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Refinaria em chamas no deserto, gráfico ascendente sobre o skyline financeiro brasileiro e as colunas do Supremo em sombra

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Café com Mercado — terça, 08/09/2026

12:30 BRT

Petróleo perto de US$ 100 tensiona os juros globais, mas o Ibovespa sobe 1,5% e o real se valoriza, num descolamento que as casas atribuem à reprecificação eleitoral.

Overview

Um ataque houthi a instalações de energia da Arábia Saudita levou o Brent a tocar US$ 99,46 nesta manhã, maior nível desde 24 de julho, com o barril acumulando alta de 8,2% no mês e de cerca de 61% no ano. O alvo inclui a região da refinaria de Jizan, de 400 mil barris por dia, e as operações foram suspensas com 73 feridos. O efeito imediato apareceu na renda fixa: o Treasury de dez anos tocou 4,812% e o de trinta, 5,278%, antes de os dois recuarem no meio da manhã. O mercado atribui entre 58% e 60% de probabilidade a uma alta de juros do Fed na reunião de 16 de setembro, com o comitê em período de silêncio desde 5 de setembro e o CPI de agosto marcado para sexta-feira. O dólar não acompanhou: o índice DXY caiu abaixo de 99, devolvendo o avanço que o payroll havia produzido.

O Brasil operou na direção oposta. Esta edição cobre desde o fechamento de sexta, porque segunda foi feriado da Independência no Brasil e Labor Day nos Estados Unidos. O Ibovespa fechou sexta praticamente estável, aos 185.147 pontos, e por volta das 12h20 de hoje subia 1,8%, na faixa dos 188.500, depois de tocar 189.487 na máxima. O dólar recuava a R$ 5,0846. O gatilho é eleitoral: a BTG/Nexus divulgada hoje traz Flávio Bolsonaro com 46% contra 45% de Lula no segundo turno, primeira vez que o senador aparece numericamente à frente na série do instituto, e a Quaest de ontem registrou empate em 41%. A crise no Supremo escalou pela manhã, com André Mendonça afastando o diretor-geral da Polícia Federal. Com o Copom reunido na semana que vem, o contraste dos preços é o dado do dia: os juros globais estão em máximas de décadas e a curva brasileira, na mínima de quatro meses.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

A balança comercial de agosto, divulgada na sexta, trouxe superávit de US$ 7,394 bilhões, acima do consenso de US$ 7,14 bilhões e 23,8% maior que o de agosto do ano passado. As exportações somaram US$ 33,158 bilhões, alta de 12,2% na comparação anual, e as importações, US$ 25,764 bilhões, com avanço de 9,2%. As vendas aos Estados Unidos cresceram apesar da sobretaxa. No acumulado do ano o saldo chega a US$ 55,32 bilhões, 28,2% acima de 2025.

O Boletim Focus saiu hoje, adiado pelo feriado, e reduziu o IPCA de 2026 pela segunda semana seguida, a 5,00%. A projeção de 2027 subiu a 4,29%, a Selic terminal deste ano ficou em 13,75% e o PIB de 2026 avançou a 1,93%. O câmbio segue em R$ 5,20. O IGP-DI de agosto veio em 0,06%, depois de uma queda de 0,86% em julho. O IPCA de agosto sai na sexta e deve registrar deflação mensal, puxado pelo bônus de Itaipu na conta de luz; o Bradesco projeta -0,26%.

Política

A BTG/Nexus divulgada nesta manhã mostra Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 45% no segundo turno, dentro da margem de dois pontos, mas é a primeira medição do instituto em que o senador aparece numericamente à frente. Na rodada de 31 de agosto o placar era invertido, com Lula em 46%. No primeiro turno, Lula tem 39% contra 35%, e Augusto Cury, com 9%, também supera o presidente em simulação de segundo turno. O levantamento ouviu 2.002 eleitores entre 4 e 7 de setembro, sob registro TSE BR-06790/2026. A Quaest divulgada ontem apontou empate em 41%, com 2.004 entrevistas colhidas entre 3 e 6 de setembro e registro BR-01720/2026; no primeiro turno ela dá Lula com 36% e Flávio com 29%. As duas se somam ao Datafolha de quinta, que deu 46% a 44%, e ao PoderData, que trouxe Flávio com 45% contra 44%. São as primeiras pesquisas de campo posterior à crise no Supremo.

A crise institucional avançou nesta manhã. André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, alegando ser necessário que ministros, o advogado-geral da União e servidores atuem sem constrangimento ilegal. A decisão veio depois de Alexandre de Moraes usar relatórios da PF para acusar Mendonça de abuso de autoridade. O caso foi ao plenário virtual da Segunda Turma e formou maioria, mas Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu o julgamento, sem prazo definido, enquanto a Advocacia-Geral da União prepara contestação por invasão de competência. Nos dias anteriores, Mendonça liberou para o plenário o caso do relatório que identifica Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, o Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu procedimento para investigar o procurador-geral Paulo Gonet, e Gilmar Mendes propôs mudar o regimento interno para impedir a atuação de delegados da PF em gabinetes de ministros.

No Congresso, a MP das blusinhas não caducou: o Senado aprovou o texto em 3 de setembro, cinco dias antes do prazo, e a medida seguiu para sanção. O PLOA 2027 prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões, ou 0,13% do PIB, contando com R$ 22,4 bilhões de um leilão extraordinário do pré-sal, e destina mais recursos à defesa do que à saúde. No discurso de 7 de setembro, Lula centrou a mensagem em soberania diante da pressão americana, citando terras raras, minerais críticos e a margem equatorial.

Mercado

O Ibovespa fechou a sexta aos 185.147 pontos, queda de 0,02%, e encerrou a semana com alta de 5,4%, a segunda melhor do ano. O dólar à vista terminou a R$ 5,1296 e a PTAX de venda ficou em R$ 5,1253. O IFIX subiu 0,22%, aos 3.769,71 pontos. O movimento mais expressivo veio da curva de juros, que fechou 33 pontos-base no vencimento de janeiro de 2029 e 43 pontos-base em janeiro de 2031, terminando a 14,08%.

Há divergência clara entre as casas sobre o que o Copom faz depois da reunião da semana que vem, e as duas partem do mesmo ponto. O BTG trabalha com corte de 25 pontos-base em setembro, mas considera a pausa subsequente inevitável, porque o comitê precisaria de sinalização fiscal para seguir cortando com folga. A XP chega ao oposto por um argumento de atividade: no relatório macro de sexta a casa reduziu o PIB deste ano de 2,0% para 1,7% e passou a projetar a Selic em 13,25% ao fim de 2026 e 11,50% em meados de 2027, sustentando que a desaceleração brasileira chegou antes do previsto e que isso abre espaço para o Banco Central manter a gradualidade dos cortes sem a pausa que o mercado precificava. O Focus de hoje ainda registra Selic em 13,75% ao fim do ano.

A leitura de fluxo é o que sustenta o descolamento local. A Genial aponta que o Tesouro fez na quinta-feira a segunda maior emissão de prefixados do ano, absorvida integralmente e com boa performance no secundário, e que o estrangeiro voltou a se posicionar no juro longo, com concentração no vencimento de 2031. A entrada em bolsa no mesmo pregão foi de R$ 1,8 bilhão. A casa descreve uma sequência em que o investidor local se moveu primeiro, via opções, e o estrangeiro chegou depois, o que resolve a divergência que separava as casas na semana passada. O argumento de assimetria que ela usa: há cerca de R$ 16 trilhões parados em CDI, com fundos de ações em resgate há mais de dois anos, e uma migração de 1% a 2% desse estoque equivaleria a R$ 150 bilhões a R$ 300 bilhões. A XP, com a mesma leitura construtiva de curto prazo, reduziu pós-fixado em crédito privado e elevou prefixado em vencimentos curtos e intermediários, mas afirma que o cenário não está claro o bastante para tomar excesso de risco em ativos brasileiros.

Empresas (IPO / M&A / OPA / default)

  • Nova carteira do Ibovespa — entra em vigor hoje, com TEND3 entrando e RECV3 e SLCE3 saindo. O índice fica com 76 ativos de 74 empresas.
  • CSN (CSNA3) — a Huaxin aparece como favorita na disputa pela CSN Cimentos, com consórcio de bancos internacionais montado para financiar aquisição próxima de R$ 11 bilhões, assinatura prevista para o terceiro trimestre e fechamento até o fim do ano. A Holcim, dona de cerca de 42% da chinesa, mantém a resistência. Fábio Schvartsman assumiu a presidência com dívida líquida de R$ 42,1 bilhões e alavancagem de 3,49 vez, e mira redução de R$ 18 bilhões a R$ 20 bilhões.
  • Vale (VALE3) — suspendeu o processo de abertura de capital da Vale Metais Básicos.
  • Petrobras (PETR4) — o Ibama retificou a Licença 1684 e liberou três poços exploratórios adicionais na Foz do Amazonas, no bloco FZA-M-59.
  • Rumo (RAIL3) — caiu 2,22% na semana com a desistência do Grupo México da compra de fatia da Cosan na companhia.
  • Magazine Luiza (MGLU3) — subiu 25,3% na semana, o maior avanço do índice, com a parceria para vender cerca de 27 mil produtos de estoque próprio no marketplace do Mercado Livre.
  • Vibra (VBBR3) — aprovou a 11ª emissão de debêntures, de R$ 1,4 bilhão, a CDI mais 0,95% ao ano e prazo de sete anos. A CVC (CVCB3) aprovou emissão de até R$ 450 milhões a CDI mais 3,90%, por troca de títulos existentes.
  • Azzas 2154 (AZZA3) — a S&P rebaixou o rating nacional para brAA e colocou a nota em observação negativa.

🌎 Global

Dados econômicos

O CPI de agosto sai na sexta e é o dado que Christopher Waller disse que pesará no voto dele. O consenso aponta alta de 0,3% no mês para o índice cheio e de 0,2% para o núcleo, contra 3,4% e 2,5% na comparação anual de julho. O Goldman Sachs projeta núcleo um pouco acima, em 0,36% mensal, e o nowcast do Fed de Cleveland vai além do consenso no índice cheio, com 3,38% no acumulado de doze meses. O PPI sai na quinta; a leitura de julho ficou em 4,7% no ano. Na China, o superávit comercial de agosto subiu a US$ 119,09 bilhões, com exportações 25% maiores na comparação anual, puxadas por bens ligados a inteligência artificial, e importações 28,2% acima, infladas pelo preço do petróleo.

O emprego americano fechou a semana passada com 162 mil vagas em agosto contra consenso de 53 mil, e as revisões de junho e julho somaram outras 55 mil. Nos Estados Unidos, o diesel no varejo chegou ao recorde de US$ 5,85 por galão, com a margem de refino batendo máxima histórica de US$ 108,02 por barril e os estoques de destilados na menor média para um mês de agosto desde 1982.

Política

O Federal Reserve entrou em período de silêncio em 5 de setembro, que vai até 17 de setembro, de modo que a fala de Waller na quinta passada é a última manifestação oficial antes da decisão. O diretor condicionou o apoio à manutenção da taxa a um CPI comportado, apoiado na queda da média trimestral do núcleo do índice de gastos pessoais de 4,76% em fevereiro para 3,05%. A posição contrasta com a de Kevin Warsh, que trata a inflação como preocupação predominante, e a reunião de julho já havia registrado três votos dissidentes por alta. A precificação por reunião mostra o mercado trabalhando com mais de um movimento: cerca de 60% para setembro, 70% para outubro e 85% para dezembro, na leitura que o BTG apresentou.

Há divergência entre as casas sobre se o Fed entrega o que sinaliza. A Genial sustenta a tese oposta ao consenso, de que o comitê fala duro mas não sobe, num quadro de repressão financeira em que a dominância fiscal obriga os bancos centrais a tolerar juro real comprimido. A casa aponta como evidência o comportamento do câmbio: os juros americanos subiram nesta manhã e o dólar caiu, o que na leitura dela indica investidor reduzindo exposição à moeda americana em vez de comprá-la. O BTG trabalha no sentido inverso e formula a questão que o comitê enfrenta: se cabe esfriar a economia para compensar um choque de energia que a política monetária não alcança.

Amanhã o Tesouro americano inicia a etapa em que o teto por operação de recompra em cupons longos dobra, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões, nos setores de dez a vinte e de vinte a trinta anos, regime que vale até 4 de novembro. A operação coincide com o leilão de dez anos. O BCE decide na quinta, com alta de 25 pontos-base e taxa de depósito a 2,50% dadas como praticamente certas, num quadro em que a inflação cheia da região subiu a 3,3% por energia enquanto a de serviços recuou a 3,0%. No Japão, o salário nominal de julho avançou 4,7% na comparação anual, maior alta desde janeiro de 1997, e o PIB do segundo trimestre foi revisado para cima, o que elevou a probabilidade de alta na reunião de 18 de setembro.

Geopolítica e commodities

O ataque houthi atingiu Abha, Jazan, Najran e Khamis Mushait, com 73 feridos e incêndios em instalações de energia. Antes disso, no fim de semana, a Guarda Revolucionária iraniana disparou mísseis contra dois navios de guerra americanos e o Comando Central respondeu atingindo três petroleiros iranianos. O Irã anunciou que vai declarar uma zona de exclusão marítima fora do Estreito de Ormuz, onde pretende deter embarcações sem autorização de Teerã. O tráfego pelo estreito segue deprimido, com média de cerca de dez navios por dia nos últimos dez dias segundo a Kpler, contra perto de cem antes do conflito. Os países do corte voluntário da OPEP+ reuniram-se no domingo e mantiveram a produção inalterada para outubro, sem reação baixista no preço.

O cobre renovou máxima histórica, negociado a US$ 6,85 por libra na COMEX, com pico de 6,873 e alta de 2,5%. O minério de ferro subiu 1,36% em Dalian, a 744,5 yuans por tonelada, quarta alta seguida. O ouro recuou a cerca de US$ 4.397 e o bitcoin operava perto de US$ 78,5 mil, abaixo dos US$ 82 mil tocados na semana passada. O iene chegou a 152,88 por dólar, máxima de sete meses, e derrubou o Nikkei em 1,70% ao encarecer as exportadoras, depois de o índice ter subido 2,12% na segunda. Na Europa, o Gilt de trinta anos levou o Tesouro britânico a pagar no leilão de hoje a maior taxa desde a criação do escritório de dívida, em 1998, e o Bund de trinta anos está acima de 3,84%, máxima desde 2011.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 11:30 — Leilão de LFT e NTN-B (Tesouro Nacional), teste de apetite pela dívida indexada
  • 15:00 — Balança comercial semanal (Secex)

Global

  • 13:00 — ⬅ catalisador do dia: Leilão de Treasuries de 3 anos (Tesouro americano)
  • 14:15 — Inflação ao consumidor e ao produtor da China de agosto

Próximas datas-chave: 9/9 primeira recompra de cupons longos com teto dobrado e leilão de dez anos nos Estados Unidos; 10/9 decisão do BCE, PPI americano, leilão de trinta anos e resultado da Oracle; 11/9 CPI dos Estados Unidos e IPCA de agosto no Brasil; 15 e 16/9 Copom e FOMC; 17 e 18/9 BoJ; 24/9 encontro Trump-Xi; 4/10 primeiro turno e reunião da OPEP+.

Fontes: Morning Call BTG, Morning Call XP, Morning Call Genial, Minuto Touro de Ouro, InfoMoney, Money Times, Exame — BTG/Nexus, CNN — Quaest, Poder360, Senado, NPR — Houthis, CNBC — Treasuries, CNBC — China, Treasury, Morningstar — CPI, Reuters via Investing — BCE, CNBC — OPEP+, FIIs.com.br.