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Colagem fotorreal com contêineres de comércio, chips de semicondutores e um petroleiro no Estreito de Ormuz sob luz dramática

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Café com Mercado — Qui, 16/07/2026

09:45 BRT

Tarifa de 25% dos EUA ao Brasil é confirmada com isenções amplas, mas o susto do dia é a realização generalizada no setor de chips, que arrasta a Ásia e ofusca até a escalada no Irã.

Overview

Wall Street fechou quarta-feira em recorde — o S&P 500 subiu 0,38%, a 7.572 pontos, o Nasdaq avançou 0,62% e o Dow, 0,29% — embalado pelo alívio do PPI americano de junho, que caiu 0,3% no índice cheio ante estabilidade esperada, com núcleo de apenas 0,2% ante 0,4% esperado, reforçando a leitura do CPI de terça de que a inflação ao produtor perdeu tração. Mas o humor girou nesta quinta: os futuros americanos abrem no vermelho, arrastados não pela macro, e sim por uma realização de lucros generalizada no setor de chips que já vinha castigando a Ásia — a bolsa da Coreia do Sul afundou 6,4%, puxada por SK Hynix e Samsung, o Nikkei caiu 2,8% e a bolsa chinesa recuou quase 2%. O estopim foi o balanço da TSMC: receita e margem vieram acima do esperado, mas o capex assustou — a fabricante anunciou investimento adicional de US$100 bilhões no Arizona, reacendendo a dúvida sobre o retorno do ciclo de inteligência artificial. Do lado geopolítico, o Irã ameaçou retaliação militar de larga escala no Oriente Médio depois de Trump afirmar que as forças americanas vão atingir usinas de energia e pontes iranianas sem avanço diplomático — mas o petróleo, paradoxalmente, opera em leve queda, sinal de que o mercado já não reage com a mesma intensidade a cada nova escalada.

No Brasil, a pendência de ontem se resolveu: o USTR confirmou a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros sob a Seção 301, com vigência a partir de 22 de julho. A medida isenta itens centrais da pauta exportadora — café, carne bovina, aeronaves e partes, terras raras e energia — mas mantém a cobrança sobre açúcar, papel, aço, vestuário e máquinas agrícolas; o Departamento de Comércio americano sinalizou outras 80 investigações da Seção 301 em aberto, com potencial de atingir China, União Europeia, Índia e Coreia do Sul. O governo Lula chamou o desfecho de marco lastimável, prometeu acionar a Lei de Reciprocidade Econômica e levar o caso à OMC, além de ativar o Plano Brasil Soberano e estudar subsídios a setores mais expostos. O Ibovespa já vinha precificando esse desfecho e fechou a quarta em leve queda — mais pela pesquisa Quaest, que ampliou a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, e pela cautela fiscal que empurrava a curva de juros longa para cima mesmo com o alívio inflacionário lá fora. Fica pendente a decisão do Copom de 4 e 5 de agosto, com o mercado precificando cerca de 86% de chance de corte de 0,25 ponto na Selic.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

A Pesquisa Mensal de Serviços de maio, divulgada ontem pelo IBGE, veio um pouco abaixo do esperado, mas as revisões dos meses anteriores confirmaram que o setor segue pujante — leitura que reforça a resiliência das famílias mesmo com a Selic em 14,25% e ajuda a explicar por que o Banco Central segue cauteloso quanto à velocidade de um eventual corte. A agenda de hoje traz a Pesquisa Mensal de Comércio de maio, às 9h, com o mercado esperando alta de 0,5% após a queda de 1,5% em abril — mais um termômetro do consumo antes da leitura do IBC-Br, proxy do PIB, amanhã.

Política

O ministro Flávio Dino, do STF, intimou os presidentes de 21 partidos — de PL a PT — a explicar em dez dias se controlam ou repassam internamente as emendas parlamentares sob sua indicação, movimento que integra a ADPF 854 e foi motivado pela entrevista em que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu a interferência partidária na distribuição das verbas; Dino classificou a prática de obviamente ilegal. No campo eleitoral, a pesquisa Quaest divulgada ontem mostrou Lula abrindo vantagem de 45% a 37% sobre Flávio Bolsonaro num cenário hipotético de segundo turno — ampliação que, somada à cautela fiscal, tem pesado sobre a curva de juros longa às vésperas da campanha de 2026.

Mercado

Há divergência clara entre as casas sobre o que esperar do Ibovespa até a eleição. O BTG lê o recuo de cerca de 15% desde a máxima histórica como zona de suporte técnico — a média móvel de 200 dias, em 170.313 pontos, não foi perdida, a amplitude do mercado melhorou (60% dos papéis acima da média de 50 dias, 53% acima da de 200) e o fluxo estrangeiro, embora ainda negativo no ano, já não sangra como em abril — e trata a lateralização dos últimos três pregões como pausa saudável após a alta de quase 3% do dia 10 de julho. Já a XP soa mais cautelosa: aponta que o resultado eleitoral e o quadro fiscal, refletido na redução das emissões do Tesouro e na maior oferta de LFTs nos leilões recentes, devem seguir ditando o humor local e provocar descolamento do Brasil em relação ao cenário externo, com volatilidade elevada até as urnas. Nos níveis, o Ibovespa fechou quarta a 176.011 pontos (-0,36%), com os futuros indicando abertura hoje perto de 177 mil; o dólar encerrou a R$5,0782 (+0,08%) e abre a manhã perto de R$5,08-5,09; a curva de juros subiu em bloco no fechamento de quarta, com os DIs mais longos avançando entre 0,25 e 0,32 ponto percentual, refletindo a mesma cautela fiscal.

Empresas

  • Ânima Educação (ANIM3): ação despencou 33% na quarta após anunciar a aquisição da FMU por R$410 milhões — giro elevado sugeriu venda forçada de posição institucional, não reação a fundamentos.
  • Oncoclínicas (ONCO3): recebeu oferta da IG4 Capital de R$500 milhões em debêntures conversíveis.
  • Brava Energia (BRAV3): a CVM aceitou recurso da Ecopetrol e destravou a OPA da companhia.
  • Paranapanema (PMAM3): recebeu proposta de US$40 milhões de uma holding de Dubai.

🌎 Global

Dados econômicos

O PPI americano de junho surpreendeu para baixo — caiu 0,3% no mês ante estabilidade esperada, com o núcleo em alta de apenas 0,2% ante 0,4% esperado, levando o núcleo anual de 4,9% para 4,7% — e, somado ao CPI ameno de terça, consolidou a leitura de que a inflação ao produtor perdeu tração nos Estados Unidos. A agenda de hoje traz o pedido de seguro-desemprego (esperado em 217 mil) e as vendas no varejo americanas, ambos às 9h30 de Brasília, além de vendas de imóveis.

Política

Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve desde maio, encerrou o segundo dia de depoimento semestral no Senado reafirmando o compromisso de combater a inflação, mas evitou sinalizar o rumo dos juros e negou ter recebido qualquer orientação da Casa Branca. O mercado segue sem precificar alta da taxa americana este ano.

Geopolítica e commodities

O Irã ameaçou retaliar em larga escala alvos no Oriente Médio depois de Trump afirmar que as forças americanas vão atacar usinas de energia e pontes iranianas sem avanço diplomático — quinta noite seguida de ataques na região, incluindo um petroleiro sancionado perto do principal terminal de exportação do país, com o Irã revidando contra bases americanas no Kuwait e na Jordânia. Ainda assim, o petróleo não acompanha a escalada: o Brent opera perto de US$85 e o WTI perto de US$80, ambos em leve queda e presos a uma resistência entre 85 e 87 dólares — bem abaixo dos US$92 vistos antes do cessar-fogo provisório anterior —, sinal de que o mercado já incorporou parte do prêmio de risco e busca rotas alternativas de escoamento. O ouro recua a US$4.030, o cobre sobe 0,78% a US$6,34 a libra e o bitcoin se mantém perto de US$64 mil.

📅 Agenda do dia

Brasil:

  • 09h00 — Pesquisa Mensal de Comércio de maio (IBGE), termômetro do consumo antes do IBC-Br de sexta.
  • Leilão de LTN e NTNF — Tesouro Nacional testa apetite ao risco após a alta em bloco da curva longa na quarta.
  • 22/07 — entrada em vigor da tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros, catalisador-mãe da semana.

Global:

  • 09h30 — pedido de seguro-desemprego nos EUA (esp. 217 mil) e vendas no varejo de junho.
  • Vendas de imóveis existentes nos EUA, à tarde.
  • Netflix reporta balanço do 2º trimestre após o fechamento (esp. LPA US$0,79, receita US$12,6 bi) — primeiro grande nome de tecnologia a testar o humor do mercado com chips sob pressão.
  • Próximas datas-chave: Copom em 4 e 5 de agosto; temporada de resultados do 2º trimestre nos EUA ganha tração nas próximas semanas, com o mercado de olho no capex das gigantes de tecnologia.

Fontes: Morning Call XP (16/7, youtube.com/watch?v=xZR86FU0N_U) e Morning Call BTG Pactual (16/7, youtube.com/watch?v=Z9Sf6TRQBZM); ustr.gov; usnews.com; moneytimes.com.br; poder360.com.br; conjur.com.br; infomoney.com.br; riotimesonline.com; cnbc.com; bloomberg.com; tradingeconomics.com; bls.gov.