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Colagem fotorrealista de petroleiro no Estreito de Ormuz ao entardecer, gráfico de petróleo em alta e prédios de bancos, com faixa escura no topo para a manchete

terça-feira, 14 de julho de 2026

Café com Mercado — Terça, 14/07/2026

10:30 BRT

O CPI de junho veio muito mais fraco que o esperado e tirou a alta de juros de julho da mesa, mas o petróleo segue em disparada com o pedágio americano em Ormuz.

Overview

O dia tinha um roteiro e ganhou outro às 9h30. O CPI de junho dos Estados Unidos caiu 0,4% no mês e levou a inflação anual de 4,2% para 3,5%, contra consenso de queda de 0,1% a 0,2% e taxa perto de 3,8%. O núcleo ficou estável no mês e recuou a 2,6% em doze meses, ante 2,9% esperados. É a maior queda mensal do índice cheio desde abril de 2020, puxada por um tombo de 5,7% em energia, e — mais relevante para o Fed — por serviços que pararam de subir: aluguéis avançaram só 0,1% e transportes recuaram 0,3%. A reação foi imediata. A probabilidade de alta de 0,25 p.p. na reunião de 29 de julho, que a segunda-feira precificava em 42%, desabou para 17%; o juro de 2 anos cedeu 8 pontos-base, a 4,18%, o de 10 anos voltou para ~4,55%, o dólar (DXY) caiu para 100,5 e o ouro saltou 1,95%, a US$4.083. Nos futuros, a leitura foi cirúrgica: Nasdaq 100 +1,4% e S&P 500 +0,5%, com o Dow praticamente parado — o índice cíclico não celebra um dado benigno de inflação enquanto o petróleo ameaça contaminar o próximo.

E o petróleo continua ameaçando. A escalada em Ormuz não deu trégua: o Irã lançou mísseis balísticos contra uma base americana na Jordânia, o Centcom emendou a terceira noite seguida de ataques e Trump notificou formalmente o Congresso da retomada dos combates, enquanto o pedágio de 20% sobre toda a carga que cruzar o estreito começa a ser cobrado. O Brent segue em US$86,92 (+4,35%) e o WTI em US$80,69 (+3,26%). Daí a assimetria do dia: o mercado de juros comemora o retrovisor enquanto a geopolítica escreve o para-brisa. No Brasil, o alívio chegou pelo câmbio — o dólar furou os R$5,10 — e o Ibovespa futuro abriu em leve alta, a 177.555 pontos. As decisões pendentes seguem de pé: o depoimento de Kevin Warsh no Congresso às 11h, o leilão de NTN-B às 11h45 e, amanhã, o desfecho da Seção 301 sobre as exportações brasileiras.

🇧🇷 Brasil

Dados econômicos

O boletim Focus de ontem reduziu a projeção de IPCA 2026 de 5,30% para 5,16%, segunda revisão semanal seguida para baixo, e manteve a Selic em 14% neste ano e 12% em 2027. As opções de Copom na B3 seguem precificando ~75% de probabilidade de corte de 0,25 p.p. na reunião de 4 e 5 de agosto. O ponto de atrito é o petróleo: com o Brent em alta de dois dígitos na semana, o ciclo longo de cortes fica difícil de sustentar no preço, ainda que o ponto de partida da inflação tenha melhorado. O próximo termômetro é o IBC-Br, na sexta-feira.

Política

O prazo do USTR para a Seção 301 vence amanhã e nenhuma decisão foi anunciada até agora. O representante comercial americano, Jamieson Greer, disse que Brasil e Estados Unidos seguem "longe de um acordo". O pacote em discussão prevê tarifa de 25%, com adicional de 12,5% sob a alegação de trabalho forçado. O Planalto já trabalha com a confirmação da tarifa, resiste a ceder no Pix e cogita acionar a Lei de Reciprocidade. Aqui dentro, o Senado deve votar o frete mínimo; a paralisação de caminhoneiros segue sem confirmação.

Mercado

O Ibovespa fechou segunda-feira em queda de 1,2%, a 175.739 pontos, e o futuro abriu esta manhã a 177.555 pontos, em leve alta, apoiado pelo recuo do dólar após o CPI. Há divergência clara entre as casas sobre o que fazer com esse alívio. O BTG Pactual trata o dado como retrovisor e mantém tom defensivo: para a casa, o que importa é a composição do núcleo daqui para a frente, porque o choque de petróleo ainda não entrou na conta, e sua equipe macro trabalha com o Fed revertendo os cortes de 2025 a partir de setembro. Considera o fluxo estrangeiro para a bolsa técnico, não estrutural — consequência de bolsa barata em dólar, não de melhora de fundamento — e vê a NTN-B a IPCA+8% como insustentável no longo prazo, transformando o leilão de hoje em ponto de atenção. Do outro lado, o Safra mantém viés construtivo e projeta o Ibovespa a 198 mil pontos no fim de 2026, patamar próximo do alvo de 200 mil adotado pela XP. A Genial fica no meio-termo, com carteira defensiva puxada por nomes ligados a um dólar mais forte. Entre os bancões, o Bradesco BBI prefere Itaú (alvo R$45) a BB (R$20) e Santander (R$29).

Empresas

  • Engie Brasil (EGIE3): precificação do follow-on hoje, oferta primária de até R$10,5 bi (R$5,74 bi destinados a reforçar a fatia em Jirau), coordenada por Itaú BBA, Santander, Bradesco BBI, BTG Pactual e Morgan Stanley; resultado deve sair após o fechamento.
  • Enel São Paulo: a Aneel aprovou reajuste tarifário de 10,18% e já iniciou o processo de caducidade da concessão, que vence em 2028; Equatorial, Neoenergia e CPFL avaliam comprar a distribuidora.

🌎 Global

Dados econômicos

O CPI de junho recuou 0,4% no mês, contra expectativa de queda de 0,1% a 0,2%, e levou o índice cheio de 4,2% para 3,5% em doze meses. O núcleo ficou estável no mês, com a taxa anual caindo de 2,9% para 2,6%. Energia despencou 5,7% no mês — gasolina e óleo combustível recuaram mais de 9% —, mas ainda acumula alta de 15,7% em um ano. O detalhe que interessa ao Fed está nos serviços: excluindo energia, ficaram estáveis, com aluguéis em +0,1% e transportes em -0,3%. A temporada bancária, por sua vez, confirmou a boa largada. O Bank of America entregou lucro por ação de US$1,21 (ante US$1,13 esperados) e receita de US$31,6 bi, alta de 15%, com provisões em queda. O Citigroup reportou lucro por ação de US$3,15 (ante US$2,73) e receita de US$24,77 bi, a maior em uma década, com lucro 45% acima do ano anterior puxado por trading e banco de investimento. Goldman Sachs, Wells Fargo e JPMorgan já haviam batido as estimativas na véspera, embora o JPMorgan tenha sido penalizado na abertura pelo lado das despesas.

Política

Kevin Warsh faz hoje, às 11h, seu primeiro depoimento semestral como presidente do Fed, na Câmara, com etapa no Senado amanhã. Vinha comprando credibilidade com discurso duro — e o CPI de hoje complica esse roteiro. Ontem, Christopher Waller havia dito que o Fed "não vai se esquivar" de subir juros se preciso; o dado tirou a alta de julho da mesa, mas setembro segue vivo, com o mercado ainda atribuindo cerca de 60% de chance de a taxa estar acima do nível atual naquela reunião. A sequência de falas de dirigentes ao longo do dia — Barr, Goolsbee, Cook e Bowman — passa a valer mais do que o de costume.

Geopolítica e commodities

O Irã lançou mísseis balísticos contra uma base americana na Jordânia e o Centcom respondeu com a terceira noite consecutiva de ataques, mirando defesa costeira e sítios de mísseis e drones. Trump notificou formalmente o Congresso da retomada dos combates e mantém o anúncio de controle sobre o Estreito de Ormuz, com pedágio de 20% sobre toda a carga em trânsito. A mudança de postura é o que assusta: até semana passada o objetivo declarado era manter o estreito aberto; agora, é cobrar por ele. O Brent opera a US$86,92 (+4,35%) e o WTI a US$80,69 (+3,26%), com casas já cogitando US$100 se a disrupção persistir. O ouro dispara 1,95%, a US$4.083, recuperando com folga a marca dos US$4.000 perdida na madrugada, agora com o juro americano cedendo. Bitcoin segue perto de US$62,6 mil. Na Ásia, o Kospi chegou a cair cerca de 8% intradia com SK Hynix, mas fechou em alta de 0,75%, a 6.856,83 pontos, com o papel revertendo para +3,7% na compra institucional; Shanghai subiu 1,36% e o Nikkei, 0,7%, apoiado pelas petroleiras. A Europa segue cautelosa, com o Stoxx 600 em queda de cerca de 0,7%.

📅 Agenda do dia

Brasil

  • 11:45 — leilão de NTN-B e LFT do Tesouro (a NTN-B a IPCA+8% é o ponto de atenção do dia na renda fixa)
  • Precificação do follow-on da Engie Brasil (EGIE3), ~R$10,5 bi, com resultado após o fechamento
  • Sexta-feira: IBC-Br, próximo termômetro de atividade

Global

  • 11:00Kevin Warsh depõe na Câmara (House Financial Services), primeiro depoimento semestral como presidente do Fed
  • 13:40 Barr · 14:00 Goolsbee (não votante) · 14:30 Lisa Cook · 15:55 Bowman — a leitura oficial do CPI pelo colegiado
  • À noite: dados da China — PIB, produção industrial e vendas no varejo
  • Próximas datas-chave: Warsh no Senado e decisão do USTR sobre a Seção 301, ambos 15/07; Fed 29/07; Copom 4-5/08

Fontes: BTG Pactual (Morning Call, transcrito) · XP (Morning Call, transcrito) · BLS · CNBC · Investing.com · InfoMoney · Money Times · CBS News · Reuters · Yahoo Finance · Aneel