
segunda-feira, 13 de julho de 2026
Café com Mercado — seg, 13/07/2026
09:45 BRT
Petróleo dispara com nova escalada entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz, mas o Ibovespa segue na contramão, blindado pela aposta em corte de juros em agosto.
Overview
A escalada entre Estados Unidos e Irã dominou a agenda global no fim de semana. Depois de Trump declarar encerrado o cessar-fogo, os EUA lançaram uma quarta rodada de ataques ao Irã — mais de 300 alvos atingidos em três noites —, na sequência de o Irã atacar um navio porta-contêiner no Estreito de Ormuz e declarar a via "fechada até nova ordem"; o Comando Central dos EUA contesta e diz que o tráfego segue livre. O Brent disparou para a faixa de US$78-79 e turbinou o temor inflacionário nos Estados Unidos: as Treasuries de 10 anos subiram para perto de 4,58% (máxima em sete semanas) e o mercado começou a repreçar a hipótese de o Fed até subir juros, não mais cortar como se esperava no início do ano. Em contraponto, o ouro recuou (~US$4.064, -1,2%) e o Kospi despencou 5,6% com a realização de lucro na SK Hynix (-13%), uma semana depois de sua estreia recorde na Nasdaq; as bolsas americanas abrem em queda, com o Nasdaq mais pressionado.
Na contramão do humor externo, o Ibovespa segue em rali: fechou sexta a 177.866 pontos (+2,97%), terceira semana seguida de alta, e o futuro operava nesta manhã perto de 180.138 pontos (+2,91%), blindado pelo petróleo mais caro — que favorece a Petrobras — e pelo avanço da aposta em corte de juros. O Boletim Focus, divulgado hoje, trouxe o mercado cortando pela segunda semana seguida a projeção de IPCA 2026 (para 5,16%) e elevando a probabilidade embutida nas opções da B3 de um corte de 0,25 ponto no Copom de 4-5 de agosto para 75%. Do lado político, pesa o prazo de quarta-feira (15/7) para o desfecho do tarifaço americano sobre o Brasil e a corrida eleitoral de 2026, com pesquisa Nexus mostrando Lula à frente de Flávio Bolsonaro.
🇧🇷 Brasil
Dados econômicos
O Boletim Focus desta segunda trouxe o mercado revisando para baixo, pela segunda semana seguida, a projeção de IPCA para 2026, agora em 5,16% (de 5,30%), com a Selic no fim do ano mantida em 14% e o câmbio em R$5,20. É reflexo direto da surpresa baixista do IPCA de junho (+0,16% m/m) divulgado na sexta. Na B3, o mercado de opções sobre o Copom de 4-5 de agosto já precifica 75% de chance de corte de 0,25 ponto — ante apenas 15% no início de junho —, com o open interest saltando 43% para 3,5 milhões de contratos e a chance de manutenção caindo a cerca de 21%. O próximo termômetro relevante é o IBC-Br, que sai sexta-feira (17/7).
Política
O prazo decisivo para o tarifaço americano vence nesta quarta (15/7): o USTR deve concluir a investigação da Seção 301 e anunciar a tarifa sobre produtos brasileiros, que o mercado teme possa chegar a 25%, com um adicional de 12,5% em estudo por acusação de trabalho forçado. Mais de quatro mil itens exportados e cerca de US$14,9 bilhões em vendas ao exterior estão em risco; multinacionais como Tesla, Coca-Cola, Nestlé, Siemens Energy e eBay já se manifestaram ao USTR contra a taxação. No front eleitoral, pesquisa Nexus mostra Lula com 47% das intenções de voto contra 44% de Flávio Bolsonaro, com rejeição elevada dos dois lados — o mercado não vê nisso, por ora, gatilho para nova movimentação de preços.
Mercado
O Ibovespa encerrou sexta em 177.866 pontos (+2,97%), terceira semana seguida de alta, e o futuro operava nesta manhã perto de 180.138 pontos (+2,91%). Para a XP, o tombo do IPCA somado à virada técnica de sexta-feira — indicadores de sobrevenda revertendo, preço voltando a operar acima da média móvel de 200 períodos — configura sinal de fundo, com o múltiplo do índice ainda em 8,5 vezes lucro (ante média histórica de ~10,2 vezes) sustentando espaço de alta de até 15% rumo a uma meta próxima de 199-200 mil pontos. Há divergência clara entre as casas sobre a sustentabilidade do movimento: enquanto a XP reforça a recomendação de renda variável e lê o fluxo estrangeiro — ainda positivo em R$33 bilhões no ano — como estruturalmente resiliente, a Genial rebalanceou a carteira de julho para um viés mais defensivo, tirando papéis cíclicos e exportadores como ABEV3, VALE3, USIM5 e VBBR3 e trazendo BBSE3, CPLE3, CXSE3 e ENEV3 à espera de um dólar mais forte à frente.
Empresas
- Engie Brasil (EGIE3): precifica nesta terça (14/7) o follow-on que pode somar até R$10,5 bilhões, com a oferta primária de R$5,74 bilhões destinada a reforçar a fatia na hidrelétrica de Jirau.
- Enel São Paulo (distribuidora): Equatorial, Neoenergia (Iberdrola) e CPFL (State Grid) avaliam internamente uma oferta pela concessão, ainda sem bancos mandatados; a AGU já considera insuficientes os argumentos da Enel contra o processo de caducidade aberto pela Aneel.
🌎 Global
Dados econômicos
A semana é decisiva para o rumo dos juros americanos: o CPI de junho sai nesta terça (14/7), primeiro grande teste de como o choque do petróleo está contaminando a inflação ao consumidor, seguido de PPI na quarta (15/7) e vendas no varejo na quinta (16/7). Também na terça, cinco dos maiores bancos dos Estados Unidos — JPMorgan, Goldman Sachs, Bank of America, Wells Fargo e Citigroup — abrem a temporada de resultados do segundo trimestre antes do pregão, com a TSMC servindo de termômetro para a demanda de chips de inteligência artificial ao longo da semana.
Política
Kevin Warsh faz nesta semana seu primeiro depoimento ao Congresso como presidente do Fed, sob atenção redobrada: o mercado começou o ano precificando dois a três cortes de juro em 2026 e hoje pondera até uma eventual alta, a depender de quanto o petróleo mais caro pressionar o CPI. As Treasuries já reagem — a de 10 anos subiu a perto de 4,58% (máxima em sete semanas) e a de 2 anos está no maior nível desde o início de 2025. A decisão do Fed sai em 29/7, com o mercado ainda atribuindo cerca de 80% de chance de manutenção da taxa em 3,50%-3,75%.
Geopolítica e commodities
A trégua entre Estados Unidos e Irã, dada por encerrada por Trump, deu lugar a uma quarta rodada de ataques americanos no fim de semana — mais de 300 alvos atingidos em três noites —, depois de o Irã atacar um navio porta-contêiner no Estreito de Ormuz e declarar a via "fechada até nova ordem"; o Comando Central dos EUA contesta e diz que o tráfego segue livre. O Brent disparou para a faixa de US$78-79 (WTI ~US$74-75), maior nível em semanas, turbinando o temor inflacionário que já move as Treasuries. Em contraponto, o ouro caiu para ~US$4.064 (-1,2%) — o aperto monetário pesou mais que a busca por proteção — e o bitcoin recuou a ~US$63 mil. Na Ásia, o Kospi despencou 5,6%, puxado pela realização de lucro na SK Hynix (-13%), que contagiou Kioxia (-12%) e Samsung (-9%) uma semana depois da maior estreia estrangeira da história da Nasdaq (US$26,5 bilhões); Nikkei recuou 1,1%, Shanghai caiu 2,1% e Hang Seng subiu 0,2%. Na Europa, petroleiras como BP e Eni sobem mais de 2% enquanto papéis de tecnologia como ASML e Infineon cedem, deixando o STOXX 600 perto da estabilidade.
📅 Agenda do dia
- Brasil: 14/7 (terça) — Engie Brasil precifica follow-on de até R$10,5 bi.
- Brasil: 15/7 (quarta) — prazo do USTR para a decisão do tarifaço (Seção 301) sobre produtos brasileiros.
- Brasil: 17/7 (sexta) — IBC-Br, próximo termômetro relevante para o Copom.
- Brasil: 4-5/8 — reunião do Copom; mercado precifica 75% de chance de corte de 0,25 ponto, para 14,00%.
- Global: 14/7 (terça) — CPI dos EUA (junho), catalisador-chave para o Fed; abertura da temporada de resultados do 2º tri com JPMorgan, Goldman Sachs, BofA, Wells Fargo e Citigroup; primeiro depoimento de Kevin Warsh ao Congresso como presidente do Fed.
- Global: 15/7 (quarta) — PPI dos EUA.
- Global: 16/7 (quinta) — vendas no varejo dos EUA.
- Global: 17/7 (sexta) — CPI da zona do euro.
- Global: 29/7 (quarta) — decisão de juros do Fed; mercado precifica ~80% de manutenção da taxa em 3,50%-3,75%.
- Próximas datas-chave: resultados de TSMC, Netflix, Morgan Stanley, US Bancorp e BlackRock ao longo da semana.
Fontes: Morning Call XP (transcrição, YouTube); Suno; InfoMoney; Forbes; Rio Times; Revista Oeste; Band; Diário de Pernambuco; NeoFeed; XP Radar Energia; Genial Analisa; CNN (https://www.cnn.com/2026/07/11/world/live-news/iran-war-trump); Bloomberg (https://www.bloomberg.com/news/articles/2026-07-13/treasury-two-year-yield-rises-to-highest-since-2025-on-oil-gain); Al Jazeera (https://www.aljazeera.com/economy/2026/7/13/oil-prices-jump-as-us-and-iran-trade-attacks-over-strait-of-hormuz); Yahoo Finance UK (https://uk.finance.yahoo.com/news/european-stocks-decline-escalating-middle-131107826.html); AP via US News (https://www.usnews.com/news/business/articles/2026-07-13/oil-prices-jump-and-asian-shares-slip-as-us-and-iran-carry-out-airstrikes). Nota: morning calls da BTG e da Genial de hoje não tiveram legenda disponível a tempo (vídeos publicados poucas horas antes desta edição); a narrativa dessas casas usa a carteira recomendada de julho (texto) e conteúdo de dias recentes.
