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Colagem fotorreal dramática de petroleiro em chamas em estreito ao entardecer, silhuetas de navios de guerra e mesa de operações com gráfico em queda ao fundo

terça-feira, 21 de julho de 2026

Café com Mercado — ter, 21/07/2026

09:35 BRT

Petróleo fura US$90 com tanque atingido em Ormuz e décima noite de ataques dos EUA ao Irã; tarifa de 25% dos EUA sobre o Brasil entra em vigor amanhã; Ásia dispara na recuperação do selloff de chips.

Overview

A escalada no Golfo Pérsico voltou a comandar o humor global. Um navio-tanque foi atingido por projétil não identificado no Estreito de Ormuz nesta madrugada, forçando o abandono da embarcação, enquanto os Estados Unidos completaram a décima noite consecutiva de ataques ao Irã via Centcom — Trump prometeu que Teerã "vai pagar" pela morte de três soldados americanos no fim de semana, mesmo com mediadores do Catar, Egito, Omã e Paquistão propondo uma trégua de dez dias. O tráfego marítimo em Ormuz caiu a cerca de três navios por dia, ante uma média de 110 antes do conflito, e os rebeldes Houthis ameaçam agora um segundo estrangulamento, no Estreito de Bab-el-Mandeb. O Brent furou os US$90 intraday depois de fechar segunda perto de US$89, e o ouro avança para perto de US$4.022. Ainda assim, a aversão ao risco convive com um alívio técnico nos mercados acionários: a Ásia disparou nesta terça — Nikkei +3,3% no primeiro pregão pós-feriado, Kospi +3,6% — recuperando parte do tombo provocado pelo modelo aberto chinês da Moonshot AI, que havia varrido US$3,3 trilhões em valor de semicondutores na semana passada. Os futuros de Wall Street abrem no positivo e o VIX recua para perto de 17,7, mas o pano de fundo estrutural sobre a comoditização da inteligência artificial segue no radar, com a temporada de balanços ganhando peso a partir de amanhã (Alphabet e Tesla) e o Fed de Kevin Warsh adotando tom mais duro diante do novo choque inflacionário do petróleo.

No Brasil, a bolsa fechou a segunda-feira em queda mesmo com o petróleo em alta, castigada por Braskem e por nomes mais sensíveis ao ciclo de juros, e o câmbio segue ancorado perto de R$5,10 sustentado pelo carry trade. O Boletim Focus, divulgado na véspera, manteve a Selic estável em suas projeções, mas o horizonte mais longo de inflação piorou — um sinal a acompanhar. A partir de amanhã o país convive com a tarifa adicional de 25% dos EUA em vigor, sem sinal de acordo de última hora, enquanto o calendário eleitoral acelera: as convenções partidárias começaram na segunda e uma nova pesquisa mostra, pela primeira vez, um nome da terceira via à frente de Lula no segundo turno dentro da margem de erro. É nesse cruzamento entre petróleo, tarifa e eleição que o mercado local tenta precificar o próximo passo do Copom.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O Boletim Focus de segunda-feira manteve a Selic estável em 14,00% para o fim de 2026 e 12,00% para 2027, com o mercado seguindo a precificar apenas mais um corte de 0,25 ponto no Copom de agosto antes de uma pausa. O câmbio também não teve alteração (R$5,20 em 2026 e R$5,28 em 2027) e o PIB permaneceu em 1,99% e 1,65%. O destaque ficou para a inflação: o IPCA de 2026 recuou pela terceira semana seguida, de 5,16% para 5,15%, mas a projeção para 2028 — horizonte mais próximo do relevante para o Banco Central — piorou, de 3,70% para 3,78%, um ajuste que preocupa mais do que a leitura de curto prazo. A curva de juros local reagiu à escalada no Golfo: a NTN-B mais longa abriu cerca de seis pontos-base, a 8,40%, enquanto a ponta curta fechou cinco pontos-base, refletindo a expectativa de um último corte no ciclo. O Tesouro Nacional realiza hoje, às 11h, leilão de títulos públicos que deve testar a demanda por papéis brasileiros num momento de curva de juros reais estressada.

Política

O tarifaço de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entra em vigor amanhã, atingindo entre 17% e 18% da pauta exportadora ao país — impacto estimado em apenas 0,03 ponto percentual do PIB para 2026, já que boa parte da produção afetada em 2025 foi redirecionada a outros mercados. Café e café solúvel conseguiram exceção graças a lobby do setor, mas uma tarifa adicional de 12,5% sobre outros setores pode ser anunciada já amanhã. O governo vê pouco espaço para negociação antes das eleições, avaliando que Trump está posicionado mais próximo do entorno de Flávio Bolsonaro e só deve retomar o diálogo após o resultado de outubro; a estratégia é diversificar mercados via Mercosul, Efta, Canadá, Japão e Emirados. No Congresso, o recesso esvaziou a pauta e a PEC da Escala 6x1 — que reduziria a jornada de 44 para 40 horas semanais — deve ficar travada até depois da eleição, já que o prazo para promulgação com efeitos antes do pleito vence em 4 de agosto e ainda há indefinição sobre as regras de transição. No front eleitoral, as convenções partidárias começaram na segunda-feira e vão até 5 de agosto, com a do PL marcada para sábado, dia 25; uma nova pesquisa Real Time Big Data divulgada hoje mostrou, pela primeira vez, Ronaldo Caiado numericamente à frente de Lula num cenário de segundo turno — dentro da margem de erro —, com Lula também tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro. Caiado já confirmou Gilberto Cassab (PSD) como vice, enquanto o nome que acompanhará Flávio segue indefinido, com expectativa de ser uma mulher. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de evento do mercado financeiro na sexta-feira e pode sinalizar a leitura da autoridade monetária sobre a trajetória da Selic diante da piora do cenário externo.

Mercado

O Ibovespa fechou a segunda-feira em queda de 0,20%, a 173.371 pontos, pressionado por Braskem (-3,7%, em meio às preocupações com sua reestruturação) e por Idux (-4,7%, a maior queda do pregão), enquanto Brava Energia (+2,5%) se beneficiou da alta do petróleo. Nesta terça, o futuro abre perto de 174.600 pontos e avança para a faixa de 175.700-175.800 (cerca de +0,4% a +0,5%), acompanhando o alívio global e a recuperação dos mercados asiáticos. O dólar opera entre R$5,08 e R$5,11, perdendo força ante moedas emergentes. Há divergência clara entre as casas na leitura do ciclo que se abre entre petróleo, juros e eleição: o Itaú BBA promoveu a troca mais agressiva de julho, renovando 80% de sua carteira recomendada — saíram Aura Minerals, BTG Pactual, Equatorial e Petrobras, entraram Embraer, Nubank, Sabesp e Bradesco, um giro claro para nomes domésticos e defensivos às vésperas do ciclo eleitoral. A XP foi na direção oposta, mantendo praticamente intactos os 14 nomes de sua carteira de julho, com exposição preservada a commodities e bancos, como Petrobras, Vale, Gerdau, BTG Pactual e Itaú. O BTG Pactual ficou no meio do caminho, com ajustes pontuais — trocou Motiva e Equatorial por TIM e Ambev na carteira de dividendos, e Banco Pine e SBF por Banco Inter e Marcopolo nas small caps.

Empresas

  • Brava Energia (BRAV3): a colombiana Ecopetrol republicou o edital da OPA para assumir o controle da companhia, com leilão marcado para 5 de agosto. A oferta é de R$23,00 por ação ordinária para cerca de 116,1 milhões de papéis (~25% do capital), o suficiente para levar a participação da Ecopetrol a 51%. O processo havia sido suspenso pela CVM em junho por exigências técnicas; a autarquia deu provimento ao recurso da Ecopetrol em 14 de julho.
  • Gerdau (GGBR4): concluiu a aquisição dos 23,03% que a Celesc detinha na Dona Francisca Energética (DFESA), dona da UHE Dona Francisca (RS), por enterprise value de R$150 milhões (desembolso de cerca de R$154 milhões). A siderúrgica já detinha o restante do capital, e o Cade também aprovou nesta segunda a compra de uma fatia equivalente de 23,03% que pertencia à Copel na mesma usina, ainda sem fechamento confirmado.
  • T4F Entretenimento (SHOW3): o leilão da OPA de fechamento de capital foi concluído na segunda-feira — o controlador Fernando Luiz Alterio arrematou 58,13% do free float (82,18% do quórum necessário) a R$6,02 por ação, superando os dois terços exigidos para cancelar o registro na CVM. A liquidação está prevista para amanhã; acionistas que ficaram de fora têm até 20 de agosto para vender ao mesmo preço, corrigido pela Selic.

🌎 Global

Dados econômicos

A temporada de balanços americana ganha tração: GM, Halliburton e 3M reportam hoje, com Alphabet e Tesla na quarta-feira. Além do interesse pelas big techs, o mercado passa a observar mais de perto se empresas de setores tradicionais conseguem ganhos de produtividade e redução de custos com o uso de inteligência artificial — uma possível segunda perna de valorização depois de um ciclo dominado pelas Magnificent 7.

Política

O Federal Reserve, sob a nova presidência de Kevin Warsh, mantém tom mais duro diante do choque inflacionário do petróleo, e parte do mercado já discute o risco de uma eventual alta de juros em vez do corte antes esperado — o comitê segue dividido entre manter e apertar. O próximo FOMC ocorre em 28 e 29 de julho. Trump também reabriu a frente tarifária fora do Brasil: os Estados Unidos aplicaram tarifas adicionais de 50% sobre uma série de produtos canadenses via Seção 338, reforçando a leitura de que a estratégia comercial da Casa Branca segue ativa e é, em si, mais um fator inflacionário a monitorar.

Geopolítica e commodities

A guerra entre Estados Unidos e Irã chegou à décima noite consecutiva de ataques americanos, com um navio-tanque atingido por projétil não identificado no Estreito de Ormuz nesta madrugada e o tráfego na região praticamente paralisado. O Kuwait sofreu ataques pelo quarto dia seguido contra instalações de energia e dessalinização, e a Jordânia interceptou três mísseis iranianos. Os rebeldes Houthis, apoiados pelo Irã, ameaçam agora fechar também o Estreito de Bab-el-Mandeb, no Mar Vermelho — outro ponto de estrangulamento usado pela Arábia Saudita para escoar petróleo, o que ampliaria o choque de oferta para além de Ormuz. Mediadores do Catar, Egito, Omã e Paquistão propuseram uma trégua de dez dias, mas Washington sinaliza querer um prazo maior antes de aceitar. O Brent furou os US$90 o barril intraday antes de recuar, o WTI opera perto de US$82-83, o ouro avança para perto de US$4.022, a prata rompeu US$58 a onça e o cobre está em torno de US$6,51 a libra — todos succionando fluxo de proteção. O Bitcoin sobe cerca de 2%, para a faixa de US$66 mil. Do lado cambial, o dólar global (DXY) segue perto de máxima de uma semana, perto de 101 pontos, com o iene ainda pressionado perto de mínimas de décadas ante o risco de intervenção do Banco do Japão, e o rendimento da Treasury de 10 anos gira perto de 4,55%-4,59%. Para o Brasil, a escalada é uma faca de dois gumes: sustenta papéis ligados a petróleo como Brava Energia e Petrobras, mas alimenta a pressão inflacionária que a curva de juros já vinha precificando.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 11:00 — Leilão de títulos públicos do Tesouro Nacional
  • Amanhã (22/7) — Tarifa adicional de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor — catalisador-mãe da semana
  • Amanhã (22/7) — Liquidação da OPA da T4F (SHOW3)
  • Vale (VALE3) divulga hoje, após o fechamento, o relatório de produção e vendas do segundo trimestre

Global:

  • Resultados de GM, Halliburton e 3M hoje
  • Décima noite de ataques dos EUA ao Irã segue no radar, com risco de novo estrangulamento em Bab-el-Mandeb

Próximas datas-chave: Alphabet e Tesla reportam resultados (22/7); convenção do PL (25/7); FOMC (28-29/7); leilão da OPA da Ecopetrol pela Brava Energia (5/8).

Fontes: Morning Call XP (21/07) youtube.com/watch?v=Rnf3cqJxMSg · Morning Call BTG Pactual (21/07) youtube.com/watch?v=Bw_49tPkkPo · Money Times, transmissão ao vivo (21/07) youtube.com/watch?v=a9QmaJONFyA · InfoMoney · Exame · Forbes Brasil · Money Times · Seu Dinheiro · NeoFeed · Poder360 · Brasil247 · Jornal do Comércio · Bloomberg · CNBC · Euronews · Washington Post · Tech Times · InvestNews · B3 · CanalEnergia