
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Café com Mercado — Quinta, 23/07/2026
09:45 BRT
Houthis atacam petroleiros sauditas e o petróleo dispara, enquanto o Ibovespa rompe cinco pregões de queda de olho na sobretaxa dos EUA esperada amanhã.
Overview
A escalada no Oriente Médio entrou na 12ª noite consecutiva de ataques americanos ao Irã, e os houthis atacaram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho — o Encelia e o Layla —, com incêndio confirmado na proa do primeiro, sob alegação de violação ao bloqueio imposto à Arábia Saudita, ameaçando o fluxo de cerca de 6 milhões de barris/dia pelo estreito de Bab-el-Mandeb. A Guarda Revolucionária iraniana reportou incêndio em outro petroleiro que tentou cruzar uma rota minada ao sul de Ormuz, e Trump ameaçou novos ataques a alvos no Irã. O Brent sobe para a faixa de US$96-98 (máxima desde maio) e o WTI para US$88-90 (máxima desde 8 de junho), com a gasolina nos EUA já 36% mais cara desde o início do conflito. Wall Street soma a isso um "choque de gastos" em inteligência artificial: a Alphabet bateu receita e lucro do 2º trimestre — nuvem crescendo 82% — mas elevou o capex projetado de 2026 para até US$205 bilhões e reportou fluxo de caixa livre negativo em US$5,9 bilhões, derrubando a ação entre 3% e 4% fora do pregão; a Tesla superou a receita mas decepcionou no lucro por ação, com capex saltando 142% e o primeiro trimestre de caixa livre negativo em dois anos, e recuou entre 5,5% e 6,2%. Os futuros de Nova York operam em leve baixa, o Fed de Kevin Warsh segue sem sinalizar a decisão de 28-29 de julho, e o BCE decide as taxas hoje, com manutenção esperada em 2,25%.
O Brasil segue na contramão do humor mais cauteloso lá fora: o Ibovespa rompeu uma sequência de cinco pregões de queda com um salto de 2,44% na quarta, a 177.548 pontos — 72 das 78 ações do índice subiram, puxadas por Petrobras e pelo próprio petróleo —, e o dólar recuou a R$5,053, o menor nível desde 2 de junho. O mercado parece ter digerido a tarifa de 25% dos EUA, em vigor desde a madrugada de terça; a atenção agora se volta para a segunda sobretaxa, de 12,5% por suposto uso de trabalho forçado, com anúncio esperado para amanhã e dúvida sobre se será cumulativa — chegando a 37,5% — ou substitutiva. O Copom só volta a se reunir em 4-5 de agosto, e o STF concluiu hoje, por unanimidade, o julgamento que restringe a compra de terras rurais por empresas brasileiras controladas por estrangeiros.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
O fluxo cambial acumulado em 2026 segue positivo em US$17,946 bilhões até julho, segundo o Banco Central — um dos motores por trás da valorização do real, que já cai 7,95% no ano.
Política
A tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros, em vigor desde a madrugada de terça (com exceções para café, carne bovina, suco de laranja e aeronaves/peças), parece precificada pelo mercado — um dos fatores citados para a disparada do Ibovespa apesar do tarifaço. A segunda sobretaxa, de 12,5% por suposto trabalho forçado (investigação da Seção 301 aberta em março), tem anúncio esperado para amanhã, sem confirmação de antecipação; a dúvida central é se será cumulativa com os 25% — afetando cerca de 18% das exportações brasileiras aos EUA, ~US$7,4 bilhões em base 2024 — ou substitutiva. O ministro do MDIC, Durigan, reafirmou que o Brasil não deixará a mesa de negociação, enquanto parte do empresariado pressiona pela aplicação da Lei de Reciprocidade Comercial contra os americanos. O STF concluiu hoje, por unanimidade, o julgamento da ADPF 342, validando restrições à compra de terras rurais por empresas brasileiras controladas por estrangeiros.
Mercado
O Ibovespa fechou quarta em alta de 2,44%, a 177.548 pontos, encerrando a sequência de cinco pregões de queda — leitura de retomada de fluxo estrangeiro, turbinada pela alta do Brent e pelo desempenho de Petrobras (PETR3 +2,4%, PETR4 +2,2%) e Prio (+2,7%). O futuro do índice abre a manhã perto de 178.300-178.775 pontos, com viés levemente negativo refletindo o exterior mais fraco (suportes técnicos em 178.700 e 177.985, resistências em 179.220 e 179.490). O dólar fechou a R$5,053, o menor valor desde 2 de junho, terceira queda seguida, e abre a manhã perto de R$5,08. Há divergência clara entre as casas sobre o momento da bolsa: a Genial reforçou o viés defensivo na carteira de julho, retirando Ambev, Ultrapar, Usiminas, Vale e Vibra para incluir BB Seguridade, Copel, Caixa Seguridade, Eneva e Tenda, enquanto o Itaú BBA mantém a projeção mais otimista do mercado, com o Ibovespa a 185 mil pontos até o fim de 2026 — mesmo após cortar a estimativa de lucro do Banco do Brasil para 2026 de R$21,2 bilhões para R$18,4 bilhões e o preço-alvo de R$22 para R$21. A Empiricus trocou Direcional por Cyrela na carteira de dividendos de julho, mantendo Petrobras, Vale, Itaú, B3 e Telefônica, e a Inter Invest destaca alfa de 3,1 pontos percentuais sobre o Ibovespa no acumulado do ano.
Empresas
- Simpar (SIMH3): vendeu 100% da operação portuária CS Porto Aratu — terminais ATU-12 e ATU-18, na Bahia, voltados a agronegócio, cobre, minério e magnesita — por R$1,8 bilhão.
🌎 Global
Dados econômicos
A temporada de resultados joga luz sobre o apetite de gasto das gigantes de tecnologia: a Alphabet superou receita e lucro do 2º trimestre, com a nuvem crescendo 82%, mas elevou o capex projetado de 2026 para a faixa de US$195-205 bilhões e reportou fluxo de caixa livre negativo em US$5,9 bilhões no trimestre — a ação caiu entre 3% e 4% fora do pregão. A Tesla registrou receita de US$28,24 bilhões, acima da estimativa de US$25,71 bilhões, mas o lucro por ação de US$0,33 ficou aquém dos US$0,51 esperados, com o capex saltando 142% e o primeiro fluxo de caixa livre negativo em mais de dois anos — a ação recuou entre 5,5% e 6,2%. A imprensa americana já batiza o dia de "choque de gastos" em IA, fator que pesa sobre os futuros de Nova York, em queda de cerca de 0,3%-0,4% nesta manhã.
Política
O Banco Central Europeu decide as taxas hoje, com manutenção esperada em 2,25% após a alta de junho; a coletiva de Lagarde acontece na sequência, com o mercado de olho em sinais sobre o ritmo do afrouxamento à frente, num pano de fundo de inflação da zona do euro em 2,8% e crescimento do PIB projetado em 0,8%. Nos EUA, o presidente do Fed, Kevin Warsh, segue sem sinalizar a decisão de 28-29 de julho, e o mercado precifica cerca de 61% de chance de novo movimento na reunião de setembro. As Treasuries de 10 anos operam perto de 4,63%-4,66%, máxima em dois meses, com as de 2 anos em torno de 4,26%.
Geopolítica e commodities
Os houthis atacaram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho — Encelia e Layla —, com incêndio confirmado na proa do primeiro, sob alegação de violação ao bloqueio imposto à Arábia Saudita; o ataque ameaça o fluxo de cerca de 6 milhões de barris/dia pelo estreito de Bab-el-Mandeb. No Golfo, os EUA completaram a 12ª noite consecutiva de ataques ao Irã, cuja Guarda Revolucionária reportou incêndio em petroleiro que tentou cruzar uma rota minada ao sul de Ormuz; Trump ameaçou novos ataques a alvos iranianos. O Brent sobe para a faixa de US$96-98 (máxima desde maio) e o WTI para US$88-90 (máxima desde 8 de junho); a gasolina nos EUA já custa US$4,06 o galão (+36% desde o início da guerra) e o diesel, US$5,18 (+38%). Ouro (US$4.089,80, -0,99%), prata (US$58,77, -1,59%) e cobre (US$6,44/lb) recuam levemente, enquanto o bitcoin opera perto de US$65.659. Na Ásia, o Kospi disparou 4,40%, a 7.096,89 pontos, no maior rali do ano puxado por semicondutores, e o Nikkei avançou perto de 66.500 pontos; já o Hang Seng fechou em queda de 0,95%, a 24.892,66 pontos, com realização de lucro em chips e tecnologia, e o Xangai subiu 0,3%. Na Europa, o CAC 40 perde cerca de 1%, a 8.353 pontos, em meio a uma avalanche de resultados corporativos (BNP Paribas, Carrefour, Thales, TotalEnergies, entre outros) — destaque para o tombo de 14% da STMicroelectronics —, e o Stoxx 600, o DAX e o FTSE cedem entre 0,2% e 0,6%.
📅 Agenda do dia
Brasil:
- Hoje — Expert XP 2026, maior festival de investimentos do país, começa em São Paulo, reunindo convidados internacionais como a ex-secretária do Tesouro americano Janet Yellen.
- Amanhã, 24/7 — expectativa de anúncio da segunda sobretaxa dos EUA (12,5%, trabalho forçado) sobre produtos brasileiros — catalisador-mãe da semana.
Global:
- Hoje — decisão de juros do BCE e coletiva de Christine Lagarde, com manutenção esperada em 2,25%.
- Próximas datas-chave: FOMC de 28-29/7 nos EUA; sobretaxa adicional dos EUA sobre o Brasil (24/7).
Fontes: InfoMoney · Money Times · eJornais · Agência Brasil · Poder360 · CNBC · CNBC · Bloomberg · FXLeaders · Diário do Grande ABC · Asia Business Daily · BBN Times
