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Colagem noturna de terminal petrolífero em chamas no Golfo, painel de juros e bandeira brasileira sob luz dramática

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Café com Mercado — quinta, 10/09/2026

14:40 BRT

O petróleo acima de US$ 105 empurra o juro americano a 4,91% e vira a aposta do Fed para alta, enquanto o Ibovespa sobe 1% na contramão do mundo.

Overview

O Brent rompeu US$ 105 e tocou US$ 107,63 nesta quinta, quase 6% acima do fechamento de US$ 101,21 da véspera. A escalada tem origem militar — ataques recíprocos a embarcações perto de Ormuz, explosões relatadas na Ilha de Kharg e a produção saudita de agosto em 6,238 milhões de barris por dia, a menor desde 1990 — e chegou à curva americana pela via da inflação. O PPI de agosto subiu 0,4% no mês e 5,4% em doze meses, contra 5,3% esperados, com o diesel ao produtor avançando 24,1%. O Treasury de dez anos foi a 4,91%, máxima desde 2023, e o de trinta a 5,35%, nível não visto desde 2007. Os futuros de fed funds passaram a embutir cerca de 70% de probabilidade de alta de 25 pontos-base na reunião da semana que vem, ante 56% a 59% na véspera.

O Ibovespa subia 1,10% aos 187.673 pontos às 13h37, e o dólar cedia a R$ 5,097, na contramão das demais moedas emergentes. Dois fatores sustentam o descolamento. O PoderData divulgado às 7h30 trouxe Flávio Bolsonaro com 47% contra 45% de Lula no segundo turno, segunda rodada seguida com a oposição à frente. E o Banco Central montou um casadão pela manhã, vendendo US$ 1 bilhão à vista contra a compra de igual valor em swap reverso, o que amplia a oferta no mercado pronto sem alterar a posição líquida da autoridade. O Copom se reúne em 15 e 16 de setembro, na mesma semana do FOMC, com a curva embutindo corte de 25 pontos-base da Selic, hoje em 14,00%.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

A Pesquisa Mensal de Serviços de julho ficou estável na margem, contra alta de 0,2% projetada pela XP e pelo consenso, e subiu 0,9% em doze meses, ante 1,0% esperado. O acumulado de doze meses desacelerou de 2,6% para 2,4%, e o setor opera 0,2% abaixo do pico de outubro de 2025. O número reforça a leitura de atividade em perda de tração que sustenta a continuidade do afrouxamento monetário. A medida provisória dos combustíveis substituiu a subvenção de R$ 0,44 por litro na gasolina por corte de R$ 0,63 em PIS/Cofins e criou subvenção de R$ 1,00 no diesel; a XP calcula efeito de até -0,17 ponto percentual no IPCA de 2026, com contrapartida fiscal na ausência de trava para o etanol. O IPCA de agosto sai amanhã, com deflação esperada — o IPCA-15 do mês veio a -0,40%.

Política

Edson Fachin suspendeu ontem as liminares de André Mendonça e de Flávio Dino sobre a cúpula da Polícia Federal. Andrei Rodrigues segue na direção-geral em caráter provisório, com 48 horas para prestar informações à Presidência do tribunal, e Leandro Almada da Costa retorna à Inteligência Policial. Por ato separado, a Portaria 189 revogou a designação de Alexandre de Moraes como relator do Inquérito 4.781, o das milícias digitais: os procedimentos em andamento voltam à Presidência, enquanto as ações penais com denúncia já recebida permanecem com ele. Fachin convocou Plenário extraordinário para terça-feira, 15 de setembro, às 10h, quando o tribunal decidirá se a Polícia Federal pode investigar Moraes. O ministro havia marcado pronunciamento para as 11h de hoje e o cancelou uma hora antes, sem remarcação. Pela manhã, a Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up, com 49 mandados de busca autorizados por Dino, sobre o desvio de emendas parlamentares para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro; o deputado Mario Frias está entre os alvos.

Três pesquisas moldam a semana eleitoral. O PoderData de hoje traz o segundo turno em 47% a 45% para Flávio Bolsonaro (3.000 entrevistas, campo de 6 a 9 de setembro, registro TSE BR-04914/2026, margem de 1,8 ponto). A Gerp de ontem deu 47% a 40% no mesmo recorte e 36,6% a 34,4% no primeiro turno (2.400 entrevistas, 3 a 8 de setembro, BR-00251/2026). A AtlasIntel sai à tarde, com 5.000 entrevistas e campo de 4 a 9 de setembro, e o Datafolha sai amanhã.

Mercado

O Ibovespa fechou a quarta em 185.629,04 pontos, queda de 0,93% que interrompeu onze altas consecutivas. A ponta negativa foi dominada pelas construtoras — Tenda -6,03% e Direcional -4,37% — e pelos bancos, com BTG Pactual -2,43%, Bradesco -2,36% e Itaú -1,98%; na outra ponta, a CSN subiu 7,40%. A curva local inclinou em vez de subir por inteiro: o DI de janeiro de 2027 ficou parado em 13,58%, enquanto o de 2029 abriu 16 pontos-base, para 13,865%, e o de 2031 abriu 19,3, voltando a 14,095% e devolvendo o rompimento abaixo de 14% obtido na véspera.

Há divergência clara entre as casas sobre o que fazer com o índice nestes níveis. A Genial trabalha com viés de realização: Roberto Mota argumenta que os ventos externos ganharam intensidade e que, a 185 mil pontos, a simetria piorou para quem comprou a 175 mil, de modo que permanecer posicionado exige convicção maior na tese de alternância. O BTG lê o mesmo pregão como correção dentro de tendência de alta: Lucas Costa observa que a queda de quarta não perdeu a mínima de terça, mantém as resistências em 190 mil e depois entre 197 mil e 199 mil pontos, e considera que mesmo uma correção até 180 mil não reverteria o quadro de curto prazo. O pregão de hoje favorece a leitura do BTG.

A divergência da véspera sobre o juro americano foi arbitrada contra o BTG. A casa sustentava que a relação risco-retorno do Treasury de dez anos já ficava prejudicada a favor da abertura, com pouco espaço para a taxa subir; a Genial perguntava se ela buscaria 5%, e ela está hoje em 4,91%.

A XP publicou estudo sobre os seis bancos que respondem por mais de 70% do sistema financeiro nacional e conclui que não há restrição de crédito generalizada: a concessão segue crescendo, embora em desaceleração, a inadimplência de pessoa física roda perto do dobro da de pessoa jurídica e a cobertura de provisões permanece elevada. O crédito rural puxou a fila da inadimplência, o que pressionou Banco do Brasil e Santander. No mercado de capitais, o spread médio de crédito em CDI está em 1,53%, abaixo da média histórica, e o volume de emissões caiu 14% no acumulado do ano.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • CSN (CSNA3) — a maior alta da quarta veio da aposta de que Fabio Schvartsman acelera a venda de ativos; a Huaxin é a favorita pela CSN Cimentos, em negócio estimado em R$ 11 bilhões. A dívida líquida era de R$ 42,1 bilhões e a alavancagem de 3,49 vezes no 2T26.
  • Light (LIGT3) — encerrou a recuperação judicial.
  • Cosan (CSAN3) — último pregão dos ADSs na Nyse em 18 de setembro, com manutenção do programa Nível 1 no mercado de balcão.
  • Petrobras (PETR4) — retirou o desconto da gasolina, que volta a R$ 3,24 por litro, e ampliou para R$ 1,85 bilhão o contrato de fornecimento de gás à Braskem, com vigência até 2029. O Itaú BBA calcula defasagem de 28% no diesel e 21% na gasolina ante a paridade de importação.
  • Mercado Livre — emitiu US$ 1 bilhão em títulos de dez anos.
  • Banco do Brasil (BBAS3) e Caixa — paralisação parcial no BB e greve nacional na Caixa, por negociação do plano de saúde dos funcionários.
  • Aeroporto de Brasília — a Anac publicou o edital; o leilão será em 17 de dezembro, em bloco com dez aeroportos regionais, com R$ 1,2 bilhão de investimento e contrato até 2037.
  • B3 — BDRs de empresas brasileiras passam a integrar o universo elegível do Ibovespa no primeiro semestre de 2027, limitados a 10% da carteira teórica.

🌎 Global

Dados econômicos

O núcleo do PPI, excluídos alimentos e energia, subiu 0,2% no mês, abaixo dos 0,3% projetados; na medida que também exclui comércio, avançou 0,3% e acumula 4,7% em doze meses. A distância entre esse núcleo e o do CPI, em 2,5% em julho, mede o custo que os produtores ainda não repassaram, e é o argumento central de quem precifica aperto. O CPI de agosto sai amanhã às 9h30 de Brasília, com a FactSet projetando 3,3% no índice cheio e 2,4% no núcleo em doze meses.

Os dois leilões desta semana tiveram demanda forte. O de dez anos, US$ 39 bilhões na quarta, cortou a 4,834%, ponto e meio abaixo do secundário no momento da apuração, com demanda de 2,71 vezes a oferta — a maior desde abril de 2016 — e apenas 4,31% alocados a dealers. A reabertura de trinta anos desta quinta, de US$ 22 bilhões, saiu a 5,308%, com cobertura de 2,61 vezes contra 2,39 em agosto e 2,2% para dealers. A pressão na ponta longa tem origem no programa de recompra, não na apuração dos leilões: o Tesouro anunciou operação de até US$ 6 bilhões na faixa de dez a vinte anos para hoje, o triplo do teto habitual e ainda assim menos do que os US$ 10 bilhões que o mercado esperava.

Política

O BCE elevou a taxa de depósito em 25 pontos-base, para 2,50%, segunda alta desde o início da guerra, e revisou o crescimento de 2026 de 0,8% para 0,9%, com inflação média de 3% no ano. Christine Lagarde tratou a decisão como evidente e se recusou a sinalizar o passo seguinte, o que levou o euro a recuar para a região de US$ 1,16 apesar do tom duro do comunicado. Os juros europeus subiram: o Bund de dez anos alcançou 3,44%, máxima desde abril de 2011, e o Gilt de mesmo prazo chegou a 5,295%, maior nível em dezenove anos.

O Fed decide em 15 e 16 de setembro, com a taxa em 3,50%-3,75% e Kevin Warsh na presidência, e o mercado já embute cerca de 60% de probabilidade de uma segunda alta em dezembro. A Genial mantém posição contrária ao consenso, com Mota apostando que Warsh não sobe a taxa na semana que vem.

Donald Trump prometeu na noite de quarta, em convenção republicana em Dallas, pagamento de US$ 5.000 a cada cidadão adulto caso o partido mantenha as duas casas do Congresso. O Penn Wharton Budget Model estima custo de US$ 1,35 trilhão e efeito de 0,3 a 0,5 ponto percentual sobre a inflação nos quatro trimestres seguintes. JD Vance relativizou a proposta menos de uma hora depois, e a reação dos mercados foi contida.

Geopolítica e commodities

Os ataques recíprocos a embarcações perto de Ormuz continuaram no overnight, com explosões relatadas na Ilha de Kharg, principal terminal de exportação iraniano. Trump afirmou ter detectado atividade em Pickaxe Mountain, complexo subterrâneo próximo a Natanz nunca inspecionado pela agência atômica, e voltou a ameaçar ataques caso o Irã retome o enriquecimento. O WTI cruzou US$ 100 pela primeira vez desde maio, e o gás europeu TTF foi a € 80,90 por megawatt-hora, máxima em três anos e meio.

O cobre teve o movimento mais violento do dia entre as commodities: o contrato na Comex caiu perto de 5%, para a faixa de US$ 6,45 a US$ 6,49 a libra, depois que a Reuters informou que a Casa Branca travou a decisão de tarifar cobre refinado, priorizando o custo de vida antes das eleições de meio de mandato e desmontando o prêmio que o metal vinha construindo sobre a expectativa da tarifa. Na LME o recuo foi de 3,1%, para US$ 14.312 a tonelada, na mesma sessão em que o metal marcou recorde de US$ 14.875. A Freeport-McMoRan caía 7,02% às 13h02 de Brasília, e o minério de ferro em Dalian recuava 1,02%.

Wall Street opera em queda pelo quarto pregão consecutivo, com o S&P 500 a 7.603 pontos (-0,43%), Nasdaq -0,40% e Dow -0,54% às 13h51, e o VIX subindo 7,65%, para 17,72.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 09:00 — Pesquisa Mensal de Serviços de julho (IBGE) — divulgada, estável na margem
  • 09:20 — leilões de dólar à vista e de swap cambial reverso (BC) — realizados
  • 14:30 — pesquisa AtlasIntel de intenção de voto

Global

  • 09:15 — decisão de juros do BCE — alta de 25 pb, para 2,50%
  • 09:30 — PPI de agosto (BLS) — 5,4% em doze meses
  • 11:00 — coletiva de Christine Lagarde
  • 11:00 — vendas de casas usadas nos Estados Unidos
  • 14:00 — leilão de US$ 22 bilhões em Treasuries de 30 anos — realizado
  • 🔴 14:40 — recompra de até US$ 6 bilhões em Treasuries de 10 a 20 anos, o catalisador do dia
  • após o fechamento — resultados de Oracle e Adobe

Próximas datas-chave: IPCA de agosto e CPI americano amanhã (11/09); Plenário extraordinário do STF em 15/09; Copom e FOMC em 15 e 16/09; BoJ em 17 e 18/09.

Fontes: morning calls transcritos de BTG, XP, Genial e Pablo Spyer; Treasury Fiscal Data, Tesouro americano, BLS, IBGE, Fed; Reuters, Bloomberg, CNBC, Agência Brasil, Poder360, InfoMoney e Exame.