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Colagem fotorreal com um chip de semicondutor trincado, uma mesa de operações com gráfico em queda ao fundo e um petroleiro em um estreito ao entardecer com fumaça ao longe

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Café com Mercado — Sex, 17/07/2026

09:45 BRT

Nikkei entra em correção técnica com o contágio do selloff de chips liderado pela TSMC, o petróleo rompe resistência com a escalada Irã-EUA no Golfo Pérsico, e o IBC-Br surpreende positivamente no Brasil.

Overview

O rali global de inteligência artificial voltou a ser testado nesta sexta-feira. A TSMC surpreendeu com lucro recorde no segundo trimestre, mas elevou o capex de 2026 para até US$64 bilhões e anunciou mais US$100 bilhões em investimento no Arizona — elevando o compromisso total nos Estados Unidos a US$265 bilhões para ao menos quatro novas fábricas de 2 nanômetros —, e o medo de superinvestimento sem retorno garantido contaminou a própria Ásia, que já sangrava desde ontem: o Nikkei caiu 4%, entrou em correção técnica e opera mais de 10% abaixo do topo de 25 de junho, com a TSMC recuando 7,3% em Taiwan e Tokyo Electron, Advantest e SoftBank liderando as perdas no Japão. Os futuros americanos abrem no vermelho — Nasdaq-100 recua 1,6%, S&P 500 cai 0,8% —, enquanto Kospi e Kosdaq, que tombaram mais de 6% e 8% na quinta com SK Hynix e Samsung em queda de dois dígitos, ficam hoje fechados por feriado. No Oriente Médio, o petróleo finalmente passou a acompanhar a escalada entre Estados Unidos e Irã: depois de dias resistindo à tensão no Estreito de Ormuz, o Brent rompeu a resistência e sobe a US$85,95 (+2%), acumulando alta superior a 11% na semana, a melhor desde abril. Do lado corporativo, a Netflix decepcionou — lucro por ação acima do esperado não segurou a ação, que caiu quase 9% no after-market por causa de orientação fraca para o terceiro trimestre e engajamento em baixa.

O Brasil segue relativamente blindado do tremor tecnológico asiático. O Ibovespa fechou a quinta-feira em queda de 1,24%, a 173.825 pontos, pressionado mais pela retórica dura de dirigentes regionais do Federal Reserve — que voltaram a defender juros mais altos diante de inflação disseminada — e pelo contágio de Wall Street do que pela tarifa de 25% já precificada; o dólar segue ancorado perto de R$5,10. A notícia positiva do dia veio dos dados: o IBC-Br de maio, proxy do PIB, surpreendeu com alta de 0,1% ante expectativa de contração de 0,2%, reforçando a resiliência da atividade mesmo com a Selic em 14,25%. No radar de política monetária, o mercado ampliou para cerca de 86% a probabilidade implícita em opções de um corte de 0,25 ponto no Copom de 4 e 5 de agosto. Já no front comercial, o desconforto em torno da tarifa segue latente — o chanceler Mauro Vieira classificou de inaceitáveis as declarações do secretário de Estado americano, e o STF disse que não vai aceitar pressão externa —, mas o governo optou por adiar qualquer retaliação formal, apostando na via diplomática.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O IBC-Br de maio, divulgado hoje pelo Banco Central, subiu 0,1% no mês — batendo a expectativa de contração de 0,2% — e reforça a leitura de uma economia que resiste à Selic em 14,25%. Já o IGP-10 de julho, também de hoje, veio mais negativo que o esperado: recuou 1,13% ante consenso de -0,99%, puxado pela queda de preços de commodities agrícolas e combustíveis no período de coleta, com o acumulado em 12 meses recuando a 2,68%.

Política

O chanceler Mauro Vieira classificou de inaceitáveis e ofensivas as declarações do secretário de Estado americano Marco Rubio sobre o Judiciário brasileiro, na esteira da tarifa de 25% confirmada anteontem; o STF, pela voz do ministro Edson Fachin, respondeu que a Corte não vai aceitar pressão ou condicionamento de natureza externa sobre suas decisões. Apesar do desconforto, o governo Lula optou por não acionar de imediato a Lei de Reciprocidade Econômica, preferindo a via diplomática e o reforço do programa Brasil Soberano para os setores mais expostos à tarifa, que entra em vigor em 22 de julho.

Mercado

Há divergência clara entre as casas sobre até onde vai a alta do Ibovespa até o fim de 2026. O Safra é o mais otimista, com projeção de 220 mil pontos; o BB Investimentos mira 205 mil; e a XP, que via 196 mil pontos há poucas semanas, revisou para cima e passou a projetar 205 mil, citando visão mais construtiva para o mercado doméstico. Já o BTG chama atenção para a sazonalidade — julho é historicamente um dos meses mais favoráveis ao índice na série histórica —, argumento técnico que sustenta a leitura mais construtiva de curto prazo. Nos níveis, o Ibovespa fechou a quinta a 173.825 pontos (-1,24%), pressionado pelo tom mais duro do Fed e pelo contágio de Wall Street, com os futuros de hoje indicando abertura estável a levemente positiva; o dólar fechou perto de R$5,10 e abre a manhã em R$5,0788.

Empresas

  • T4F Entretenimento (SHOW3): a CVM aprovou a OPA para fechamento de capital movida pelo controlador Fernando Luiz Alterio a R$5,59 por ação — prêmio de cerca de 34,5% sobre o preço anterior ao anúncio; o prazo para acionistas se habilitarem encerra hoje, com leilão marcado para 20 de julho na B3.

🌎 Global

Dados econômicos

Nos Estados Unidos, os dados de ontem reforçaram um quadro de atividade sólida em contraste com o nervosismo acionário: as vendas no varejo de junho subiram 0,2% (em linha com o esperado), o pedido de seguro-desemprego veio em 208 mil, abaixo do consenso de 218 mil, e o índice Fed da Filadélfia surpreendeu para cima, em 41,4, quase quatro vezes o esperado.

Política

Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, encerrou nesta semana seu primeiro testemunho semestral no Senado reafirmando o compromisso de combater a inflação e negando qualquer orientação da Casa Branca; anunciou a criação de forças-tarefa internas para revisar comunicação, balanço patrimonial, dados econômicos e produtividade do banco central. O mercado segue sem precificar alta de juros americana este ano, mas dirigentes regionais do Fed — como Lorie Logan, do Fed Dallas, e Jeff Schmid, do Fed Kansas City — voltaram a defender publicamente uma postura mais dura diante de sinais de inflação disseminada, contribuindo para a alta do VIX ontem.

Geopolítica e commodities

A escalada entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz não deu trégua: o Irã atirou contra um navio comercial e ameaçou fechar o estreito, os EUA retaliaram atingindo múltiplos alvos iranianos, e Teerã revidou atingindo posições na Jordânia, no Catar, no Kuwait e em Omã — o tráfego pelo estreito já caiu mais da metade na semana. Trump recuou da cobrança de um pedágio de 20% sobre embarcações, dizendo que o estreito está aberto a todo tráfego, exceto do Irã, mas o regime iraniano ameaça agora atacar infraestrutura regional caso instalações-chave do país sejam atingidas. O petróleo finalmente reagiu: o Brent rompeu a resistência que vinha segurando o preço e sobe a US$85,95 (+2%), acumulando mais de 11% na semana; o WTI opera perto de US$79,74. Do lado dos metais, o ouro se aproxima de US$4.000 a onça, a prata sobe a US$56 e o cobre cai 1,65%, a US$6,19 a libra, pressionado pela aversão a risco; o bitcoin recua a US$63.394.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • IBC-Br de maio (BC) e IGP-10 de julho (FGV) já divulgados hoje pela manhã — ver seção Dados econômicos.
  • Prazo final para acionistas da T4F (SHOW3) se habilitarem para a OPA de fechamento de capital; leilão na B3 em 20/07.
  • 22/07 — entrada em vigor da tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros, catalisador-mãe da semana.

Global:

  • Kospi e Kosdaq reabrem na segunda-feira após feriado, primeiro teste de continuidade (ou não) do selloff de chips coreano.
  • Sem divulgação de dado macro de peso nos EUA hoje; mercado de olho na reação em cadeia do setor de semicondutores após TSMC, Tokyo Electron e Advantest.
  • Próximas datas-chave: Copom em 4 e 5 de agosto; temporada de resultados do 2º trimestre nos EUA ganha tração nas próximas semanas, com o mercado de olho no capex das gigantes de tecnologia.

Fontes: seudinheiro.com; infomoney.com.br; moneytimes.com.br; investing.com/br; blocktrends.com.br; correiobraziliense.com.br; brasil247.com; euqueroinvestir.com; tomshardware.com; 247wallst.com; kavout.com; bnnbloomberg.ca; marketscreener.com; sundayguardianlive.com; bloomberg.com; tradingeconomics.com; alanchand.com; npr.org; cnbc.com; fred.stlouisfed.org; federalreserve.gov; cnn.com; thewrap.com; benzinga.com; riotimesonline.com.