
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Café com Mercado — Qua, 15/07/2026
09:45 BRT
O alívio do CPI americano esbarra no prazo do tarifaço dos EUA sobre o Brasil, no bloqueio naval em Ormuz e no PIB mais fraco da China em três anos.
Overview
O alívio do CPI americano de terça segue precificado nesta quarta: os futuros de Nova York sobem, puxados pela ASML, que elevou a previsão de vendas anuais citando demanda de inteligência artificial, e os Treasuries operam perto das mínimas desde 24 de junho. A temporada de balanços do segundo trimestre reforça a divisão do mercado americano: Morgan Stanley e Goldman Sachs bateram recordes — o Goldman teve o melhor trimestre de sua história de 157 anos —, mas a IBM afundou 25% na terça, o pior pregão da ação desde sempre, ao alertar que o resultado ficará abaixo do esperado e arrastar pares de software como ServiceNow e Salesforce. No Oriente Médio, o Irã segue sob pressão: os EUA lançaram nesta madrugada mais uma rodada de ataques a Teerã, a quarta noite consecutiva de combates, mantendo o petróleo pressionado. Na China, o PIB do segundo trimestre desacelerou para o ritmo mais fraco desde o fim de 2022, ainda que produção industrial e varejo de junho tenham surpreendido para cima. Kevin Warsh, à frente do Fed desde maio, faz nesta quarta o segundo dia de seu testemunho semestral, agora perante o Senado, repetindo o tom duro de terça de que a melhora da inflação "não é missão cumprida".
No Brasil, a bolsa e o câmbio ainda refletem o mesmo alívio: o Ibovespa fechou terça em alta de 0,51%, a 176.641 pontos, e o dólar recuou a R$5,078 (-1,06%) — mas a curva de juros já inverteu o sinal nesta manhã, com os DI longos subindo cerca de 0,49 ponto percentual, sinal de cautela renovada. O motivo é o prazo da Seção 301: o pacote tarifário dos EUA sobre o Brasil — até 25% sobre mais de 4 mil produtos, somado a uma sobretaxa de 12,5%, com potencial de chegar a 37,5% em alguns setores — vence hoje sem acordo confirmado até o fechamento desta edição. O Planalto trabalha com três cenários — aplicação da tarifa, tida como mais provável, adiamento por razões políticas ou adiamento técnico — e mantém Pix e etanol como linhas vermelhas; a CNI pediu formalmente a Trump o adiamento do prazo e a redução da alíquota. Em paralelo, o Copom de 4 e 5 de agosto segue precificado com cerca de 75% de chance de corte de 0,25 ponto na Selic, hoje em 14,25%.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
O IBGE divulgou pela manhã a PMS de maio, com queda de 0,4% m/m no setor de serviços, sinal de atividade perdendo fôlego que reforça o espaço para o Copom cortar a Selic em agosto. Ainda nesta quarta, a Secretaria de Política Econômica publica às 14h o Boletim Macrofiscal e o Banco Central divulga às 14h30 o fluxo cambial semanal.
Política
O Supremo deu ao Congresso 30 dias para explicar irregularidades na destinação de emendas parlamentares, em decisão do ministro Flávio Dino publicada na terça. No Legislativo, a pauta econômica segue travada às vésperas do recesso — regulamentação das bets, fim da escala 6x1, tributação do chamado "imposto do pecado" e ajustes no Simples Nacional — enquanto o desfecho do tarifaço americano se consolida como o evento político-econômico central do dia.
Mercado
O Ibovespa futuro abriu a quarta perto da estabilidade, a 178.240 pontos, mas perdeu força ao longo da manhã e chegou a cair 0,73%, a 176.995 pontos; o dólar opera estável, entre R$5,078 e R$5,079. Entre as casas, a leitura sobre o momento de risco diverge: o BTG mantém o viés defensivo na carteira mensal, trocando por Embraer, Itaú e Totvs, e concentra a carteira de dividendos em pagadoras como Allos, Petrobras, Bradesco e Vale; já a Empiricus trocou Direcional por Cyrela no dividendos, apostando que o setor imobiliário resiste mesmo com a Selic a 14,25% — divergência clara sobre até que ponto o juro alto ainda pesa sobre os cíclicos domésticos.
Empresas
- Engie Brasil (EGIE3): precificou o follow-on na terça a R$30,50 por ação, captando R$8,36 bilhões, a maior parte destinada à incorporação de 40% da Jirau Energia (R$5,74 bilhões).
🌎 Global
Dados econômicos
O PIB chinês do segundo trimestre cresceu 4,3% na comparação anual, abaixo dos 4,5% esperados e desacelerando ante os 5,0% do trimestre anterior — o ritmo mais fraco desde o fim de 2022, pressionado pela demanda doméstica fraca e pelo choque do conflito no Oriente Médio. Os dados de atividade de junho, porém, surpreenderam para cima: a produção industrial subiu 5,3% na comparação anual (esperado 4,6%) e as vendas no varejo cresceram 1,0% no mês, revertendo a queda de maio. Nos Estados Unidos, sai às 8h30 (horário de Nova York) o PPI de junho, com o consenso apontando estabilidade no índice cheio e alta de 0,4% no núcleo.
Política
Kevin Warsh, no comando do Fed desde maio, faz nesta quarta o segundo dia de seu testemunho semestral de política monetária, agora perante o Comitê Bancário do Senado, depois de comparecer à Câmara na terça. Repetiu que a melhora do CPI de junho "não é missão cumprida" e, pela primeira vez desde que assumiu, sinalizou como o Fed pode reagir a partir daqui; a senadora Elizabeth Warren cobrou transparência sobre projeções econômicas ainda não divulgadas pelo comitê. O mercado segue precificando cerca de 20% de chance de alta de juros na reunião de 29 de julho — resquício do viés duro que vigorava antes do CPI, não uma aposta em corte.
Geopolítica e commodities
No Estreito de Ormuz, os Estados Unidos recuaram do plano de cobrar pedágio de 20% sobre as cargas que cruzam a região — medida que enfrentava forte resistência do setor de navegação, com custo estimado em US$32 milhões por petroleiro — e substituíram a proposta por um bloqueio naval formal aos portos iranianos, endurecido após mais uma rodada de ataques a Teerã nesta madrugada. O petróleo segue pressionado mesmo sem o pedágio: o Brent opera perto de US$85,70 (alta de cerca de 1%) e o WTI, perto de US$80. O ouro cede a US$4.032 (-0,54%), corrigindo o rali de terça, enquanto o bitcoin sobe para a faixa de US$64.600-64.800.
📅 Agenda do dia
Brasil:
- 09h — PMS de maio (IBGE)
- 14h — Boletim Macrofiscal (SPE/Fazenda)
- 14h30 — Fluxo cambial semanal (Banco Central)
- Catalisador do dia: desfecho da Seção 301 — o prazo do tarifaço americano sobre o Brasil vence hoje.
Global:
- 08h30 (Nova York) — PPI de junho dos EUA
- 10h (Washington) — Kevin Warsh testemunha no Comitê Bancário do Senado
- Próximas datas-chave: Copom em 4 e 5 de agosto; decisão do Fed em 29 de julho.
Fontes: InfoMoney · CNBC · Fortune · CNN · FXStreet · Money Times · Seu Dinheiro · Poder360 · O Tempo · CNBC
