic em 13,25% no fim de 2026, três cortes de 25 pontos-base a partir da reunião da semana que vem, e apoia a leitura na desaceleração da atividade: a casa revisou o PIB para 1,7% neste ano e 1,0% em 2027, com viés de baixa. Itaú e JP Morgan param em 13,75%, mesmo número da mediana do Focus. A própria XP faz a ressalva de que o alívio recente da curva veio da retirada de prêmio eleitoral, sem melhora de fundamento, e de que a deflação de agosto é pontual. Na leitura técnica da mesma casa, o índice formou uma bandeira de alta na semana, com projeção de testar 199 mil e romper para 205 mil pontos e suporte crítico em 183.250; 82% das ações da B3 estão em tendência de alta, contra apenas 37% dos BDRs.

O BTG puxa a discussão para outro eixo, o do preço relativo entre dívida e ação. Com emissões triple A pagando juro real acima de 7% em prazos curtos, a casa questiona se a bolsa está de fato barata quando a comparação deixa de ser o próprio histórico de múltiplos e passa a ser o título da mesma empresa. O argumento se apoia na leitura de que o mercado opera por hiperfocos: a eleição concentra a atenção doméstica enquanto o juro americano de trinta anos acima de 5,3% muda a taxa de desconto de todo o resto, e o Brasil só deve incorporar isso entre outubro e novembro.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Amil — o controlador desistiu de vender a operadora depois de receber oferta de R$ 17 bilhões, e as negociações com fundos foram encerradas.
  • CSN (CSNA3) — a disputa pela CSN Cimentos tem Huaxin, Votorantim, Sinoma e Anhui Conch; a Holcim, dona de cerca de 42% da Huaxin, sinaliza que não apoia o negócio. A companhia quer fechar cimento e logística até o fim de setembro, em torno de R$ 12 bilhões.
  • Azzas 2154 (AZZA3) — a CVM pediu esclarecimentos sobre as notícias de propostas pela Farm Rio; a empresa confirmou contatos e negou oferta vinculante. A ação caiu 2,63% na quinta.
  • Cosan (CSAN3) — protocolou o Form 25 na SEC, e o último pregão dos ADSs na Nyse é 18 de setembro.
  • Itaú (ITUB4) — captou R$ 5 bilhões em letras financeiras com vencimento em 2036 e 2037.
  • Banco do Brasil (BBAS3) — o BofA rebaixou a recomendação para venda; o Citi fez o mesmo com a BB Seguridade (BBSE3).
  • Caixa e Banco do Brasil — os bancários da Caixa estão em greve nacional por tempo indeterminado desde quinta, após rejeitarem o acordo coletivo, e a paralisação no BB é parcial.
  • Aeroporto de Brasília — o leilão do bloco, que inclui dez regionais e R$ 1,2 bilhão de investimento, está marcado para 17 de dezembro.

🌎 Global

Dados econômicos

O CPI de agosto subiu 0,4% no mês e 3,4% em doze meses, em linha com o consenso da Dow Jones, mas o núcleo veio em 0,3% no mês contra 0,2% projetados, e em 2,4% em doze meses, ante 2,5% em julho. A energia avançou 2,1% no mês e 16,3% em doze meses, com a gasolina em 3,9% e respondendo por mais de um terço da alta do índice cheio. O custo de moradia acelerou de 0,1% para 0,3%, com hospedagem fora de casa em 2,4% depois de cair 2,8% em julho. As passagens aéreas subiram 2,7% no mês e acumulam 23,4% em doze meses; eletricidade recuou 0,2% e gás encanado, 1,1%.

A composição admite duas leituras para o Fed: o cheio em linha e o núcleo anual desacelerando sustentam quem trata a alta como repasse de energia, enquanto o núcleo mensal acima do projetado e a reaceleração da moradia, que não dependem do petróleo, sustentam quem vê contaminação.

As bolsas asiáticas fecharam em queda: o Nikkei recuou 1,93%, aos 64.011 pontos, depois de chegar a cair 3,16% no intradiário, o Topix cedeu 0,65% e o Hang Seng, 1,12%. Na Europa, o Stoxx 600 sobe cerca de 0,6% e caminha para a pior semana desde abril. Em Nova York, os índices vêm de quatro quedas seguidas: o S&P 500 fechou a quinta aos 7.591,70 pontos, queda de 0,58%, o Nasdaq recuou 0,65% e o VIX subiu 8,38%, para 17,84.

Fora do calendário macro, Oracle e Adobe divulgaram resultados depois do fechamento de quinta. A Oracle reportou crescimento de 121% na receita de infraestrutura em nuvem, para US$ 7,4 bilhões, com US$ 30 bilhões em novos contratos de nuvem de inteligência artificial no trimestre e elevação da projeção de lucro anual; a ação sobe cerca de 5% no pré-mercado depois de cair 5,38% na sessão regular. A Adobe superou as estimativas de receita e de lucro, mas projetou o trimestre seguinte no piso do consenso e guiou a receita recorrente anual para 10,2%, ante 11,2% reportados, e caiu 2,14% após o fechamento.

Política

O FOMC se reúne nos dias 15 e 16 com projeções atualizadas e gráfico de pontos, e o mercado futuro atribuía cerca de 70% de probabilidade a uma alta de 25 pontos-base já antes do CPI, com o juro hoje em 3,50% a 3,75% sob a presidência de Kevin Warsh. A reunião de julho manteve a taxa por nove votos a três, com os três dissidentes votando por alta.

Os Treasuries fecharam a quinta em alta generalizada: o vértice de dois anos subiu 14 pontos-base, para 4,57%, o de dez anos avançou 11 pontos, para 4,95%, e o de trinta anos ganhou 7 pontos, para 5,36%. O leilão de trinta anos, porém, saiu forte, com US$ 22 bilhões colocados a 5,308%, 2,7 pontos-base abaixo da taxa negociada no mercado quando emitido, relação entre demanda e oferta de 2,61 vez e apenas 2,2% do papel ficando com os dealers.

A recompra do Tesouro americano decepcionou no mesmo dia. O governo levou US$ 5,19 bilhões dos US$ 6 bilhões autorizados, com US$ 10,5 bilhões ofertados, apenas a terceira vez em 53 operações de papéis longos em que recusa o máximo, e a taxa de dez anos subiu logo após a operação, renovando máxima desde 2023.

O Banco Central Europeu subiu o juro de depósito em 25 pontos-base, para 2,50%, por decisão unânime, e Christine Lagarde se recusou a sinalizar o passo seguinte. O JP Morgan passou a projetar alta de juros em oito dos nove bancos centrais de mercados desenvolvidos até o fim do ano. O Banco do Japão se reúne nos dias 17 e 18, com o juro japonês de dez anos em 2,97%.

Geopolítica e commodities

O tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu a sete travessias na quinta, contra onze na quarta e média de quinze nos dez dias anteriores, ante cerca de 125 por dia antes do início da guerra. Os houthis tomaram o porto de Mocha e avançaram pela costa do Mar Vermelho em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb, a segunda rota crítica do petróleo na região. A produção saudita de agosto ficou em 6,238 milhões de barris por dia, a menor desde 1990.

Uma via diplomática se abriu: chanceleres dos países do Golfo se reúnem com o iraniano na segunda-feira, em Salalah, numa articulação de Omã por um acordo temporário para administrar o tráfego por Ormuz. É a notícia que explica o recuo do petróleo nesta manhã. O Brent, que fechou a quinta em US$ 107,63 com alta de 6,34% e chegou a negociar acima de US$ 109 na madrugada, cai perto de 3,6%, para US$ 104; o WTI fechou em US$ 102,48 e volta para perto de US$ 99. Na semana, os dois seguem com ganho de dois dígitos.

O diesel americano passou de US$ 6 o galão, recorde, e é por esse canal que o choque de energia chega à inflação ao produtor e, com defasagem, ao consumidor. O ouro cede 0,54%, a US$ 4.383 a onça, e a prata recua 0,75%, a US$ 64,44. O Bitcoin caiu para perto de US$ 77 mil. Na renda fixa europeia, o Bund de dez anos ronda 3,35%, máxima desde 2011, e o título francês de dez anos passou de 4,2%, o maior nível desde novembro de 2008.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 09:00 — IPCA de agosto (IBGE) · divulgado
  • 18:45 — Pesquisa Datafolha para presidente e governos estaduais (Folha/TV Globo) · catalisador do dia

Global

  • 09:30 — CPI de agosto (BLS) · divulgado
  • 11:00 — Fala de Christine Lagarde (BCE)
  • 11:00 — Sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, prévia de setembro
  • 15:00 — Resultado fiscal de agosto (Tesouro americano)

Próximas datas-chave: segunda 14/09, reunião de chanceleres do Golfo com o Irã em Salalah; terça 15/09, plenário extraordinário do STF às 10h e leilão de vinte anos do Tesouro americano; quarta 16/09, Copom e FOMC no mesmo dia; 17 e 18/09, Banco do Japão; 18/09, último pregão dos ADSs da Cosan na Nyse; 4/10, primeiro turno.

O morning call da Genial desta sexta ainda não tinha legenda disponível no fechamento desta edição, e as teses da casa não entraram.

Fontes: Morning Call BTG, Morning Call XP, Minuto Touro de Ouro, BLS, IBGE via InfoMoney, Exame, CNBC, Business Recorder/Reuters, Nikkei Indexes, Gazeta do Povo, Poder360, Bloomberg.